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Lelé da cuca

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É engraçado como as grandes empresas foram criando uma nova lingüagem com o propósito de se livrar de responsabilidades; tempos verbais novos e pessoas novas. Falam no gerúndio sobre o futuro e de si próprio sem “eu” ou “nós”, a questão é sempre com os outros.

Você liga para a Telefonica dizendo que sua conexão de internet não está funcionando e eles pedem para você ligar o modem na tomada, transferem a ligação para outros três departamentos “responsáveis” e quando você, quase convencido de que a culpa é sua, resolve questioná-los mais uma vez, a linha é derrubada.

Os grandes varejistas, por exemplo, adoraram ditar regras sobre consumo responsável, regras que não cumprem, claro. Depois dos dez princípios do pacto global, outra rede chega com os 10 mandamentos, que, perceba abaixo, dá a entender que “cada um de nós pode fazer sua parte” e que um gigante multinacional do comércio pode fazer pouco.

1. CONTROLE e economize no orçamento doméstico.
2. COMPARE sempre os preços antes de comprar.
3. CONFIRA a origem e os prazos de validade dos produtos.
4. PROCURE sempre frutas, legumes, carnes e peixes frescos.
5. CONHEÇA os seus direitos de consumidor.
6. CONTRIBUA na melhoria de produtos e serviços utilizando o SAC das empresas.
7. APROVEITE bem o seu tempo, resolvendo tudo num só lugar.
8. PEÇA sempre o seu cupom fiscal, a garantia de sua compra.
9. EXIJA sempre o melhor atendimento.
10. ESCOLHA empresas comprometidas com o desenvolvimento sustentável.

Sobre o item 10, podemos seguir o conselho sustentável, usar a cuca e exigir que o proponente seja punido, pois o próprio declara em seu site que desmata demais. O departamento de marketing não anda muito bem da cuca.

A sacada e o texto abaixo é do Amazônia.org.br (dica do blog do Sakamoto):

O Carrefour possuia até 2007 mais de 100 mil cabeças de gado na Amazônia Legal, cujo abate é realizado em parte pela Friboi e cuja origem parece ser, em sua maioria, ilegal. Quem o sugere é o próprio Carrefour, em seu site. Das várias fazendas que possuia, a empresa menciona apenas aquela supostamente melhor em termos de desempenho ambiental, isto é a São Marcelo, em Juruena, no Noroeste de Mato Grosso.

Na realidade, as fazendas de gado da rede Carrefour, no Mato Grosso, foram vendidas no segundo semestre de 2007 para a viúva e filhos do fundador da rede, o francês Jacques Defforey.

De qualquer forma, se “quase a metade” da fazenda São Marcelo tiver ainda mata nativa – admitindo portanto que ela tenha aproximadamente 40% de cobertura florestal – metade da produção adquirida pelo Carrefour desta fazenda seria ilegal, pois o mínimo que a lei exige nesta região é uma cobertura florestal de 80%. O Carrefour nem sequer menciona as outras fazendas. Entre elas há a Vale do Sepotuba e a Matovi, que possivelmente devem apresentar indicadores de ilegalidade maiores, pois nem sequer aparecem na lista “Garantia de Origem” do mesmo site. (Fonte: Amazônia.org.br

:: Continue lendo Na Amazônia, cuca vai pegar o Carrefour, Amazônia.org.br

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Written by panopticosp

fevereiro 18, 2008 às 12:02

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