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Os Valets glamourosos

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No mês passado, a revista Veja São Paulo publicou mais uma matéria defendendo que os interesses particulares devem se sobrepor aos coletivos, na cidade de São Paulo.

Não se tratava, porém, da defesa de especuladores em detrimento de movimentos sociais, de desejos patronais sobre direitos trabalhistas. A defesa desta lógica se revela também em temas menores e apareceu na Veja no principal tema cotidiano da cidade, o trânsito.

Os carros de luxo que circulam pelos 180 metros do trecho entre as avenidas Faria Lima e Nove de Julho da Rua Amauri, famosa pela alta concentração de restaurantes badalados, no Itaim Bibi, podem se livrar do fardo de dividir espaço com os ônibus

O texto “Ônibus da discórdia” adota o conhecido estilo “absurdo pré-fabricado” e mentiroso para “formar opinião” a favor da parte mais forte e, consequentemente, sensibilizar os administradores públicos para uma solução rápida.

“Aí, os motoristas dos ônibus metem a mão na buzina e irritam quem quer comer com tranquilidade”, afirma Giliard dos Santos, funcionário da empresa de valet Golf Park.

É o avesso do avesso, o direito de carros coletivos passarem por ruas públicas vira “discórdia” em revista.

Antes de receber um glorioso “não’ da SPTrans, a rua Amauri recebeu centenas de ciclistas atentos aos ataques da mídia e dispostos a questionar a privatização da rua.

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Por alguns minutos a rua também contou com um serviço vip de estacionamento de bicicletas.

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Relacionado:
“Donos da rua” acham que ônibus atrapalham o Valet, artigo, Vá de bike!
Os caras-de-pau e Kafka sobre quatro rodas, artigo, Apocalipse motorizado

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Written by panopticosp

março 27, 2009 at 11:12

Revista da Univ. Federal de Santa Maria discute mobilidade urbana

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A revista Ciência & Ambiente, publicada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), lançou uma edição dedicada ao tema “A cultura do automóvel”, reunindo textos de 12 especialistas que analisam o assunto sob a perspectiva de diversas áreas do conhecimento.

Os artigos apresentam propostas alternativas para desafios urbanísticos, tecnológicos e energéticos promovidos pelo uso de veículos automotivos. As propostas, dotadas de diferentes escalas de complexidade para implantação, indicam caminhos para o movimento de transformação do atual cenário urbano.

Os editores convidados para a 37ª edição da revista são a professora Erminia Maricato, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP), e Ronai Pires da Rocha, do Departamento de Filosofia da UFSM.

No volume, são abordadas questões como o significado da “cultura do automóvel” na cena contemporânea; o custo do automóvel, da indústria de infraestrutura e da opção energética para o ambiente e a saúde dos moradores urbanos; e quais modos de transporte ou políticas de mobilidade e uso do solo podem ser introduzidos.

Os autores, além dos dois editores convidados, são Ailton Brasiliense, Eduardo David, Felix Farret, Liana John, Luiz Righi, Marco Aurélio Lagonegro, Miguel Neves Camargo, Nazareno Affonso, Raphael David, Renato Boareto, Ricardo Neder, Richard Stephan, Tatiana Schor e Tiago Guedes.

“O automóvel e a cidade”, “Automobilismo: qual uso, qual significado?”, “Crítica à cultura do automóvel ou teoria crítica da tecnologia?”, “A ideologia rodoviarista no Brasil”, “A política de mobilidade urbana e a construção de cidades sustentáveis” e “Energia veicular e alternativas para o século 21” são alguns dos artigos presentes no volume.

Mais informações: http://www.ufsm.br/cienciaeambiente

(Fonte: Agência FAPESP)

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março 16, 2009 at 9:33

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“Isto É” manipula foto para proteger Serra

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O jornal Brasil de Fato denunciou e vários blogs já espalharam a notícia da grosseira manipulação da Revista IstoÉ.

A imagem de propriedade da Folha Imagem sobre o protesto do MST e do MAB contra a privatização da Cesp trazia a inscrição “Fora Serra”, a revista IstoÉ simplesmente apagou a inscrição.

O impressionante é que a revista auto declarada Independente ainda mantém a imagem falsa no ar.

A reportagem do Brasil de fato é do dia 07/04. Abaixo a tela do site da revista no Terra, capturada hoje às 10:47

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abril 11, 2008 at 11:20

Publicado em mídia, política

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Observando a mídia

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Já foram publicados 13 artigos sobre a revista mais nefasta do Brasil. Luís Nassif, com a ajuda de seus leitores, vem juntando as peças da história de terror do semanário. O dossiê também está disponível em inglês para o mundo saber.

Agora, o Biscoito fino e a massa, que vem acompanhando as primárias norte-americanas e já mostrou o grave erro do “maior jornal do país”, inicia uma série de artigos simples e diretos: Perguntas que a imprensa americana não fará.

Criticar não é só xingar aos ventos, como uma minoria da esquerda acredita. Desmontar é parte do aprendizado para entender como as entranhas adoecem e para criar algo melhor. Sempre impressiona que máquinas nocivas continuem a operar quando existem alternativas saudáveis. Sendo assim, para os saudáveis desmontar e criar se tornam tarefas concomitantes.

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fevereiro 21, 2008 at 12:14

Publicado em mídia

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A criminalização dos motoboys em São Paulo

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Foto: Luiz. Todos os direitos reservados.

Anda difícil a vida do trabalhador que usa uma motocicleta para ganhar o pão. Como tantos outros, ele leva e traz coisas variadas. A questão é que se o fizesse montado num automóvel de quatro rodas não encontraria pela frente uma blitz policial “só para motos”, não seria proibido de usar o banheiro de algumas rodovias (por seu veículo não pagar pedágio), não seria desrespeitado em rádios de grande audiência, não diriam em grande revista que ele cai sozinho, não veria um colega morto no asfalto a cada 24 horas e não seria alvo de leis malucas a cada semestre.

Se em vez da câmara os legisladores realizassem suas audiências em botecos pela cidade, digamos às sete da noite, boa parte das leis e medidas implantadas sairia para a rua e não voltaria micada, com vergonha. Pouparia os sábios de dar entrevista veemente num dia e no outro dia falar baixinho que talvez volte atrás.

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Na revistinha do rei carro: “…vivem em guerra com os motoristas, são temerários e, quando resolvem protestar, atravancam ainda mais o tráfego de São Paulo” (Imagem via xforum)

Em São Paulo voltou a pauta a proibição da garupa em motos. Dizem que muitos assaltos são realizados por duas pessoas sobre uma moto. Para os legisladores a solução seria simples, proibir todos de usar seu veículo de forma plena. Coisa inteligente, para facilitar o serviço da polícia chuta-se um direito do consumidor e criminaliza-se uma categoria paulistana do tamanho da população de São Caetano, sua vizinha.

A exposição do assunto na mídia não levou a nada, simplesmente porque a mídia é da classe média (motorista de automóvel), vê o motoboy como uma praga e quer higienizar a cidade. O que a mídia chamou de “debate” só reforçou o preconceito ao trabalhador que pára com sua moto no semáforo e vê os vidros do carro do trabalhador ao lado serem fechados rapidamente.

Há cidades em que o capacete não é exigido para que o moto-ladrão seja reconhecido. Idéia de governante de cidade pequena. Em São Paulo já se pensou em escrever o nome, o R.G. e a placa da moto no capacete e num colete especial do potencial infrator. Idéia de síndico que acha que é prefeito de cidade grande, quer que o faxineiro o chame de doutor e não sabe como disfarçar sua fúria discriminatória. É assim toda vez que se fala em segurança e cia na grande cidade, a primeira idéia que surge é perseguir o trabalho e proibir alguém de existir.

Alguém importante é assaltado ou morto por um motoqueiro e logo um representante salta para proibir motoqueiros e motos, mas, claro, toma o cuidado de restringir a limpeza. No Rio, graças ao deputado Pedro Fernandes, foi colocada na mesa, nua, a vontade dos poderosos de varrer os moto-pobres das metrópoles. O projeto de Fernandes pretende proibir que motos com menos de 500 cilindradas carreguem alguém na garupa. Assim, o pessoal que só tem 125 cilindradas no bolso não pode pegar a namorada na saída do trabalho, mas quem tem mais de 500 cilindradas na carteira pode levar a esposa para a praia.

Peculiaridades do direito brasileiro. Cada grupo de brasileiros tem os seus. Juiz manda a imprensa não falar o nome de acusados de agredir prostitutas e diz que sua decisão “independe de raça, profissão ou gênero”; deputado quer proibir garupa para motocas de trabalho e, com certeza, também não tem nada a ver com raça, classe ou profissão. Vivemos em cidades cada vez mais perigosas, sim. A saliva higienista que atualmente escapa das bocas dos governantes é grossa, corrosiva e nojenta; respinga a promoção da exclusão, o incentivo ao desrespeito e a reafirmação de desigualdades justamente naqueles que estão mais desprotegidos e apenas tentam sobreviver. Um conhecido grande perigo.

Com tantos problemas a maioria dos motoboys tem uma situação trabalhista muito pior do que seus colegas que possuem mais que duas rodas: não tem honorário, porque trabalham “na informalidade”, recebem por entrega, por dia, por fora e cia; não tem seguro de vida; não tem convênio saúde; não tem vale-refeição; tiram uns R$700 por mês. Se depois de um tombo ficarem em casa, digamos, duas semanas, recebem zero reais e os gastos médicos são de sua própia conta.

Sim, tudo vai mal, mas estão mobilizados, já levaram 5 mil às ruas e ninguém mexe com eles sem pensar três vezes. Todos os representantes de São Paulo sabem disso.

Relacionados:
como não poderia deixar de ser, vou comentar a nossa matéria que saiu na Veja SP…, artigo, Motoblog
Motoboy, invisível que incomoda, artigo, Panóptico
Motos x carros, artigo, Panóptico
Motos, trânsito, status e mortes, artigo, Panóptico

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fevereiro 9, 2008 at 10:15

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Mentira para idiotas é a alma da Veja

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Imagem via xforum

Legenda da mentira: “Cena comum: motoboy se desequilibra e cai sozinho na Avenida Doutor Arnaldo”

Atualmente a revistinha é inbatível. Chegou lá, conseguiu ser uma das piores revistas do mundo com mentiras diretas, óbvias, claras e infantis.

Segundo dados da CET, a maoria esmagadora dos acidentes fatais ocorre devido a colisões laterais, ou seja, a moto é atingida lateralmente, o motocilista cai e é atropelado em seguida. Dado o caráter frágil do corpo exposto, os ferimentos são geralmente graves. O serviço de resgate do corpo de bombeiros estima que a cada dez saídas para um atendimento de emergência, três são para resgatar um matociclista ferido ou morto. As motocicletas mais acessíveis apresentam poucos dispositivos de segurança, o que é agravado pela grande quantidade de motos sem condições de uso que trafegam pela cidade. Muitas motocicletas ainda usam um sistema de frieo à lona, em detrimento do sistema a disco, mais moderno. Na hora da freada de emergência, o custo do equipamento transfere-se ao estado que mobiliza sua infra-estrutura para cuidar da vítima. O Hospital das Clínicas de São Paulo já é um dos centros mundiais de amputação de membros inferiores — uma das áreas do corpo mais atingidas nas quedas de moto.

Fonte da verdade: Remoto, Canal*Motoboy

Written by panopticosp

fevereiro 8, 2008 at 14:54

Publicado em mídia, transporte

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Esperando o ônibus no Rio de Janeiro

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Charge: Leonardo, em O Caos Anda sobre Rodas. Revista Zé Pereira.

— Na Zona Sul não é assim. Em Copacabana, tem ônibus a toda hora. Sei disso porque trabalhei lá por um tempo. Mudei de emprego e sofro com a falta de opções, principalmente na volta para casa. (Revista Zé Pereira)

Outras charges e um longa reportagem sobre o sistema de vans e ônibus no Rio de Janeiro estão no site da Revista Zé Pereira.

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Nunca li a revista, afora algumas reportagens no site, como a maravilhosa estória Hitler no Leblon, então não posso comentar sobre, mas é a primeira vez na vida que vejo uma capa de revista com uma garota negra, acima dos 30 anos de idade, e subindo num ônibus. Não é pouca coisa.

Written by panopticosp

novembro 9, 2007 at 9:25