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O grande falo com motor: “Elas adoram subir num mais novinho”

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Certas propagandas não nos animam a escrever. É o caso do material promocional de cervejas. São de uma obviedade, agressividade e machismo que não necessitam de comentários.

Essa loja de carros da Volkswagen, no interior paulista, parece ter se inspirado nas grandes cervejarias. Ao entrar no banheiro de um restaurante para aliviar a bexiga, você dá de cara com a frase “Sabe como é, elas adoram subir num mais novinho”.

Um garoto de seis anos sai no banheiro – de mãos limpas, como ensinou sua mãe – e, durante a fila do “quilinho”, resolve tirar a dúvida: “Vovó por que você adora subir num mais novinho?”

O pequeno faminto foi forçado a explicar de onde saiu tal ideia, recebeu os esclarecimentos de que se tratava de uma piada com carros e o almoço seguiu tranquilamente – com exceção da sobremesa que, mais uma vez, foi limitada pela mãe.

Num almoço despretensioso, a Profª Volks Wagen Bernardo do Campo, que leciona em variados meios de comunicação, ensinou ao querido Júnior que mulheres e carros são produtos. Produtos diretamente relacionados.

Tempos mais tarde, em casa, repentinamente uma dúvida vem à cabeça do pequeno. “Elas adoram subir num mais novinho. Mas, todas elas? Minha mãe? Minha vizinha? Minha tia? Minha irmã? Todas as mulheres? E os homens?”

Ao longo dos anos, a alfabetização de Júnior avança e ele aprende que mãe e filha não são mulheres. O mesmo se aplicando à mãe de sua mãe, às filhas de sua mãe e à mãe de sua filha (apenas enquanto estiver casado com ela).

Essas mulheres são simplesmente “mãe” e “filha”, por isso ficam livres das piadas de cunho sexual. Outras categorias do machismo podem e devem ser aplicadas a elas, mas essa é uma lição avançada que Júnior aprenderá, provavelmente, na prática.

Por enquanto, basta saber que, destacadas as exceções, todas as mulheres são produtos sexuais.

Ah, sim, os homens. Os homens que gostam de “subir” fazem parte de uma categoria exclusiva, e a ela dedica-se uma especial série de violências.

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PS. A quem interessar e tiver paciência:
O panóptico arrumou mais informação para se coçar e está no twitter @panopticosp

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Written by panopticosp

abril 24, 2009 at 11:50

Propaganda, uma história cheia de sutilezas

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Written by panopticosp

outubro 20, 2007 at 10:10

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Caminhada contra a violência na Augusta, nesta quinta

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A concentração ocorre a partir das 19h00 na esquina da Rua da Consolação com a Alameda Itu, próximo ao Bar du Bocage, e deve seguir pela rua Augusta, onde termina, por volta das 22h00.

Na próxima quinta-feira (28), Dia Internacional do Orgulho GLBT, a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT) promove uma caminhada contra a violência nos redutos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, conhecidos por quadrilátero dos Jardins e Triângulo das Bermudas, em Cerqueira César, próximo à avenida Paulista.

A manifestação é motivada pela série de espancamentos, assassinatos e arrastões de gangues, muitas vezes identificadas como neonazistas, que vêm ocorrendo na região dos bares e restaurantes daquela região.

Na região em que haverá a manifestação, ocorreram nos últimos dias casos de agressão a um casal de homossexuais e uma lésbica de 17 anos. Na sexta-feira (22), houve novo arrastão de gangue, que provocou o assassinado de um garçom de 19 anos. Outro caso que teve ampla repercussão foi o assassinato a facadas de um turista francês, logo após ter ocorrido a Parada na Avenida Paulista, na noite do dia 10.

:: Leia o chamado completo e as lista de reivindicações no CMI ::

Caminhada na Augusta contra a violência marca o Dia do Orgulho GLBT em SP

Written by panopticosp

junho 26, 2007 at 15:06

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O calvário de Renan Calheiros

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Discursos são sempre ridículos e pouco se aproveita, mas uma frase do presidente do senado Renan Cavalheiros nos chamou a atenção.

Num país onde a discussão do aborto gera uma resistência assustadora, é ainda mais revelador quando, no plenário, um membro do Legislativo considera sua filha um “calvário”.

O peso da tradição, da família e da propriedade não dói sobre as costas das relações extra-conjugais dos defensores destes valores, tampouco sobre seus filhos e filhas com pensões mensais de 3 mil reais.

Dói sobre as cerca de 600 mulheres que são internadas diariamente, por complicações decorrentes de abortos (incluindo espontâneos), na rede pública de saúde. Cerca de 900 mil mulheres de todas as classes sociais abortam no Brasil e são consideradas criminosas pela lei.

(…) Confesso que tive uma relação, que me deu uma filha. Como todos os casos de uma paternidade não programada, episódios como esse geram contendas que muitas vezes, como ocorreu, terminam nas Varas de Família.

Eu não fugi a esse calvário. Assumi, como pai, minhas responsabilidades (…).

No começo do discurso Renan ainda disse:

Quando me agridem, ferem também uma das mais altas instituições nacionais. Quando me miram atingem a instituição.

Quando, num caso de corrupção da coisa pública, mira em questões privadas e acerta nas mães, filhos e filhas, Renan mostrou o tipo de munição que utiliza.

Fonte das citações: Agência Senado.
Íntegra do discurso de Renan Calheiros.

Technorati tags: aborto, renancalheiros.

Written by panopticosp

maio 30, 2007 at 18:54

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Tédio constante

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“minha infelicidade com o presente é que tenho inveja do passado”. Mas é igualmente imediato considerar essa falta de infância como falta de mundo, isto é, que a experiência da perda em relação à infância é sintomática de uma perda de mundo. Confundindo as duas, insistimos — como faz a criança — em ser entretidos, em ter nossa atenção constantemente atraída por algo “interessante”. Recusamo-nos a aceitar que temos de abandonar pouco a pouco o mundo mágico da infância, no qual tanta coisa é nova e excitante. Mais uma vez, estamos suspensos em algum ponto entre a infância e a maturidade, numa eterna adolescência – uma adolescência recheada de tédio.

Os comentários de Marcelo Coelho sobre o livro Filosofia do Tédio, de Lars Svendsen, tem muito a ver com os comentários sobre “entrerimento costante” postado neste espaço

O mundo dos acessórios Hello Kitty, festas infantis, textos minados e relações amorosas padrão-mangá-for-kids é doente.

Parte considerável deste material infantil disponível hoje se esconde sob a denominação “temática feminina”, que é a reunião do ralo, superfluo, infantil e inútil produzido pela sociedade, devidamente selecionado de acordo com perfis de poder aquisitivo, vida diária e interesses pessoais, embrulhado com estampas coloridas dos desejos de glamour e sucesso.

Quando garotas de 30 anos disputam espaço nas bancas de muamba atrás da Hello Kitty é sinal de que as coisas vão mal, quando seriados de TV ocupam as noites de jovens que deveriam estar causando problemas por aí, as coisas vão muito mal, quando seriados como Sex and the City e Desesperate housewives são os seriados mais adultos oferecidos sobre tal temática feminina a coisa é realmente desesperadora.

Sobre a temática masculina há pouco o que comentar. É infantil, pois é sem educação, gruta, birrenta e sem criatividade, é a adulta aí nesse ponto, não muda, não descobre, rejeita o novo, consegue se manter exitada numa enfadonha rotina. Ao menos as mulheres, vez ou outra, quando não há com o que se entreter, tombam .

Technorati tags: tédio

Written by panopticosp

janeiro 23, 2007 at 13:25

Publicado em mídia

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