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Campanha da SPTrans culpa vítima e amplia espaço publicitário nos ônibus

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O sistema de ônibus na zona sul muda constantemente, ao gosto da SPTrans, empresa responsável pela gestão dos ônibus em São Paulo. Os problemas, entretanto, continuam de uma obviedade cortante.

Há algum tempo, muitas linhas diretas foram substituídas por baldeações nos terminais lotados. Enquanto aguarda pela nova condução, o usuário vê seu Bilhete Único perder a validade e mais R$2,70 cair para dentro da catraca das concessionárias. Linhas canceladas, ônibus velhos, itinerários que mudam a todo o momento e lotação absurda são rotina no extremo sul da cidade.

Mas é nos corredores exclusivos de ônibus que se sente o calor do inferno paulistano. A exclusividade proporciona duas horas de espera por um ônibus e mais três para chegar ao centro.

Resultado: diversos trabalhadores demitidos por conta dos atrasos freqüentes e, todas as manhãs, uma pequena legião de pessoas que desiste dos ônibus caminhando quilômetros ao longo das avenidas.

A situação perdura há anos. Após um protesto na Avenida M’Boi Mirim – onde o caos é insuportável -, a Prefeitura resolveu dar um refresco aos pobres do busão.

Durante duas horas do dia, num pequeno trecho, uma das faixas privatizadas pelos automóveis volta para o uso coletivo.

Para não prejudicar os carros, claro, inventaram de usar a faixa do sentido contrário, que pela manhã tem menos movimento. Faltou combinar com os pedestres e os atropelamentos voltaram a crescer.

Os novos seguradores (aqueles conhecidos “puta que o pariu”) dos ônibus avisam “Ao atravessar preste atenção na faixa reversível”. O usuário do serviço continua, portanto, sendo o culpado pelas soluções improvisadas da empresa.

Se uma mudança aumenta imediatamente o número de acidentes, a lógica diz que foi ela quem gerou o risco. Para os técnicos da SPtrans, porém, a lógica é outra, as pessoas desejam se arriscar e as gambiarras deles não tem nada a ver com isso.

O importante é que um novo espaço de propaganda foi criado na cidade limpa: o “puta que o pariu” publicitário.

Relacionado:
Como matar um corredor de ônibus, vídeo, Apocalipse Motorizado
Televisão no meu busão, não, artigo, Panóptico

Written by panopticosp

maio 10, 2010 às 9:44

5 Respostas

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  1. Babaquiçe de propaganda, quem tem de ter respeito no trânsito é o próprio transito, quem tem preferência é pedestre,e ainda acham bonito colocar propaganda de pedestre atropelado em ônibus?? muito mal gosto e má informação. Se houvesse consciência no trânsito não seria necessário faixa para atravessar a rua

    Gustavo

    maio 10, 2010 at 21:57

  2. porra!

    Fabio Santos

    maio 11, 2010 at 0:53

  3. noooosa essa propaganda de atravesse na faixa é foda! Que que é isso? Acho que vou comprar um tanque de guerra.

    matiasmm

    maio 11, 2010 at 13:35

  4. Essa propaganda do cara atropelado é falsa, gente. Foi feita pelo Desencannes (www.desencannes.com.br). A nova pode até estar errada, mas vamos checar os dados antes de escrever.

    Tatiana

    maio 13, 2010 at 12:05

  5. Babaquiçe de propaganda, quem tem de ter respeito no trânsito é o próprio transito, quem tem preferência é pedestre,e ainda acham bonito colocar propaganda de pedestre atropelado em ônibus?? muito mal gosto e má informação. Se houvesse consciência no trânsito não seria necessário faixa para atravessar a rua
    +1

    Kyla

    junho 3, 2010 at 21:59


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