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A cidade não é isso que está aí, a cidade é outra coisa

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Numa rua tranquila um carro prateado desliza pela curva que leva a uma estrada ensolarada. De um bosque florido é que surge um garotinho numa bicicletinha; de encontro aos pais orgulhosos, ele e o cão de pêlo macio comemoram um dia ao ar livre.

A cidade dos comerciais de automóveis e dos panfletos imobiliários é bem diferente daquela na qual vivemos todos os dias. Praças sem bancos, jardins de espinhos, cafés onde não é preciso deixar claro que ali é proibido se demorar sentado, pipoqueiros correndo da polícia e, claro, carros, muitos carros.

Sendo a copa do mundo um evento publicitário, natural que a cidade das redes de televisão seja festiva, vibrante, alegre e qualquer outra palavra que venha à cabeça do Galvão.

Bêbados em carros do tamanho de caminhões, buzinas desesperadas agonizando no trânsito e empurra-empurra no metrô são parte de uma realidade que não cabe no panfleto esportivo.

O jogo começa e junto uma cidade diferente. Durante poucas horas, as ruas se esvaziam e o tempo parece passar mais devagar. Um par de 45 minutos mostra que uma outra cidade possível.

Se o futebol, orgulho do nosso país, costuma nos envergonhar e a memória do “futebol-arte” frequentemente tem que ser acionada pelos fãs; com São Paulo não é diferente, os “tempos passados” são aqueles para onde a maioria corre quando quer falar algo positivo de seu lar.

Sugestões à seleção de Dunga não faltam. Todos sabemos que a coisa poderia ser diferente, mais divertida e melhor. São Paulo também não precisa ser assim.

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junho 28, 2010 at 20:48

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Esta obra é conservada por Ninguém S.A.

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ninguem-sa

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janeiro 6, 2009 at 18:38

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Construir para destruir

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Arte: BLU. Todos os direitos reservados. Parte do Nakba60 exhibition

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julho 2, 2008 at 17:04

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Espalhando corações

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Arte: Yá, Petite Poupée 7 Foto: Mr. Fran. Todos os direitos reservados (reprodução autorizada pelo autor).

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abril 28, 2008 at 10:16

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Guia prático ilustrado sobre pixação em São Paulo

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Está difícil saber o que pode e o que não pode desenhar nas ruas de São Paulo? É complicado entender quem pode e quem não pode? Este guia foi elaborado especialmente para atender esta necessidade contemporânea.

Grafite em carro esportivo de gigante dos pneus pode
grafite_goodyear.jpg

Grafite em favor da mobilidade não motorizada não pode
asas_praca_ciclista1.jpg
Trabalho: Mona Caron. Foto: apocalipse motorizado

Grafite em propaganda de banco recordista de faturamento pode
grafite_itau_01.jpg

“Bombar” geral em bairro de mega barzinho hippie-chic não pode
pixo_05.jpg

Pixação de “pixador salvo” por ONG pode. É arte. É social
pixacao_tutelada01.jpg

Pixação de pixador não tutelado não pode. É contravenção. É poluição visual
pixo02.jpg

Grafite de multinacional automotiva pode
grafite_fiat.jpg

Grafite autônomo não pode
escravotransito_01.jpg
Trabalho e foto: Mundano. Todos os direitos reservados

Agradecimento especial a todas as agências publicidade, medidores de tendências, autoridades policiais, vigilantes privados, governantes, grandes marcas e ONGs-empresas que tornaram este guia possível.

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Obs. Pixar (sic): grafia utilizada aqui em referênca àquela habitualmente utilizada pelos pichadores para pichar

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janeiro 9, 2008 at 20:42

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Cores da marketagem

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grafite_palhacada.jpg

Afora os recentes estudantes de áreas ligadas à arte que utilizam o grafite em seus trabalhos, todo grafiteiro foi pixador e desenvolveu sua técnica pixando nas ruas.

Cada vez mais pixadores se interessaram por desenhos mais elaborados e com uma margem maior de expressão artística, já vistos fora do Brasil. Foram estes pixadores ainda sem a denominação de “grafiteiros” que deram unidade aos desenhos espalhados pela cidade, que estimularam outros a grafitar e fizeram com que o grafite se desenvolve-se no Brasil e, enfim, chega-se à massa para ser utilizado para fins variados.

A divisão entre pixação e grafite é uma divisão construída na cultura pop. Para a cultura de rua esta divisão não faz sentido teoricamente, embora na prática a atuação de pixadores e grafiteiros se separe.

A Puma, a Adidas, a Fiat, a Goodyear, a Suvinil ou qualquer outra empresa que “apoia o grafite” não tem nada a ver com esta história. Nenhuma delas deu uma lata de spray para algum pixador/grafiteiro ou deixou de perseguir àqueles que tentavam desenhar nos muros de suas propriedades antes do grafite ser aceito como estética motivadora de consumo.

srs_grafiteiros.jpg
“Srs. grafiteiros o dinheiro economizado na manutenção será doado a instituição de caridade. Colabore. Viste xxx.org,br” | Tradução: Moleque, a nossa ONG pode fazer desenho bonitinho; você não (… também com esses desenhos agressivos, não dá). Se tentar, a prefeitura apaga. Venha aprender com a gente no xxx.org.br

Quem dançou foram os pixadores que permaneceram pixando “tags” monocromáticas e não migraram para os desenhos coloridos. Estigmatizados como gangues de rabiscadores que emporcalham a cidade, a prefeitura de São Paulo declarou que policiais os caçassem pelas ruas. A mão direita batia enquanto a esquerda levava os “jovens sem perspectiva” para a “rede de proteção social” de ONGs para que fossem “salvos”, deixassem essa vida de lado e “desenvolvessem sua capacidade artística” (e ainda tem possibilidade de “geração de renda”!)

Nenhuma ONG que hoje semanalmente dá oficinas sobre grafite deu uma lata de spray ou emprestou um pincel para alguém antes da coisa virar moda entre educadores sociais. Estes “jovens em situação de risco social” inventaram sozinhos e contra as autoridades e vigilantes privados uma forma de organização e expressão original – brasileira e paulistana. Literalmente a escalada social deles foi feita com as próprias mãos. Hoje, a invenção foi capturada para ser utilizada contra a própria liberdade artística de seus inventores.

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Obs. Pixar (sic): grafia utilizada aqui em referênca àquela habitualmente utilizada pelos pichadores para pichar

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janeiro 9, 2008 at 20:13

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Pixo, logo existo

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pixo_duque_caxias.jpg
Foto: autor desconhecido

O trabalho autônomo executado no espaço público por uma molecada, combatido durante toda sua existência, chega aos tempos atuais apaziguado pelo marketing.

A necessidade de renovação dos apelos usados pelo marketing – como a noção de identificação – levou a situações peculiares nos tempos atuais. Carros ecológicos, bancos que nem parecem banco, refrigerante zero, ensaio de fotográfico de moda durante manifestação anti-globalização…

apagador_pixo.jpg
Funcionário municipal apagador de pixações

Em São Paulo a pixação foi perseguida ferozmente nos últimos anos e o grafite foi eleito a bola da vez na “street art”. Diferentemente do trabalho realizado há anos por jovens da periferia da cidade (office-boys, ajudantes gerais, estudantes…) que escalavam alturas ignorantes para deixar a marca de seu grupo, os desenhos coloridos mais trabalhados e realizados mais ao nível do solo despertou o interesse de jovens com poder de compra. Jovens de classe média se interessaram pelo assunto e não só passaram a admirar mas também a acessar as técnicas do spray.

As grandes marcas de produtos juvenis ganharam uma estética pronta para copiar, usar, abusar e a qual poderiam atrelar temporariamente seu logotipo. Como toda estética da cultura de massa, após o hype e a exclusividade de um pequeno, seleto e, portanto, especial grupo, veio o vazamento, o momento em que outros muitos grupos se apropriam da estética. Na sequência veio a massificação, quando a produção em massa chega aos grandes distribuidores e todos, então, ganham a “permissão” de acessar aquele “estilo” e os grupos da era hype o abandonam.

A apropriação do grafite pelas empresas e agências de publicidade, como em outras tantas atividades da cultura de resistência, não impede que a atividade se desenvolva. Seu curso, porém, é fortemente alterado. Para além das discussões artísticas, as de ordem ideológica ganham força, qual é o grafite de verdade, qual é o grafiteiro vendido, todos têm que sobreviver, como resolver o dilema, qual o limite, isso e aquilo…

Em geral, os opositores destas culturas se esquecem do velho dito: onde há fogo, levaremos gasolina.

Obs. Pixar(sic): grafia utilizada aqui em referênca àquela habitualmente utilizada pelos pichadores para pichar

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Written by panopticosp

janeiro 9, 2008 at 19:59

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