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Higiene na pólis

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O governo desistiu da estação de metrô Higienópolis na Av. Angélica, no meio do bairro nobre paulistano. Após pressão dos moradores e comerciantes do bairro, que não querem “gente diferenciada” circulando pela área, a estação deve ficar próxima ao Estádio do Pacaembu.

“Eu não uso metrô e não usaria. Isso vai acabar com a tradição do bairro. Você já viu o tipo de gente que fica ao redor das estações do metrô? Drogados, mendigos, uma gente diferenciada…”

Disse a psicóloga Guiomar Ferreira, 55, enquanto comprava na tradicional Bacco’s Vinhos da rua Sergipe (FSP, 13/08/2010)

A multidão de funcionários, empregados domésticos, porteiros, seguranças, babás e toda gente que vem de longe para cuidar da vida das famílias do bairro, ficou na mão. Simplesmente porque o governo do Estado não está interessado na cidade como um todo e prefere não desagradar meia dúzia de higienistas.

Pois solta o proibidão, o pagode, o churrasco e a cerveja que esta gente diferenciada tá chegando. Este sábado, dia 14, às 14h, em frente ao Shopping Higienópolis.

>>> Não deixe de ler o sensacional texto de Marcelo Rubens Paiva sobre o assunto: Allons enfants

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maio 11, 2011 at 16:57

Oficial: contra lotação, a solução do metrô de SP é distrair a população

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Pág. II, Diário Oficial SP – Poder Executivo, 16/11/2009

O metrô de São Paulo, aquele da propagandeada “Expansão”, está impossível, o limite do insuportável já passou faz tempo e as pessoas não tem alternativa senão esperar horas por um trem suportável (leia-se lotado, mas que um não lutador de jiu-jítsu consegue entrar).

O desprezo pelo usuário de transporte público é tal que o governo tem a pachorra de publicar a notícia acima em seu veículo oficial. Que manchete é essa? Descontração enquanto aguarda trem mais vazio?!

Perceba a falta de noção da legenda da foto principal: “Antes, ficava na Praça do Patriarca até as 8 horas antes de voltar para casa”. Por conta da lotação, o cara perdia duas horas do dia por aí, agora continua perdendo as mesmas duas horas, mas dentro da estação. Que avanço!

Grande política de transporte: banquinho e violão. Ótimo! Se esta política avançar já estou vendo o sucesso de, quem sabe, uma “secretária do teatrinho de transporte”. Estaria em perfeita sintonia com recentes os importantes avanços da área, como a novelinha no busão e o Bilhete único do endividamento.

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novembro 17, 2009 at 11:41

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O que a copa de 2014 tem a ver com a expansão do metrô?

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convite mpl

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maio 21, 2009 at 15:58

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O glamour dos valets e a “revitalização” do centro

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Sempre teremos “problemas” a resolver em São Paulo quando o assunto é estacionamento. Isso porque a relação entre o espaço que carros parados ocupam e o espaço que seus donos ocupam é totalmente desequilibrada. Uma reunião com 20 pessoas marcada numa sala de 20 m² pode atrair 20 carros, causando um belo transtorno em frente ao local.

Como os paulistanos não sabem ir a lugar nenhum sem levar consigo um motor quente, nem aos finais de semana, o problema é permanente.

Cineminha na sala Unibanco Augusta no domingo? Trânsito a um quarteirão do metrô. Anúncio antes do filme começar, indicando os estacionamentos ao redor? Sim, no Cine Belas Artes, que fica em frente a um corredor de ônibus e a dois quarteirões do metrô.

Sobre a reabertura de uma magnífica sala de cinema no centro de São Paulo, a matéria “Repaginado, Cine Marabá reabre e resgata o glamour”, do Estadão, diz:

O problema da falta de vagas de estacionamento (e da falta de garagens subterrâneas, projeto da Prefeitura que está há seis anos no papel) será resolvido com um valet na porta.

A “solução” não soluciona e não revitaliza área nenhuma.

Os valets, mesmo que não sejam, representam a exclusividade, uma desigualdade de tratamento nociva. Numa frase, valets são pedantes. E não é isso que ajudará a revitalizar o centro de São Paulo.

Não importa quantos “Centros culturais” inventarem, partes do bairro continuarão esvaziadas à noite se as pessoas saírem de seus carros feito bolas de sinuca e caírem dentro da caçapa do cinema.

No tempo do tal proclamado glamour, o centro era o principal bairro da cidade e, apesar dos carros já causarem enormes problemas e embates, as pessoas utilizavam as pernas que possuíam. Não por acaso, boa parte das salas de 2.000 lugares que se dedicavam a exibição de filmes, hoje guarda carros.

Os problemas de segurança existem e podem ser solucionados de verdade.

A reabertura de um cinema histórico seria uma bela oportunidade para que gente de classes privilegiadas conheçesse e experimentesse o centro à noite e no final de semana. Ao esperar o ônibus, aguardar a próxima sessão no bar ao lado, ao caminhar até o metrô o local poderia voltar a ser mais agradável para todos.

Esse seria um pequeno passo em direção à solução. Já um valet não estimula ninguém a nada positivo, só trará uma vida artificial restrita aos 50 metros em volta do cinema.

A mesma tática fora adotada pelo turístico Bar Brahma, ao lado do Marabá. Para garantir que as pessoas desçam dos carros e entrem direito no local, manobristas velozes e furiosos correm de um lado para o outro nos horários de pico. O Centro Cultural Banco do Brasil, que fica num calçadão, foi mais longe e ofereceu por anos um serviço de van que levava os clientes até um estacionamento conveniado.

Obviamente, esta “solução” do cinema com valet não está apenas relacionada à falta de vagas, uma vez que existem opções próximas. Está relacionada à segurança. Por isso, a probabilidade de se instaurar a segurança privada disfarçada na calçada em frente para garantir a tranquilidade dos frequentadores é grande.

Torcemos para que o empreendimento dê certo, mesmo com os tais valets. Mas um alerta é válido: moradores de rua, camelôs, sem-teto, ciganos, africanos, trombadinhas, todos os feios, sujos e malvados do envolto do cinema, preparem-se, a cultura vem aí.

Relacionados:
Os Valets glamourosos, artigo, panóptico
“Donos da rua” acham que ônibus atrapalham o Valet, artigo, Vá de bike!
Os caras-de-pau e Kafka sobre quatro rodas, artigo, Apocalipse motorizado

Para Andrea Matarazzo catadores são problema, artigo, panóptico
Centro Vivo, artigo, panóptico

Por vir:
Momento Monumento, site, mais um centro cultural no centro de São Paulo
Sesc 24 de maio, site, centro cultural que já transformou um calçadão em rua para carros.
Antiga rodoviária de SP vai virar teatro e escola de dança, notícia, Folha de S. Paulo

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março 27, 2009 at 16:14

Cidade limpa e lucrativa

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Texto muito relevante de Ethel Leon, que só li hoje via Fórum Centro Vivo.

Trecho:

(…) Em São Paulo, é fundamental que os futuros móveis incorporem serviços importantes, especialmente para a população de pedestres e usuária de transportes públicos. Até hoje, os abrigos de ônibus apresentam (quando apresentam) mapas mal desenhados; e raramente há informações sobre as linhas de ônibus.

Os atuais relógios (que marcam horas e temperatura) são, em realidade, enormes suportes publicitários. A empresa responsável por sua instalação é a Policrono, que teve renovado seu contrato com a Prefeitura até o final de 2008.

Seria desejável que eles fossem repensados. A Prefeitura poderia, por exemplo, exigir que uma percentagem dos relógios fosse destinado à propaganda de atividades culturais dos órgãos municipais e mesmo estaduais. Ou que fossem menores.

A cidade deve ficar “limpa” para tornar-se atrativa aos grandes negócios do mobiliário urbano. Nada impede, no entanto, que os novos móveis ofereçam serviços úteis à grande maioria. Designers, arquitetos urbanistas e população organizada podem, certamente, abrir espaço e contribuir nessas regulamentações.

Por Ethel Leon, em Revista Brasileira de Design

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abril 7, 2008 at 11:47

Tarifa única de ônibus em SP, só pagando adiantado

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Segunda-feira foi o primeiro dia útil de validade do Bilhete Único quase sem unidade.

Desde sábado para ter direito a entrar em quatro ônibus e pagar uma tarifa única, o paulistano tem que pagar adiantado pelo menos R$9,20 aos cofres públicos e empresas concessionárias.

O Bilhete Único, que dava direito a quatro viagens de ônibus com uma tarifa, foi implantado na gestão de Marta Suplicy e foi o grande apelo de sua campanha eleitoral em 2004. José Serra que disputava com ela o posto de prefeito teve como principal apelo sua passagem pelo ministério da saúde.

Nos poucos debates e nas muitas propagandas eleitorais obrigatórias, a integração dos transportes foi um dos principais temas. Embora ambos os candidatos tenham prometido a integração com o metrô e os ônibus intermunicipais, nunca deixaram claro se isso aconteceria com tarifa única. Em entrevistas os candidatos diziam que iriam fazer e fazer bonito, mas não prometiam com todas as letras.

Enfim, a integração com tarifa única, claro, não aconteceu. E quem deseja tomar um ônibus e um metrô paga mais caro do que quem toma dois ônibus. Os especialistas disseram que não poderiam superlotar o metrô. Essa integração que não é integração serviu para passar um pano e limpar a barra da prefeitura quando alguém lhe acusa de não ter feito o que disse que iria fazer.

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Desde a apuração dos votos de 2004, pouco a pouco, sempre com justificativas com pouco fundamento, o transporte público ficou para depois. Os corredores exclusivos para ônibus foram abertos para os carros em determinados horários e são livres para táxis. Estudantes (meia passagem) e idosos (passagem gratuita) foram submetidos a uma série de novas regras. Outras pequenas medidas difíceis de entender, como limite de tempo para os idosos girarem a catraca, aconteceram.

Mas o principal ataque foi a obrigatoriedade do cadastramento do Bilhete Único para o usuário que quisesse fazer uso do direito de entrar em até quatro conduções num prazo de duas horas, mas não tivesse o bilhete previamente abastecido de reais.

Na brincadeira do cadastramento dos Bilhetes, o “combate às fraudes no sistema” foi a justificativa. Na vida real a brincadeira não teve graça e o cidadão que não tem os dez mangos para pagar adiantado ao sistema e/ou não tem tempo nem paciência para ficar na fila da Casa lotérica para fazer o adiantamento, pagava em dinheiro na catraca e ficava sem integração alguma.

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Mês passado veio o aumento da integração ônibus + metrô ou trem. Custa R$3,65. Passou quase batido pela mídia, afinal o que é menos R$ 0,15 por viagem no bolso da população? Nem deram bola.

Agora mais um duro golpe. Mesmo quem tiver o bilhete cadastrado não vai poder fazer a integração com tarifa única. Só o fará quem tiver o Bilhete carregado. Ou seja, ou o cidadão vai até um posto carregar o seu Bilhete a cada um ou dois dias para não ficar sem nenhum tostão no bolso, ou deixa R$ 23 (ir e voltar do trabalho por cinco dias) adiantado para a prefeitura.

Na verdade existe uma única possibilidade de integração sem estar com o Bilhete carregado: com cargas de pelo menos R$ 9,20 o usuário tem duas chances de validação na catraca. Coisa para complicar mais a vida do usuário de um sistema que deveria facilitá-la. A única possibilidade dada pela prefeitura é difícil de entender e de colocar em prática. Deixar esse brechinha é só para limpar sua barra, mais uma vez.

A medida atinge o peito do transporte público. Revela o desprezo dos governantes às necessidades do trabalhador assalariado, da maioria dos estudantes e de toda a população que anda com dinheiro contado no bolso.

Num mês em que o caos do transporte privado foi destaque na mídia, revela que não existe vontade alguma de incentivar o motorista a deixar o carro em casa, por exemplo, quando precisar ir a um compromisso perto de sua casa. A prefeitura, mais uma vez, retira uma vantagem real (financeira) de quem estava pensando em adotar o transporte público, pois o cidadão precisa cumprir uma série de regras se quiser tomar dois ônibus e pagar uma só tarifa.

Como sabemos, esse tipo de medida, geralmente, vem acompanhada de um docinho. Após uma divulgação ridícula e o silêncio da mídia, as novas regras já estão em vigor. A Sptrans e a prefeitura vêm investindo mais em informar o “Bilhete Amigão”, que permite viagens com tarifa única num período de oito horas (durante a semana são duas horas) aos domingos e feriados.

Relacionados:
Notícias de um trânsito invisível
Notícia da SPTrans no site próprio. Dia 27/03, dois dias antes do início da nova regra.

Imagens: Sptrans

Written by panopticosp

abril 2, 2008 at 11:21

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TV Out, propagandas em ônibus avançam

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Foto: Yuri Alexandre. Todos os direitos reservados. Reprodução autorizada pelo autor.

A lei Cidade Limpa, deixou a cidade livre de publicidade, com algumas exceções, claro.

Quem detém os espaços onde é possível fazer propaganda dentro da lei em São Paulo? Na prática, prefeitura, governo estadual e empresas por estes controladas. Com a lei Cidade Limpa a exclusividade dos espaços publicitários está, basicamente, nas mãos do proponente da lei.

Quem pretende pegar um trem de metrô, logo perceberá que nos túneis subterrâneos a lei da Cidade Publicitária é a única vigente. Bilhetes, catracas, colunas de concreto, escadas rolantes, laterais dos vagões, televisores dentro dos trens estão tomados de imagens de cremes, chocolates, universidades mercenárias e financiamento de motocicletas.

Quem utiliza um metrô e um ônibus, além de deixar R$3,60 para o sistema, entende que dentro destes espaços públicos de transporte em massa, o território é outro. Eles não pertencem a São Paulo. Nestes territórios a publicidade feroz é permitida.

Nos ônibus, os televisores têm sido a alternativa mais usada para encher a paciência visual dos usuários. A empresa Tv Out se soma a outras, como BusTv e TVO, e tem permissão para entreter os usuários com piadas, previsões do horóscopo e notícias enquanto tenta vender Mclanches, motos e fogões. A empresa espera instalar seus televisores em 1.500 ônibus até o final de 2008.

Poderíamos pensar “foi uma boa deter a exclusividade da publicidade de rua da cidade; afinal, é grana entrando que será investida em melhorias do transporte público”. Não, não existe um único usuário diário do sistema de transporte de São Paulo que possa dizer que algo melhorou no metrô ou nos ônibus publicitários.

Na teoria do livre mercado, o governo concede a algumas empresas privadas o direito de explorar os lucros de serviços básicos. As empresas lucrariam algum, o governo fiscalizaria o trabalho e receberia o troco, que seria reinvestido no sistema.

Na prática do livre mercado, a escolha das empresas que terão permissão para lucrar nas ruas é viciada. O governo é parceiro de uma máfia. Fica com o prejuízo, tampa o buraco financeiro das empresas com o dinheiro público, deixa que a eficiência do lucro tome conta e larga o usuário, mesmo pagando tarifas caras, na mão. O governo, que achava que era parceiro, logo percebe-se refém e que, mesmo que quisesse, precisaria de uma operação policial para se livrar da máfia. Para manter o esquema, as relações obscuras entre público e privado vão se fortalecendo. Sempre em prejuízo do público.

Written by panopticosp

março 20, 2008 at 17:19