Panóptico

Um casamento público

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Num evento social tão valorizado como o casamento os sinais de status social estão todos lá reunidos. Como o automóvel é um dos nossos símbolos preferidos, normalmente, vale de tudo para arrumar uma carruagem que impressione.

Mas por que um casal que utiliza bicicleta no dia-a-dia não o faria no dia do casamento? Apenas por convenção? Afinal, o que diriam os vizinhos, a família e os amigos sobre uma noiva que chega de bicicleta?

Willian e Priscila nos lembraram que romper padrões não dói, é de graça e pode ser divertido.

Espanto, felicidade, admiração, excitação foi o que vimos pelas ruas por onde o casal passau. Funcionários deixando seus postos de trabalho, clientes saindo às portas das lojas, pedestres acenando, gritos, palmas, e, claro, motoristas contentes, buzinando, tirando fotos.

O casamento de Willian e Priscila foi um casamento público. O casal estava nas ruas. Sorriram, distribuiram flores, compartilharam a alegria do momento em público, sem convidados selecionados, sem hostless.

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No último par de décadas, nosso espaço público perdeu, meio sem percebermos, sua dimensão característica. Carros privados ocupam quase a totalidade do espaço, pedestres são xingados como invasores do asfalto sagrado, bancos de praça são removidos, crianças são orientadas a não jogar bola na rua, protestos públicos são reprimidos, gráficos são apagados dos muros e festas de rua só com uma dezena de autorizações.

O pedal do casório mostrou que existe disposição de grande parte da população para manifestações públicas e coletivas. Se um jovem casal e um grupo de ciclistas pôde fazê-lo, resta que os governantes tenham alguma vergonha.

Relacionados:
Coleção de notícias sobre o pedal do casório
Cidade em Guerra, artigo, Revista Vida Simples

Written by panopticosp

outubro 26, 2009 às 12:14

Publicado em transporte

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6 Respostas

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  1. Excelente seu comentário.
    Eu estive presente no casamento dos bikers, timidamente, de bicicleta.
    Há muito tempo que não tinha, como cidadã, uma experiencia tão feliz e gratificante: compartilhar do espaço público da cidade em que moro com alegria…Coisa rara.
    O casal, Priscila e Willian, numa iniciativa quase ingênua, deram aos motoristas nervosos uma pequena pausa para pensar para quê tanta buzina, tanta falta de educação e tanta pressa…
    Quem dera todo sábado tivessemos a possibilidade de ocupar nosso espaço nas avenidas.

    laura nehr

    outubro 26, 2009 at 14:41

  2. Excelente atitude. Um exemplo e tanto para q os ciclistas sejam mais respeitados e q a bike deixe de ser vista apenas como lazer. Parabéns aos amigos Willian e Priscila e mtos anos de boa convivência e pedaladas!

    Alessandro Bontempo

    outubro 26, 2009 at 16:39

  3. […] Um casamento público relato, 7 […]

  4. […] normalmente, vale de tudo para arrumar uma carruagem que impressione. … fique por dentro clique aqui. Fonte: […]

  5. […] da Paulista, ali é ruim até pra gente e não tem caminho alternativo. ……….. Só para lembrar a História: ” O casamento de Willian e Priscila foi um casamento público. O casal estava nas ruas. […]

    Bodas de papel « Pedalante

    outubro 21, 2010 at 10:54

  6. […] Um casamento público artigo, 7 […]


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