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Negros, eternos suspeitos

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O Circo Voador fez um teste simples sobre racismo: o teste da porta de banco, em vídeo

Uma bolsa cheia de chaves. Um jovem branco e um negro. O branco entra no banco em 5 segundos, já o negro…

itau_raça

(links p/ o vídeo e a propaganda Itaú via @marioamaya)

Relacionados:
Manifesto Porta na cara, manifesto, Circo Voador
Os “suspeitos” de sempre e os “jovens” de sempre, artigo, Panóptico

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novembro 11, 2009 at 11:16

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Sociedade da vigilância

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chaveiro_espiao
imagem: reprodução safarishop

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outubro 30, 2009 at 10:55

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Ato público contra o AI-5 digital

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Written by panopticosp

maio 14, 2009 at 9:13

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Atenção! Este veículo está sendo roubado. Ligue para a Car System

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Meu caçula “joga” futebol com a parede do quarto; vira e mexe, eu recebo uma buzinada na orelha ao atravessar a rua; minha mulher, vindo do centro, gasta três horas para chegar ao Terminal Capelinha, todos os dias.

Um ano atrás eu não percebia como isso é injusto.

Eu organizo processos no principal Tribunal de São Paulo. Trabalho fácil e chato. Mas tem estabilidade e o café ajuda nas horas de maior angústia. Maldita estabilidade. Coisa rara. 17 anos de casa, agora em abril.

A questão é que esse maldito alarme exclamando, o dia todo, “Atenção! Este veículo está sendo roubado” está me deixando maluco. Doido mesmo.

Quando uma moto esbarra na outra na área de estacionamento de motos que tem na rua aqui ao lado do Tribunal, lá vem “este veículo está sendo roubado”. As motos se esbarram a cada 10 minutos, porque o espaço de estacionamento – do tamanho de dois carros – serve a uma multidão de motoboys.

Eu não entendo esse alarme. Não sei se alguém o leva a sério. Um dia resolvi ligar para a “Car system” dizendo que “um veículo foi roubado” para ver o acontecia. Talvez eles mandassem uma equipe armada até o local e recuperassem o “veículo”, não sei.

O atendente me perguntou se não se tratava de um disparo acidental; de repente, alguém tinha trombado numa moto estacionada.

Eu acho que se alguém vê um veículo sendo roubado, deve simplesmente ligar para a polícia. O dono do objeto deve se lamentar e arcar com o prejuízo.

Eu só gostaria de organizar as pastas e documentos em paz, como venho fazendo há quase 17 anos, sem que ninguém me mande ligar para a “car system”.

Neste último ano que meu cérebro foi esfaqueado pela “car system”, percebi que eu e minha família nunca fizemos parte do tal “trânsito caótico de São Paulo”, como diz a TV. Que apesar de gostar de usar esse assunto para jogar conversa fora, eu não tenho nada a ver com ele.

Nunca tive carro. Nunca tive nenhum “veículo roubado” e todos os dias desperdiço horas no ônibus voltando do Tribunal.

Isso só me veio à cabeça depois que a Car System chegou à minha vida.

Respeito muito o doutor Oliveira, mas não suporto mais. Vou deixar o Tribunal.

(de um cidadão qualquer)

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março 20, 2009 at 16:08

A associação de Cerqueira César quer vigiar quem?

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Rua Frei Caneca, Cerqueira César

Numa cidade onde subprefeitos administram a cidade como se fossem síndicos de condomínios de classe média, o que esperar dos síndicos de verdade?

Que queiram tornar a cidade condomínios, por que não?

As câmeras de vigilância, antes presentes apenas em bancos, joalheiras e similares, viraram moda em empresas e em prédios de luxo. Passou para as moradas de classe média e hoje é uma peste, presente, por exemplo, no pátio de escolas infantis.

Em muitos edifícios, não existe justificativa plausível para os milhares de reais gastos com “sistemas de segurança”, para a invasão da privacidade dos moradores e para o acúmulo de função dos porteiros.

Em prédios como o meu, onde não há qualquer procedimento de segurança e qualquer um entraria sem dificuldade, existem destas câmeras. Por quê? Porque alguém apresentou a idéia numa assembléia. Por que foi aceita? Porque todos os prédios têm, porque é “seguro”, talvez porque o SPTV disse que é moderno…

Idéias baseadas no senso comum, em modas e na venda de interesses costumam aparecer nas reuniões de condomínios de todos os bairros de classe média de São Paulo.

Abaixo, temos o convite da próxima reunião da Associação de Moradores de Cerqueira César, bairro de classe média alta de São Paulo e, em parte, “decadente”. A reunião contará com a participação de um “representante da empresa de monitoramento” e de um “representante da Subprefeitura da Sé”.

Quando concepções como a “defesa da segurança” dos que possuem – ou pretensamente possuem – status social são tomadas como política pública, um monstro coloca-se pronto para abocanhar aqueles que passam pelas calçadas do “grande condomínio São Paulo” sem autorização.

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Suspeitos vigiados x Balões coloridos
Atitude suspeita, blog
Afaste-se, artigo, Gira-me

CONVITE – REUNIÃO DA SUBÁREA CONSOLAÇÃO

A SAMORCC – Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César convida todos os moradores a participarem de mais uma Reunião da Subárea Consolação, a realizar-se dia 09 (NOVE) de dezembro de 2008 às 18h30, na Casa Pastoral da Igreja do Divino Espírito Santo, à Rua Frei Caneca nº 974.

Serão discutidos os assuntos da pauta a seguir:

1. Últimas ações da SAMORCC na Subárea Consolação:
1.1. Revitalização da Rua Frei Caneca.

1.2. Poluição sonora e violação de posturas municipais por bares.

1.3. Providências legais possíveis.

2. Arborização da Rua Frei Caneca.

3. Arborização da Rua Augusta.

4. Monitoramento da Rua Augusta por câmeras e possibilidade de
extensão às ruas transversais e paralelas.

5. Assuntos administrativos e outras questões de natureza diversa.

Informamos que teremos dois convidados: um representante da empresa de monitoramento EME-Central de Serviços de Comunicação Ltda, sediada em nosso bairro, e um representante da Subprefeitura da Sé.

EXERÇA A CIDADANIA!

PARTICIPAR DA VIDA EM COMUNIDADE É UM DIREITO DE TODOS, CUIDAR DO NOSSO BAIRRO É UM DEVER DE TODOS!

SAMORCC, EM BUSCA DA MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA PARA TODOS.

Written by panopticosp

dezembro 8, 2008 at 20:06

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Suspeitos vigiados x Balões coloridos

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Intervenção: Willian Lamson. Reprodução. Todos os direitos reservados. (via Boing Boing)

Mês de instalação de mais câmeras de vigilância em São Paulo. Aplicação de conceitos de segurança privada numa cidade de milhões. Padrão privado para uma questão social.

Na grande imprensa nada de novo, mês de matérias padrão sobre segurança pública [vídeo]. A “alta-tecnologia”, a “eficiência”, o “investimento” e as imagens capturadas pelas câmeras dão o tom da idéia de que, desta forma, estamos no caminho de um futuro sem crimes ou violência.

Ninguém pode ser abordado, revistado ou questionado pelos órgãos de segurança sem uma justificativa, ninguém pode ser monitorado sem indícios concretos. Mas o espetáculo da vigilância ininterrupta é sucinto. Apresenta maravilhas, entrega meia dúzia de batedores de carteira presos e ignora a privacidade dos hábitos da população.

A segurança pública pede que entreguemos liberdades civis históricas, como o anonimato e a privacidade em troca de uma “sensação de segurança”. As câmeras existem há tempos e a violência nas ruas prossegue. Enfim, o Estado de controle do século XXI vende algo que não pode cumprir a um preço que os que viveram o século XX conhecem bem. Começa-se a vasculhar computadores pessoais; passa-se a cadastrar suspeitos; daqui a pouco cerca-se a cidade para varrer os indesejados e termina-se abastecendo covas coletivas.

A grande imprensa, aquela essencial para democracia, não questiona a eficiência das câmeras instaladas e aceita dados genéricos fornecidos pelos órgãos responsáveis pelo monitoramento como se fossem insuspeitos. A tecnologia do sistema é apresentada como a última grande invenção humana e dá o gancho para a propaganda do governante a frente da iniciativa.

Complete a frase e terá uma matéria. Com um zoom capaz de ___, as novas câmeras da prefeitura flagram cenas como esta____ ou ainda _____. Segundo o tenente _____, os crimes _______. Fulana, que trabalha no centro, diz se sentir mais segura. “___”. A previsão é de que ________.

As câmeras de segurança de São Paulo já flagraram roubos de celulares, bolsas, gente passando mal, assaltos. Mas nunca flagraram fiscais extorquindo camelôs, nunca girou 360° para filmar um policial amaciando o fígado de um adolescente suspeito; nem nunca deu zoom de 10x num guarda civil espancando moradores de rua.

A responsável pelo monitoramente era a Guarda Civil Metropolitana. Agora teremos câmeras da PM também A PM eá aquela que sabe lidar com pequenos delitos em aglomerados urbanos. A Guarda Civil é aquela que deveria cuidar do patrimônio público da cidade, mas foi ganhando poderes de polícia. Passou a se dedicar a perseguir camelôs, ganhou armas, câmeras e, mês passado, o poder de confiscar mercadorias de comerciantes abulantes. A Guarda Civil é conhecida como a mais despreparada da cidade; aquela que, sem poder perseguir bandidos reais, aplica toda sua violência reprimida em cima de “criminosos perigosos”, como moradores de rua.

A Guarda civil afirma que tem critério no uso e divulgação das imagens. Seus delicados critérios são vistos diariamente nas ruas e na anual destruição do natal de quem não tem onde morar, quando costuma apontar armas para a multidão [pdf leve], tocar o terror geral e dar banho de spray de pimenta em secretários e vereadores, inclusive.

Se você está na rua, você é suspeito. Se você está na escola, você é suspeito. Está prevista a instalação de cerca de oito mil câmeras em escolas públicas. A prefeitura considera seus alunos criminosos em potencial e, enquanto recebem educação municipal, devem ser vigiados.

Que os alunos deixem as pichações com giz de cera para outro dia, chegou a hora de destruir câmeras.

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Vigiar, artigo, Panóptico
Câmaras CCTV falham no combate ao crime nas ruas do Reino Unido, artigo, O Vigia
A identificação dos assassinos natos, artigo, Le monde diplomatique Brasil
Câmeras de vigilância não reduzem crime em Londres, dizem políticos, artigo, IDG News
Especialista critica uso de câmeras de vigilância, artigo, La Vanguardia (via comentário do Gustavo)

Written by panopticosp

agosto 4, 2008 at 15:19

Publicado em cultura urbana, política

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“Zonas-bolha”

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Vamos começar a ver emergir “zonas-bolha” que são altamente funcionais, mas privatizadas, guardadas por segurança privada. De fato, grande parte do Terceiro Mundo funciona assim. Num país como a Indonésia, por exemplo, nunca existiu realmente uma infra-estrutura funcional… O que existe são comunidades fechadas que vão se expandindo. Tudo é privatizado no interior dos portões, incluindo a água e a eletricidade. É assim que funciona a Zona Verde no Iraque.

O que significa para os pobres é uma demarcação cada vez mais estruturada entre os que têm e os que não têm: mais proteção para os que têm, quer nas fronteiras dos países ou nas fronteiras dos bairros, mais cercas, mais muros, mais vigilância. Haverá cada vez mais controle dos chamados “ilegais” e será cada vez mais fácil ser sugado para o interior dessa infra-estrutura de segurança privada por qualquer pequena transgressão.

Naomi Klein, em Ocas nº57, Janeiro/fevereiro 2008 (entrevista originalmente publicada pela “Real Change News” street-papers.org)

Relacionados:
The Shock Doctrine by Alfonso Cuarón and Naomi Klein, vídeo
Garotos e garotas da bolha
Cidade privativa

Written by panopticosp

março 10, 2008 at 14:13

Publicado em política

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