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O carro do nosso tempo

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fiat500

O mundo que vamos deixar para os nossos netos depende do carro que estamos fazendo hoje. Fiat 500: o carro do nosso tempo.

Eu adoro quando as propagandas utilizam diretamente frases populares. “O mundo que vamos deixar para nossos netos” deve ter sido um dos primeiros chavões ecológicos em circulação nas esquinas, feiras e botecos.

Décadas depois, quem diria que ele apareceria numa propaganda de automóvel?

Claro que a indústria automobilística não se tornou ecológica, mas os publicitários não perderiam a oportunidade de tirar um sarro da onda verde na qual são, hoje, obrigados a surfar. E que melhor jeito que utilizar uma frase clichê em vigência por tanto tempo entre nós?

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Written by panopticosp

outubro 13, 2009 at 10:23

Publicado em publicidade, transporte

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Governo do Estado tripudia sobre desabrigados: “A gente faz. E faz bem feito”

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Famílias do acampamento Olga Benário, no Capão Redondo, que dormiram na rua, o governador e seu secretário de habitação mandam o recado: acreditem, sonhem, respirem, comemorem!

Programa de Desapropriação Popular da Polícia do Estado-1

Um dia após desalojar cerca de 800 famílias usando força policial, o governo do Estado de São Paulo faz publicar nos jornais, em página inteira, propaganda de sua “política” de habitação popular.

Dar de cara com uma propaganda dessas na página 3, enquanto que a página 1 traz as notícias da vergonhosa desapropriação só pode ser uma estratégia de incentivo à revolta popular.

CapaoRedondo_CatiaToffoletto02
Foto: Cátia Toffoleto. Alguns direitos reservados

Mas num ponto a propaganda é bem verdadeira. Como todos nós vimos ontem, a tropa de choque e os tratores sempre funcionam: “No Estado de São Paulo é assim: A gente faz. E faz bem feito”

Se o governo seguir sua “política de habitação popular”, como observado na desapropriação do prédio do INSS, depois da expulsão das famílias de suas casas, virão as ordens para que a polícia toque o povo da rua. É o governo de SP sempre inovando: desaloja o desalojado.

CapaoRedondo_CatiaToffoletto
Foto: Cátia Toffoleto. Alguns direitos reservados

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Moradores resistem a reintegração de posse em SP, galeria de fotos, Folha de S. Paulo
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Capão Redondo – 24 de agosto de 2009, artigo, Ferrez
Violentamente pacífico, vídeo e artigo, Apocalipse Motorizado
Em SP, famílias do Olga Benário resistem à decisão da Justiça, artigo, Rede Brasil Atual
Poste de Serra ataca os pobres. Quer que eles voltem ao Nordeste, artigo, Conversa Afiada
Famílias do acampamento Olga Benário são despejadas com violência, artigo, Raquel Rolnik

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agosto 25, 2009 at 11:07

Publicado em política

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Obra viária para propagandear transporte coletivo

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Expansão CPTM
reprodução: planodeexpansaosp

Até na hora de propagandear investimento em transporte público, o governo de São Paulo só sabe falar de transporte individual.

Afinal, ao falar da integração entre estações de trem, que imagem ilustraria melhor o micro investimento em transporte coletivo do que a de uma ponte milionária por onde só passam carros e motos?

Os detalhes falam, muito.

Atualização
O Flavio percebeu que a foto publicada no site “Plano de Expansão” com a legenda “Ponte Estaiada” é, na verdade, a ponte que termina na estação Santo Amaro

Written by panopticosp

agosto 11, 2009 at 15:07

Deixe de depender dos outros

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dafra
Propaganda veiculada no Metrô News, jornal distribuído nas estações do metrô de São Paulo.

A moto está entre os bens mais desejados pelos jovens assalariados com instrução média e capacidade de compra, ou como chamam, a classe C. Compete com o celular. Em comum, a facilidade oferecida ao portador de incrementar seu status social.

Um problema sempre por resolverem é como sair do bairro periférico onde moram e chegar ao trabalho com decência. Sem serem espremidos num ônibus durante horas, esperarem cinco trens do metrô passarem para conseguir entrar e, por fim, não chegarem atrasados ao trabalho. Tudo isso por quase quatro reais. E ainda tem a volta.

Durante o trajeto de metrô invariavelmente este jovem atendente de telemarketing dá de cara com anúncios. Primeiro, de motos; segundo, de cursos superiores e profissionalizantes.

Quem tolera gastar boa parte de seu salário para sofrer dentro de ônibus e trens? Quem tolera trabalhar a semana toda e esperar mais de uma hora no ponto de ônibus para ir até a casa da namorada num sábado à noite? Quem não gostaria de deixar um pouco o bairro sem grandes atrativos de lazer e pegar um cinema na Paulista? Agora, quem encara a espera e a série de baldeações do transporte público num final de semana?

Fazer uma faculdade (que facilita o pagamento), comprar uma moto (que facilita o pagamento), trocar o celular (que facilita o pagamento) e, quem sabe, um curso complementar (que facilita o pagamento) são parte de um pacote de ascensão social, constantemente na mente dos jovens trabalhadores.

“Deixe esta vida para trás”, esta é a idéia. Chega de pegar carona para cair na balada, para levar a mãe na consulta médica, chega de levar três horas para chegar ao trabalho, de ir sempre ao boteco mais próximo por falta de transporte.

Se o gasto mensal com transporte público equivale à prestação de uma moto em 48 vezes. Por que ser irracional e deixar de adquirir conforto, rapidez, status e um bem que pode ser vendido?

Afinal, a luta pela melhoria do transporte coletivo terá resultado, se o tiver, num prazo inestimável, certamente longo. E as soluções individuais trazem para a pessoa um benefício hoje. É uma disputa desigual.

Comprar uma moto em 48 vezes e já no próximo final de semana ter suas chances com as mulheres aumentadas, como propagandeado a cada intervalo comercial, ou encarar uma longa luta pelo transporte público de qualidade? Este é o desafio que qualquer luta por direitos enfrenta hoje.

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Cansado de esperar, artigo, Panóptico

Written by panopticosp

julho 30, 2009 at 19:47

Natura desrespeita lei Cidade Limpa

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natura_descanse

Mais uma mega empresa faz a prefeitura de São Paulo de otária.

Com o tema “poesia concreta” diversos letreiros gigantes foram instalados na cidade. Com autorização municipal, os letreiros exibem as palavras “descanse”, “relaxe” e outras que remetem ao questionamento da rotina na metrópole.

A questão é que a empresa de cosméticos Natura veicula campanha da linha de produtos “Todo dia” tratando do mesmo tema. A campanha propõe a valorização da rotina e dos pequenos momentos que compõe o dia a dia. Obviamente, as imagens e mensagens leves e fofinhas vendem a idéia de que o uso de cosméticos deve ser incorporado à rotina de toda mulher.

Além do vídeo do tal dia a dia, que diz que é preciso “resgatar os momentos que estamos perdendo nessa rotina maluca”, a Natura tem uma campanha de… Poesia concreta, claro.

O jornal Folha de S. Paulo traz hoje, 14/07, boa reportagem crítica apontando a mensagem subliminar das instalações e registrando as declarações da presidente da Emurb, de um dos artistas e da Natura. Segundo o jornal, a Natura afirmou que apoia o projeto “Poesia Concreta”, do grupo artístico Bijari, mas ressaltou que “não veicula sua publicidade em mídias que interfiram na paisagem urbana”.

Em abril, a Vodca Absolut também desafiou a lei fazendo uso da mesma arte. A empresa instalou, em diversos pontos da cidade, globos espelhados sem logotipos ou qualquer outra publicidade evidente. Os globos remetiam a sua campanha “Absolut disco”, veiculada em diversos meios.

Written by panopticosp

julho 14, 2009 at 10:07

WWF expõe desempregados à humilhação

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wwf

Quando o conceito de seleção natural foi aplicado à sociedade a coisa ficou muito feia. Mais tarde, quando grandes corporações resolveram adotar a idéia dos mais aptos para justificar demissões em massa, erros políticos e econômicos de todo um período caíram no colo dos trabalhadores.

Lembra daquela época em que a pauta era globalização? O começo desse papo? Era globalização de dia, globalização à noite e veio aquela avalanche de manuais e palestras de gurus da administração em países “emergentes” como o Brasil. Eles espalharam as idéias que faltavam para inocentar as empresas globais das famílias que destruíam semanalmente.

“Atualização profissional” era o mantra do trabalhador nesta época. “É preciso se atualizar”, ou melhor, “estar sempre atualizado”. Até hoje o SPTV e todos os programas voltados para a “vida prática” e “prestação de serviço” tem espaço reservado para dicas de como se comportar em entrevistas, dicas de cursos, dicas de tendências profissionais, áreas onde sobram vagas e outras maravilhas que indicam só uma coisa: está tudo aí, basta querer.

O trabalhador desempregado com mais de 40 anos de idade foi considerado “ininpregável” pelo chefe do executivo do Brasil. Tudo colaborava para sua humilhação social. Encostado, acomodado, desatualizado, vacilão. Os crimes das sucessivas políticas econômicas irresponsáveis eram personalizados na figura do trabalhador. Trabalhador por trabalhador, todos foram culpabilizados.

A classe média emburrecida adorou os manuais de administração: estratégias de sobrevivência duras, só os mais fortes sobreviveriam, como ficar rico… Enquanto torneiros mecânicos eram derrubados tudo ia bem. Mas, logo, alguns supervisores começaram a cair, uns gerentes deram de cara no chão e, hoje, – dizem, não sei, ouvi falar – tem diretor procurando “recolocação no mercado”.

Ser responsabilizado pelo próprio fracasso e desalento de sua família, como sabem, é de uma carga psicológica pesada demais. Mais uma vez, a surrada tática corporativa mostrou-se eficiente: um problema social/coletivo foi transformado em problema pessoal/privado.

A campanha Seleção Natural

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A WWF com a intenção de promover sua mensagem ecológica fez uso do que há de mais atual no mundo da publicidade: fazer alguma coisa engraçada na internet que possa se espalhar e gerar comentários. Ao mesmo tempo escolheu uma forma de humor das mais caducas e sem graça que existem, a pegadinha.

Anunciou no jornal vagas de emprego para animais, gravou as ligações dos candidatos e as divulgou no site da campanha.

Não há justificativa para pregar peça em alguém desesperado por trabalho. Aguardar a ligação de um desempregado que vê um anúncio que diz “vaga para onça-pintada”, gravá-la e fazer pirraça com isso não é só falta de sensibilidade, é perversidade.

Ouvir perguntas como “Você prefere ser onça-pintada ou boto-rosa? Por quê?” e escutar as pessoas tentando dar uma resposta que convença o entrevistador (sim, as pessoas aprendem as malditas dicas de entrevistas), mais que embaraçador, é revoltante.

O que é trágico não é o fato das pessoas acharem que podem “trabalhar” como onça-pintada, é o fato de uma organização de defesa dos animais expor pessoas numa situação frágil a mais um constrangimento.

Seleção Natural

(dica: Fastblog do Marco Gomes)

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Written by panopticosp

maio 28, 2009 at 15:27

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Dafra, você por cima da merda

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É ótimo quando vemos alguém que usa seu tempo na internet para algo realmente útil e realmente engraçado.

Todos os dias somos obrigados a aturar um ataque publicitário autorregulamentado. O número de telespectadores irritadores com produtos que não atendem ao prometido não é baixo.

O criador da contrapropaganda, portanto é porta-voz de muitos. Aparentemente, a dublagem foi feita por algum profissional. Talvez uma agência concorrente, talvez um autônomo experto. Assim é perdido o mérito, uma vez que seria uma contrapropaganda feita apenas para apoiar outra marca.

Written by panopticosp

maio 25, 2009 at 12:02