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A revitalização do centro de São Paulo à moda Rede Globo

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A Rede Globo resolveu adotar o centro de São Paulo como cenário da sua nova novela das sete.

Há anos, o centro de São Paulo passa por um processo de revitalização. Baseado na reforma e construção de grandes centros culturais e no “ordenamento” dos estabelecimentos e pessoas, ele já consumiu bilhões de reais.

Mesmo com a constante expulsão de indesejados, da construção de vários conjuntos culturais e dos prazos alargados, os objetivos do projeto não foram alcançados.

E pior, a insistência no principal erro continua. Boa parte do Vale do Anhangabaú será convertida em Praça das Artes. Focado na música clássica, o projeto pretende dialogar com um faraônico centro de dança de R$ 300 milhões a ser construído na Luz.

De uma área do centro, a Prefeitura simplesmente desistiu. Após interditar boa parte dos bares e pensões populares, demoliu quarteirões e está leiloando-os para a empreiteira que lá quiser construir seu bairro.

Curiosamente, a propaganda da nova novela das 7h, publicada nos jornais, imita anúncios de imóveis. Um deles cita “o centro é cultura: você vai viver ao lado de uma academia de dança (…)”.

Segundo acompanhamos, a trama tem como núcleo principal a família de um homem que “veio de baixo” e se tornou o “rei do centro” ao construir um edifício tecnológico (o robô que controla o edifício será um dos personagens da novela).

Durante a festa de lançamento da novela (num cinema desativado do centro), o autor da história declarou à Folha de S. Paulo:

“Vamos fazer uma São Paulo linda e limpa. É a minha São Paulo, que está dentro de mim. Não ligo para detalhes da realidade.”

Na novela “Tempos Modernos” a Galeria do Rock, recriada em estúdio, não tem como vizinho o cinema pornô, e sim um cinema de arte; assim como uma loja de sapatos do bairro se transformou em livraria.

À Agência Estado, o autor disse:

A novela tenta revigorar esse centro. Talvez ela seja um pontapé inicial para sensibilizar as autoridades de que o centro precisa ser revitalizado. O projeto sempre emperra em alguma coisa. Quem sabe agora, com a novela, ele aconteça.

A Prefeitura e a Rede Globo mais uma vez trabalham em sincronia. Nos “tempos modernos” deles a espontaneidade perde para o planejamento e a diversidade de usos da região cede espaço para os milionários prédios culturais. O cidadão dá lugar ao turista; o pobre, ao rico.

Relacionados:
Mais sobre o centro de São Paulo no blog

Jaz São Paulo: “Revitalização do centro de SP premia obras faraônicas e especulação imobiliária”, por João Whitaker
, reprodução de artigo de João Whitaker, Encalhe.
Tempos Modernos chega ao centro antigo de São Paulo, notícia, Rede Globo

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janeiro 12, 2010 at 15:05

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Uma morte anônima

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No dia 05/12, atiraram num homem na praça Roosevelt. Era um dramaturgo conhecido. No dia 04/01, um homem foi esfaqueado e morto na mesma praça. Um morador de rua.

O ataque ao primeiro causou imediata repercussão nos jornais e sites. A morte do segundo não seria sequer conhecida senão fosse um blogueiro chegar ao local instantes após o crime ter ocorrido.

O relato do Blog do Tsavkko revela que cerca de vinte policiais chegaram escandalosamente ao local e estacionaram suas viaturas com pompa, mas nenhum agiu para tentar salvar o homem.

Você conhece o estilo da polícia de SP, um garoto é pego por roubar um celular. Sirenes soam e viaturas derrapam, a rua é interditada, mais viaturas chegam. Documentos são checados, duas horas depois percebem que não há celular, dedicam mais uma hora ao sujeito e vão embora como se um atentado terrorista estivesse acontecendo em algum outro lugar.

Além do odioso crime de omissão cometido pela polícia paulista, o episódio revela como a imprensa trata casos de violência.

O morador de rua foi apenas mais um no processo pelo qual passa o centro de São Paulo hoje. Uma pessoa que não interessa ao leitor de jornais, alguém que não tem amigos jornalistas, um ser abaixo do gari na escala Casoy de dignidade [vídeo do caso].

A Folha de São Paulo, no dia 07, dedicou dois parágrafos (link p/ assinantes) ao coitado. O Estadão imprimiu apenas um, no dia 05.

Nenhum dos jornais escreveu sobre a revitalização do centro e a violência na área, como fizeram quando do ataque ao dramaturgo. Tampouco artistas e subcelebridades se manifestaram nas redes sociais.

Aos dramaturgos dos teatros da Praça Roosevelt, conhecidos por retratarem o “submundo” e a violência da cidade, não faltará material. A realidade está lá fora.

Relacionados:
Ficar chocado quando um rico morre tal qual um pobre, dica 40, Classe Média Way of Life
Por que construímos praças?, artigo, panóptico
Como expulsar drogados, mendigos e outros estorvos, artigo, blog do Sakamoto

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janeiro 8, 2010 at 15:44

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Televisão no meu busão, não

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Em caso de tentativa de furto do seu olhar, cubra a tela
Para informar abusos ligue para Movimento Acorda São Paulo 0800-156-1984 ou acesse http://www.minhamentenaoehpenico.gov.sp.br

No início de 2007, os usuários de ônibus de São Paulo foram pegos de surpresa. Quem entrava num ônibus e pretendia chegar ao seu destino com segurança, respeito e rapidez, recebia uma propaganda do Mcbacon, uma porção de videoclipes de grandes gravadoras e um bocado de “pegadinhas” e “videocassetadas”.

Começava aí o ataque em massa dos interesses privados sobre o espaço público e o tempo coletivo na autodenominada “Cidade Limpa”. O site da empresa responsável pela instalação dos televisores nos ônibus e pela transmissão do sinal deixava bem clara a vantagem do sistema: “Audiência cativa pelo período médio de duas horas por dia”, “único canal sem risco de zapping”, “foco único de atenção a bordo dos ônibus”.

Após um curto período de teste, o sistema foi expandido. Outras empresas de transmissão entraram no negócio e novas concessionárias de transporte instalaram televisores sobre a cabeça de seus usuários.

Numa época de queda geral de audiência, a novidade vinha bem a calhar com os interesses das grandes emissoras do país. Com uma massa de pessoas confinadas diante de telas de televisão exibindo uma programação incessante estaria instituído o fim do controle remoto, o fim da ida ao banheiro, o fim do botão “desligar”.

Foi, então, em 2009, que o sequestro dos olhares se consolidou. A Rede Globo, um dos maiores oligopólios de mídia do mundo, entrava no jogo. A teleidiotização dos cidadãos de São Paulo estava, finalmente, garantida.

Hoje, todos os dias, em centenas de ônibus da cidade, capítulos legendados das novelas e outros enriquecedores programas da Globo acompanham todo cidadão que, dentro do busão, revolta-se com o trânsito de carros parados e a qualidade do serviço de transporte mais caro do país.

Contra esse ataque a nossas mentes, contra a privatização do espaço público, contra a priorização do transporte privado motorizado e contra o avanço da comercialização de um direito, protestamos!

Relacionados:
Lei municipal nº 6681/65 ou como ser torturado em um ônibus [Update], artigo, blog do Tsavkko
Militantes do MPL protestam contra aumento nas tarifas e pela tarifa zero dentro da Secretaria de Transportes, notícia, CMI
Informação? Só ferindo privacidade, artigo, Panóptico
Mais uma do Bilhete Único espião, artigo, Panóptico
Tarifa única de ônibus em SP, só pagando adiantado, artigo, Panóptico
Notícias de um trânsito invisível, artigo, Panóptico

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dezembro 23, 2009 at 0:23

Governando através da janelinha do carro, uma coletânea de Andrea Matarazzo

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moradorrua

Entre as medidas para a “revitalização” do centro de São Paulo está dar um jeito de sumir com as pessoas em situação de rua. Eles enfeiam o bairro e espantam a classe média consumidora.

Para a prefeitura de São Paulo, “revitalizar” o centro é mais importante do que “revitalizar” as pessoas que não tem onde se abrigar. Já que a prefeitura não pode simplesmente matá-los, a solução encontrada foi levá-los à morte.

A distribuição de comida, por exemplo, feita por entidades religiosas e outros grupos foi proibida na área central. Ou seja, é proibido oferecer comida a quem você acha que precisa. Multar um grupo de pessoas que doa uma cumbuca de sopa para quem está congelando na rua, parece-me o resumo mais conciso da perversidade da atual política para o centro.

Na madrugada paulistana, guardas municipais espantam quem dorme nas ruas com a esperada delicadeza, enquanto a equipe de garis recolhe colchões, sacolas, papelão e outros pertences. O caminhão-pipa lava as calçadas e escadarias; as pessoas, então, zanzam sem rumo.

É crime ser miserável. E é crime defender seus direitos.

O secretário das subprefeituras Andrea Matarazzo, um pouco em baixa nos bastidores do poder paulistano, encontrou uma boa forma de propagandear suas idéias: postar no twitter. Com a promessa de atender a população diretamente através do canal, as frases postadas revelam, num tom politicamente correto, sua forma de pensar.

Eis algumas frases do Secretário, seguidas de nossos comentários.

No centro, muitos moradores de rua nas marquises da Av são joão (no início num bingo abandonado) e na Boa vista. Centro velho esta quase bom

Poxa, o centro está quase bom. Se todos os moradores de rua morressem de uma vez só, ficaria ótimo.

Não tem perigo. O que é sim, é muito triste. Claro q não desço do carro. Embora os dependentes da novaluz não oferecem perigo

Conheço bem a realidade. Vou sozinho, guiando. Um pouco de segurança é preciso. Vou quase todas as noites [à Luz, chamada por muitos de “cracolândia”]

Trata-se de uma técnica de observação da fauna selvagem? Uma técnica de camuflagem? Ou é apenas a sensação de segurança trazida por uma tonelada de aço com arranque rápido? Se “não tem perigo” qual seria o motivo de “conhecer a realidade” de dentro do carro? Quem seriam os perigosos? Os moradores do bairro?

Na Novaluz foram lacrados e emparedados 22 estabelecimentos entre ontem e hoje. Maioria botecos ou depósitos.Outras áreas do centro em ordem

Secretário, ontem, passando de carro por uma rua do centro, parei no semáforo e pude ver, em frente a um casarão antigo, um punhado de pessoas conversando. Uma criançada danada correndo, alguns bebendo, uma bagunça. Fiquei imaginando como aquelas pessoas podiam morar naquele lugar. Deve ser uma pensão ou até imóvel invadido, não sei, mas sei que o local era totalmente insalubre e sem qualquer segurança.

Poucos metros a frente, avistei três botecos, um ao lado do outro. Nem botecos eram, eram dessas portinhas onde se juntam bêbados, desempregados e mulheres que gostam dessa vida.

Como sei que o senhor é o secretário que mais se dedica ao centro, peço providências. Lugares nestas condições não podem ser tolerados. Muito menos no centro, onde começou esta cidade que tanto amamos.

Moradores de locais interditados em operação no Centro de SP não aceitam ir para abrigos da prefeitura, reportagem, Rácio CBN
Para Andrea Matarazzo catadores são problema, artigo, Panóptico
Centro Vivo, artigo, Panóptico
”É difícil ganhar uma eleição twittando”, reportagem e entrevista, Estadão

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julho 27, 2009 at 12:31

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Folha ignora violência homofóbica

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paradagay2009

Sobre a Parada Gay de São Paulo, que ocorreu no último domingo, a Folha de S. Paulo, publicou um parágrafo revelador de sua ideologia.

No episódio mais grave, por volta das 22h, o morador de um edifício na avenida Vieira de Carvalho (centro) se irritou com o barulho de pessoas que dispersaram da festa e jogou uma bomba caseira no grupo.
Segundo a Polícia Militar, 30 pessoas ficaram levemente feridas pelo artefato. O morador não foi identificado.

Fonte: Brigas, furtos e até bomba prejudicam clima de festa, FSP, 15/06/09 (para assinantes)

Antes de tudo, noticiar o lançamento de uma bomba sobre um grupo de gays como um incidente é um absurdo desrespeito às vítimas e a vida. Dizer que uma bomba explodiu porque alguém achou que estava muito barulho na rua é um acinte à inteligência dos leitores.

A notícia também nos fala bastante sobre a prática do jornalismo. Num dia de manifestação festiva gay, seria demais imaginar que um jornalista consiga formar esta versão de “barulho”.

Ela fora, provavelmente, resultado de depoimentos da polícia e de pessoas que circulavam no local – como manda o manual do jornalismo. Transpor isso para o texto seria resultado de uma ignorância de contexto social tamanha que, logo, podemos considerá-la impossível; resta, portanto, acreditarmos que é produto do desprezo do jornal pela violência praticada contra minorias.

Vale lembrar que o caso aconteceu na avenida Vieira de Carvalho, tradicional ponto gay de São Paulo. Ponto que não é elencado entre as concorridas baladas gays do Guia da Folha, pois no local concentram-se, em sua maioria, gays pobres.

A versão que a Folha quer que acreditemos pode ser resumida assim: uma pessoa querendo assistir a novela se irritou com o barulho, ao lado do controle remoto estava uma bomba, que ela resolveu jogar pela janela.

O desprezo da Folha pela violência só não é mais latente do que o da polícia, que mesmo sabendo de qual prédio veio a bomba, até agora, não divulgou nenhum dado sobre a investigação.

Talvez o jornalista da Folha possa ajudá-los. Já que ele sabe que o agressor “se irritou com o barulho”, ele o entrevistou. Afinal, que outra fonte poderia dizer o motivo do crime? Será que o jornalista chutou o motivo? Não, claro que não. Como nos dizem as recentes propagandas dos grandes jornais, jornalismo sério só com fonte segura, apuração.

Ontem, Marcelo Campos, de 35 anos, negro, trabalhador e gay morreu vítima de um espancamento durante a Parada Gay. Não há notícias de que estava fazendo barulho.

Um protesto esta marcado para sábado, 19h, na avenida Vieira de Carvalho.

Relacionado:
Pra não dizer que não falei das flores ou bomba no cu dos outros é refresco, artigo, Jean Wyllys

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junho 19, 2009 at 10:58

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Passado idealizado num bairro paulistano

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Ah, as fotografias antigas de São Paulo. São sempre tiro certo. Restaurante chique? Bar fedido? Jornal de domingo precisando aumentar a circulação? Pode apostar sem medo: imagens em preto e branco ou sépia do centro de São Paulo irão te ajudar.

Contemplar uma cidade que não existe mais é um dos maiores prazeres do paulistano. Idealizar uma nobre migração cheia de alegria é outro.

Caso queira conhecer os migrantes que a cidade renega e esconde (os nordestinos), visite o bairro do Bexiga; depois procure pelo sangue nobre europeu no bairro da Bela Vista [1].

Converse com os jovens madrugadores e desempregados descendentes de nordestinos, e converse com os jovens madrugadores e desempregados descendentes de italianos. Você notará que a identificação com suas origens é bem diferente.

Enquanto a classe média remediada se conecta ao passado europeu para se aproximar de uma história gloriosa, bela e prospera para mostrar sua carteirinha de paulistano de primeira linha; a classe baixa se conecta ao presente para se aproximar do futuro, onde as promessas de iogurte na mesa, carro na garagem e tênis de marca no pé se realizarão; nela a identificação e o orgulho com o passado nordestino, em geral, não aparecem espontaneamente.

[1] Obs.:

Em São Paulo ninguém sabe bem onde começam e terminam os bairros. Como em outras cidades, nomes são criados na tentativa de escapar do preconceito geográfico. Assim, a segunda maior favela da cidade vira “Morumbi Sul” na boca dos corretores de imóveis.

Bexiga e Bela Vista são o mesmo bairro. O Bexiga foi esquartejado pelo minhocão (seis pistas expressas elevadas), uma “praça” também com pistas elevadas (praça 14 bis) e outras avenidas. Como resultado, para ir à padaria você tem que passar sob um viaduto que serve de estacionamento e atravessar uma avenida.

Na Bela Vista estão os prédios caros; no Bexiga os cortiços, prédios e comércios pobres. Nas novelas italianas da Globo, você escutará “Bexiga”; no telejornal da Globo que fala sobre a sede de uma associação importante, você escutará “Bela Vista”. Porém, no telejornal da Globo que fala sobre o feroz ataque ao bolo de aniversário da cidade, você escutará “Bexiga”.

Sacou?

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abril 8, 2009 at 16:52

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O glamour dos valets e a “revitalização” do centro

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Sempre teremos “problemas” a resolver em São Paulo quando o assunto é estacionamento. Isso porque a relação entre o espaço que carros parados ocupam e o espaço que seus donos ocupam é totalmente desequilibrada. Uma reunião com 20 pessoas marcada numa sala de 20 m² pode atrair 20 carros, causando um belo transtorno em frente ao local.

Como os paulistanos não sabem ir a lugar nenhum sem levar consigo um motor quente, nem aos finais de semana, o problema é permanente.

Cineminha na sala Unibanco Augusta no domingo? Trânsito a um quarteirão do metrô. Anúncio antes do filme começar, indicando os estacionamentos ao redor? Sim, no Cine Belas Artes, que fica em frente a um corredor de ônibus e a dois quarteirões do metrô.

Sobre a reabertura de uma magnífica sala de cinema no centro de São Paulo, a matéria “Repaginado, Cine Marabá reabre e resgata o glamour”, do Estadão, diz:

O problema da falta de vagas de estacionamento (e da falta de garagens subterrâneas, projeto da Prefeitura que está há seis anos no papel) será resolvido com um valet na porta.

A “solução” não soluciona e não revitaliza área nenhuma.

Os valets, mesmo que não sejam, representam a exclusividade, uma desigualdade de tratamento nociva. Numa frase, valets são pedantes. E não é isso que ajudará a revitalizar o centro de São Paulo.

Não importa quantos “Centros culturais” inventarem, partes do bairro continuarão esvaziadas à noite se as pessoas saírem de seus carros feito bolas de sinuca e caírem dentro da caçapa do cinema.

No tempo do tal proclamado glamour, o centro era o principal bairro da cidade e, apesar dos carros já causarem enormes problemas e embates, as pessoas utilizavam as pernas que possuíam. Não por acaso, boa parte das salas de 2.000 lugares que se dedicavam a exibição de filmes, hoje guarda carros.

Os problemas de segurança existem e podem ser solucionados de verdade.

A reabertura de um cinema histórico seria uma bela oportunidade para que gente de classes privilegiadas conheçesse e experimentesse o centro à noite e no final de semana. Ao esperar o ônibus, aguardar a próxima sessão no bar ao lado, ao caminhar até o metrô o local poderia voltar a ser mais agradável para todos.

Esse seria um pequeno passo em direção à solução. Já um valet não estimula ninguém a nada positivo, só trará uma vida artificial restrita aos 50 metros em volta do cinema.

A mesma tática fora adotada pelo turístico Bar Brahma, ao lado do Marabá. Para garantir que as pessoas desçam dos carros e entrem direito no local, manobristas velozes e furiosos correm de um lado para o outro nos horários de pico. O Centro Cultural Banco do Brasil, que fica num calçadão, foi mais longe e ofereceu por anos um serviço de van que levava os clientes até um estacionamento conveniado.

Obviamente, esta “solução” do cinema com valet não está apenas relacionada à falta de vagas, uma vez que existem opções próximas. Está relacionada à segurança. Por isso, a probabilidade de se instaurar a segurança privada disfarçada na calçada em frente para garantir a tranquilidade dos frequentadores é grande.

Torcemos para que o empreendimento dê certo, mesmo com os tais valets. Mas um alerta é válido: moradores de rua, camelôs, sem-teto, ciganos, africanos, trombadinhas, todos os feios, sujos e malvados do envolto do cinema, preparem-se, a cultura vem aí.

Relacionados:
Os Valets glamourosos, artigo, panóptico
“Donos da rua” acham que ônibus atrapalham o Valet, artigo, Vá de bike!
Os caras-de-pau e Kafka sobre quatro rodas, artigo, Apocalipse motorizado

Para Andrea Matarazzo catadores são problema, artigo, panóptico
Centro Vivo, artigo, panóptico

Por vir:
Momento Monumento, site, mais um centro cultural no centro de São Paulo
Sesc 24 de maio, site, centro cultural que já transformou um calçadão em rua para carros.
Antiga rodoviária de SP vai virar teatro e escola de dança, notícia, Folha de S. Paulo

Written by panopticosp

março 27, 2009 at 16:14