Panóptico

Urnas funerárias

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Outro dia, um conhecido meu sofreu um seqüestro-relâmpago em São Paulo. Seu carro só não tinha insulfilme dentro do porta-luvas -era a sua maneira de sentir-se “protegido” não sei do quê. Os seqüestradores rodaram com ele durante horas pelas ruas mais movimentadas, rindo dos policiais com quem cruzavam pelo caminho. Isolado do mundo pelo filme preto, meu amigo não tinha quem o salvasse. (…)

Para não falar no risco de você estar rodando à noite com um carro desses, todo envelopado, com o som e o ar condicionado ligados – ou seja, incapaz de perceber os sinais que a polícia está fazendo atrás de você, mandando-o parar. Como você acha que eles interpretarão a sua atitude? (…)

No Rio, há dez dias, a polícia suspeitou de um carro parado, de que não se via o interior, e não pensou duas vezes: mandou bala. Dentro dele estava uma criança.

Até há pouco, eu não entendia por que, vistos de fora, carros vedados com insulfilme me lembravam urnas funerárias. Agora entendo.

Trecho de Urnas funerárias (link para assinantes), Ruy Castro, Folha de S. Paulo, 14/07/2008. Todos os direitos reservados.

Written by panopticosp

julho 14, 2008 às 11:53

Publicado em transporte

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Uma resposta

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  1. […] condição dos veículos envolvidos. Mas nada encontrei nos jornais pesquisados. Agora, através do Panóptico, descobri o texto de Rui Castro na Folha (link para assinantes), confirmando a invisibilidade do […]


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