Panóptico

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Transportando restos de veículo do passado

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Written by panopticosp

junho 10, 2008 at 13:35

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A coleta seletiva de que a prefeitura fala e a coleta de quem faz

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Arte e foto: Mundano. Eu reciclo e você?. Todos os direitos reservados.

“São Paulo nos surpreende a cada dia”, nesta semana de aniversário da cidade, você provavelmente ouviu frase parecida. Bem verdade, pena que na maioria dos casos a surpresa é um atropelamento, camelôs correndo da polícia, guarda metropolitana espancando morador de rua…

Uma das surpresas dessa cidade que a todos acolhe baixou na manhã do dia 22/01 sobre o bairro do Glicério. Os catadores de materiais recicláveis que trabalham sob o viaduto do Glicério receberam um “corre que vamos levar tudo” de presente. A prefeitura queria limpar o depósito porque ele estava muito sujo, para isso levou sua melhor equipe de faxineiros, a Guarda Municipal Metropolitana. Não usaram vassouras, mas diante da resistência dos catadores organizados usou spray de pimenta para higienizar o direito ao trabalho.

Uma coisa é varejista milionário vender na marca “Compre Bem” enlatados para pobres com preços diferentes dos da gôndola e na marca “Pão de Açúcar” oferecer laranja descasca embaladas em isopor e carregadas em sacolinha plástica com mensagem para “um mundo melhor”. Ele joga o jogo, faz sua publicidade, se mente é coisa que o governo deveria conferir. Outra coisa muito diferente é o poder público perseguir o trabalhador que faz o trabalho que ela não faz ao mesmo tempo que estimula a reciclagem com frases tais “Programa de Coleta Seletiva da Prefeitura: Participe“.

Em dia de lançamento de projeto com coquetel para comemorar o convênio com associação de empresários todos são só amor à reciclagem. Mas a reciclagem deles é diferente, não tem pessoas coletando material descartado por toda a cidade, vendendo o material no mercado e comprando seus mantimentos.

Para a prefeitura trabalhar dentro das regras do capitalismo não pode, é sujo. Ela trata logo de desmontar um depósito de material aqui, chamar papelão de lixo contaminado ali, proibir carroças acolá, chamar carroceiro de animal logo adiante e assim segue seu argumento publicitário para dar a uma empresa amiga o lucro da coleta seletiva da cidade.

Os trabalhadores viram funcionários com salário mínimo, vale coxinha e cursinho de alfabetização para garantir a responsabilidade social; assim fica tudo dentro das regras do jogo do capitalismo brasileiro, garante-se o represamento do dinheiro e apaga a fúria da classe média contra os carroceiros que atrapalham o trânsito e enfeiam a paisagem de automóveis pretos e prateados.

Vozes e poderes de resistência dentro dos governos sempre haverá enquanto os cargos públicos não forem tomados por parentes e lobbistas. Quando um coordenador de ação social de subprefeitura diz que “a medida da subprefeitura é fazer uma grande limpeza, depois desta grande limpeza eles podem voltar a trabalhar normalmente aí” e leva a polícia junto vê-se que chegamos num ponto em que a única ação social é limpar da cidade os indesejados.

VÍDEO: Catadores Surpreendidos com Limpeza da Prefeitura, Rede Rua

Relacionados:
Catadores Surpreendidos com Limpeza da subprefeitura da Sé, notícia, Rede Rua
Operação Limpa no Bairro da Luz, Capitulo VII – Parte 2 do dossiê Violação dos Direitos Humanos no centro de São Paulo, Forúm Centro Vivo

Written by panopticosp

janeiro 28, 2008 at 12:22

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Manifestação de Catadores

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O Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável (MNCR) organiza uma manifestação para reivindicar o direito de trabalhar com suas carroças, pela inclusão dos 94 grupos de catadores na coleta oficial da cidade de São Paulo; e por terrenos públicos e galpões para as cooperativas.

30 de novembro
9h30
Pátio do Colégio, Centro, São Paulo

Via secretária de comunicação do Instituto Pólis

Written by panopticosp

novembro 29, 2007 at 23:02

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Minha avó não acreditaria na Volkswagen

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Em uma de suas campanhas publicitárias a Volkswagen propõe: comprar um carro deles é como reciclar 25.000 sacolas plásticas.

Claro, ninguém pensaria em deixar de usar sacolinhas plásticas quando desnecessário ou teria a louca idéia de deixar de evitar o uso do carro.

Estas são idéias de ecologistas radicais, hippies universitários, verdes raivosos. Pessoas, talvez, como nossas avós e tias-avós, que iam caminhando à feira de sacola na mão. Elas não estudaram, não liam blogs, nem estavam preocupadas com o ambiente. Simplesmente reutilizavam tudo que era possível. Ensinaram que economia e ecologia é questão de bom senso, pouca frescura, conhecimento livre acumulado e nenhuma preguiça.

Não ligavam para fabricante alemão de automóveis que diz que carro é bom para o ambiente, não acreditavam em rede brasileira de supermercados que diz que sua sacolinha plástica tornará “o mundo melhor”, tampouco precisavam de Olivie Anquier ou sommelier de TV paga para deixar todos felizes no almoço de domingo. Criaram suas famílias na base do certo e errado, educando sem a ajuda dos jornalistas da Record que indicam as Faculdades Anhangüera e as alimentando na base do bife acebolado, arroz e feijão com salada, sem a ajuda da Herbalife.

O simples, o lógico, o racional, a solidariedade, o cuidado e a preocupação foram – e ainda estão sendo – apropriados. Ações que trouxeram o Homem até aqui e que não custaram nada, eram de graça.

Hoje estão à venda, é preciso comprar estas “atitudes”. Simples é nome de revista, racional é tema de campanha de cartão de crédito de “banco que nem parece banco”, solidariedade é mote de filme de refrigerante multinacional, o cuidado e a preocupação com o ambiente se chamam sustentabilidade ou eco-qualquer-coisa. Roupagens para vender de tudo, até carro.

Dirigir um carro durante 40 minutos infesta o ar de todos com cerca de 2 kg de CO2. Isso não tem nada a ver com reciclagem.

Relacionados:
Por que não?
Ecomarca
Volkswagen joins Holocaust fund, artigo, BBC (via Luddista)

Written by panopticosp

novembro 26, 2007 at 15:27

Para Andrea Matarazzo catadores são problema

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Foto: cuducos ->. Alguns direitos reservados

“Têm muito bar vagabundo, essas saunas, esses cinemas pornô que são prostíbulos. Temos que fechar tudo isso.”


Declaração de Andrea Matarazzo para Folha de S. Paulo, 12/05/2007.

Andrea Matarazzo, bom Andrea Matarazzo é um sujeito requintado, para ele “bar vagabundo” ter que ser fechado, para ele cerveja gelada, mesa de lata e copinho de pinga 51 não pode; vinho climatizado, cachaça mineira, mesinha de madeira e azulejinho português pode. Até aí, uma visão elitista e higienista de mundo como aquelas que choveram nos comentários do youtube, CMI e blogs sobre o caso da confusão causada pela PM durante show dos Racionais na Virada Cultural. Coisa preocupante.

A coisa deixa de ser apenas preocupante porque o sujeito é secretário municipal das Subprefeituras de SP e também subprefeito da Sé. Encarna uma espécie de secretário pop, que ao mesmo tempo que pavimenta o caminho para sua carreira, faz as vezes de assessor de impressa da prefeitura criando factóides mensalmente. É querido entre seus pares e porta a voz dos milhares de fascistas, xenófobos e racistas que habitam a cidade e que vira e mexe, em casos como o dos Racionais na Virada Cultural, deixam vir à tona seu ódio.

“É preciso um novo projeto para o recolhimento de lixo reciclável. O padre [Júlio] Lancelotti [militante ligado a cooperativas de catadores] que me desculpe, mas eles são um problema. (…) Bares como o Royal [com ingresso a R$ 80 para homem e R$ 40 para mulher] são importantes para a revitalização. Os moradores é que terão de se adaptar, instalar janelas anti-ruído”


Claro, um projeto. Uma ong seria contratada através de uma transparente licitação; um estudo de viabilidade e planejamento assinado por reconhecidos estudiosos seria entregue em 6 meses; o coquetel de lançamento marcado no centro cultural de uma grande empresa; durante o lançamento, professores universitários teceriam elogios ao projeto ressaltando seu caráter inovador, um coordenador lembraria sua admiração pela coragem do secretário municipal, sem a qual o projeto não seria possível, juntamente com os canapés e taças de vinho, impressos seriam distribuídos aos convidados; a assessoria de impressa se encarregaria de conseguir uma página nos jornais de maior circulação; a agência de marketing contratada bolaria um selo de responsabilidade social; as empresas envolvidas recolheriam o lucro de sua iniciativa socialmente responsável; poucos semestres depois seriam apresentados os resultados do projeto ao BNDES, BID, Prefeitura e demais financiadores; a parcela final do contrato paga às ongs e consultores, e, então, o projeto encerrado.

Para Andrea Matarazzo, deveria ter sido assim. Não foi. Uma cidade cheia de desempregados e lixo reciclável nas ruas; os primeiros cansados e desesperados metem a mão na massa e colocam tudo o que uma carroça puxada por eles mesmos pode comportar e vendem o material por poucos reais a atravessadores. As famílias conseguem se manter vivas.

Outros trabalhadores aderem a profissão, outras famílias sobrevivem. Em meio ao carnaval, ano novo ou qualquer festa em que latas de alumínio sejam descartadas, lá estão famílias com sacos nas costas. O país de torna um dos maiores recicladores do mundo, sem qualquer incentivo ou reconhecimento do Estado, seu protetor.

Suas carroças são movidas a arroz e feijão, construídas com um eixo, dois pneus, sucata, um par de chinelos e músculos, mais nada. Recebem buzinadas e gritos vindos de carros com ar-condicionado movidos por motor à combustão.

Aprenderam a lidar com esse preconceito e intolerância. Porém, quando um governante declara em jornais que trabalhadores autônomos (responsáveis pela coleta seletiva que a prefeitura não faz) são um problema, quando resolve tornar os xingamentos e buzinadas política pública oficial e decreta a “ilegalidade” dos trabalhadores, apreendendo carroças e os insultando passa-se a fronteira do preconceito e caminha-se para a política exterminadora, que cassa o direito universal ao trabalho, à sobrevivência e à manutenção ambiental da cidade.

A idéia de enquadrar e engessar idéias autônomas, independentes e criativas que deram muito certo é história antiga, agora parece ser a vez dos catadores de recicláveis. Projetos onde “a meta é legalizar os catadores” estão por aí

Relacionados:
Centro Vivo
Escracho a Andrea Matarazzo, 10/2005
Fotos do Escracho a Andrea Matarazzo, 10/2005
Vídeo do Escracho a Andrea Matarazzo, 10/2005
Vídeo Matarazzo Big Brother
Moção da Ass. Brasileira de Redutores de Dados sobre a “limpeza” no centro, 2005
Defensor público acusa prefeitura de promover “higienização social”, 01/2007
Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis
Coopamare

Technorati tags: gentrificacao, andreamatarazzo, saopaulo, catador, lixo, gentrification.

Written by panopticosp

maio 14, 2007 at 15:14

Publicado em política

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