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Uma bicicleta fora d’água

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Duas linhas principais de propagandas de carros trazem, hoje, a bicicleta como protagonista. Até outro dia, tirar sarro de ciclista, associar bicicleta à pobreza e mostrar cada pedalada como sofrimento de quem não pode comprar um carro era a regra.

Com o crescimento da onda verde e as empresas não podendo argumentar contra, sob o risco de parecerem antiquadas, resolveram trazer a sustentabilidade para suas campanhas. E a bicicleta entrou nessa.

Bicicleta associada a pessoas antenadas, modernas, “cool” e imagens de aventura e comportamento despojado vem para agregar imagem aos modelos de carros.

Não houve um corte, uma virada. Continuam as propagandas que usam bicicleta e transporte coletivo para realizar comparações com os carrões, sucesso x insucesso, riqueza x pobreza. Porém, elas convivem com aquelas onde a bike figura como protagonista positiva.

Nesta propaganda da Fiat, numa primeira leitura, temos a clássica mensagem “deixe sua bicicleta para trás, compre o nosso caro”, mas, diante da atual moda da bicicleta, podemos ficar em dúvida se a intenção não foi utilizar uma bela bicicleta para… para alguma coisa que ninguém sabe o que é.

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dezembro 17, 2009 at 11:02

Negros, eternos suspeitos

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O Circo Voador fez um teste simples sobre racismo: o teste da porta de banco, em vídeo

Uma bolsa cheia de chaves. Um jovem branco e um negro. O branco entra no banco em 5 segundos, já o negro…

itau_raça

(links p/ o vídeo e a propaganda Itaú via @marioamaya)

Relacionados:
Manifesto Porta na cara, manifesto, Circo Voador
Os “suspeitos” de sempre e os “jovens” de sempre, artigo, Panóptico

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novembro 11, 2009 at 11:16

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Federação de bancos faz campanha para que clientes parem de reclamar no Procon

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febraban
Reprodução. Febraban.org.br

Este mês o Procon divulgou o ranking das reclamações de 2008. O setor financeiro (bancos, cartões de crédito e todo aquele pessoal que te pega na rua para oferecer “dinheiro na hora”) foi o segundo mais reclamado, respondendo por 28% de todas as manifestações registradas.

O que a Federação de bancos poderia fazer para tentar se retirar do alto do relatório do órgão? Punir os bancos que descumprirem as normas de atendimento? Exigir que os bancos parem de orientar os atendentes telefônicos a derrubarem a ligação em casos de reclamação? Fiscalizar de perto o serviço prestado por seus colegas?

Claro que não. Há um caminho mais fácil e mais, digamos, com a “cara” dos bancos. Pedir que as pessoas parem de reclamar.

Na a campanha que está no ar todos os dias nas rádios e em impressos, desde março, a mensagem principal é:

Procure seu banco. Ele é o primeiro a querer resolver seu problema.

Fazer campanha para que as reclamações sejam direcionadas aos bancos é um artifício desonesto e uma afronta aos órgãos de defesa. Dizer para o cliente procurar seu banco porque é o banco que resolve o problema (que ele mesmo causou) é mais uma maravilha da auto-regulamentação.

Vale lembrar que as reclamações no Procon são registradas após a qualificação, ou seja, após a conclusão de que as providências internas na empresa já foram tomadas. Ninguém vai ao Procon, enfrenta fila e levanta cópias de documentos porque gosta de reclamar de bobagens. Tratam-se de problemas que não foram resolvidos por quem “quer resolver o problema”, como diz a Febraban.

Vale lembrar também que as informações do Procon são públicas. E que são os órgãos externos como este que nos deixam saber, por exemplo, que a Telefonica é há seis anos a empresa mais reclamada.

Enfim, salientando, reclamações internas caem no cofre das empresas e não servem a reflexão pública.

Para não dizer não falamos dos momentos felizes do sistema bancário:

Em novembro do ano passado, numa cerimônia humilde, a união entre o Itaú e o Unibanco recebeu a benção do mercado. Logo depois da lua de mel anunciaram lucro líquido de 7,8 bilhões em 2008.

O Itaú foi a segunda empresa mais reclamada em 2008; o Unibanco, a quarta.

Relacionados:
A propriedade privada foi feita para você, artigo, Panóptico
Nova campanha publicitária da Febraban estimula diálogo entre bancos e consumidores, realise de notícia, Febraban
Material publicitário e outros downloads, site, Febraban
Cadastro de Reclamações Fundamentadas, 2008, relatório, Procon

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março 30, 2009 at 12:45

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Ecomarca

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Aqui no escritório adotaram o papel reciclado do Ermírio de Moraes para impressões e meu cartãozinho de visita agora é de papel reciclado também. Foram estas as medidas ecológicas adotadas aqui. Convivem com estas atitudes, banheiros segregados (a diretoria tem os seus de uso exclusivo), salários diferentes para funcionários na mesma função, jornada extra não remunerada, uniforme para faxineira…

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A questão do papel é simples: pega bem, mostra aos clientes e fornecedores que a empresa está sintonizada com o discurso atual. Um sinal claro dos tempos: se o discurso chegou nesta pequena empresinha, a coisa, de fato, está disseminada. Nada de ruim, obviamente, certa postura diante do tema é bem-vinda, e não vai fazer mal nenhum usar o tal papel.

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Há pouco tempo atrás era exemplo clássico de brand marketing citar os cases sobre água mineral engarrafada. Como vender o diferencial de um produto que não tem cheiro, sabor ou cor? Esse tempo passou, em qualquer supermercado é possível encontrar uma gôndola reservada para águas de diferentes marcas.

A evolução das marcas foi rápida. A propaganda cada vez menos vende os atributos da mercadoria (durabilidade, acabamento…) e cada vez mais a marca (identidade, imagem…). Portar um Ipod, por exemplo, não significa portar um objeto caro com a função x e y, mas fazer parte de uma comunidade mundial de apreciadores do design, da modernidade e tudo mais que a Apple agregou aos seus produtos (ser acessível a uma micro minoria, claro, faz parte da identidade hype).

O capitalismo precisa de renovação constante. A renovação dos apelos é alimento. Lembremos o que aconteceu com a contracultura ou a cultura de rua, por exemplo. A assimilação do grafite, do skate, da música dos subúrbios etc. aconteceu, de forma que hoje um banco internacional com fachada grafitada não nos parece muito estranho. A cultura do compartilhamento de conteúdo, a arte combativa e até o próprio ativismo são a bola da vez.

É só dar um pulo em qualquer Sesc para assistir este espetáculo. Um monte de cultura que nasceu espontaneamente em algum lugar com o propósito de questionar e/ou combater o capitalismo ou alguma parte de sua estrutura lá estará amaciada, acalmada, funcionando dentro de prazos, propostas, oficinas… Assunto complicado, para depois…

E a ecologia ou, digamos, a sustentabilidade corporativa ela está aí para quê? Aquela história de selo “ecológico” foi retrabalhada, além desse selo agregador de valor à marca da empresa, parece que um dos apelos que cola no consumidor é justamente a possibilidade de delegar à empresa parte do seu, digamos, “trabalho limpo”. As campanhas do tipo “deixe seu dinheiro com a gente” (Itaú), “compre os nossos produtos” (Ypê) que investiremos uma parte do lucro em ecologia seguem esta linha.

Saem de cena os brinquedinhos para as crianças com câncer, as sopas para os moradores de rua ou outras contribuições sociais que já foram moda e entra o papel reciclado, a coleta seletiva, o comércio de créditos de carbono. Numa mesa de bar, quando o onipresente assunto do aquecimento global surgir, lá estará seu argumento pronto para ser usado: eu sou cliente de tal banco que só usa papel reciclado, meu cartão de visita é ecológico… Pronto, você está limpo, nenhum universitário ou amigo mais “antenado” vai te encher a paciência.

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Hoje, como que oficializando o novo apelo, o levantamento anual do Datafolha sobre as marcas mais lembradas do Brasil traz a categoria “marcas mais associadas ao verde”.

Movimentos e grupos autônomos e espontâneos sempre estão na mira das corporações, sejam escolas para crianças carentes, grafiteiros, ongs que “têm um trabalho social” ou grupos pró-ecologia. Cada tempo com suas idéias. Eles têm dinheiro para comprar aquelas que lhe favoreçam. A tática das corporações é persuadir individualmente (grupo a grupo, artista a artista). A avaliação e decisão de utilizar os recursos destas empresas, claro, é com cada um dos grupos e indivíduos, o risco, porém, é de desmembramento das redes invisíveis.

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outubro 31, 2007 at 20:52

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A propriedade privada foi feita para você

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A idéia de merecimento é um daqueles argumentos publicitários que pode ser usado praticamente para qualquer mercadoria.

O tênis é caro, mas, poxa, você merece; afinal tem trabalhado feito um louco! Você cuida da casa, do maridão, das crianças, trabalha “fora”… você merece cuidar de você e usar nosso creme hidratante.

O “eu mereço, vai…” é uma das frases mais ouvidas naquela hora de indecisão entre o “compro” ou “não compro”. É tiro e queda, uma vez que todos merecem conforto.

O problema da lógica do “eu mereço” é simples: Quem deseja uma mercadoria e não pode comprá-la, não a merece?

Ao afirmar que “tal coisa não foi feita para você” a publicidade vende uma distinção social cruel: financia o isolamento social à minoria que pode comprar e joga sobre a maioria que não pode adquirir tal ou qual cacareco o peso da culpa pelo próprio insucesso e miséria.

Pobre merece morar de aluguel. Você não, você é diferente, muito diferente. Aluguel não foi feito para você, foi feito para um outro pessoalzinho aí. Você é “outro nível”. O fato de você não ter o dinheiro para comprar uma casa à vista, não passa de um detalhe; nós te emprestamos por juros de 9% ao mês e você escapa de ser confundido com esse bando de gente que não merece nada além de pagar o aluguel.

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setembro 11, 2007 at 20:59

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Universal: Nem parece banco

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Criação: Dan Feld. Fonte: Desemblogue. Indicado no Rapadura Açucarada

Relacionado:
Confio na justiça de deus e na justiça brasileira

Technorati tag: universal, igrejauniversal.

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junho 18, 2007 at 16:20

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