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Tenha atenção, certeza, cuidado; fique ligado

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Não é fácil sobreviver na grande cidade. Ela está cheia de animais ferozes em disparada. Estão em busca de uma vaginha, de um atalho, de um semáforo amarelo, precisam escapar do rodízio, aproveitar o trecho sem radar. Eles precisam chegar ao destino no horário.

Os habitantes das cidades que não estão montados em 100 cavalos também precisam cumprir horários. São a imensa maioria da população. Uns não podem pagar por 100 cavalos e se lamentam. Outros não vêem vantagem alguma em ficar sentados em 100 cavalos e com o bolso mais vazio. São da época do futuro. Acreditam que é muito cavalo e fumaça de cavalo para uma só pessoa.

O trânsito em São Paulo é tão rapado que muitas vezes não é necessário esperar o semáforo. A questão é que em algumas avenidas, desde que diversos corredores de ônibus foram criados, em alguns trechos os ônibus desenvolvem alguma velocidade e os carros não. O pessoal vê os carros ali parados, olha para as próprias pernas, livres, e atravessa rapidinho. Alguns esquecem da faixa de ônibus e acabam debaixo de um ônibus ou táxi que estava em movimento no corredor “exclusivo” (táxis permitidos, carros permitidos em determinados horários) ou debaixo de uma moto que trafegava entre os carros.

Nos horários de pico, jovens ficam nas faixas de pedestres mais perigosas segurando uma bandeira “Pare” para os pedestres obedecerem o semáforo. O tempo dos semáforos de pedestres em São Paulo é suficiente para se atravessar meia avenida num passo firme – e com algum medo -, parar no canteiro central, esperar mais 5 minutos e atravessar a outra metade rapidinho.

Considerando tempo de espera demais para chegar do outro lado de uma avenida, muitos pedestres (que atravessam várias avenidas para chegar ao destino) esquecem de quantos cavalos em trânsito estamos falando. Tentam correr, mas nem sempre dá certo. Só entendem aquela propaganda que fala “de 0 a 100km/h em 10 segundos” quando vêem o pára-choque no seu calcanhar, o mesmo que 2 segundos atrás parecia tão distante. Aprendem tarde demais que são “torques” diferentes o das pernas humanas e o dos motores de 100 cavalos.

O que os órgãos competentes fazem? Cercam o aras? Domesticam as feras? Param a boiada o tempo necessário para que os pedestres atravessem? Não, distribuem panfletos que dizem em vermelho: Atenção! Cuidado! “Mesmo que os automóveis estejam parados, os ônibus, motos e táxis podem estar andando na faixa exclusiva”. Fique ligado!

Eles têm pressa, não podem perder tempo parando para nós. O trânsito tem que fluir. Nós devemos parar, esperar e ter muito cuidado. Eles são frágeis, precisam de cuidado e atenção, devemos respeitá-los, dar-lhes a vez. É a lógica da cidade governada por cavalos. Apoio: Porto Seguro, Seguros.

Written by panopticosp

junho 21, 2007 at 18:50