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“Ditabranda”: o ato contra o apoio da Folha à ditatura

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Um ato comportado e tranquilo. Grande presença de muitos que viveram na pele os horrores da política brasileira.

Horrores que não cessaram.

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Que não cessarão enquanto iphones, perfis de orkut e vídeos exploradores da miséria alheia no youtube não deixarem de ocupar o dia dos jovens.

Que não cessarão enquanto revistas de celebridades, programas de auto-ajuda na TV e religiões milagrosas não deixarem de ocupar o dia dos adultos.

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Um leitor escreveu ao jornal e recebeu uma resposta vazia. Outros escreveram, até que a Folha mostrou o que pensa insultando dois leitores que são figuras públicas. Tudo ficou claro e a indignação só fez crescer durante a semana.

O protesto mostrou a capacidade de mobilização da internet e o valor da mídia independente. Mostrou também que sem o primeiro a se levantar, nada acontece.

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:: Agregador de notícias na web

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Written by panopticosp

março 7, 2009 at 20:01

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Manual de Redação da Folha, Edição 2009

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Durante a Ditadura, todos os meios de comunicação continuaram trabalhando por seus interesses políticos e financeiros, nos bastidores. Via de regra, os mesmos interesses do Regime.

No palco da Democracia a apresentação precisou de mais empenho nos ensaios e de falas mais trabalhadas. Afinal, mudado o cenário, a harmonia entre os elementos tinha que ser outra. Foram apresentados com pompas, a pluralidade, a independência, o apartidarismo e outros bichos que procriam rapidamente em ambientes publicitários tropicais.

Popularizada aquela utopia em comunicação chamada web, a questão hoje é: cada vez menos pessoas acreditam nesse chororô de “jornal a serviço do Brasil” e as vendas de jornal estão na sarjeta.

Diante da constatação, o Conselho Editorial da Folha se reuniu e se perguntou: e se tudo acontecesse diante dos olhos da platéia. A troca de figurinos, o trânsito de banqueiros, os acordos políticos, ali, tudo de cortinas abertas?

Como vanguarda jornalística nacional e certo da necessidade da promoção de um “choque de gestão”, o Conselho Editorial da Folha deliberou: A Folha de S. Paulo deixará o marketing da pluralidade de lado e um novo Manual de Redação será redigido.

E o “Painel do leitor” que os assinantes tanto gostam de ler? O Conselho deliberou: considerando a oportunidade de enxovalhar alheios nas respostas, mantido.

O Manual é claro: ao se comunicar com o leitor, principalmente no espaço dedicado às suas manifestações, procure inventar a contradição do leitor e escamotear a sua. Desta forma, sempre agradeça a manifestação antes de considerá-la irrelevante; sempre eleve o respeito do jornal pela opinião divergente antes de deixar claro que o leitor é um mentiroso e cínico.

Outra norma, aprovada pelo Conselho comunica aos jornalistas:

O termo “Ditadura” deve ser substituído por “Ditabranda” (Os termos fascismo e nazismo serão apreciados na seção ordinária do Conselho de março/2009)

O termo “Ditabranda” causou curiosidade em alguns conselheiros. Onde fora citado? Em algum artigo militar? Em algum livro publicado pela TFP? Quem sabe em algum texto dos cortadores de cabeça da PM paulista?

Não, a Folha decidiu que no Brasil a ditadura foi branda e pronto. Mandou imprimir o termo num de seus Editoriais. Dois professores das maiores universidades do país escreveram ao jornal dizendo-se indignados. Oportunidade para o jornal colocar o novo Manual de Redação em prática, respondendo:

(…) sua indignação é obviamente cínica e mentirosa.

Entenda o caso lendo “Ditabranda” para quem?, artigo Maria Victoria Benevides, Carta Capital

Assine a petição em defesa dos Professores e de protesto contra a Folha

Compareça ao Ato Público contra a Folha de São Paulo: dia 07/03, às 10h

Relacionados:
Folha de São Paulo, cínica e mentirosa. Todo o apoio a Fabio Konder e Maria Victoria Benevides, artigo, O Biscoito fino e a massa
Falha de São Paulo, artigo, Apocalipse motorizado
Porque não devemos falar em “Ditabranda”, artigo, Vio o mundo
Ditabranda: o suicídio moral da Folha, artigo, Different thinker
Show Jornalismo canalha, artigo, Pedalante
“Ditabranda”: Marcelo Coelho tenta justificar o patrão, artigo, Escrevinhador
Ato Público contra a Folha de São Paulo: dia 07/03, às 10h, chamado, O biscoito fino e a massa
Folha de S. Paulo: no Brasil não existiu ditadura, mas sim “ditabranda”, imagem, Tudo em cima

Written by panopticosp

março 6, 2009 at 13:34

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Atenção! Auto-homens ignorando

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“Um cidadão em perigo! Geladeiron, transformar!” (ou algo assim)
The Perry Bible Fellowship. Todos os direitos reservados. Nicholas Gurewitch.

A tira sátira com os “transformers” (se você está perto dos 30 anos de idade, lembra-se bem deles; se está perto dos sete, conversaremos no próximo revival) resume o sentimento de muitos durante a última semana.

Imagino que todas as que não conheciam a ciclista Márcia (como eu) se sensibilizaram não apenas com as circunstâncias de sua morte, com o medo de ser a próxima ou com a revolta e a perda de mais uma pessoa que lutava por uma sociedade mais justa.

O comprometimento da grande mídia com os poderes financeiros e políticos, e a opinião ignorante, robotizada e fria das pessoas que estão ao nosso redor nas filas de banco, escritórios, bares e comentários de blogs veio esfregou a realidade, de uma só vez, no rosto de todos nós.

Mario Amaya bem destacou, a morte de Márcia não foi apenas uma morte estúpida, foi o resumo do “estado moral da sociedade motorizada”.

Qualquer oportunidade precisa ser aproveitada para promover a paz no trânsito. Que seja necessária uma morte de um ser humano, e tendo de concentrar tantas circunstâncias extraordinárias para chamar a atenção – mulher, cicloativista, no meio da avenida mais importante da cidade, num tipo de ocorrência considerado banal, causada por um motorista profissional, motorista esse que não assume a responsabilidade, e com a mídia dando mais relevância ao congestionamento do que ao acidente – tudo isso diz muito mais sobre o estado moral da sociedade motorizada do que sobre as pessoas que se levantaram contra esse estado moral. Fonte: Sexta-feira de bike na Paulista

Relacionado:
Se ele der 20 cm, eu já fico feliz

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janeiro 20, 2009 at 21:29

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Ao assistir ao Criança Esperança e ao Jornal Nacional, lembre-se

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A Globo desrespeita seus funcionários e frauda a legislação trabalhista.

Para escapar de suas responsabilidades como empregadora, a Rede exige que alguns de seus jornalistas constituam pessoa jurídica. A prática é bastante comum.

Como diversas empresas socialmente responsáveis, a Globo prega o respeito às leis e proclama palavras acaloradas contra o trabalho informal, mas na hora do vamos ver, lava as mãos e mantém seus funcionários como “prestadores de serviços”.

Na ação de uma ex-jornalista, o Tribunal Regional do Trabalho considerou que houve, sim, vínculo de emprego ao observar na relação os elementos: onerosidade, pessoalidade, habitualidade e subordinação.

:: Notícia completa, CTB

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outubro 31, 2008 at 9:11

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Setembro

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Foto: autor desconhecido

Justamente num mês cheio de ações questionadoras do modelo de deslocamento baseado no automóvel, este espaço ficou devendo as atualizações que os leitores mereciam.

Parte da equipe de jornalistas panópticos viajou ao Caribe, a convite da Associação Caribenha de Turismo e da CVC, para cobrir um evento fundamental para o desenvolvimento da sociedade brasileira; parte esteve jantando em ótimos restaurantes e entrevistando chefs, de modo a atualizar o Guia Panóptico São Paulo de Gastronomia, afinal, um país onde milhões passam fome tem que possuir uma referência na área.

Como nossos colunistas políticos estão nos Estados Unidos acompanhando as eleições do país que interessa e nossos colunistas sociais estão remodelando o Catálogo Bulimia Panóptica Fashion Verão 2009, restou este colunista que vos fala.

Entretanto, as negociações com anunciantes ecológicos, recepções a candidatos a prefeito preocupados, conversas telefônicas com especuladores desesperados e reuniões com advogados tributaristas vêm tomando mais tempo que o esperado.

Apesar do aperto das horas, seguimos contentes e pretendemos voltar à carga em breve.

Written by panopticosp

setembro 25, 2008 at 20:20

A missa da toalha úmida continua

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Outro dia, o G1 disse “No trânsito, não tem jeito. Se há poluição, é melhor fechar os vidros e ligar o ar-condicionado. A fumaça de carros e caminhões parados no trânsito causa mais irritações nas vias aéreas do que o ar-condicionado”

Hoje a Folha de S. Paulo disse: “No trânsito, se estiver num congestionamento, é melhor fechar os vidros e ligar o ar-condicionado. A fumaça dos veículos parados irrita mais as vias aéreas do que o ar-condicionado”

O G1 escreveu “não tem jeito”; a Folha, “é melhor”. O G1 escreveu “carros e caminhões”; a Folha, “veículos parados”. De resto, os textos são quase iguais.

Repeteco

Não, não estamos preocupados com cópia. São notinhas num quadro. Imaginar que alguém copiou algo assim seria demais. Aí seria melhor fechar a lojinha de papel de uma vez. O que assusta é como a imprensa brasileira reproduz idéias e estilos.

Reproduz a pauta de jornais estrangeiros diariamente. Uma pauta internacional não é relevante até que os grandes jornais do mundo a considerem assim. A América Latina, por exemplo, não merece maior, ou melhor, cobertura no Brasil do que nos Estados Unidos, como seria de se esperar.

As pautas do dia-a-dia são uma série de textos descritivos que obedecem a um padrão antigo e chato. Uma ou outra liberdade, como “não tem jeito”, foi introduzida depois que perceberam que blogs e outros páginas estavam atraindo leitores, mas o texto feito em 5 minutos predomina e fica evidente a quem lê jornais com freqüência.

Nessa hora o leitor fica com a sensação de que alguém está ofendendo sua inteligência. Além de perceber que foi enganado como consumidor (comprou uma notícia enlatada achando que era natural), jogou fora tempo do dia sempre curto.

As fontes que ninguém sabe, ninguém viu

A Associação Nacional de Jornais diz que os jornais são os veículos mais confiáveis. Há fonte, checagem, entrevista, apuração etc.

Seria mais fácil de acreditar na afirmação se o jornal respeita-se um pouco mais os estudantes que estão aprendendo o que é “fonte”. Num dia digo ao meu sobrinho que quando ele cita um trecho interessante de um livro, ele deve colocar o nome do livro e do autor no rodapé para que as pessoas saibam de onde veio a citação e possam consultá-la. No outro, o garoto pega o jornal, assusta-se as informações sobre o clima seco da cidade e vê como fonte da informação “médicos”. Certo dia, decide usar uma citação de Lawrence Lessig e no rodapé escreve “autores”. A professora reclama. Ele explica que no jornalismo é assim que se faz.

Só o privado interessa

Quais são as situações resumidas no quadro da Folha? “Em casa”, “No escritório”, “No trânsito”, “Animais”.

Será que o cidadão que mora em São Paulo sofre de alguma anomalia e “sente” o clima seco apenas dentro de ambientes privados? Não, a anomalia é o viés jornalístico. A imprensa está preocupada com seu “segmento”. A maioria dos leitores de jornais (pelo menos, os que mais intere$$am, como assinantes) são do tipo casa-escritório-trânsito-animal-casa.

Quais são as dicas para os pedestres que andam nas calçadas ao lado dos carros? Quais são as dicas para os usuários de ônibus que estão nas mesmas ruas e avenidas que os carros? Sabemos quais são: “evite atividade física durante o dia”. Então beleza, todo mundo de carro com ar-condicionado para a rua!

Além de falar para o “seu público” (classe média motorizada), este tipo de “dica” é bem conveniente. Consegue falar do tema sem tratar do tema em si. A poluição do ar é um problema público – pelo menos enquanto o ar for público -, mas as reportagens “puxam” o tema para o privado.

No escritório, em casa, no carro até é possível minimizar por alguns momentos os efeitos do clima seco. Mas como seriam as dicas jornalísticas em ambientes públicos? Pendure toalhas molhadas nas árvores que sobraram? Enquanto caminha até a escola feche os vidros? Não seria difícil imaginar o texto, “se tiver que ir até a padaria, vá de carro, é melhor do que respirar nas ruas” e por que não “se tiver que ir até a padaria a pé, não tem jeito, respire o menos possível”

Dica de morte rápida

É interessante que a imprensa recomende que em casa o cara abra as janelas para o ar circular (geralmente, recomendam vaporizadores e toalha úmida mesmo), e que no trânsito feche as janelas.

Um carro a sua frente, outros ao lado, você fecha a janela (por onde entra a maioria do ar) e liga o ar-condicionado. Ele condiciona que ar? A não ser que seu carro crie ar, ele condiona o ar que está poluído. Não existe outro. Você ficará respirando o mesmo ar “parado” e poluído pelo tempo que ficar no carro. Não há como lacrar o carro e purificar o ar interno. (link via Vá de bike)

Claro, quando você liga o ar condicionado, o consumo de combustível aumenta e a emissão de poluentes aumenta, mas isso é problema do carro de trás.

Relacionados:
A missa da toalha úmida, artigo, Panóptico
Creminho antipoluição, artigo, Panóptico
Pedalar no trânsito não faz mal para a saúde, artigo (com diversos outros textos relacionados), Vá de bike

Written by panopticosp

agosto 21, 2008 at 21:06

Gerador automático de reportagens

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Written by panopticosp

agosto 9, 2008 at 19:07

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