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Butantã contra mais um túnel

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O pessoal do Butantã continua mobilizado contra o túnel-avenida que vai acabar com a Praça Elis Regina, querida no bairro.

O aniversário do espaço de convívio será comemorado com festa pública e manifestos contra a incessante política paulista de ampliação do espaço para os automóveis.

Manifesto dos moradores

Construir uma avenida sôbre a Praça Elis Regina, que acabou de ser recuperada, e construir um túnel por baixo do Parque da Previdência saindo na Eliseu de Almeida em frente ao Shopping Butantã, são medidas que levam ao aumento de carros nas ruas que já entraram em colapso (resolve o fluxo aqui, congestiona mais adiante). Também levam ao aumento da poluição atmosférica, do barulho, da temperatura e de solo impermeabilizado propiciando enchentes. Absolutamente não resolvem o trânsito e degradam a qualidade de vida dos moradores.

Não queremos esta avenida e este túnel!

Nós queremos preservar nossa Praça Elis Regina, nosso Parque da Previdência e o que resta das nossas ruas. Queremos transportes coletivos eficientes, periferias equipadas com sacolões, bibliotecas, hospitais, escolas, trabalho e entretenimento de maneira que seus moradores não precisem atravessar longas distâncias para resolver estas questões e, queremos que o Centro de São Paulo, já com todos estes equipamentos, volte a ser ocupado por muitos moradores (e não apenas por moradores de rua).

Queremos uma cidade para gente, não para carros! Muita luz sem este túnel!

Butantã pode!

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março 19, 2010 at 10:19

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Decreto proibe eventos em praça central de Belo Horizonte

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Em nome da revitalização, mais um espaço público é negado ao povo.

O texto de Luther Blisset, abaixo, explica o absurdo decreto da prefeitura de BH e chama a população para retomar o que é dela. Na Praça da Estação, sábado, 16/01/2010, 9h30!

O DECRETO Nº 13.798 DE 09 DE DEZEMBRO DE 2009 do nosso digníssimo prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, proíbe que aconteça qualquer tipo de evento na Praça da Estação. A pergunta permanece: a quem interessa que os espaços públicos sejam apenas pontos de passagem e consumo?

Se nos é negado o direito de permanecer em qualquer espaço público da cidade, ocuparemos esses espaços de maneira divertida, lúdica e aparentemente despretensiosa.

Traga sua roupa de banho (bermuda, calção, biquíni, maiô, cueca), bóias, cadeiras, toalhas de praia, guarda-sol, cangas, farofa e a vitrolinha…

Traga tambores e viola!

Traga comida para um banquete coletivo!

REVITALIZAÇÃO POR DECRETO

Há cinco anos, iniciou-se em regiões de da Grande Belo Horizonte um novo processo de higienização urbana, que tem como base elementar a reestruturação de espaços da cidade em consonância com as tendências contemporâneas de uso e desuso especulativo-mercantil das grandes cidades.

Além do ostensivo investimento em mecanismos de monitoramento que se espalharam pelos arredores do centro urbano de BH (vide o chamado Projeto Olho-Vivo), tais empreendimentos tendem a sufocar, por vários meios, o encontro espontâneo de indivíduos nas ruas e o livre uso de espaços classificados como “públicos”.

Essas intervenções se definem por moldes dos velhos projetos de gentrificação, característicos de todas as modernas cidades erguidas sob os pressupostos unitários do capitalismo: limpeza de aspecto fundamentalmente classista, projetos infra-estruturais de custos estratosféricos e restauração de pontos turísticos.

Em 09 de dezembro de 2009, foi decretada pela administração da cidade, com assinatura direta do prefeito, a proibição de “eventos de qualquer natureza” na Praça da Estação (ou Praça Rui Barbosa), um patrimônio público que viveu os primeiros suspiros da cidade. A medida pode assinalar a retomada do que se iniciou em 2005/2006, como corrida “emergencial” para a conclusão de todas as obras necessárias para que BH possa dar suporte aos eventos da Copa do Mundo de 2014.

Chamamos a todos os interessados para esmiuçar o tema das “revitalizações” (um termo polido veiculado pelas instituições oficiais) e dos decretos de lei que instauram o deliberado loteamento dos espaços públicos enquanto curtem o sol e a cidade.

Fonte: Praia na Praça da Estação, CMI

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janeiro 13, 2010 at 12:10

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Uma morte anônima

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No dia 05/12, atiraram num homem na praça Roosevelt. Era um dramaturgo conhecido. No dia 04/01, um homem foi esfaqueado e morto na mesma praça. Um morador de rua.

O ataque ao primeiro causou imediata repercussão nos jornais e sites. A morte do segundo não seria sequer conhecida senão fosse um blogueiro chegar ao local instantes após o crime ter ocorrido.

O relato do Blog do Tsavkko revela que cerca de vinte policiais chegaram escandalosamente ao local e estacionaram suas viaturas com pompa, mas nenhum agiu para tentar salvar o homem.

Você conhece o estilo da polícia de SP, um garoto é pego por roubar um celular. Sirenes soam e viaturas derrapam, a rua é interditada, mais viaturas chegam. Documentos são checados, duas horas depois percebem que não há celular, dedicam mais uma hora ao sujeito e vão embora como se um atentado terrorista estivesse acontecendo em algum outro lugar.

Além do odioso crime de omissão cometido pela polícia paulista, o episódio revela como a imprensa trata casos de violência.

O morador de rua foi apenas mais um no processo pelo qual passa o centro de São Paulo hoje. Uma pessoa que não interessa ao leitor de jornais, alguém que não tem amigos jornalistas, um ser abaixo do gari na escala Casoy de dignidade [vídeo do caso].

A Folha de São Paulo, no dia 07, dedicou dois parágrafos (link p/ assinantes) ao coitado. O Estadão imprimiu apenas um, no dia 05.

Nenhum dos jornais escreveu sobre a revitalização do centro e a violência na área, como fizeram quando do ataque ao dramaturgo. Tampouco artistas e subcelebridades se manifestaram nas redes sociais.

Aos dramaturgos dos teatros da Praça Roosevelt, conhecidos por retratarem o “submundo” e a violência da cidade, não faltará material. A realidade está lá fora.

Relacionados:
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janeiro 8, 2010 at 15:44

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Um bosque só seu

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Um bosque só seu, um passo para uma cidade só sua.

Praças de São Paulo,

fomos resumidas a fotografias em sépia penduradas em restaurantes dedicados ao “happy hour” corporativo. Querem que nos recolhamos a nossa insignificância.

Na parede de uma padaria qualquer ou na de um “bar da firma” disfarçado de boteco carioca descansa nosso passado glorioso. Sim, todos nos admiram, ninguém nos quer! Retalhadas, esburacadas, ignoradas, resta-nos apenas o passado? Praças de São Paulo, mostremos que estamos vivas.

Os bandidos, as putas, os sujos e descalços, os golpistas, garotos perdidos, manifestantes, repentistas e artistas mil vivem a nossa procura. Sem pouso estes, sim, nos querem, nos procuram.

Praças, os novos tempos chegaram. Os bons modos se popularizaram. Falar direito, agir direito, “sofisticadamente”, como disse Tom Zé. Não escapamos dessa. Querem nos educar, querem nos botar num curso de atualização, querem nos emperiquitar. Praças públicas, querem selecionar a gente que por aqui transita. Querem escolher quem pode ler o jornal em nossos bancos.

Nunca! Impossível, todas sabemos. Miseráveis não faltam nessa cidade. As praças foram cercadas, os bancos retirados, policiais colocados em plantão, assassinos contratados, mas lá estão eles, os miseráveis. Eles sempre voltam. Voltam aos braços daquela que sempre os acolheu, a praça pública.

Sabemos que muitos se foram. Toda a classe média que nos admira naqueles comerciais de carro, que sorri ao folhear livros de “fotos antigas” foi embora. Sabemos, é duro. Eles adoram usar nossas calçadas para ensaios de moda e para propagandas modernas, mas nunca visitam estas velhas tias-avós.

Perderam o interesse. Foram para condomínios com “muito verde”, “espaço para as crianças” e “lazer completo”. Malditos! Demos tudo a todos. Sem seleção, sem olhar feio ou bonito, rico ou pobre. Todo esse conforto, vocês tinham de graça, e agora querem um bosque “só seu”? Ingratos!

Relacionados:
O parque – e as pessoas – que a classe média não vê
Por que construímos praças?
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Garotos e garotas da bolha
A propriedade privada foi feita para você

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dezembro 11, 2009 at 16:09

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O parque e as pessoas que a classe média não vê

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69 – Praça da luz / 69 – Luz Square from Bruno Zanardo on Vimeo.

69 – Praça da Luz
Sinopse: Prostitutas de idade avançada ganham a vida na Praça da Luz, em São Paulo. Relatos inusitados e surpreendentes de cinco mulheres que revelam em detalhes suas experiências em todos esses anos de profissão.

Central, em frente a uma estação de metrô e trem, de importância histórica, espelhos d’água, lagos, coreto, flora variada, parque infantil, bosques com exemplares raros. Tudo reformado.

Nada disso faz a classe média olhar para o primeiro parque da cidade, o Parque da Luz. Parece que a lotação, o lago poluído e as enormes filas de carros do Parque do Ibirapuera seduziram os paulistanos de tal forma que os demais parques da cidade para pouco prestam. Deve ser algum encanto, talvez das notas musicais da fonte iluminada brega.

O Parque da Luz foi reformado justamente para atrair a classe média. Melhor dizendo, na novilíngua ele foi “revitalizado”. Queriam nova vida para o pioneiro jardim? Hummm, claro, mas queriam, principalmente, pessoas com outra vida, digamos. Queriam que a pobrada pegasse sua farofa e filhos e procurasse outro canto, descolasse um outro “piscinão de ramos de asfalto” qualquer.

Não deu certo. O encanto do Ibirapuera é tão forte quanto o medo que a classe média sente do centro da cidade. Não exatamente do “centro”. É mais um medo das pessoas que por suas ruas andam. Todos tão diferentes dos bairros que residem, diferentes do “pessoal da facu”, das outras mães da escolinha dos filhos.

Até mesmo a Pinacoteca, que fica dentro do Parque da Luz, tem as mesinhas de seu simpático Café delimitadas por uma espécie de cerca verde, separando os Parque e Museu.

Este vídeo de 2007 é para lembrarmos quem são as pessoas que tanto assustam a classe média.

É impossível encontrar a perversidade, a degradação e o perigo generalizado apregoados pelas revistas semanais quando falam do centro da cidade.

Uma última observação. De 2007 para cá, a permanência das prostitutas do local só ficou mais difícil. Atualmente, quem dá vida ao local não são pessoas de meia idade treinando para a corrida do Pão de Açúcar, e sim famílias que vivem próximas ao parque, especialmente bolivianas.

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novembro 12, 2009 at 15:58

Publicado em cultura urbana

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Prefeitura de SP ergue obstáculo antimorador de rua ao redor das árvores da Praça da Sé

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As árvores da Praça da Sé ganharam muretinhas de paralelepípedo e brita para desestimular as pessoas em situação de rua a se deitar sob elas.

Nas últimas duas semanas equipes da prefeitura vem trabalhando na instalação do obstáculo.

As árvores da Praça eram margeadas por grades de ferro, como as que se vê abaixo.

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Os cérebros municipais parecem não parar de pensar em formas de sumir com as vítimas do desemprego e das políticas de moradia.

Há dois anos a Praça da Sé passou por uma grande reforma, chamada de revitalização, basicamente se prestou a instalar equipamentos antimoradores de rua, como fontes d’água cercadas por brejos para impedir o banho e bancos antisoneca.

“Com certeza, eles estão colocando as pedras para atrapalhar a gente. É lógico. Toda noite a CGM chega chutando, jogando água”, nos disse ontem um “morador” da Praça.

Felizmente, como se vê, a arquitetura não é eficiente em seu objetivo higienista.

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Relacionados:
Como expulsar drogados, mendigos e outros estorvos, artigo, Blog do Sakamoto
Por que construímos praças?
Para Andrea Matarazzo catadores são problema

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junho 24, 2009 at 11:22

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Vodca Absolut instala publicidade na Praça do Ciclista

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O índio e o globo “disco”

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Espaço público cercado: globo, iluminação e centro de apoio – cubo preto

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A explicação para o tema “discoteca”

Apesar da lei municipal, a Praça do Ciclista até hoje não ganhou uma placa de identificação oficial; o paraciclo de lá retirado em 2008 nunca mais voltou; os gradis de proteção também não foram reinstalados; e a bela bicicleta com a qual o índio venezuelano foi homenageado foi arrombada.

Esta semana, porém, o oposto ocorreu. Em vez de retirarem algo, instalaram alguma coisa na praça. Infelizmente, não trata-se de um equipamento público. Um globo espelhado de discoteca apareceu por lá.

Ao avistar o globo brilhante acompanhado de uma espécie de casinha preta, protegida por uma cerca e um segurança, pouco se pode concluir. Não há logotipo ou marca estampada.

Além de construírem sites ridículos e espalhar virais que só um grupinho acha inovador, os publicitários colocaram na cabeça que mensagens misteriosas despertam a curiosidade e ajudam a melhorar a imagem das tranqueiras que promovem.

Além de causar o desejado buzz, o globo de discoteca não identificado tem, obviamente, a pretensão de despistar a lei Cidade Limpa.

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O segurança dos equipamentos – sempre ao celular

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O site com tema “disco” é interativo, como as agências de publicidade adoram

Ao instalar os globos (são dois, em locais diferentes), a vodca Absolut goza da população e tira o sarro da cara de todos os pequenos comerciantes que tiveram que se adaptar à lei. Mais que isso, a marca caçoa da prefeitura. Provoca descaradamente o poder público.

Ademais, o globo não está instalado num gramado qualquer, ele está instalado num centro de manifestação social, num local de concentração política.

Assim como a enorme propaganda num cinema que tem “arte” no nome é um afronte a arte cinematográfica, a publicidade pop na Praça do Ciclista é um acinte às mobilizações de transformação social que lá se concentram.

As explicações da marca e da Prefeitura publicadas hoje, entretanto, deixam transparecer que a sinergia – apesar da aparente confusão na comunicação – entre poder púbico e privado na cidade que está literalmente vendendo seus bairros é muito maior do todos imaginavam.

Relacionados:
Praça do Ciclista – em São Paulo e agora em Aracaju, artigo, Vá de bike!
Carnaval-inauguração na Praça do Ciclista, artigo, Praça do Ciclista

Written by panopticosp

abril 30, 2009 at 9:47

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