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400 famílias são expulsas de prédio; na rua, são ameaçadas por policiais

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Na semana passada, dia 16 de julho, cerca de 400 famílias foram despejadas do prédio do INSS na Avenida Nove de Julho.

Por força de medida judicial, as famílias tiveram de abandonar o imóvel e ceder lugar às baratas.

Durante a noite, a retirada dos pertences aconteceu sem tensão e cerca de cinco caminhões baú levavam os móveis para um depósito.

A maioria das pessoas não tinha a quem recorrer e dormiu sob os viadutos próximos ao prédio.

Às famílias foi oferecido passagem rodoviária de volta para cidade natal. Opção descartada pela imensa maioria, uma vez que mantém vínculos afetivos e profissionais na capital.

Também foi ofertado abrigo nos albergues municipais Boracéia, COM-Metodista, Lygia Jardim e Portal do Futuro. Opção considerada risível, já que os albergues em época de frio na cidade estão ainda mais lotados, e a prefeitura municipal, ignorando o aumento do número de pessoas em situação de rua, fechou, recentemente, vários deles.

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Desabrigados são ameaçados por policiais

Após uma desocupação sem incidentes, na noite seguinte, policiais militares e membros da Força Tática se dirigiram ao local e passaram a ameaçar os desabrigados, exigindo que se retirassem das ruas.

A ilegalidade da ação e desumanidade dos policiais que ameaçavam indistintamente crianças e idosos revoltou os sem-teto. Em protesto, eles interditaram a Avenida 9 de julho. A polícia reprimiu a manifestação lançando bombas e utilizando a força.

Famílias são expulsas da rua

Após uma semana sendo acossados pelas forças policias, os sem-teto permaneciam no local. Unidos e sem ter para onde ir, exigiam moradia digna.

No dia 22, segunda-feira, a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar cumpriram ordem da Prefeitura de SP e deram um ultimato aos sem-teto.

Após acordo com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, um espaço sob o viaduto Nove de Julho, emparedado há anos e totalmente insalubre, foi destinado às pessoas.

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Histórico

A antiga sede do INSS na Nove de julho, também com entrada pela Rua Álvaro de Carvalho, havia sido ocupada na noite do dia 12 de abril numa ação simultânea da Frente de Luta por Moradia (FLM).

Na ocasião, sete imóveis abandonados ganharam função social, inclusive o edifício da Avenida Prestes Maia, nº 911, símbolo do descaso do poder público e da luta por moradia.

Passados cerca de dois meses, dois imóveis continuam ocupados, um terreno na Avenida Teotônio Vilela (zona sul) que pertence ao INSS e o acampamento Alto Alegre, em São Matheus (zona leste).

Assista ao depoimento de alguns ex-moradores do prédio, numa reportagem do Outro Olhar

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Nove de Julho: mais 400 famílias nas ruas, reportagem, Fórum Centro Vivo
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Written by panopticosp

junho 23, 2009 às 12:37

Publicado em política

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2 Respostas

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  1. […] o governo seguir sua “política de habitação popular”, como observado na desapropriação do prédio do INSS, depois da expulsão das famílias de suas casas, virão as ordens para que a polícia toque o povo […]

  2. […] o governo seguir sua “política de habitação popular”, como observado na desapropriação do prédio do INSS, depois da expulsão das famílias de suas casas, virão as ordens para que a polícia toque o povo […]


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