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Ciclistas inauguram motofaixa

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maio 30, 2010 at 14:03

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Prefeitura de São Paulo vai proibir motos em duas vias expressas

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Foto: Alexandre Vieira. Alguns direitos reservados

A Prefeitura de São Paulo tem um estilo de governar focado em resultados. Vai direto ao ponto.

José está com dor no pé. O que fazer? Nosso síndico eleito chama o subsíndico. O pessoal do condomínio logo procura o sub para opinar: José anda demais pelo prédio, sai e entra do prédio várias vezes ao dia, finalmente, Dona Terezinha, uma influente moradora, faz alguns cálculos e conclui que José contribui com os gastos de energia do elevador. A dor no pé, logo todos concordam, deve ser resultado dos passeios de José.

Decide-se então, pelo bem da província, que o pé de José deve ser amputado.

Segundo a Folha, o secretário dos Transportes, Alexandre de Moraes, proibirá motos na 23 de maio, entre o Detran, em frente ao parque Ibirapuera, e o Vale do Anhangabaú. A proibição também valerá na pista expressa da marginal Tietê. Objetivo: diminuir o número de vítimas no trânsito.

Ainda segundo a Folha, “Moraes calcula que o veto às motos fará com que as ocorrências passem de 182 por ano para pouco mais de 50.”

“Na cidade que não para”, pedestres são culpados por atropelamentos, caminhões por engarrafamentos e até skate foi ameaçado de proibição.

Adotadas por jovens pobres como fonte de renda, a moto rapidamente foi eleita a culpada por acidentes. Logo, assaltos ligeiros em motos foram parar na conta de todos os trabalhadores do ramo. As mortes diárias dos motoboys, entretanto, demoraram anos para serem percebidas e ainda hoje raramente é objeto de discussão.

A solidariedade aos colegas acidentados e as paralisações históricas dos únicos rapazes motorizados capazes de furar o trânsito, porém, adiou muitas das ações de restrição da prefeitura.

Os carros? Há um rodízio semanal em durante dois períodos de três horas, uma Companhia de Tráfego trabalhando para eles e culpa nenhuma.

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março 17, 2010 at 12:51

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Deixe de depender dos outros

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dafra
Propaganda veiculada no Metrô News, jornal distribuído nas estações do metrô de São Paulo.

A moto está entre os bens mais desejados pelos jovens assalariados com instrução média e capacidade de compra, ou como chamam, a classe C. Compete com o celular. Em comum, a facilidade oferecida ao portador de incrementar seu status social.

Um problema sempre por resolverem é como sair do bairro periférico onde moram e chegar ao trabalho com decência. Sem serem espremidos num ônibus durante horas, esperarem cinco trens do metrô passarem para conseguir entrar e, por fim, não chegarem atrasados ao trabalho. Tudo isso por quase quatro reais. E ainda tem a volta.

Durante o trajeto de metrô invariavelmente este jovem atendente de telemarketing dá de cara com anúncios. Primeiro, de motos; segundo, de cursos superiores e profissionalizantes.

Quem tolera gastar boa parte de seu salário para sofrer dentro de ônibus e trens? Quem tolera trabalhar a semana toda e esperar mais de uma hora no ponto de ônibus para ir até a casa da namorada num sábado à noite? Quem não gostaria de deixar um pouco o bairro sem grandes atrativos de lazer e pegar um cinema na Paulista? Agora, quem encara a espera e a série de baldeações do transporte público num final de semana?

Fazer uma faculdade (que facilita o pagamento), comprar uma moto (que facilita o pagamento), trocar o celular (que facilita o pagamento) e, quem sabe, um curso complementar (que facilita o pagamento) são parte de um pacote de ascensão social, constantemente na mente dos jovens trabalhadores.

“Deixe esta vida para trás”, esta é a idéia. Chega de pegar carona para cair na balada, para levar a mãe na consulta médica, chega de levar três horas para chegar ao trabalho, de ir sempre ao boteco mais próximo por falta de transporte.

Se o gasto mensal com transporte público equivale à prestação de uma moto em 48 vezes. Por que ser irracional e deixar de adquirir conforto, rapidez, status e um bem que pode ser vendido?

Afinal, a luta pela melhoria do transporte coletivo terá resultado, se o tiver, num prazo inestimável, certamente longo. E as soluções individuais trazem para a pessoa um benefício hoje. É uma disputa desigual.

Comprar uma moto em 48 vezes e já no próximo final de semana ter suas chances com as mulheres aumentadas, como propagandeado a cada intervalo comercial, ou encarar uma longa luta pelo transporte público de qualidade? Este é o desafio que qualquer luta por direitos enfrenta hoje.

Relacionado:
Cansado de esperar, artigo, Panóptico

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julho 30, 2009 at 19:47

Dafra, você por cima da merda

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É ótimo quando vemos alguém que usa seu tempo na internet para algo realmente útil e realmente engraçado.

Todos os dias somos obrigados a aturar um ataque publicitário autorregulamentado. O número de telespectadores irritadores com produtos que não atendem ao prometido não é baixo.

O criador da contrapropaganda, portanto é porta-voz de muitos. Aparentemente, a dublagem foi feita por algum profissional. Talvez uma agência concorrente, talvez um autônomo experto. Assim é perdido o mérito, uma vez que seria uma contrapropaganda feita apenas para apoiar outra marca.

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maio 25, 2009 at 12:02

Atenção! Este veículo está sendo roubado. Ligue para a Car System

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Meu caçula “joga” futebol com a parede do quarto; vira e mexe, eu recebo uma buzinada na orelha ao atravessar a rua; minha mulher, vindo do centro, gasta três horas para chegar ao Terminal Capelinha, todos os dias.

Um ano atrás eu não percebia como isso é injusto.

Eu organizo processos no principal Tribunal de São Paulo. Trabalho fácil e chato. Mas tem estabilidade e o café ajuda nas horas de maior angústia. Maldita estabilidade. Coisa rara. 17 anos de casa, agora em abril.

A questão é que esse maldito alarme exclamando, o dia todo, “Atenção! Este veículo está sendo roubado” está me deixando maluco. Doido mesmo.

Quando uma moto esbarra na outra na área de estacionamento de motos que tem na rua aqui ao lado do Tribunal, lá vem “este veículo está sendo roubado”. As motos se esbarram a cada 10 minutos, porque o espaço de estacionamento – do tamanho de dois carros – serve a uma multidão de motoboys.

Eu não entendo esse alarme. Não sei se alguém o leva a sério. Um dia resolvi ligar para a “Car system” dizendo que “um veículo foi roubado” para ver o acontecia. Talvez eles mandassem uma equipe armada até o local e recuperassem o “veículo”, não sei.

O atendente me perguntou se não se tratava de um disparo acidental; de repente, alguém tinha trombado numa moto estacionada.

Eu acho que se alguém vê um veículo sendo roubado, deve simplesmente ligar para a polícia. O dono do objeto deve se lamentar e arcar com o prejuízo.

Eu só gostaria de organizar as pastas e documentos em paz, como venho fazendo há quase 17 anos, sem que ninguém me mande ligar para a “car system”.

Neste último ano que meu cérebro foi esfaqueado pela “car system”, percebi que eu e minha família nunca fizemos parte do tal “trânsito caótico de São Paulo”, como diz a TV. Que apesar de gostar de usar esse assunto para jogar conversa fora, eu não tenho nada a ver com ele.

Nunca tive carro. Nunca tive nenhum “veículo roubado” e todos os dias desperdiço horas no ônibus voltando do Tribunal.

Isso só me veio à cabeça depois que a Car System chegou à minha vida.

Respeito muito o doutor Oliveira, mas não suporto mais. Vou deixar o Tribunal.

(de um cidadão qualquer)

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março 20, 2009 at 16:08

A criminalização dos motoboys em São Paulo

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Foto: Luiz. Todos os direitos reservados.

Anda difícil a vida do trabalhador que usa uma motocicleta para ganhar o pão. Como tantos outros, ele leva e traz coisas variadas. A questão é que se o fizesse montado num automóvel de quatro rodas não encontraria pela frente uma blitz policial “só para motos”, não seria proibido de usar o banheiro de algumas rodovias (por seu veículo não pagar pedágio), não seria desrespeitado em rádios de grande audiência, não diriam em grande revista que ele cai sozinho, não veria um colega morto no asfalto a cada 24 horas e não seria alvo de leis malucas a cada semestre.

Se em vez da câmara os legisladores realizassem suas audiências em botecos pela cidade, digamos às sete da noite, boa parte das leis e medidas implantadas sairia para a rua e não voltaria micada, com vergonha. Pouparia os sábios de dar entrevista veemente num dia e no outro dia falar baixinho que talvez volte atrás.

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Na revistinha do rei carro: “…vivem em guerra com os motoristas, são temerários e, quando resolvem protestar, atravancam ainda mais o tráfego de São Paulo” (Imagem via xforum)

Em São Paulo voltou a pauta a proibição da garupa em motos. Dizem que muitos assaltos são realizados por duas pessoas sobre uma moto. Para os legisladores a solução seria simples, proibir todos de usar seu veículo de forma plena. Coisa inteligente, para facilitar o serviço da polícia chuta-se um direito do consumidor e criminaliza-se uma categoria paulistana do tamanho da população de São Caetano, sua vizinha.

A exposição do assunto na mídia não levou a nada, simplesmente porque a mídia é da classe média (motorista de automóvel), vê o motoboy como uma praga e quer higienizar a cidade. O que a mídia chamou de “debate” só reforçou o preconceito ao trabalhador que pára com sua moto no semáforo e vê os vidros do carro do trabalhador ao lado serem fechados rapidamente.

Há cidades em que o capacete não é exigido para que o moto-ladrão seja reconhecido. Idéia de governante de cidade pequena. Em São Paulo já se pensou em escrever o nome, o R.G. e a placa da moto no capacete e num colete especial do potencial infrator. Idéia de síndico que acha que é prefeito de cidade grande, quer que o faxineiro o chame de doutor e não sabe como disfarçar sua fúria discriminatória. É assim toda vez que se fala em segurança e cia na grande cidade, a primeira idéia que surge é perseguir o trabalho e proibir alguém de existir.

Alguém importante é assaltado ou morto por um motoqueiro e logo um representante salta para proibir motoqueiros e motos, mas, claro, toma o cuidado de restringir a limpeza. No Rio, graças ao deputado Pedro Fernandes, foi colocada na mesa, nua, a vontade dos poderosos de varrer os moto-pobres das metrópoles. O projeto de Fernandes pretende proibir que motos com menos de 500 cilindradas carreguem alguém na garupa. Assim, o pessoal que só tem 125 cilindradas no bolso não pode pegar a namorada na saída do trabalho, mas quem tem mais de 500 cilindradas na carteira pode levar a esposa para a praia.

Peculiaridades do direito brasileiro. Cada grupo de brasileiros tem os seus. Juiz manda a imprensa não falar o nome de acusados de agredir prostitutas e diz que sua decisão “independe de raça, profissão ou gênero”; deputado quer proibir garupa para motocas de trabalho e, com certeza, também não tem nada a ver com raça, classe ou profissão. Vivemos em cidades cada vez mais perigosas, sim. A saliva higienista que atualmente escapa das bocas dos governantes é grossa, corrosiva e nojenta; respinga a promoção da exclusão, o incentivo ao desrespeito e a reafirmação de desigualdades justamente naqueles que estão mais desprotegidos e apenas tentam sobreviver. Um conhecido grande perigo.

Com tantos problemas a maioria dos motoboys tem uma situação trabalhista muito pior do que seus colegas que possuem mais que duas rodas: não tem honorário, porque trabalham “na informalidade”, recebem por entrega, por dia, por fora e cia; não tem seguro de vida; não tem convênio saúde; não tem vale-refeição; tiram uns R$700 por mês. Se depois de um tombo ficarem em casa, digamos, duas semanas, recebem zero reais e os gastos médicos são de sua própia conta.

Sim, tudo vai mal, mas estão mobilizados, já levaram 5 mil às ruas e ninguém mexe com eles sem pensar três vezes. Todos os representantes de São Paulo sabem disso.

Relacionados:
como não poderia deixar de ser, vou comentar a nossa matéria que saiu na Veja SP…, artigo, Motoblog
Motoboy, invisível que incomoda, artigo, Panóptico
Motos x carros, artigo, Panóptico
Motos, trânsito, status e mortes, artigo, Panóptico

Written by panopticosp

fevereiro 9, 2008 at 10:15

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Mentira para idiotas é a alma da Veja

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Imagem via xforum

Legenda da mentira: “Cena comum: motoboy se desequilibra e cai sozinho na Avenida Doutor Arnaldo”

Atualmente a revistinha é inbatível. Chegou lá, conseguiu ser uma das piores revistas do mundo com mentiras diretas, óbvias, claras e infantis.

Segundo dados da CET, a maoria esmagadora dos acidentes fatais ocorre devido a colisões laterais, ou seja, a moto é atingida lateralmente, o motocilista cai e é atropelado em seguida. Dado o caráter frágil do corpo exposto, os ferimentos são geralmente graves. O serviço de resgate do corpo de bombeiros estima que a cada dez saídas para um atendimento de emergência, três são para resgatar um matociclista ferido ou morto. As motocicletas mais acessíveis apresentam poucos dispositivos de segurança, o que é agravado pela grande quantidade de motos sem condições de uso que trafegam pela cidade. Muitas motocicletas ainda usam um sistema de frieo à lona, em detrimento do sistema a disco, mais moderno. Na hora da freada de emergência, o custo do equipamento transfere-se ao estado que mobiliza sua infra-estrutura para cuidar da vítima. O Hospital das Clínicas de São Paulo já é um dos centros mundiais de amputação de membros inferiores — uma das áreas do corpo mais atingidas nas quedas de moto.

Fonte da verdade: Remoto, Canal*Motoboy

Written by panopticosp

fevereiro 8, 2008 at 14:54

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