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Para morrer de poluição com o carro limpinho

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Reprodução G1

Não é sobre idosos morrendo secos. Não é sobre crianças fazendo fila na inalação. Não é sobre o enxofre, sobre o CO² ou partículas sólidas saídas dos escapamentos. É sobre o pó acumulado sobre os carros! A reclamação é o carro sujo!

Caro estudante de qualquer coisa, guarde esta matéria para quando um professor, tutor, pai ou semelhante lhe falar sobre a relevância dos assuntos a serem tratos no mundo e na vida. O assunto pó sobre o carro não mereceria atenção nem numa fila de banco, mas no jornalismo paulistano é diferente.

Como se vê, no G1 o assunto não só existe, como ganhou status de problema, mereceu três fotos e depoimentos.

O fato dos carros serem, justamente, os maiores poluidores da cidade, claro, não tem nada a ver com história e não merece menção alguma.

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Written by panopticosp

julho 7, 2010 at 13:29

O Maranhão é aqui

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Capa do Diário Oficial do Estado de SP, 30/03/2010, homenageia Lucy Montoro

No pobre Maranhão é impossível se dirigir a um órgão público ou logradouro que não tenha o nome Sarney numa placa na entrada.

No rico estado de São Paulo é cada vez difícil não trombar com um dos antepassados políticos dos atuais governantes.

Num prédio de uma cidadezinha do interior ou na capital lá estão um dos membros da família Covas e Montoro sendo lembrados.

Os membros do núcleo de propaganda governamental também são lembrados. Frias e Marinhos tem seu nomes espalhados por locais onde pobres e ricos passam diariamente.

Hoje, dia 31, foi publicado mais um decreto do governador homenageando Roberto “Cidadão Kane” Marinho.

Decreto Nº 55.596, de 19 de março de 2010

Dá denominação “Jornalista Roberto Marinho” à Escola Técnica Estadual – ETEC, unidade de ensino do Centro Estadual de Educação Tecnológica “Paula Souza” – CEETEPS, a ser construída no bairro do Brooklin, em São Paulo

Relacionados:
Lula faz homenagem a Octavio Frias de Oliveira, Folha Online (link via @luddista)
Um monumento à sociedade do automóvel, artigo, apocalipse motorizado

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março 31, 2010 at 15:07

Publicado em política

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Folha ignora violência homofóbica

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paradagay2009

Sobre a Parada Gay de São Paulo, que ocorreu no último domingo, a Folha de S. Paulo, publicou um parágrafo revelador de sua ideologia.

No episódio mais grave, por volta das 22h, o morador de um edifício na avenida Vieira de Carvalho (centro) se irritou com o barulho de pessoas que dispersaram da festa e jogou uma bomba caseira no grupo.
Segundo a Polícia Militar, 30 pessoas ficaram levemente feridas pelo artefato. O morador não foi identificado.

Fonte: Brigas, furtos e até bomba prejudicam clima de festa, FSP, 15/06/09 (para assinantes)

Antes de tudo, noticiar o lançamento de uma bomba sobre um grupo de gays como um incidente é um absurdo desrespeito às vítimas e a vida. Dizer que uma bomba explodiu porque alguém achou que estava muito barulho na rua é um acinte à inteligência dos leitores.

A notícia também nos fala bastante sobre a prática do jornalismo. Num dia de manifestação festiva gay, seria demais imaginar que um jornalista consiga formar esta versão de “barulho”.

Ela fora, provavelmente, resultado de depoimentos da polícia e de pessoas que circulavam no local – como manda o manual do jornalismo. Transpor isso para o texto seria resultado de uma ignorância de contexto social tamanha que, logo, podemos considerá-la impossível; resta, portanto, acreditarmos que é produto do desprezo do jornal pela violência praticada contra minorias.

Vale lembrar que o caso aconteceu na avenida Vieira de Carvalho, tradicional ponto gay de São Paulo. Ponto que não é elencado entre as concorridas baladas gays do Guia da Folha, pois no local concentram-se, em sua maioria, gays pobres.

A versão que a Folha quer que acreditemos pode ser resumida assim: uma pessoa querendo assistir a novela se irritou com o barulho, ao lado do controle remoto estava uma bomba, que ela resolveu jogar pela janela.

O desprezo da Folha pela violência só não é mais latente do que o da polícia, que mesmo sabendo de qual prédio veio a bomba, até agora, não divulgou nenhum dado sobre a investigação.

Talvez o jornalista da Folha possa ajudá-los. Já que ele sabe que o agressor “se irritou com o barulho”, ele o entrevistou. Afinal, que outra fonte poderia dizer o motivo do crime? Será que o jornalista chutou o motivo? Não, claro que não. Como nos dizem as recentes propagandas dos grandes jornais, jornalismo sério só com fonte segura, apuração.

Ontem, Marcelo Campos, de 35 anos, negro, trabalhador e gay morreu vítima de um espancamento durante a Parada Gay. Não há notícias de que estava fazendo barulho.

Um protesto esta marcado para sábado, 19h, na avenida Vieira de Carvalho.

Relacionado:
Pra não dizer que não falei das flores ou bomba no cu dos outros é refresco, artigo, Jean Wyllys

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junho 19, 2009 at 10:58

Publicado em mídia

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O glamour dos valets e a “revitalização” do centro

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Sempre teremos “problemas” a resolver em São Paulo quando o assunto é estacionamento. Isso porque a relação entre o espaço que carros parados ocupam e o espaço que seus donos ocupam é totalmente desequilibrada. Uma reunião com 20 pessoas marcada numa sala de 20 m² pode atrair 20 carros, causando um belo transtorno em frente ao local.

Como os paulistanos não sabem ir a lugar nenhum sem levar consigo um motor quente, nem aos finais de semana, o problema é permanente.

Cineminha na sala Unibanco Augusta no domingo? Trânsito a um quarteirão do metrô. Anúncio antes do filme começar, indicando os estacionamentos ao redor? Sim, no Cine Belas Artes, que fica em frente a um corredor de ônibus e a dois quarteirões do metrô.

Sobre a reabertura de uma magnífica sala de cinema no centro de São Paulo, a matéria “Repaginado, Cine Marabá reabre e resgata o glamour”, do Estadão, diz:

O problema da falta de vagas de estacionamento (e da falta de garagens subterrâneas, projeto da Prefeitura que está há seis anos no papel) será resolvido com um valet na porta.

A “solução” não soluciona e não revitaliza área nenhuma.

Os valets, mesmo que não sejam, representam a exclusividade, uma desigualdade de tratamento nociva. Numa frase, valets são pedantes. E não é isso que ajudará a revitalizar o centro de São Paulo.

Não importa quantos “Centros culturais” inventarem, partes do bairro continuarão esvaziadas à noite se as pessoas saírem de seus carros feito bolas de sinuca e caírem dentro da caçapa do cinema.

No tempo do tal proclamado glamour, o centro era o principal bairro da cidade e, apesar dos carros já causarem enormes problemas e embates, as pessoas utilizavam as pernas que possuíam. Não por acaso, boa parte das salas de 2.000 lugares que se dedicavam a exibição de filmes, hoje guarda carros.

Os problemas de segurança existem e podem ser solucionados de verdade.

A reabertura de um cinema histórico seria uma bela oportunidade para que gente de classes privilegiadas conheçesse e experimentesse o centro à noite e no final de semana. Ao esperar o ônibus, aguardar a próxima sessão no bar ao lado, ao caminhar até o metrô o local poderia voltar a ser mais agradável para todos.

Esse seria um pequeno passo em direção à solução. Já um valet não estimula ninguém a nada positivo, só trará uma vida artificial restrita aos 50 metros em volta do cinema.

A mesma tática fora adotada pelo turístico Bar Brahma, ao lado do Marabá. Para garantir que as pessoas desçam dos carros e entrem direito no local, manobristas velozes e furiosos correm de um lado para o outro nos horários de pico. O Centro Cultural Banco do Brasil, que fica num calçadão, foi mais longe e ofereceu por anos um serviço de van que levava os clientes até um estacionamento conveniado.

Obviamente, esta “solução” do cinema com valet não está apenas relacionada à falta de vagas, uma vez que existem opções próximas. Está relacionada à segurança. Por isso, a probabilidade de se instaurar a segurança privada disfarçada na calçada em frente para garantir a tranquilidade dos frequentadores é grande.

Torcemos para que o empreendimento dê certo, mesmo com os tais valets. Mas um alerta é válido: moradores de rua, camelôs, sem-teto, ciganos, africanos, trombadinhas, todos os feios, sujos e malvados do envolto do cinema, preparem-se, a cultura vem aí.

Relacionados:
Os Valets glamourosos, artigo, panóptico
“Donos da rua” acham que ônibus atrapalham o Valet, artigo, Vá de bike!
Os caras-de-pau e Kafka sobre quatro rodas, artigo, Apocalipse motorizado

Para Andrea Matarazzo catadores são problema, artigo, panóptico
Centro Vivo, artigo, panóptico

Por vir:
Momento Monumento, site, mais um centro cultural no centro de São Paulo
Sesc 24 de maio, site, centro cultural que já transformou um calçadão em rua para carros.
Antiga rodoviária de SP vai virar teatro e escola de dança, notícia, Folha de S. Paulo

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março 27, 2009 at 16:14

Os Valets glamourosos

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ruaamauri_03

No mês passado, a revista Veja São Paulo publicou mais uma matéria defendendo que os interesses particulares devem se sobrepor aos coletivos, na cidade de São Paulo.

Não se tratava, porém, da defesa de especuladores em detrimento de movimentos sociais, de desejos patronais sobre direitos trabalhistas. A defesa desta lógica se revela também em temas menores e apareceu na Veja no principal tema cotidiano da cidade, o trânsito.

Os carros de luxo que circulam pelos 180 metros do trecho entre as avenidas Faria Lima e Nove de Julho da Rua Amauri, famosa pela alta concentração de restaurantes badalados, no Itaim Bibi, podem se livrar do fardo de dividir espaço com os ônibus

O texto “Ônibus da discórdia” adota o conhecido estilo “absurdo pré-fabricado” e mentiroso para “formar opinião” a favor da parte mais forte e, consequentemente, sensibilizar os administradores públicos para uma solução rápida.

“Aí, os motoristas dos ônibus metem a mão na buzina e irritam quem quer comer com tranquilidade”, afirma Giliard dos Santos, funcionário da empresa de valet Golf Park.

É o avesso do avesso, o direito de carros coletivos passarem por ruas públicas vira “discórdia” em revista.

Antes de receber um glorioso “não’ da SPTrans, a rua Amauri recebeu centenas de ciclistas atentos aos ataques da mídia e dispostos a questionar a privatização da rua.

ruaamauri_02

Por alguns minutos a rua também contou com um serviço vip de estacionamento de bicicletas.

ruaamauri_01

Relacionado:
“Donos da rua” acham que ônibus atrapalham o Valet, artigo, Vá de bike!
Os caras-de-pau e Kafka sobre quatro rodas, artigo, Apocalipse motorizado

Written by panopticosp

março 27, 2009 at 11:12

Zero Hora: Fábrica de Mentiras

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fabricadementiras

Muralha Rubro Negra deixou um recado em frente à sede do jornal Zero Hora, em Porto Alegre

Via RS Urgente

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março 25, 2009 at 13:19

Publicado em cultura urbana, mídia

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Eles e elas pedalaram pelados

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pedalada-pelada-sao-paulo-2009_02

Um ótimo comparativo para se entender, não apenas o que foi publicado sobre a Pedalada Pelada, mas como é a cobertura de um protesto pela grande mídia.

Aqui, todas as notícias reunidas.

Written by panopticosp

março 16, 2009 at 22:19

Publicado em transporte

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