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O perigoso vendedor de toucas de lã contra as cinco viaturas da Guarda Municipal

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Vídeo: mauriciommaia

Na última segunda-feira, mais um perigoso vendedor ambulante foi preso pela Guarda Civil Metropolitana – GCM.

Ele vendia toucas de inverno não aprovadas pela lei municipal “0023 – Coleção Outono-Inverno 2009”, sancionada no último mês.

Segundo a dupla de guardas responsável pela abordagem foi necessário jogar o vendedor no chão, imobilizá-lo no asfalto e requerer reforço de quatro viaturas armadas. Isso porque a matéria-prima dos aquecedores de cabeça era perigosa e fora reprovada pelo órgão municipal competente, ao apresentar Índice de Requinte 3.

Nossa reportagem procurou a administração municipal e teve acesso aos documentos do IMCR – Instituto Municipal de Controle do Requinte, responsável pela formulação e publicação do Índice de Requinte São Paulo.

O documento lista artigos variados, modelos, materiais e dá outras providências. A Subseção VII trata de “Chapéus, toucas, bonés e acessórios para a cabeça”, constando no artigo 36 a interdição para toucas de lã.

O gênero alimentício também foi contemplado pela publicação. Abacaxis doces, mangas frescas e melancias suculentas estão entre os artigos proibidos.

Procurada, a GCM encaminhou ao Panóptico cópia de ofício do gabinete do Instituto de Controle do Requinte. Nele, lê-se:

Lã: 1. junta bolinhas deselegantes, 2. volumoso, 3. barato

Classificação: 3. Nível de requinte: grave.

Recolham-se os artigos que levam, total ou parcialmente, em sua formulação esta matéria-prima.

Removam-se aos distritos policiais aqueles envolvidos na sua fabricação ou distribuição.

Na oportunidade, renovamos nossa mais elevada estimada por esta valiosa guarda.

Andrea Matarazzo

Nossa reportagem não conseguiu contato com Matarazzo. Em nota, o Instituto de Controle do Requinte afirma que a prefeitura de São Paulo iniciará, em breve, um programa de incentivo ao uso da caxemira, material aprovado pela equipe técnica do Instituto.

PS. Aos leitores mais perdidos: vídeo real; texto ficcional, qualquer semelhança com fatos ou personagens reais não é mera coincidência

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junho 25, 2009 at 12:57

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WWF expõe desempregados à humilhação

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Quando o conceito de seleção natural foi aplicado à sociedade a coisa ficou muito feia. Mais tarde, quando grandes corporações resolveram adotar a idéia dos mais aptos para justificar demissões em massa, erros políticos e econômicos de todo um período caíram no colo dos trabalhadores.

Lembra daquela época em que a pauta era globalização? O começo desse papo? Era globalização de dia, globalização à noite e veio aquela avalanche de manuais e palestras de gurus da administração em países “emergentes” como o Brasil. Eles espalharam as idéias que faltavam para inocentar as empresas globais das famílias que destruíam semanalmente.

“Atualização profissional” era o mantra do trabalhador nesta época. “É preciso se atualizar”, ou melhor, “estar sempre atualizado”. Até hoje o SPTV e todos os programas voltados para a “vida prática” e “prestação de serviço” tem espaço reservado para dicas de como se comportar em entrevistas, dicas de cursos, dicas de tendências profissionais, áreas onde sobram vagas e outras maravilhas que indicam só uma coisa: está tudo aí, basta querer.

O trabalhador desempregado com mais de 40 anos de idade foi considerado “ininpregável” pelo chefe do executivo do Brasil. Tudo colaborava para sua humilhação social. Encostado, acomodado, desatualizado, vacilão. Os crimes das sucessivas políticas econômicas irresponsáveis eram personalizados na figura do trabalhador. Trabalhador por trabalhador, todos foram culpabilizados.

A classe média emburrecida adorou os manuais de administração: estratégias de sobrevivência duras, só os mais fortes sobreviveriam, como ficar rico… Enquanto torneiros mecânicos eram derrubados tudo ia bem. Mas, logo, alguns supervisores começaram a cair, uns gerentes deram de cara no chão e, hoje, – dizem, não sei, ouvi falar – tem diretor procurando “recolocação no mercado”.

Ser responsabilizado pelo próprio fracasso e desalento de sua família, como sabem, é de uma carga psicológica pesada demais. Mais uma vez, a surrada tática corporativa mostrou-se eficiente: um problema social/coletivo foi transformado em problema pessoal/privado.

A campanha Seleção Natural

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A WWF com a intenção de promover sua mensagem ecológica fez uso do que há de mais atual no mundo da publicidade: fazer alguma coisa engraçada na internet que possa se espalhar e gerar comentários. Ao mesmo tempo escolheu uma forma de humor das mais caducas e sem graça que existem, a pegadinha.

Anunciou no jornal vagas de emprego para animais, gravou as ligações dos candidatos e as divulgou no site da campanha.

Não há justificativa para pregar peça em alguém desesperado por trabalho. Aguardar a ligação de um desempregado que vê um anúncio que diz “vaga para onça-pintada”, gravá-la e fazer pirraça com isso não é só falta de sensibilidade, é perversidade.

Ouvir perguntas como “Você prefere ser onça-pintada ou boto-rosa? Por quê?” e escutar as pessoas tentando dar uma resposta que convença o entrevistador (sim, as pessoas aprendem as malditas dicas de entrevistas), mais que embaraçador, é revoltante.

O que é trágico não é o fato das pessoas acharem que podem “trabalhar” como onça-pintada, é o fato de uma organização de defesa dos animais expor pessoas numa situação frágil a mais um constrangimento.

Seleção Natural

(dica: Fastblog do Marco Gomes)

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O trabalho

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maio 28, 2009 at 15:27

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Em estações de trens do Rio, Supervia chicoteia e soca seus passageiros

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VEJA O VÍDEO AQUI

O cidadão faz uso do sistema público de transporte. Um direito básico. Paga caro para uma concessionária lucrar com o transporte de pessoas. E além de receber um péssimo serviço, recebe chicotadas. Chicotadas! Socos e chicotadas!

As imagens veiculadas hoje de manhã na rede Globo são ultrajantes. E as respostas do diretor de marketing (!) publicadas pelo G1, tão revoltantes quanto.

A SuperVia informou que os agentes são treinados para garantir que as portas se fechem sem o uso da força física.

José Carlos Leitão, diretor de marketing da SuperVia, para que eles foram treinados pouco interessa nesse momento. O que interessa é o que eles fazem. O que está em questão são as imagens que qualquer olho cansado pode ver. O que vemos são pessoas sendo chicoteadas até mesmo com o trem em movimento, num ato sádico, que não tem nada a ver fechamento de portas e esse blablablá.

Leitão informou ainda que a Polícia Militar já foi chamada e que só este ano 200 pessoas foram presas por impedir o fechamento das portas dos vagões.

Solução da Supervia para trens lotados durante este ano: chamar a polícia.

Essa é a política de transportes do Rio? Aparentemente, essa é política para a população do subúrbio.

Se é assim, vamos chamar a polícia para prender os motoristas que cometem infrações nas lotadas avenidas do país.

Relacionado:
Passageiros que dizem ter sido agredidos em estação de trem vão à delegacia, notícia, G1

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abril 15, 2009 at 11:01

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Produzir, produzir; explorar e assassinar

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No país do futuro, de tudo acontece no presente. A audácia de suas autoridades e instituições impressiona dia a dia.

No dia 18/11, Luís Carlos Heinze (PP-RS), da bancada ruralista, provou, em poucas palavras, que o presente do agronegócio é uma sombra do passado da escravidão.

Em uma audiência, o Deputado defendeu que apesar do setor agrícola gerar riqueza e afastar o país da crise, sofre com as pressões de bancos, impostos, ambientalistas e fiscais do trabalho.

Heinze disse que “Em Goiás, (…) os caras tiveram que matar um fiscal”. Sua fala entra para a história por revelar, com toda crueldade possível, a verdade do mito do desenvolvimento brasileiro:

“Quem está gerando riqueza nesse país”, diz ele, “está sendo varrido de cima de suas propriedades: primeiro pelos bancos, segundo pela carga tributária e agora pelos ambientalistas (…) e também pelo pessoal do Ministério do Trabalho”.

“Aqui em Goiás, até isso acontece, os caras tiveram que matar um fiscal. De tão acuado que tava esse povo. O cara não agüenta mais!”

Ouça o áudio com a declaração (arquivo .mp3)

Porém, nesse solo que “tudo dá”, brotam frutos sempre maiores, mais obscuros e rançosos.

Antério Mânica – fazendeiro, prefeito de Unaí e acusado de encomendar a chacina de quatro fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego -, por exemplo, foi condecorado, no dia 24/11, com a Medalha da Ordem do Mérito Legislativo pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Relacionados:
Chacina de Unaí completa três anos sem julgamento dos acusados, Especial, Repórter Brasil
Categoria repudia comenda a acusado pela Chacina de Unaí, artigo, Repórter Brasil
Deputado faz apologia à morte de funcionários públicos, artigo, Blog do Sakamoto

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novembro 28, 2008 at 15:59

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Não tem abacaxi hoje

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Perigosos vendedores de abacaxis fatiados estão aterrorizando os paulistanos.

A gangue, segundo a Guarda Civil Metropolitana, age em diversos bairros da cidade e concentra-se em centros comerciais.

Ainda segundo a Guarda, especializada em agressões a moradores de rua, os criminosos não vendem apenas abacaxis. Outros artigos ilícitos já foram identificados pela equipe de inteligência da prefeitura, mangas frescas e melancias suculentas estão entre eles.

Um dos guardas declarou: “Este nível de doçura em abacaxis não é autorizado pelos órgãos municipais. No verão, as pessoas passam e logo param para se refrescar. Como este mercado negro vende as fatias por cerca de um real, têm gente que compra para os colegas do escritório, filhos… Não percebem o risco que correm, logo se tornam dependentes e partem para frutas mais pesadas. Vamos agir com rigor contra estes contrabandistas e fazer cumprir a lei!”

A subprefeitura da Sé promete acabar de vez com o problema na região central ao implantar o projeto “São Paulo sem frutas. Mais trufas, menos frutas”. Segundo a coordenadora do projeto “sobremesas como barras de chocolate e bolachas recheadas pagam impostos, são produzidas por indústrias idôneas e, além do mais, são muito mais saudáveis. Por isso, a linha de atuação da prefeitura é colocar ordem na casa combatendo as delícias da terra e estimulando o consumo de doces industrializados”.

Relacionados:
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novembro 24, 2008 at 20:38

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Ao assistir ao Criança Esperança e ao Jornal Nacional, lembre-se

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A Globo desrespeita seus funcionários e frauda a legislação trabalhista.

Para escapar de suas responsabilidades como empregadora, a Rede exige que alguns de seus jornalistas constituam pessoa jurídica. A prática é bastante comum.

Como diversas empresas socialmente responsáveis, a Globo prega o respeito às leis e proclama palavras acaloradas contra o trabalho informal, mas na hora do vamos ver, lava as mãos e mantém seus funcionários como “prestadores de serviços”.

Na ação de uma ex-jornalista, o Tribunal Regional do Trabalho considerou que houve, sim, vínculo de emprego ao observar na relação os elementos: onerosidade, pessoalidade, habitualidade e subordinação.

:: Notícia completa, CTB

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outubro 31, 2008 at 9:11

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Guia ilustrado da revolução no trabalho

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agosto 13, 2008 at 15:28

Publicado em cultura urbana

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