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A evolução das mortes de ciclistas nos Estados brasileiros

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Os números abaixo são absolutos, ou seja, representam o número total de ciclistas mortos no trânsito. Não estão consideradas relações segundo população total do Estado, número de ciclistas, número de veículos motorizados, tampouco malha rodoviária ou cicloviária.

A evolução das mortes de ciclistas no trânsito é clara: a cada ano, morrem mais ciclistas no trânsito brasileiro. Em 1998, o DataSus, do Ministério da Saúde, registrou 10 óbitos de ciclistas no Estado de São Paulo; em 2008, foram 311. Um crescimento de mais de 3000%.

Clique no gráfico para navegar pelos Estados

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junho 13, 2011 at 17:31

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Assassinatos em conflitos no campo, segundo Estado do Brasil

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Clique para navegar pelo gráfico. Dados: CPT

Compilamos os relatórios de assassinatos decorrentes de conflitos no campo, da Comissão Pastoral da Terra, entidade que alerta sobre os crimes há tempos.

Para ajudar na visualização da evolução desta calamidade, elaboramos, com uma força do @mauricio, um gráfico em que é possível a navegação por Estado brasileiro (basta clicar na imagem acima para navegar).

Segundo reportagem de João Carlos Magalhães, publicada hoje na Folha de S. Paulo, com dados de duas Ouvidorias do governo federal, 98% dos casos de assassinatos no campo do Pará ocorridos nos últimos dez anos ficaram impunes. O levantamento aponta, ainda, que 20% das mortes sequer foram investigados.

Relacionados:
Quem protege é condenado, quem mata está solto, Blog do Sakamoto
Seis histórias curtas de dor e violência no campo, Blog do Sakamoto

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junho 7, 2011 at 16:47

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Por um grande ato contra a violência da polícia paulista

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Arte: Angeli. Todos os direitos reservados

14 de janeiro de 2011: Durante caminhada de protesto contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, a PM dispara bombas e balas de borracha à queima roupa. Policiais sacam armas de fogo. Após corre-corre, manifestantes são perseguidos e agredidos aleatoriamente nas ruas do centro. Câmeras são quebradas e fotos apagadas. Questionada, PM nega exagero.

17 de fevereiro de 2011: Durante mais um protesto contra o aumento do ônibus, um estudante é espancado, na frente das câmeras, por cerca de oito policiais visivelmente descontrolados. Gravemente ferido, o garoto é submetido à cirurgia e fica internado por dias. Ao tentar negociação, três vereadores da cidade levam cassetadas na porta da prefeitura da cidade. Armas de fogo são diretamente apontadas para manifestantes. O comando da PM e o governador afirmam que foi preciso retomar a ordem após bexigas de água terem sido jogadass contra a PM e lixeiras serem quebradas.

17 de abril de 2011: Para conter a agitação num show punk da Virada Cultural, guardas municipais decidem entrar com a viatura no meio da multidão e causam pânico. Um guarda mira sua arma para a multidão revoltada. Em meio a chutes, o carro sai em disparada pela plateia.

01 de maio de 2011: Dia do trabalhador. Durante protesto contra a violência policial dedicada aos negros, manifestantes são agredidos no centro.

21 de maio de 2011: Marcha da maconha é proibida pelo judiciário. Após acordo com a PM, manifestantes saem em passeata pela liberdade de expressão. A tropa de choque dispara bombas na avenida paulista causando correria. Os policiais seguem até a rua da consolação, onde acontece uma chuva de bombas e balas de borracha. O pânico toma conta da rua. Motoristas, pedestres e moradores se protegem assustados. Após greve respiro na altura da Praça Roosevelt, e com a marcha já fragmentada, PM corre atrás de manifestantes que estavam na Rua Augusta, dispara mais bombas e esvazia a via. Um PM é flagrado chutando um garoto que caminha a sua frente, o rapaz é agredido e sua câmara tomada. Fotojornalistas que registravam o momento são agredidos pela guarda municipal. Os manifestantes seguem até delegacia nos jardins e os cerca de seis presos são liberados. A PM e GCM, mais uma vez, negam excessos e dizem que os atos serão analisadas por suas corregedorias.

Ok, estamos falando só da capital, ou melhor, do centro da capital. Na periferia da cidade segue a chacina de jovens “suspeitos” e a corrupção escancarada. Fora da capital, a cobertura da impresa é deficiente mas a situação não é diferente.

As imagens dos casos resumidos acima são claras e ninguém que pretende viver em paz pode concordar com policiais enraivecidos apontando armas para garotos de 17 anos só porque eles estão participando de uma passeata. Sejamos sinceros, a polícia paulista está fora de controle.

Em manifestações, a PM simplesmente deixa vir à superfície toda violência das sombras de suas cadeias. Uma pequena aglomeração num canto da cidade e logo viaturas desesperadas começam a chegar pela contra mão, como se alguém tivesse feito reféns num banco. Durante a marcha da maconha, diante de mais de 40 viaturas, quase uma centena de motos e tropa de choque em plena Av. Paulista, alguém no twitter perguntou se se tratava de um golpe militar ou algo do tipo.

Hoje, a polícia de São Paulo entende uma reunião de pessoas como uma espécie de ato terrorista iminente, toma uma ordem judicial como sinal verde para distribuir porrada e caçar sadicamente as pessoas pelas ruas.

Chega! Já basta! Toda vez que um abuso deste tamanho é cometido e comandante, secretário de segurança e governador do Estado dizem que está tudo certo e que “excessos serão apurados” estamos mais perto de um estado policial completo, onde tudo é proibido e todos são suspeitos. Votamos, somos mal representados, temos leis de convívio mas quando um grupo decide se expressar alguém indefeso acaba no hospital.

Estamos indignados! Por um grande ato contra as sequentes agressões gratuitas da polícia de SP em manifestações públicas.

Não precisamos de partidos corruptos, sindicatos falidos ou líderes hipócritas. Já não somos mais os mesmos. Organizações, grupos de amigos, movimentos sociais, turmas do bar, turmas da firma, gente diferenciada, pobres, fudidos e pensantes num só ato pelo direito de protestar. Pela liberdade de dar sua opinião, pela discussão em praça pública. Chega da prática policial em que jovem negro de bermuda e boné é suspeito – que ganha como brinde um tapa na orelha e uma arma na cabeça.

Pelo bom senso policial em manifestações públicas. A polícia deve procurar a ordem, não causar o pânico, o caos. PM, a cidade não é de vocês! Não venham lançar bombas por um bairro inteiro só porque assim decidiram.

A cidade é nossa e vamos começar a retomá-la pacificamente no próximo sábado, dia 28/05, às 14h, no vão livre do MASP.

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maio 23, 2011 at 14:30

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Polícia reprime com violência marcha da maconha em São Paulo

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A Marcha da Maconha em São Paulo partiu do MASP, na Avenida Paulista, e seguia para o centro quando a tropa de choque, na altura da Rua Augusta, avançou covardemente contra os manifestantes.

Na Rua da Consolação e Rua Augusta, por onde a marcha da maconha passou – já um tanto dispersa pela correria – houve mais bombas, presos e violência desmedida.

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maio 21, 2011 at 17:34

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São Paulo tem ato em solidariedade a ciclistas atropelados em Porto Alegre

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Em São Paulo, ciclistas, pedestres e skatistas protestaram contra o atropelamento em massa de ciclistas promovido por Ricardo José Neis em Porto Alegre.

Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Buenos Aires também terão protestos contra a violência ocorrida em Porto Alegre.

Relacionados:
Como foi a manifestação de apoio aos ciclistas de Porto Alegre, Vá de Bike
Uma noite, corpos no asfalto, As bicicletas

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março 1, 2011 at 13:14

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Mortes por homicídios e em transportes no Brasil

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Clique na imagem para navegar no gráfico dos Homicídios vs. Óbitos em transporte (taxa em 100 mil) – 2008

Em 2008, no Brasil, ocorreram 39.211 mortes em colisões, atropelamentos e outras situações de transporte; no mesmo ano, 50.113 pessoas foram assassinadas das formas mais conhecidas: na bala.

Pistola automática, três oitão e fuzil são regulados por lei, seu uso é restrito e um “acidente” com uma arma de fogo segue os tramites de abertura de inquérito e toda sequência de atos jurídicos.

O uso do carro, da moto e de carros que parecem caminhões também é regulamentado. Seu uso, porém, é fortemente incentivado pelo governo, através de apoios fiscais e investimentos em estrutura para autos, e pelas empresas, através do longo convencimento cultural. Os crimes de trânsito não motivam investigações e tem uma vida nas pastas do judiciário apenas formal – por conta de seguros e similare$.

Jovens

Mais de 18 mil jovens de 15 a 24 anos, que deveriam estar estudando, produzindo e desenvolvendo o país, morreram assassinados em 2008. Quase 9 mil morreram no trânsito e não tiveram futuro no país do futuro.

A taxa de homicídios entre jovens, em 2008, cresceu 1,9% em relação a 1998. Já taxa mortes nos transportes, no mesmo período, cresceu 32,4%. Ou seja, em uma década o país nada fez para conter ou reduzir a chacina provocada por automotores nas ruas do interior e das capitais.


Clique na imagem para visualizar o gráfico das Mortes em transporte no Brasil, 1998 vs 2008

O delegado Gilberto Almeida Montenegro, que culpou dezenas de ciclistas pelo próprio atropelamento, em Porto Alegre, é um exemplo da visão hegemônica no país hoje: a de que avançar com um carro sobre uma pessoa e matá-la não é “morte matada”, é “morte morrida”.

Quando o diretor da Divisão de Crimes de Trânsito de uma de nossas capitais mais ricas declara aos jornais sua preferência pela impunidade, mesmo diante de imagens e testemunhos cabais, a evolução das mortes mostradas pelo gráfico acima torna-se ânsia de vômito.

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fevereiro 28, 2011 at 17:19

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Uma morte anônima

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No dia 05/12, atiraram num homem na praça Roosevelt. Era um dramaturgo conhecido. No dia 04/01, um homem foi esfaqueado e morto na mesma praça. Um morador de rua.

O ataque ao primeiro causou imediata repercussão nos jornais e sites. A morte do segundo não seria sequer conhecida senão fosse um blogueiro chegar ao local instantes após o crime ter ocorrido.

O relato do Blog do Tsavkko revela que cerca de vinte policiais chegaram escandalosamente ao local e estacionaram suas viaturas com pompa, mas nenhum agiu para tentar salvar o homem.

Você conhece o estilo da polícia de SP, um garoto é pego por roubar um celular. Sirenes soam e viaturas derrapam, a rua é interditada, mais viaturas chegam. Documentos são checados, duas horas depois percebem que não há celular, dedicam mais uma hora ao sujeito e vão embora como se um atentado terrorista estivesse acontecendo em algum outro lugar.

Além do odioso crime de omissão cometido pela polícia paulista, o episódio revela como a imprensa trata casos de violência.

O morador de rua foi apenas mais um no processo pelo qual passa o centro de São Paulo hoje. Uma pessoa que não interessa ao leitor de jornais, alguém que não tem amigos jornalistas, um ser abaixo do gari na escala Casoy de dignidade [vídeo do caso].

A Folha de São Paulo, no dia 07, dedicou dois parágrafos (link p/ assinantes) ao coitado. O Estadão imprimiu apenas um, no dia 05.

Nenhum dos jornais escreveu sobre a revitalização do centro e a violência na área, como fizeram quando do ataque ao dramaturgo. Tampouco artistas e subcelebridades se manifestaram nas redes sociais.

Aos dramaturgos dos teatros da Praça Roosevelt, conhecidos por retratarem o “submundo” e a violência da cidade, não faltará material. A realidade está lá fora.

Relacionados:
Ficar chocado quando um rico morre tal qual um pobre, dica 40, Classe Média Way of Life
Por que construímos praças?, artigo, panóptico
Como expulsar drogados, mendigos e outros estorvos, artigo, blog do Sakamoto

Written by panopticosp

janeiro 8, 2010 at 15:44

Publicado em mídia

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