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Fazendas escravistas têm função social?!

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O Grupo de móvel de combate ao trabalho escravo já passou por muitas fazendas onde os trabalhadores comem restos, dormem em currais e não recebem água potável. Onde ninguém recebe salário e capangas armados garantem que ninguém escape. Cemitérios clandestinos já foram encontrados, a presença de crianças não é rara. Recentemente, um trabalhador foi marcado com ferro e fogo, feito gado.

Muitos escravistas brasileiros são antigos conhecidos, já foram flagrados diversas vezes destruindo a dignidade de grupos humanos inteiros.

No país cuja constituição afirma que toda terra deve ter função social, estes fazendeiros não perdem direito às suas terras.

A bancada ruralista do congresso nacional mantém paradas as propostas de lei para combate à degradação do Homem. São velhos coronéis rejuvenescidos pela grana do bionegócio. São senhores que matam o tempo desautorizando equipe federal de combate à escravidão e fazendo declarações ufanistas sobre os recordes de produção agrícola nacional.

Quem acha que escravidão não é função social e que quem escraviza deve perder sua terra pode assinar o abaixo-assinado pela aprovação da PEC 438/2001 e ajudar esta proposta andar.

A Proposta de Emenda Constitucional 438/2001 prevê o confisco de terras onde trabalho escravo foi encontrado e as destina à reforma agrária. A proposta passou pelo Senado Federal, em 2003, e foi aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados em 2004. Desde então, está parada, aguardando votação.

Leia e assine o abaixo-assinado pela aprovação da PEC 438/2001

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abril 1, 2008 at 12:37

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Família Senna, responsável… por escravidão

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Aliciar homens em pousadas e bares para trabalho temporário, não forner equipamentos de segurança obrigatórios ao trabalho, pulverizar trabalhores com agrotóxicos (ao pulverizar plantações com aviões), obrigar a compra de mantimentos na loja do empregador, gerar dívida, restringir a saída do trabalhador da fazenda por conta desta dívida, proibir o contato com pessoas de fora da fazenda e disponibilizar alojamentos e refeitórios sem condições de higiene são algumas das ações de responsabilidade social da família Senna.

“Todo mundo tem potencial para ser um vencedor”, colabore para que continuemos escravizando seres humanos numa fazenda de seis mil hectares, apenas um de nossos bem sucedidos negócios.

Matéria completa:
Pai de Senna é acusado de trabalho escravo, Repórter Brasil

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fevereiro 14, 2008 at 18:24

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Progresso

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Você segue da capital de Sergipe para o extremo oeste do estado e a paisagem predominante é cana-de-açúcar.

Você vai de Aracaju até a capital de Alagoas e a paisagem é cana-de-açúcar.

Você segue de Maceió para o extremo norte do estado e só vê cana-de-açúcar.

A mono-paisagem só é quebrada pelas zonas secas e por povoados, que para quem passa pela rodovia, parecem viver em torno de oficinas mecânicas, restaurantes, pousadas de trecho e bares para caminhoneiros.

É bom ver que o país do futuro, o país dos economistas que “querem um Brasil produtivo”, o país dos empresários-bom-coração que querem um país com crianças sorridentes na TV, o país dos governantes “de todos” está no caminho certo.

Certamente, o facão é a ferramenta do futuro; é uma tendência que tivemos a sorte de perceber; vamos formar os jovens para esta atividade de alto nível; especializar a população na tecnologia do corte da cana; vamos fornecer combustível para o mundo; o precisamos é aumentar as exportações.

Tem gringo querendo comprar, vamos vender; agora vai, este é o caminho.

Um usineiro em Alagoas, um em Sergipe, dois em Pernambuco, três em São Paulo; uma população trabalhando para eles.

Mulheres criando seus filhos sozinhas enquanto seus maridos estão na colheita em outro estado;
homens morando em currais comendo restos; senadores desautorizando equipe móvel de combate ao trabalho escravo.

Um dia poderemos sair de São Paulo e seguir pela estrada numa Toyota Hilux – só reduzindo nos radares – e ver toda a beleza de “um país abençoado por deus”. Veremos todas as maravilhas que o Senhor criou: a cana-de-açúcar, a soja e o gado.

Relacionados:
Bionegócios abastecem motores com álcool e sangue
Cana-de-açúcar, verbete, Wikipédia

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dezembro 10, 2007 at 20:31

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Bionegócios abastecem motores com álcool e sangue

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Uma tonelada de cana-de-açúcar gera cerca de 40,5 litros de álcool combustível, cada cortador de cana precisa cortar no mínimo 12 toneladas por dia para manter-se “empregado”, para tal golpeia seu facão cerca de 120 mil vezes por dia.

Um carro que consume cerca de 1 litro de álcool por quilometro queima cerca de 0,024 toneladas de cana-de-açúcar por litro. Cada dia de trabalho de um cortador de cana (pelo menos 12 toneladas) abastece 486 litros, o suficiente para rodar uns 6318 km, com um custo ao consumidor de uns R$ 962 (média brasileira R$1,98/litro). Seria o consumo semestral de um carro que percorre cerca de 35 km diariamente – em São Paulo é algo como ir e voltar de uma residência num condomínio fechado com lazer completo ao trabalho na região central.

Os cortadores de cana ganham por produção, muitos pararam de produzir porque morreram exaustos no meio do canavial pensando em juntar algum dinheiro enquanto seus patrões almoçavam com representantes do BNDES; outros perderam um membro na lâmina do próprio facão enquanto palestras eram proferidas no World Trade Center paulistano; todos têm uma vida produtiva curta, seus corpos, levados ao limite, não conseguem continuar abastecendo automóveis por muitos anos.

“Para se ter um parâmetro, na década de 80, na greve de Guariba, os trabalhadores conquistaram um piso salarial para a categoria, de dois salários mínimos e meio. O piso é referência para os dias que ele não corta cana e baseia o cálculo dos direitos trabalhistas. Isso trazido para o salário de agora daria R$ 950,00. Mas hoje, uma pessoa que corta em média 12 toneladas por dia, ganha entre R$ 600,00 e 750,00 por mês. O piso salarial mais alto da categoria, que acaba de ser negociado pelos trabalhadores que fizeram greve no Estado de São Paulo, é de R$ 500,00, ou seja, um pouquinho mais que a metade do piso salarial da década de 80. De outro lado, a produtividade do trabalhador entre a década de 80 e hoje duplicou: era de seis toneladas de cana por homem, por dia. Agora é de 12 toneladas por homem, por dia. Quem não corta dez é mandado embora.

Portanto, a gente poderia tomar como indicador de salário atual o piso salarial da década de 80. Principalmente num momento em que o álcool é a vedete mundial. A cana está na crista da onda, mas ela tem um enorme passivo trabalhista. Por que é que não se conserta isso? Os usineiros dizem que não podem pagar por produção porque ´sempre foi assim`. Mas não é verdade, uma parte da produção era escrava e os escravos não ganhavam por produção.” (Francisco Alves, em entrevista a Beatriz Camargo, em Repórter Brasil).

Entrevista completa: Pesquisador prega extinção do trabalho por produção

Relacionados:
Religioso alerta que incentivo à plantação de cana para o etanol pode aumentar trabalho escravo , por Yara Aquino, Repórter da Agência Brasil
Ação recorde resgata 1106 trabalhadores da cana no Pará, por Iberê Thenório e Leonardo Sakamoto para Repórter Brasil.
Trabalhadores escravos libertados relatam vida na “prisão”, Por Isabela Vieira, Repórter da Agência Brasil.

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agosto 10, 2007 at 18:54

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World Trade Center SP x Ulianópolis

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No último sábado, 1106 trabalhadores da colheita e plantio de cana foram libertos da fazenda Pagrisa, em Ulianópolis (PA). Ganhavam cerca de R$10 por mês (o restante voltava para a empresa, através do esquema ilegal de endividamento), bebiam a mesma água utiliza na irrigação da plantação, comiam comida estragada e dormiam amontoados em qualquer lugar.

O grupo Pará Pastoril e Agrícola S.A, dono da fazenda, produz cerca de 50 milhões de litros de álcool a cada ano em Ulianópolis. O principal comprador de etanol da empresa é a Petrobras, denominada “empresa-exemplo” em Responsabilidade Social.

Amanhã, às 16:30, no World Trade Center, durante o São Paulo Ethanol Summit 2007, Eduardo Pereira de Carvalho, Presidente do Conselho da Unica – União da Indústria de Cana-de-açúcar, profere a palestra “O Programa Brasileiro, Três Décadas Depois”.

Os trabalhadores do Pará, pesquisadores especialistas, poderiam discursar sobre “O Programa Brasileiro, Centenas de Anos Depois”, mas não foram convidados. O presidente da associação que escraviza falará em encontro para gringos com a presença do Presidente da República.

Referência:
Ação recorde resgata 1106 trabalhadores da cana no Pará, por Iberê Thenório e Leonardo Sakamoto para Repórter Brasil.

Relacionados:
Bionegócios 2: São Paulo Ethanol Summit, Panóptico
Bionegócios, Panóptico
A Petrobras e o Pacto Global da ONU – Organização das Nações Unidas, por Wilson Santarosa, Gerente Executivo de Comunicação Institucional da Petrobras, sobre um papel que a empresa assinou e não vale nada.
Atualização em 08/07/07:
Petrobras suspende compra de empresa flagrada com escravos
Libertados da Pagrisa relatam vida na “prisão”
Apesar de pressão, pagamentos na Pagrisa continuam

Technorati tags: biocombustivel, etanol, escravidao.

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julho 3, 2007 at 13:32

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Zapatistas saudam MST

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(…) Eles, os de cima, nos expulsam da terra impondo seus modelos de cultivo que não são os nossos. Envenenam a terra com seus produtos transgênicos e exploram em condições de escravidão os trabalhadores agrícolas, ao mesmo tempo em que atiram milhões à morte do desemprego e fortalecem o latifúndio que, como nos tempos coloniais, humilha a terra, quem nela trabalha e quem nela vive (…).

Subcomandante Insurgente Marcos, porta-voz do Exército Zapatista de Liberação Nacional (EZLN)

Íntegra da saudação ao 5º congresso nacional do Movimento Sem terra

Carta do 5º Congresso Nacional do MST

Imagem da primeira página da saudação do EZLN ao MST

Zapatistas ao MST: 500 anos não foram suficientes para nos render, por Maurício Hashizume, em Repórter Brasil, 18/06/07

Technorati tags: semterra, mst, zapatista, ezln.

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junho 19, 2007 at 16:56

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Bionegócios 2: São Paulo Ethanol Summit

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E continua a corrida! São Paulo sai seis dias na frente do Piauí, que promoverá o “Congresso Internacional de Agroenergia e Biocombustíveis”, e promove o São Paulo Ethanol Summit 2007.

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Foto: Alexandre Severo. Alguns direitos reservados.

Onde?
No World Trade Center, dias 4 e 5 de junho 2007.

Promoção?
União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA)

Quem vai?
Vai ter de tudo: Fernando Henrique, Lula, George Soros, ONU, Banco Mundial, Serra, Presidente da Associação Nacional de Produtores de Milho dos EUA, Ex-presidente de banco japonês, FGV, FEA, Instituto Ethos…

Objetivo?

Lançar o Brasil como player efetivo da economia mundial, numa postura pró-ativa em relação ao etanol.

São Paulo Ethanol Summit 2007

Relacionados:
Etanol: combustível da exploração do trabalho no campo
As contradições do Etanol
Bush em São Paulo

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maio 29, 2007 at 17:49

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