Pixo, logo existo
Janeiro 9, 2008

Foto: autor desconhecido
O trabalho autônomo executado no espaço público por uma molecada, combatido durante toda sua existência, chega aos tempos atuais apaziguado pelo marketing.
A necessidade de renovação dos apelos usados pelo marketing - como a noção de identificação - levou a situações peculiares nos tempos atuais. Carros ecológicos, bancos que nem parecem banco, refrigerante zero, ensaio de fotográfico de moda durante manifestação anti-globalização…

Funcionário municipal apagador de pixações
Em São Paulo a pixação foi perseguida ferozmente nos últimos anos e o grafite foi eleito a bola da vez na “street art”. Diferentemente do trabalho realizado há anos por jovens da periferia da cidade (office-boys, ajudantes gerais, estudantes…) que escalavam alturas ignorantes para deixar a marca de seu grupo, os desenhos coloridos mais trabalhados e realizados mais ao nível do solo despertou o interesse de jovens com poder de compra. Jovens de classe média se interessaram pelo assunto e não só passaram a admirar mas também a acessar as técnicas do spray.
As grandes marcas de produtos juvenis ganharam uma estética pronta para copiar, usar, abusar e a qual poderiam atrelar temporariamente seu logotipo. Como toda estética da cultura de massa, após o hype e a exclusividade de um pequeno, seleto e, portanto, especial grupo, veio o vazamento, o momento em que outros muitos grupos se apropriam da estética. Na sequência veio a massificação, quando a produção em massa chega aos grandes distribuidores e todos, então, ganham a “permissão” de acessar aquele “estilo” e os grupos da era hype o abandonam.
A apropriação do grafite pelas empresas e agências de publicidade, como em outras tantas atividades da cultura de resistência, não impede que a atividade se desenvolva. Seu curso, porém, é fortemente alterado. Para além das discussões artísticas, as de ordem ideológica ganham força, qual é o grafite de verdade, qual é o grafiteiro vendido, todos têm que sobreviver, como resolver o dilema, qual o limite, isso e aquilo…
Em geral, os opositores destas culturas se esquecem do velho dito: onde há fogo, levaremos gasolina.
Obs. Pixar(sic): grafia utilizada aqui em referênca àquela habitualmente utilizada pelos pichadores para pichar
Relacionados:
Pixo, coleção de fotos, grupo do flickr
Entry Filed under: cultura urbana. Etiquetas: grafite, pichação.
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