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Obra viária para propagandear transporte coletivo

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Expansão CPTM
reprodução: planodeexpansaosp

Até na hora de propagandear investimento em transporte público, o governo de São Paulo só sabe falar de transporte individual.

Afinal, ao falar da integração entre estações de trem, que imagem ilustraria melhor o micro investimento em transporte coletivo do que a de uma ponte milionária por onde só passam carros e motos?

Os detalhes falam, muito.

Atualização
O Flavio percebeu que a foto publicada no site “Plano de Expansão” com a legenda “Ponte Estaiada” é, na verdade, a ponte que termina na estação Santo Amaro

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agosto 11, 2009 at 15:07

Em estações de trens do Rio, Supervia chicoteia e soca seus passageiros

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VEJA O VÍDEO AQUI

O cidadão faz uso do sistema público de transporte. Um direito básico. Paga caro para uma concessionária lucrar com o transporte de pessoas. E além de receber um péssimo serviço, recebe chicotadas. Chicotadas! Socos e chicotadas!

As imagens veiculadas hoje de manhã na rede Globo são ultrajantes. E as respostas do diretor de marketing (!) publicadas pelo G1, tão revoltantes quanto.

A SuperVia informou que os agentes são treinados para garantir que as portas se fechem sem o uso da força física.

José Carlos Leitão, diretor de marketing da SuperVia, para que eles foram treinados pouco interessa nesse momento. O que interessa é o que eles fazem. O que está em questão são as imagens que qualquer olho cansado pode ver. O que vemos são pessoas sendo chicoteadas até mesmo com o trem em movimento, num ato sádico, que não tem nada a ver fechamento de portas e esse blablablá.

Leitão informou ainda que a Polícia Militar já foi chamada e que só este ano 200 pessoas foram presas por impedir o fechamento das portas dos vagões.

Solução da Supervia para trens lotados durante este ano: chamar a polícia.

Essa é a política de transportes do Rio? Aparentemente, essa é política para a população do subúrbio.

Se é assim, vamos chamar a polícia para prender os motoristas que cometem infrações nas lotadas avenidas do país.

Relacionado:
Passageiros que dizem ter sido agredidos em estação de trem vão à delegacia, notícia, G1

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abril 15, 2009 at 11:01

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Cansado de esperar?

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estacao-cptm-bras_04_r.jpg

Do painel ao fundo: “Chega de esperar. Agora você pode ter uma honda pop 100”

O que anunciar na estação de trem mais movimentada de uma das maiores cidades da América?

Transporte privado barato, claro.

Chega de esperar? A Honda apela ao sofrimento de quem usa tranporte público diariamente. Tira de otário o cidadão que feito sardinha demora duas horas para chegar em casa.

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Coisa de oportunista sem senso de respeito, atitude condenada entre os grupos humanos no Brasil. As empresas, porém, parecem disfarçar bem seus ataques a simplicidade da vida do trabalhador de postos menos remunerados.

Cansado de esperar? Claro, todos estão cansados de esperar um trem lotado que não tem horário certo e que tem guarda socando com pilão as pessoas para poder fechar a porta do vagão.

A Honda joga seu jogo, sua publicidade é auto-regulamentada. O governo deveria jogar outro jogo, controlar os ataques das empresas ao dia-a-dia do trabalhador que não torna a vida na cidade impossível e defender os sistemas construídos pela sociedade para o conforto coletivo.

Afinal, de que adianta campanha chatinha de estimulo ao uso do transporte público se painéis gigantes de produção moderna e apelo “cansado de esperar?” estão na maior estação da CPTM?

Nos jornais de grande circulação estão estampados condomínios de “alto padrão” e SUVs; nas estações de trem e ônibus e jornais gratuitos estão anúncios de motos com prestações baratas seduzindo a todos com “o seu dia chegou”, “você não vai mais precisar passar por isso para chegar ao trabalho”.

Relacionados:
Motos, trânsito, status e mortes, artigo, Panóptico
Bilhete Único privatizado e poluído, artigo, Apocalipse motorizado

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novembro 28, 2007 at 8:46

SUVs, veículo pessoal de destruição em massa

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porche_tank.jpg Imagem: topspeed.com

Apesar dos acidentes retratados à época em artigos e charges de humor e protesto, no início do século passado, São Paulo não sabia o que era perigo no trânsito. De vez em quando um usuário se machucava ao desembarcar do bonde, um veículo à tração animal era acertado pelo bonde elétrico, os pedestres tinham que dar uma olhada para os lados antes de atravessar… e era isso.

O lobby da indústria automobilística chegou e o bonde ficou na história e o trem ficou ao relento. Caso estes elétricos não tivesse sido ignorados e os Santos Chevrolet, Ford e Volkswagem louvados, São Paulo hoje seria uma outra cidade, mais humana, mais limpa, mais rápida e bonita.

…você ia pegá-lo na esquina, ia ao centro fazer alguma coisa e uma hora depois já poderia estar de volta, contou Fernando Maia de Marsillac, em maio de 2002. Fonte: Bonde de São Paulo.

Para longas distâncias os veículos terrestres mais eficientes são os trens elétricos e os veículos à combustão. O formato individual deste último, porém, em cerca de cem anos já mostrou-se inviável, seu custo ambiental, num mundo moderno – onde mais de 50% da população vive em cidades -, é alto demais e não pode ser pago, caducou.

hummer_h2.jpg Imagem: Wikipedia

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Imagem: Alliance Against Urban 4x4s

A luta pelo transporte coletivo e pelo direito de ir e vir com segurança e rapidez, passa necessariamente pela valorização do pesdestre e dos veículos à propulsão humana. O combate aos “avanços” do transporte individual movido à combustão, que aparecem em forma de SUVs, sports e até green cars precisam ser desmascarados diariamente, da mesma forma com que nos são apresentandos diariamente como novidades.

Relacionados:
Passe por cima dos outros seres, dirija um tanque de guerra, artigo do Panóptico
Alliance Against Urban 4x4s, em inglês
Suvcity, The Film, em inglês
Cobrador: In God We Trust, filme ficção onde um dos personagens tem o “fetiche” de perseguir, atropelar e matar com seu SUV

Bloggers Unite - Blog Action Day

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outubro 15, 2007 at 13:43

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Eventos coletivos e Transporte coletivo

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Roskilde, o maior festival do norte europeu. A maioria das pessoas não foi de carro. Não aceitou (diante do caos motorizado meia hora antes do início do show) estacionar na calçada de uma loja fechada, não deixou R$10 adiantados com o flanelinha, tampouco ficou uma hora na fila de um estacionamento (R$20) que não passa de um terreno baldio a 1,5 km de distância do show.

No Brasil, pensar em muitas pessoas indo de bicicleta a um grande evento é uma realidade que pode estar próxima, pensar em muitas pessoas que se quer trancam sua bicicleta no bicicletário, é coisa muito, muito distante.

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Foto de Jane Lea, em Pitchfork

Em SP a conta da mobilização para organizar as pessoas que dirigiam seus carros para grandes eventos ia para todos – para os que não foram ao evento, não foram consultados sobre e não têm carro. Decidiram, então, finalmente, mandar a conta para o organizador do evento, geralmente, uma grande corporação, como a TIM Celular.

Quem tenta organizar a bagunça é a CET, uma empresa de “engenharia de tráfego”. O negócio dela são os carros; ônibus e o tráfego da maioria é outro departamento (SPTrans, Metrô, CPTM). São Paulo pensa assim, cada qual com a engenharia que não merece.

Dividem o mesmo espaço, uns poluem mais, outros menos, uns viajam sentados, outros em pé e pensar no bem-estar de todos é coisa fora de pauta, “o trânsito de carros precisa fluir”.

Transporte coletivo noturno é inviável, não há demanda suficiente para o lucro das empresas, argumentam. Talvez nunca tenham pensado que transporte não é negócio ou que não existe demanda sem uma sugestão de oferta.

Não é porque poucas pessoas do Jardim São Luís vêm para eventos na Pompéia que a demanda é pequena, é que a inexistência de transporte adequado para este destino simplesmente faz com que esta possibilidade seja desconsiderada.

bike_roskilde.jpg
Foto de Jane Lea, em Pitchfork

Afterward we went to a couple restaurants, wandered the brick streets, noticed that everyone in Copenhagen has a bike that nobody seems to lock when not using, and forgot to check out Christiania, the communal “self-governing” neighborhood in the city (i.e. pot brownie central).

Fonte citação: Roskilde Diary: Wednesday [Brandon Stosuy]

Technorati tags: bike, roskilde.

Written by panopticosp

julho 8, 2007 at 20:50

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