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Assassinatos em conflitos no campo, segundo Estado do Brasil

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Clique para navegar pelo gráfico. Dados: CPT

Compilamos os relatórios de assassinatos decorrentes de conflitos no campo, da Comissão Pastoral da Terra, entidade que alerta sobre os crimes há tempos.

Para ajudar na visualização da evolução desta calamidade, elaboramos, com uma força do @mauricio, um gráfico em que é possível a navegação por Estado brasileiro (basta clicar na imagem acima para navegar).

Segundo reportagem de João Carlos Magalhães, publicada hoje na Folha de S. Paulo, com dados de duas Ouvidorias do governo federal, 98% dos casos de assassinatos no campo do Pará ocorridos nos últimos dez anos ficaram impunes. O levantamento aponta, ainda, que 20% das mortes sequer foram investigados.

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junho 7, 2011 at 16:47

Publicado em política

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Para morrer de poluição com o carro limpinho

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Reprodução G1

Não é sobre idosos morrendo secos. Não é sobre crianças fazendo fila na inalação. Não é sobre o enxofre, sobre o CO² ou partículas sólidas saídas dos escapamentos. É sobre o pó acumulado sobre os carros! A reclamação é o carro sujo!

Caro estudante de qualquer coisa, guarde esta matéria para quando um professor, tutor, pai ou semelhante lhe falar sobre a relevância dos assuntos a serem tratos no mundo e na vida. O assunto pó sobre o carro não mereceria atenção nem numa fila de banco, mas no jornalismo paulistano é diferente.

Como se vê, no G1 o assunto não só existe, como ganhou status de problema, mereceu três fotos e depoimentos.

O fato dos carros serem, justamente, os maiores poluidores da cidade, claro, não tem nada a ver com história e não merece menção alguma.

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julho 7, 2010 at 13:29

Como reconstruir uma cidade

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Este sensacional desenho animado de 1948 não poderia ser mais simples.

Em oito minutos, uma bela explicação de como, através da mobilização da sociedade, tornar uma cidade mais agradável a todos.

Atualização
Rafael, leito do blog, contextualiza para nós o modelo de urbanismo apresentado no filme e questiona a participação popular no processo de construção desta cidade:

Trata-se do contexto das cidades-jardim inglesas, uma suposta alternativa ao “desenvolvimento” das cidades americanas a também uma possibilidade diferente do urbanismo modernista, só que também pautadas pela setorização, pela construção pré-ocupação, e, no limite, pela seleção de habitantes.

Mais uma forma de conceber uma cidade de cima para baixo, tais cidades necessitavam de um manual de instruções, pois tudo é diferente. Com o perdão da expressão, estas cidades não são naturais – são artificiais no sentido de que não são construídas de acordo com os interesses da população, mas sim seguindo um suposto modelo de bem-estar.

via Shane Glines’ Cartoon Retro

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dezembro 18, 2009 at 9:49

Publicado em transporte

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WWF expõe desempregados à humilhação

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wwf

Quando o conceito de seleção natural foi aplicado à sociedade a coisa ficou muito feia. Mais tarde, quando grandes corporações resolveram adotar a idéia dos mais aptos para justificar demissões em massa, erros políticos e econômicos de todo um período caíram no colo dos trabalhadores.

Lembra daquela época em que a pauta era globalização? O começo desse papo? Era globalização de dia, globalização à noite e veio aquela avalanche de manuais e palestras de gurus da administração em países “emergentes” como o Brasil. Eles espalharam as idéias que faltavam para inocentar as empresas globais das famílias que destruíam semanalmente.

“Atualização profissional” era o mantra do trabalhador nesta época. “É preciso se atualizar”, ou melhor, “estar sempre atualizado”. Até hoje o SPTV e todos os programas voltados para a “vida prática” e “prestação de serviço” tem espaço reservado para dicas de como se comportar em entrevistas, dicas de cursos, dicas de tendências profissionais, áreas onde sobram vagas e outras maravilhas que indicam só uma coisa: está tudo aí, basta querer.

O trabalhador desempregado com mais de 40 anos de idade foi considerado “ininpregável” pelo chefe do executivo do Brasil. Tudo colaborava para sua humilhação social. Encostado, acomodado, desatualizado, vacilão. Os crimes das sucessivas políticas econômicas irresponsáveis eram personalizados na figura do trabalhador. Trabalhador por trabalhador, todos foram culpabilizados.

A classe média emburrecida adorou os manuais de administração: estratégias de sobrevivência duras, só os mais fortes sobreviveriam, como ficar rico… Enquanto torneiros mecânicos eram derrubados tudo ia bem. Mas, logo, alguns supervisores começaram a cair, uns gerentes deram de cara no chão e, hoje, – dizem, não sei, ouvi falar – tem diretor procurando “recolocação no mercado”.

Ser responsabilizado pelo próprio fracasso e desalento de sua família, como sabem, é de uma carga psicológica pesada demais. Mais uma vez, a surrada tática corporativa mostrou-se eficiente: um problema social/coletivo foi transformado em problema pessoal/privado.

A campanha Seleção Natural

wwf1

A WWF com a intenção de promover sua mensagem ecológica fez uso do que há de mais atual no mundo da publicidade: fazer alguma coisa engraçada na internet que possa se espalhar e gerar comentários. Ao mesmo tempo escolheu uma forma de humor das mais caducas e sem graça que existem, a pegadinha.

Anunciou no jornal vagas de emprego para animais, gravou as ligações dos candidatos e as divulgou no site da campanha.

Não há justificativa para pregar peça em alguém desesperado por trabalho. Aguardar a ligação de um desempregado que vê um anúncio que diz “vaga para onça-pintada”, gravá-la e fazer pirraça com isso não é só falta de sensibilidade, é perversidade.

Ouvir perguntas como “Você prefere ser onça-pintada ou boto-rosa? Por quê?” e escutar as pessoas tentando dar uma resposta que convença o entrevistador (sim, as pessoas aprendem as malditas dicas de entrevistas), mais que embaraçador, é revoltante.

O que é trágico não é o fato das pessoas acharem que podem “trabalhar” como onça-pintada, é o fato de uma organização de defesa dos animais expor pessoas numa situação frágil a mais um constrangimento.

Seleção Natural

(dica: Fastblog do Marco Gomes)

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maio 28, 2009 at 15:27

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Revista da Univ. Federal de Santa Maria discute mobilidade urbana

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revistacienciaambiente

A revista Ciência & Ambiente, publicada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), lançou uma edição dedicada ao tema “A cultura do automóvel”, reunindo textos de 12 especialistas que analisam o assunto sob a perspectiva de diversas áreas do conhecimento.

Os artigos apresentam propostas alternativas para desafios urbanísticos, tecnológicos e energéticos promovidos pelo uso de veículos automotivos. As propostas, dotadas de diferentes escalas de complexidade para implantação, indicam caminhos para o movimento de transformação do atual cenário urbano.

Os editores convidados para a 37ª edição da revista são a professora Erminia Maricato, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP), e Ronai Pires da Rocha, do Departamento de Filosofia da UFSM.

No volume, são abordadas questões como o significado da “cultura do automóvel” na cena contemporânea; o custo do automóvel, da indústria de infraestrutura e da opção energética para o ambiente e a saúde dos moradores urbanos; e quais modos de transporte ou políticas de mobilidade e uso do solo podem ser introduzidos.

Os autores, além dos dois editores convidados, são Ailton Brasiliense, Eduardo David, Felix Farret, Liana John, Luiz Righi, Marco Aurélio Lagonegro, Miguel Neves Camargo, Nazareno Affonso, Raphael David, Renato Boareto, Ricardo Neder, Richard Stephan, Tatiana Schor e Tiago Guedes.

“O automóvel e a cidade”, “Automobilismo: qual uso, qual significado?”, “Crítica à cultura do automóvel ou teoria crítica da tecnologia?”, “A ideologia rodoviarista no Brasil”, “A política de mobilidade urbana e a construção de cidades sustentáveis” e “Energia veicular e alternativas para o século 21” são alguns dos artigos presentes no volume.

Mais informações: http://www.ufsm.br/cienciaeambiente

(Fonte: Agência FAPESP)

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março 16, 2009 at 9:33

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Segunda jornada em defesa da moradia digna

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jornadamoradia

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fevereiro 12, 2009 at 21:46

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Produzir, produzir; explorar e assassinar

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No país do futuro, de tudo acontece no presente. A audácia de suas autoridades e instituições impressiona dia a dia.

No dia 18/11, Luís Carlos Heinze (PP-RS), da bancada ruralista, provou, em poucas palavras, que o presente do agronegócio é uma sombra do passado da escravidão.

Em uma audiência, o Deputado defendeu que apesar do setor agrícola gerar riqueza e afastar o país da crise, sofre com as pressões de bancos, impostos, ambientalistas e fiscais do trabalho.

Heinze disse que “Em Goiás, (…) os caras tiveram que matar um fiscal”. Sua fala entra para a história por revelar, com toda crueldade possível, a verdade do mito do desenvolvimento brasileiro:

“Quem está gerando riqueza nesse país”, diz ele, “está sendo varrido de cima de suas propriedades: primeiro pelos bancos, segundo pela carga tributária e agora pelos ambientalistas (…) e também pelo pessoal do Ministério do Trabalho”.

“Aqui em Goiás, até isso acontece, os caras tiveram que matar um fiscal. De tão acuado que tava esse povo. O cara não agüenta mais!”

Ouça o áudio com a declaração (arquivo .mp3)

Porém, nesse solo que “tudo dá”, brotam frutos sempre maiores, mais obscuros e rançosos.

Antério Mânica – fazendeiro, prefeito de Unaí e acusado de encomendar a chacina de quatro fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego -, por exemplo, foi condecorado, no dia 24/11, com a Medalha da Ordem do Mérito Legislativo pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Relacionados:
Chacina de Unaí completa três anos sem julgamento dos acusados, Especial, Repórter Brasil
Categoria repudia comenda a acusado pela Chacina de Unaí, artigo, Repórter Brasil
Deputado faz apologia à morte de funcionários públicos, artigo, Blog do Sakamoto

Written by panopticosp

novembro 28, 2008 at 15:59

Publicado em política

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