Nova calçada da Dr. Arnaldo, os obstáculos ficaram mais bonitos

Outubro 17, 2007

Finalmente, na semana passada, foi inaugurada a nova calçada da av. Dr. Arnaldo, sentido Sumaré, no trecho das bancas de venda de flores. Sete meses para fazer uma calçada fora dos padrões do bom senso e dos estabelecidos pela própria prefeitura.

Via de regra, a formulação de um padrão não é coisa difícil, os jornais anunciam que o programa X entrará em ação, tudo parece bem, dá-se início à obra e logo a coisa se enrola, pedestres são jogados para a rua, pontos e linhas de ônibus ficam ninguém sabe onde. Depois da reforma (que estoura prazo e larga material de construção espalhado por todo canto), o cidadão entorta o nariz, vendo que não é bem como se via na campanha de divulgação.

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Esta é a calçada indicada pelo programa municipal Passeio Livre. Nela o poste não fica no meio do caminho. Árvores, orelhões e lixeiras ficariam na chamada faixa de serviços.

Para obras de melhorias, os padrões governamentais são do tipo despadronizados, os padrões mudam de acordo com o dinheiro e o trabalho que acham que vale à pena dispensar aos cidadãos que delas desfrutarão.

Na rua Oscar Freire, a das lojas de luxo, a calçada foi alargada, há diversos bancos e toda a fiação foi enterrada. Na ocasião da inauguração, o realease da prefeitura não perdeu a oportunidade de dizer que não gostava de trabalhadores circulando pela região e que na calçada construída por eles, agora os “favorecidos” poderiam voltar a passear e comprar.

Poeira, marteladas e barulho acabaram. No lugar dos operários, homens e mulheres bem vestidos e com a aparência favorecida em todos os aspectos, voltam a circular pelas calçadas da rua Oscar Freire.

Na nova Dr. Arnaldo, onde tinha um poste ou árvore no meio do caminho, a prefeitura abriu uma meia lua, que, aparentemente, abriria o espaço necessário para que as pessoas com dificuldade de locomoção possam caminhar.

A prefeitura, porém, não perguntou se o cadeirante queira brincar de ficar enroscado entre uma árvore, um poste e um banquinho;

se na saída do metrô o cego queria brincar de fazer o oito;

dr_arnaldo_06.jpg

se o cadeirante queria brincar na inclinação entre a árvore a sarjeta;

dr_arnaldo_04.jpg

ou se o cara que acaba de ganhar um pino na perna queria pedir para que as pessoas sentadas nos banquinhos se levantem para ele passar com suas muletas.

dr_arnaldo_07.jpg

Do outro lado da Dr. Arnaldo a coisa ficou descente e é possível rodar uma cadeira sem grandes problemas, mas a prefeitura achou que uma graminha ia bem e resolveu retirar um teco da calçada. Como é pouco espaço para muita gente, os pedestres são obrigados a caminharem pela faixa gramada, que já virou terra batida. Ademais é sempre bom constranger o cadeirante e de seus colegas pedestres quando, às 6hrs, na saída do metrô, na tal faixa de circulação um tem que desviar do outro e forma-se aquela fila de pedestres atrás do cadeirante aguardando a oportunidade de uma ultrapassagem.

A prefeitura não é louca de constranger o motorista e implantar uma faixa gramada numa das três faixas onde os automóveis rodam. Verde e terrenos permeáveis é o que todos querem para a cidade, mas só é possível entender porque é a calçada que diminuiu e não o terreno reservado às máquinas poluidoras, quando constatamos que, para os governantes, motoristas e seus carros valem mais que pessoas que só usam um par de sapatos, arroz, feijão e transporte público para se deslocar.

dr_arnaldo_12.jpg

O interessante é que um trecho reformado do canteiro central da av. Dr. Arnaldo - que é cercado por correntes para que os pedestres não cortem caminho entre um lado e outro das seis faixas de asfalto quente, barulhento e nervoso - é lizinho e sem obstáculos, leva do nada à lugar nenhum.

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1 Comment Add your own

  • 1. Mathias  |  Novembro 8, 2007 at 12:01 pm

    esse esço é perfeito para fazer uma peça de teatro ou coisa parecida!
    heheheh idéia!

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