Panóptico

Manual de Redação da Folha, Edição 2009

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ditabranda

Durante a Ditadura, todos os meios de comunicação continuaram trabalhando por seus interesses políticos e financeiros, nos bastidores. Via de regra, os mesmos interesses do Regime.

No palco da Democracia a apresentação precisou de mais empenho nos ensaios e de falas mais trabalhadas. Afinal, mudado o cenário, a harmonia entre os elementos tinha que ser outra. Foram apresentados com pompas, a pluralidade, a independência, o apartidarismo e outros bichos que procriam rapidamente em ambientes publicitários tropicais.

Popularizada aquela utopia em comunicação chamada web, a questão hoje é: cada vez menos pessoas acreditam nesse chororô de “jornal a serviço do Brasil” e as vendas de jornal estão na sarjeta.

Diante da constatação, o Conselho Editorial da Folha se reuniu e se perguntou: e se tudo acontecesse diante dos olhos da platéia. A troca de figurinos, o trânsito de banqueiros, os acordos políticos, ali, tudo de cortinas abertas?

Como vanguarda jornalística nacional e certo da necessidade da promoção de um “choque de gestão”, o Conselho Editorial da Folha deliberou: A Folha de S. Paulo deixará o marketing da pluralidade de lado e um novo Manual de Redação será redigido.

E o “Painel do leitor” que os assinantes tanto gostam de ler? O Conselho deliberou: considerando a oportunidade de enxovalhar alheios nas respostas, mantido.

O Manual é claro: ao se comunicar com o leitor, principalmente no espaço dedicado às suas manifestações, procure inventar a contradição do leitor e escamotear a sua. Desta forma, sempre agradeça a manifestação antes de considerá-la irrelevante; sempre eleve o respeito do jornal pela opinião divergente antes de deixar claro que o leitor é um mentiroso e cínico.

Outra norma, aprovada pelo Conselho comunica aos jornalistas:

O termo “Ditadura” deve ser substituído por “Ditabranda” (Os termos fascismo e nazismo serão apreciados na seção ordinária do Conselho de março/2009)

O termo “Ditabranda” causou curiosidade em alguns conselheiros. Onde fora citado? Em algum artigo militar? Em algum livro publicado pela TFP? Quem sabe em algum texto dos cortadores de cabeça da PM paulista?

Não, a Folha decidiu que no Brasil a ditadura foi branda e pronto. Mandou imprimir o termo num de seus Editoriais. Dois professores das maiores universidades do país escreveram ao jornal dizendo-se indignados. Oportunidade para o jornal colocar o novo Manual de Redação em prática, respondendo:

(…) sua indignação é obviamente cínica e mentirosa.

Entenda o caso lendo “Ditabranda” para quem?, artigo Maria Victoria Benevides, Carta Capital

Assine a petição em defesa dos Professores e de protesto contra a Folha

Compareça ao Ato Público contra a Folha de São Paulo: dia 07/03, às 10h

Relacionados:
Folha de São Paulo, cínica e mentirosa. Todo o apoio a Fabio Konder e Maria Victoria Benevides, artigo, O Biscoito fino e a massa
Falha de São Paulo, artigo, Apocalipse motorizado
Porque não devemos falar em “Ditabranda”, artigo, Vio o mundo
Ditabranda: o suicídio moral da Folha, artigo, Different thinker
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“Ditabranda”: Marcelo Coelho tenta justificar o patrão, artigo, Escrevinhador
Ato Público contra a Folha de São Paulo: dia 07/03, às 10h, chamado, O biscoito fino e a massa
Folha de S. Paulo: no Brasil não existiu ditadura, mas sim “ditabranda”, imagem, Tudo em cima

Written by panopticosp

março 6, 2009 às 13:34

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