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Luz

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Vídeo feito pelo Left Hand Rotation para entender o processo de gentrificação que acontece no centro de São Paulo

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Written by panopticosp

janeiro 31, 2012 at 18:08

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Higiene na pólis

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O governo desistiu da estação de metrô Higienópolis na Av. Angélica, no meio do bairro nobre paulistano. Após pressão dos moradores e comerciantes do bairro, que não querem “gente diferenciada” circulando pela área, a estação deve ficar próxima ao Estádio do Pacaembu.

“Eu não uso metrô e não usaria. Isso vai acabar com a tradição do bairro. Você já viu o tipo de gente que fica ao redor das estações do metrô? Drogados, mendigos, uma gente diferenciada…”

Disse a psicóloga Guiomar Ferreira, 55, enquanto comprava na tradicional Bacco’s Vinhos da rua Sergipe (FSP, 13/08/2010)

A multidão de funcionários, empregados domésticos, porteiros, seguranças, babás e toda gente que vem de longe para cuidar da vida das famílias do bairro, ficou na mão. Simplesmente porque o governo do Estado não está interessado na cidade como um todo e prefere não desagradar meia dúzia de higienistas.

Pois solta o proibidão, o pagode, o churrasco e a cerveja que esta gente diferenciada tá chegando. Este sábado, dia 14, às 14h, em frente ao Shopping Higienópolis.

>>> Não deixe de ler o sensacional texto de Marcelo Rubens Paiva sobre o assunto: Allons enfants

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maio 11, 2011 at 16:57

Após excesso de público, audiência da Nova Luz será longe do centro

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No último dia 14, a Rua Santa ifigênia, maior centro de comércio de eletrônicos do país, baixou as portas às 15h. O comércio do entorno, incluindo o de motos, também fechou em protesto. Os comerciantes, funcionários e moradores da área estão aflitos e indignados com os rumos do projeto de revitalização do bairro.

Mesmo com a pesada chuva que caiu no centro, mais de mil pessoas manifestaram sua discordância com o projeto Nova Luz e a concessão urbanística que pretende demolir cerca de 30% do bairro da Santa Ifigênia, na República.

Como lembraram os manifestantes, das medidas anunciadas com alarde, poucas saíram do papel; destas, nenhuma se reverteu em melhorias reais para a região.

Dos planos de acolhimento e tratamento de viciados em crack, o que se vê é um jogo de gato e rato com a polícia; das grandes estruturas culturais e museus, se conclui que turistas e visitantes de final de semana não circulam pelo bairro e não ocupam as ruas, como a prefeitura esperava; das demolições de quarteirões inteiros e dos despejos em lote para a construção de novas estruturas, emergiu um grande vazio.

Os manifestantes daquele dia, tinham um objetivo, fazer-se ouvir na audiência pública que aconteceria às 19h. Diante da multidão, que caminhou até o local sob chuva, o Secretário de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalen, cancelou o evento por excesso de público e falta de segurança.

Hoje o comunicado de uma nova audiência foi publicado no Diário Oficial. Ela acontecerá a cinco quilômetros da Santa Ifigênia.

Dificultar o acesso do público a audiências públicas, característico da democracia paulistana.

COMUNICADO AUDIÊNCIA PÚBLICA CONTRATO no 02/2010/SMDU – NOVA LUZ

A Prefeitura de São Paulo, por intermédio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, em conjunto com o Consórcio Nova Luz, contratado para o desenvolvimento do projeto urbanístico específico para realização de concessão urbanística na área delimitada pelo perímetro da Nova Luz, definido pelas Avenidas Casper Líbero, Ipiranga, São João, Duque de Caxias e Rua Mauá, no Distrito da República, no Município de São Paulo, vem comunicar que no dia 28 de janeiro de 2011, às 18:00 horas, no Grande Auditório Celso Furtado do Palácio das Convenções do Anhembi, situado na Avenida Olavo Fontoura, 1209, entrada pela Portaria A, realizará audiência pública para apresentar, esclarecer e recolher sugestões sobre o Projeto Preliminar para a Concessão Urbanística da Nova Luz.

O credenciamento será realizado das 15h00 às 18h00 horas. Todos os documentos relativos ao tema da audiência pública, consistentes nos estudos contratados, estão disponíveis, desde a divulgação da audiência até seu encerramento, no Posto de Informações situado na Rua Gal. Couto de Magalhães, 381, dentro do perímetro do Projeto e no sítio eletrônico http:// http://www.novaluzsp.com.br. Os procedimentos para a reali- zação da Audiência Pública constam da Portaria no 014/ SMDU/2011, de 18/01/2011, publicada no Diário Oficial da Cidade no dia 20 de janeiro de 2011.

Diário oficial da cidade de São Paulo, 20/01/2011

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janeiro 20, 2011 at 10:15

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Cyrela maquia entorno de empreendimento e camufla prédio abandonado

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O centro, certamente, está entre os melhores bairros de São Paulo. Objeto de uma atrapalhada campanha de “revitalização” governamental para atração da classe média, a área começa a entrar no mapa das incorporadoras imobiliárias.

A questão é que a classe média não se adapta em qualquer habitat. Seus membros, mesmo os jovens e saudáveis, necessitam não apenas de um ninho bom, precisam de um que pareça bom.

A incorporadora Cyrela vai construir um prédio moderno no bairro e chegou com tudo. Dirigindo sua publicidade para jovens, lançou concurso de fotos sobre o centro – com computador apple como prêmio -, fez campanha no twitter e em bares badalados da região.

No material publicitário se lê que o prédio estará “completamente integrado com a Rua Avanhandava”, a rua vizinha cheia de restaurantes. Anos atrás, o dono dos restaurantes decidiu fazer sua própria decoração na rua para atrair turistas e formou o que chamou de boulevard. Nesta, a faixa de pedestres, por exemplo, foi apagada da esquina (este ano, após cinco, ela voltou).

O prédio da antiga sede do INSS, abandonado há duas décadas, também é vizinho do Mood – como se chama o edifício da Cyrela. Ele já foi ocupado pelo menos três vezes por famílias sem-teto, que pedem que seja dado uso ao espaço.

Escamotear a realidade, camuflando os prédios abandonados pelo governo e escondendo a vida das kitnets do quarteirão, foi a primeira tarefa da incorporadora.


A parede de fundos do prédio do INSS, vizinho do novo empreendimento imobiliário, em março de 2008.


A mesma parede, em julho de 2010, após camuflagem


A parede de outro prédio ao lado, em maio de 2007.


Vista do muro onde se viam vários grafites, em julho de 2010.


O muro do prédio abandonado decorado com imagens de São Paulo e o stand do empreendimento, em julho de 2010.


Visão dos fundos do prédio do INSS durante uma das ocupações, em abril de 2010. Imagens do interior da ocupação aqui


A família de Rosnéia, que, após ser despejada do prédio, foi para baixo do viaduto. No dia seguinte, sua família foi também expulsa da calçada. Mais imagens aqui


Segundo a incorporadora, um boulevard. Cadeirantes não são bem-vindos.

Na manhã de 4 de outubro de 2010, o prédio foi novamente ocupado pela Frente de Luta por Moradia. Os manifestantes pedem o cumprimento do Termo de Compromisso entre os governos federal, estadual e municipal para habitação de interesse social.

Em uma semana, a incorporadora maquiou o entorno e deu um banho de loja em todos os vizinhos feios e indesejados. O prédio do INSS não abriga uma só pessoa há 20 anos.

Contando com a apatia executiva e a visão limitada do judiciário sobre a função social da propriedade, quando a primeiro petisco for servido no espaço gourmet do Mood, com o auxílio dos governos revitalizadores, muita gente que vive há anos no entorno deve ter seus aluguéis inflados pela valorização da região e terá que rumar para a periferia com sua escova de dentes.

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outubro 6, 2010 at 14:09

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Gatunos S.A. lança mais um empreendimento de sucesso

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No último sábado, a Gatunos S.A. realizou o lançamento de seu mais ousado empreendimento, o Residencial Itororó, na nobre região da Bela Vista.

Centenas de pessoas de bom gosto, autoridades e membros das mais distintas famílias da cidade (e algumas celebridades instantâneas. Fazer o quê? A alta sociedade não é mais a mesma), estiveram presentes no local para conhecer as novidades arquitetônicas e as soluções encontradas pela Gatunos para facilitar a agitada vida dos paulistanos.

Pandoval Garfield de Souza, um dos responsáveis pelo negócio, disse que alguns ajustes ainda serão feitos para tornar o empreendimento ainda mais atrativo. Ele cita a demolição de dois altos edifícios brancos (vistos ao fundo da foto acima) que desestabilizam a energia arquitetônica feng shui do Residencial Itororó.

Enquanto saboreavam os delicados aperitivos preparados pela talentosa equipe Cat Buffet, os clientes puderam conhecer melhor as linhas de financiamento do Programa “Centro é caro, vá embora!”.

Cartas de descrédito foram as mais emitidas durante o lançamento. “Perdemos as contas, foram muitas. O descrédito é geral”, declarou Garfield à reportagem. “Para garantir o nível dos futuros moradores, a faca tem que estar a afiada”, completou o jovem diretor.

As plantas dos apartamentos agradaram até os mais exigentes. O design de interiores Claúdio Hype Deco declarou que “tudo foi pensado com os olhos no futuro, um pé na tradição e outro no requinte”.

Inovações como o televisor do dormitório voltado para a privada causaram euforia e foram testados e aprovados por aqueles que exageraram nos canapés extra apimentados da festa.


Não entendeu nada? Leia a reportagem de verdade sobre o protesto: Humor e criatividade marcam protesto na Vila Itororó (Revista Fórum)

Relacionados:
Vila Itororó mobilizada para resistir: a história do palacete “surrealista” que virou a casa de gente simples, Brasil de Fato
Vila Itororó, blog

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maio 18, 2010 at 17:31

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Decreto proibe eventos em praça central de Belo Horizonte

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Em nome da revitalização, mais um espaço público é negado ao povo.

O texto de Luther Blisset, abaixo, explica o absurdo decreto da prefeitura de BH e chama a população para retomar o que é dela. Na Praça da Estação, sábado, 16/01/2010, 9h30!

O DECRETO Nº 13.798 DE 09 DE DEZEMBRO DE 2009 do nosso digníssimo prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, proíbe que aconteça qualquer tipo de evento na Praça da Estação. A pergunta permanece: a quem interessa que os espaços públicos sejam apenas pontos de passagem e consumo?

Se nos é negado o direito de permanecer em qualquer espaço público da cidade, ocuparemos esses espaços de maneira divertida, lúdica e aparentemente despretensiosa.

Traga sua roupa de banho (bermuda, calção, biquíni, maiô, cueca), bóias, cadeiras, toalhas de praia, guarda-sol, cangas, farofa e a vitrolinha…

Traga tambores e viola!

Traga comida para um banquete coletivo!

REVITALIZAÇÃO POR DECRETO

Há cinco anos, iniciou-se em regiões de da Grande Belo Horizonte um novo processo de higienização urbana, que tem como base elementar a reestruturação de espaços da cidade em consonância com as tendências contemporâneas de uso e desuso especulativo-mercantil das grandes cidades.

Além do ostensivo investimento em mecanismos de monitoramento que se espalharam pelos arredores do centro urbano de BH (vide o chamado Projeto Olho-Vivo), tais empreendimentos tendem a sufocar, por vários meios, o encontro espontâneo de indivíduos nas ruas e o livre uso de espaços classificados como “públicos”.

Essas intervenções se definem por moldes dos velhos projetos de gentrificação, característicos de todas as modernas cidades erguidas sob os pressupostos unitários do capitalismo: limpeza de aspecto fundamentalmente classista, projetos infra-estruturais de custos estratosféricos e restauração de pontos turísticos.

Em 09 de dezembro de 2009, foi decretada pela administração da cidade, com assinatura direta do prefeito, a proibição de “eventos de qualquer natureza” na Praça da Estação (ou Praça Rui Barbosa), um patrimônio público que viveu os primeiros suspiros da cidade. A medida pode assinalar a retomada do que se iniciou em 2005/2006, como corrida “emergencial” para a conclusão de todas as obras necessárias para que BH possa dar suporte aos eventos da Copa do Mundo de 2014.

Chamamos a todos os interessados para esmiuçar o tema das “revitalizações” (um termo polido veiculado pelas instituições oficiais) e dos decretos de lei que instauram o deliberado loteamento dos espaços públicos enquanto curtem o sol e a cidade.

Fonte: Praia na Praça da Estação, CMI

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janeiro 13, 2010 at 12:10

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A revitalização do centro de São Paulo à moda Rede Globo

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A Rede Globo resolveu adotar o centro de São Paulo como cenário da sua nova novela das sete.

Há anos, o centro de São Paulo passa por um processo de revitalização. Baseado na reforma e construção de grandes centros culturais e no “ordenamento” dos estabelecimentos e pessoas, ele já consumiu bilhões de reais.

Mesmo com a constante expulsão de indesejados, da construção de vários conjuntos culturais e dos prazos alargados, os objetivos do projeto não foram alcançados.

E pior, a insistência no principal erro continua. Boa parte do Vale do Anhangabaú será convertida em Praça das Artes. Focado na música clássica, o projeto pretende dialogar com um faraônico centro de dança de R$ 300 milhões a ser construído na Luz.

De uma área do centro, a Prefeitura simplesmente desistiu. Após interditar boa parte dos bares e pensões populares, demoliu quarteirões e está leiloando-os para a empreiteira que lá quiser construir seu bairro.

Curiosamente, a propaganda da nova novela das 7h, publicada nos jornais, imita anúncios de imóveis. Um deles cita “o centro é cultura: você vai viver ao lado de uma academia de dança (…)”.

Segundo acompanhamos, a trama tem como núcleo principal a família de um homem que “veio de baixo” e se tornou o “rei do centro” ao construir um edifício tecnológico (o robô que controla o edifício será um dos personagens da novela).

Durante a festa de lançamento da novela (num cinema desativado do centro), o autor da história declarou à Folha de S. Paulo:

“Vamos fazer uma São Paulo linda e limpa. É a minha São Paulo, que está dentro de mim. Não ligo para detalhes da realidade.”

Na novela “Tempos Modernos” a Galeria do Rock, recriada em estúdio, não tem como vizinho o cinema pornô, e sim um cinema de arte; assim como uma loja de sapatos do bairro se transformou em livraria.

À Agência Estado, o autor disse:

A novela tenta revigorar esse centro. Talvez ela seja um pontapé inicial para sensibilizar as autoridades de que o centro precisa ser revitalizado. O projeto sempre emperra em alguma coisa. Quem sabe agora, com a novela, ele aconteça.

A Prefeitura e a Rede Globo mais uma vez trabalham em sincronia. Nos “tempos modernos” deles a espontaneidade perde para o planejamento e a diversidade de usos da região cede espaço para os milionários prédios culturais. O cidadão dá lugar ao turista; o pobre, ao rico.

Relacionados:
Mais sobre o centro de São Paulo no blog

Jaz São Paulo: “Revitalização do centro de SP premia obras faraônicas e especulação imobiliária”, por João Whitaker
, reprodução de artigo de João Whitaker, Encalhe.
Tempos Modernos chega ao centro antigo de São Paulo, notícia, Rede Globo

Written by panopticosp

janeiro 12, 2010 at 15:05

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