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Bicicletada São Paulo – Fevereiro 2009

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Na bicicletada da última sexta-feira não dava para saber muito bem quantas pessoas pedalaram até a Praça do Ciclista para se encontrar com outras e protestar pelo direito de circular de bicicleta em segurança. A vista não alcançava.

Ciclistas tranquilos mais uma vez se depararam com motoristas irritados; motoristas cansados mais uma vez se depararam com ciclistas mal-educados; motoristas assassinos em potencial mais uma vez deram de cara com ciclistas dispostos ao enfrentamento.

A cada bloqueio de rua, a cada sirene sem propósito, a cada buzinada impaciente, a cada saudação dos que passavam, a bicicletada colocava seres em contato, ativava neurônios, despertava sentimentos variados.

O resultado das ações do grupo nunca é previsível. A massa desorganiza, confunde, desobedece e acaba por deixar frente a frente pessoas que não se encontrariam no cotidiano paulistano. O trânsito despersonalizado ganha rosto.

A falta de educação, de bom senso e a ignorância de uma sociedade desinformada, entretida com celebridades e publicidades variadas estão lá expostas, numa só noite.

É por isso que a bicicletada é sempre uma noite de riqueza espetacular (mesmo para aqueles que discordam de seus métodos, organização ou propósitos). É um evento que evidencia o estado de pobreza cultural e putrefação social em que vivemos.

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Uma vez ao mês, numa noite de sexta que seria apenas mais uma sexta da “balada”, cheia de abusos e mortes no trânsito, a massa de ciclistas coloca em cheque não apenas a cultura do automóvel mas o comportamento repelente paulistano.

Numa sociedade cada vez mais despolitizada, a bicicletada é hoje um dos poucos atos políticos sinceros em curso firme na cidade. É um evento de realização política, uma ação de pessoas que decidiram enfrentar a ordem imposta e retomar o curso de suas vidas. É uma noite pelo direito à reflexão, pela valorização do coletivo, pelo compartilhamento justo do espaço urbano e dos recursos.

Ao se tornar um movimento auto-organizado amplo, a bicicletada parece ter grandes desafios pela frente.

Sabendo que àqueles que, consciente ou inconscientemente, decidem que a pressa vale mais que a vida continuam nas ruas, o levante contra o Estado omisso às milhares de mortes no trânsito será sempre fator de união dos inconformados e facilitador do avanço da resistência.

Relacionados:
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Bicicletada São Paulo – Fevereiro 2009, galeria de fotos, panóptico
Mais relatos, fotos e cia, bicicletada.org

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Written by panopticosp

março 2, 2009 at 23:36

Atenção! Auto-homens ignorando

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“Um cidadão em perigo! Geladeiron, transformar!” (ou algo assim)
The Perry Bible Fellowship. Todos os direitos reservados. Nicholas Gurewitch.

A tira sátira com os “transformers” (se você está perto dos 30 anos de idade, lembra-se bem deles; se está perto dos sete, conversaremos no próximo revival) resume o sentimento de muitos durante a última semana.

Imagino que todas as que não conheciam a ciclista Márcia (como eu) se sensibilizaram não apenas com as circunstâncias de sua morte, com o medo de ser a próxima ou com a revolta e a perda de mais uma pessoa que lutava por uma sociedade mais justa.

O comprometimento da grande mídia com os poderes financeiros e políticos, e a opinião ignorante, robotizada e fria das pessoas que estão ao nosso redor nas filas de banco, escritórios, bares e comentários de blogs veio esfregou a realidade, de uma só vez, no rosto de todos nós.

Mario Amaya bem destacou, a morte de Márcia não foi apenas uma morte estúpida, foi o resumo do “estado moral da sociedade motorizada”.

Qualquer oportunidade precisa ser aproveitada para promover a paz no trânsito. Que seja necessária uma morte de um ser humano, e tendo de concentrar tantas circunstâncias extraordinárias para chamar a atenção – mulher, cicloativista, no meio da avenida mais importante da cidade, num tipo de ocorrência considerado banal, causada por um motorista profissional, motorista esse que não assume a responsabilidade, e com a mídia dando mais relevância ao congestionamento do que ao acidente – tudo isso diz muito mais sobre o estado moral da sociedade motorizada do que sobre as pessoas que se levantaram contra esse estado moral. Fonte: Sexta-feira de bike na Paulista

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Se ele der 20 cm, eu já fico feliz

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janeiro 20, 2009 at 21:29

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Bicicleta fantasma | Homenagem à ciclista Márcia

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janeiro 16, 2009 at 21:42

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“Se ele der 20 cm, eu já fico feliz!”

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“Se ele der 20 cm eu já fico feliz!”

São palavras da ciclista Márcia, morta ontem na av. paulista, referindo-se a distância que os motoristas poderiam – ao menos – tomar o cuidado de manter dos ciclistas.

Um motorista não dispensou os 20 cm que Márcia precisava para se equilibrar em movimento e ela não voltou para a casa.

Márcia era uma ativista pelo direito de pedalar em seguranças pelas ruas. Sua morte foi conhecida pelos blogs e sites companheiros. Causou revolta e tristeza e não passou em branco – os protestos estão em curso.

Já nos jornais e sites corporativos sua morte virou notícia porque o “acidente” aconteceu na avenida mais conhecida do país e atrapalhou o trânsito.

Todos os dias pedestres, ciclistas e outros cidadãos que se deslocam em paz são mortos. São anônimos. Nós não tomamos conhecimento e a grande mídia só noticia estas mortes quando interessa – em geral, quando o trânsito é interrompido e “causa transtornos”.

Esta morte não passará em branco.

Márcia resistia, cada vez que montava numa bicicleta.
Cada homem e mulher que vai ao trabalho de bicicleta e arrisca sua vida, resiste.
Cada criança que joga bola no canto da calçada, resiste.
Cada deficiente visual que vai a padaria caminhando, resiste.
Cada cadeirante que se desloca até o bar, resiste.
Cada idoso que exige que os carros parem para que ele atravesse, resiste.
Cada cidadão que se indignou com mais esta morte estúpida, resiste.
Eles são milhares e não desistem.
A cada companheira que cai, centenas se levantam.
A cada assassinato, milhares de corações se incendeiam e braços agem.

Hoje, quinta-feira, 15, a partir das 18h, acontecerá uma homenagem à Márcia na Praça do Ciclista (Avenida Paulista com a Rua da Consolação).

Sexta-feira, 16, os/as ciclistas partirão da mesma Praça do Ciclista, com concentração às 18h e saída às 20h.

Coletânea de artigos e fotos em:
Ciclista morre atropelada na Av. Paulista, editorial, CMI
Márcia Regina Prado, Bicicletada

Written by panopticosp

janeiro 15, 2009 at 18:31

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Rotas de ônibus em mapas on line começam a funcionar em SP e BH

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A vida de quem se desloca de forma racional ficou mais fácil.

Os interesses comerciais do Google levaram a empresa a desenvolver uma funcionalidade no Google Maps que permite encontrar rotas utilizando transportes públicos em São Paulo e Belo Horizonte.

Até hoje, o cidadão que não quer ou não pode usar um carro em São Paulo tinha duas opções: ligar para 156, requisitar o ônibus para determinado destino e deixar seu nome e telefone registrado num banco de dados misterioso e inútil; ou entrar no site da SPTrans e pesquisar a sua rota, neste caso sem o burocrático desestímulo do cadastro e da cansativa espera telefônica.

Facilitar a vida dos motoristas de automóveis é um negócio rentável. Os serviços para eles pipocam na internet, lojas de aparelhos eletrônicos, emissoras de rádio e TV. As melhores rotas estão em tempo real dentro e fora dos carros (justamente os carros causadores do caos que tornam estes serviços necessários).

Um Estado atento e uma administração pública eficiente seriam os primeiros a pensar e prestar informações sobre transporte público à população.

Infelizmente, não é assim.

Vídeo explicativo e notícia no Google

Relacionados:
Bicicletários e Paraciclos em São Paulo, mapas, Google
Olho vivo. E o pulso ainda pulsa, artigo, Urbanistas SP

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dezembro 12, 2008 at 19:51

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Para humanizar a cidade

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Simples, muito simples.

Sem ONGs, sem especialistas, sem editais, sem licitações.


Intervenção: Bruno Taylor. Todos os direitos reservados (via Wooster Collective)

Um estudo sobre diferentes formas de trazer a brincadeira de volta ao espaço público. Focado em incorporar brincadeiras despretensiosas ao espaço público, não instalando equipamentos em espaços segregados, mas sim usando os elementos arquitetônicos e equipamentos existentes para sugerir um momento de brincadeira para todos (tradução livre nossa). Fonte: Pixelsumo

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Anti-publicidade em pontos de ônibus

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agosto 18, 2008 at 13:33

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Informação? Só ferindo privacidade

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Você deseja saber como chegar a determinado local em São Paulo utilizando transporte público. Liga 156. No atendimento automático, disca dois dígitos e a atendente pede seu nome completo e telefone.

– Para quê?
– Para acessar o sistema.
– Eu gostaria de obter uma informação de transporte e não de dar uma sobre mim.
– É para cadastro.
– É obrigatório?
– Não, mas sem o cadastro não posso acessar o sistema.
– Para saber que ônibus pegar preciso dar meu telefone e nome completo?
– É, só assim posso acessar o sistema.
– E se eu não tiver telefone? Não morar em São Paulo?
– É apenas para cadastro.

Com pressa, invento um nome e telefone e consigo a informação. Após o atendimento, sou encaminhado para uma pesquisa: Disque 1, se está satisfeito com o atendimento ou 2, se está insatisfeito.

O acesso a informações públicas é um direito. Exigir documentos, encarecer o processo, utilizar linguagem hermética, enfim, construir impedimentos, é parte da ideologia da sociedade burocratizada para restringir o acesso a direitos.

Exigir dados, cadastrar, estocar imagens, informatizar as atividades do dia-a-dia, acumular sempre mais informações, unificar bancos de dados, construir perfis e analisar comportamentos são as ameaças mais silenciosas da sociedade atual, uma vez que são transvertidas de eficiência administrativa e do curso natural da tecnologia.

Burocratizar e monitorar atividades e, então, punir os indesejados não é mais suficiente. Escanear todos homens e mulheres, organizar toda a informação e conhecer os padrões de comportamento. Analisar as ameaças. Oprimir a ação de atividades que ainda não se realizaram é o ideal de um regime de controle total.

Para chegar num local costumávamos pular num bonde, pagar e descer. Era fácil. Alguns se lembram.

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Mais uma do Bilhete Único espião

Written by panopticosp

junho 16, 2008 at 12:45

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