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Natura desrespeita lei Cidade Limpa

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natura_descanse

Mais uma mega empresa faz a prefeitura de São Paulo de otária.

Com o tema “poesia concreta” diversos letreiros gigantes foram instalados na cidade. Com autorização municipal, os letreiros exibem as palavras “descanse”, “relaxe” e outras que remetem ao questionamento da rotina na metrópole.

A questão é que a empresa de cosméticos Natura veicula campanha da linha de produtos “Todo dia” tratando do mesmo tema. A campanha propõe a valorização da rotina e dos pequenos momentos que compõe o dia a dia. Obviamente, as imagens e mensagens leves e fofinhas vendem a idéia de que o uso de cosméticos deve ser incorporado à rotina de toda mulher.

Além do vídeo do tal dia a dia, que diz que é preciso “resgatar os momentos que estamos perdendo nessa rotina maluca”, a Natura tem uma campanha de… Poesia concreta, claro.

O jornal Folha de S. Paulo traz hoje, 14/07, boa reportagem crítica apontando a mensagem subliminar das instalações e registrando as declarações da presidente da Emurb, de um dos artistas e da Natura. Segundo o jornal, a Natura afirmou que apoia o projeto “Poesia Concreta”, do grupo artístico Bijari, mas ressaltou que “não veicula sua publicidade em mídias que interfiram na paisagem urbana”.

Em abril, a Vodca Absolut também desafiou a lei fazendo uso da mesma arte. A empresa instalou, em diversos pontos da cidade, globos espelhados sem logotipos ou qualquer outra publicidade evidente. Os globos remetiam a sua campanha “Absolut disco”, veiculada em diversos meios.

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Written by panopticosp

julho 14, 2009 at 10:07

Lelé da cuca

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É engraçado como as grandes empresas foram criando uma nova lingüagem com o propósito de se livrar de responsabilidades; tempos verbais novos e pessoas novas. Falam no gerúndio sobre o futuro e de si próprio sem “eu” ou “nós”, a questão é sempre com os outros.

Você liga para a Telefonica dizendo que sua conexão de internet não está funcionando e eles pedem para você ligar o modem na tomada, transferem a ligação para outros três departamentos “responsáveis” e quando você, quase convencido de que a culpa é sua, resolve questioná-los mais uma vez, a linha é derrubada.

Os grandes varejistas, por exemplo, adoraram ditar regras sobre consumo responsável, regras que não cumprem, claro. Depois dos dez princípios do pacto global, outra rede chega com os 10 mandamentos, que, perceba abaixo, dá a entender que “cada um de nós pode fazer sua parte” e que um gigante multinacional do comércio pode fazer pouco.

1. CONTROLE e economize no orçamento doméstico.
2. COMPARE sempre os preços antes de comprar.
3. CONFIRA a origem e os prazos de validade dos produtos.
4. PROCURE sempre frutas, legumes, carnes e peixes frescos.
5. CONHEÇA os seus direitos de consumidor.
6. CONTRIBUA na melhoria de produtos e serviços utilizando o SAC das empresas.
7. APROVEITE bem o seu tempo, resolvendo tudo num só lugar.
8. PEÇA sempre o seu cupom fiscal, a garantia de sua compra.
9. EXIJA sempre o melhor atendimento.
10. ESCOLHA empresas comprometidas com o desenvolvimento sustentável.

Sobre o item 10, podemos seguir o conselho sustentável, usar a cuca e exigir que o proponente seja punido, pois o próprio declara em seu site que desmata demais. O departamento de marketing não anda muito bem da cuca.

A sacada e o texto abaixo é do Amazônia.org.br (dica do blog do Sakamoto):

O Carrefour possuia até 2007 mais de 100 mil cabeças de gado na Amazônia Legal, cujo abate é realizado em parte pela Friboi e cuja origem parece ser, em sua maioria, ilegal. Quem o sugere é o próprio Carrefour, em seu site. Das várias fazendas que possuia, a empresa menciona apenas aquela supostamente melhor em termos de desempenho ambiental, isto é a São Marcelo, em Juruena, no Noroeste de Mato Grosso.

Na realidade, as fazendas de gado da rede Carrefour, no Mato Grosso, foram vendidas no segundo semestre de 2007 para a viúva e filhos do fundador da rede, o francês Jacques Defforey.

De qualquer forma, se “quase a metade” da fazenda São Marcelo tiver ainda mata nativa – admitindo portanto que ela tenha aproximadamente 40% de cobertura florestal – metade da produção adquirida pelo Carrefour desta fazenda seria ilegal, pois o mínimo que a lei exige nesta região é uma cobertura florestal de 80%. O Carrefour nem sequer menciona as outras fazendas. Entre elas há a Vale do Sepotuba e a Matovi, que possivelmente devem apresentar indicadores de ilegalidade maiores, pois nem sequer aparecem na lista “Garantia de Origem” do mesmo site. (Fonte: Amazônia.org.br

:: Continue lendo Na Amazônia, cuca vai pegar o Carrefour, Amazônia.org.br

Relacionados:
Família Senna, responsável… por escravidão

Written by panopticosp

fevereiro 18, 2008 at 12:02

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Cidades publicitárias 2

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Mais uma cidade onde as crianças pedalam e brincam sozinhas e tranqüilas pelo bairro.

Não, nada de mães puxando os filhos pelos braços para atravessar a faixa negra que separa os currais reservados aos pedestres, nada de pai assustado gritando “olha a rua, moleque”, tampouco grupo de crianças correndo para atravessar a rua “antes que abra o sinal”.

É o milagre do Natal! É a cidade da JC Penney, uma das maiores redes varejistas da terra do varejo.

Relacionado:
Cidades publicitárias, artigo, Panóptico
Lugar de criança é na rua, artigo, Apocalipse Motorizado

Written by panopticosp

novembro 22, 2007 at 14:35

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Área total do Wal Mart é maior que Manhattan

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walmartmanhattan.jpg
Pesquisa e imagem Future Farmers. Fonte: Good Magazine’s. Via: boingboing.

A área total ocupada pelo Wal Mart é maior que a área total de Manhattan; a rede de lanchonetes Subway tem área total do tamanho do Central Park.

Para qual fim estamos ocupando o solo?

Written by panopticosp

outubro 16, 2007 at 11:56

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É Natal

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Ahhh o natal, tempo de

desrepeito a sua individualidade,
calar-se diante das autoridades familiares,
reencontros indesejáveis,
sorrisos amarelos,
entrar em contato com sentimentos dolorosos,
ser tratado pelos pais como uma pessoa de 12 anos,
ser tratado pelos avós como uma pessoa de 9 anos,
comprar objetos inúteis e descartáveis,
encarar ruas entupidas de carros com pessoas que foram comprar objetos inúteis,
gastar mais do que deveria com o que não deveria,
comer exatamente os mesmos pratos dos natais anteriores,
elogiar com alguma sinceridade os pratos de sempre,
não lavar o próprio talher depois de comer os pratos de sempre,
ouvir músicas animadas que nunca ouviu e pagaria para não ouvir,
tentar uma ou outra opinião e ser indagado pela mãe com um “mas vc não gosta disso”,
pensar duas vezes antes de corrigir o tempo verbal da indagação: eu não gostaVA.

Technorati Tags: família, natal

Written by panopticosp

dezembro 21, 2006 at 20:22

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