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Informação? Só ferindo privacidade

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Você deseja saber como chegar a determinado local em São Paulo utilizando transporte público. Liga 156. No atendimento automático, disca dois dígitos e a atendente pede seu nome completo e telefone.

– Para quê?
– Para acessar o sistema.
– Eu gostaria de obter uma informação de transporte e não de dar uma sobre mim.
– É para cadastro.
– É obrigatório?
– Não, mas sem o cadastro não posso acessar o sistema.
– Para saber que ônibus pegar preciso dar meu telefone e nome completo?
– É, só assim posso acessar o sistema.
– E se eu não tiver telefone? Não morar em São Paulo?
– É apenas para cadastro.

Com pressa, invento um nome e telefone e consigo a informação. Após o atendimento, sou encaminhado para uma pesquisa: Disque 1, se está satisfeito com o atendimento ou 2, se está insatisfeito.

O acesso a informações públicas é um direito. Exigir documentos, encarecer o processo, utilizar linguagem hermética, enfim, construir impedimentos, é parte da ideologia da sociedade burocratizada para restringir o acesso a direitos.

Exigir dados, cadastrar, estocar imagens, informatizar as atividades do dia-a-dia, acumular sempre mais informações, unificar bancos de dados, construir perfis e analisar comportamentos são as ameaças mais silenciosas da sociedade atual, uma vez que são transvertidas de eficiência administrativa e do curso natural da tecnologia.

Burocratizar e monitorar atividades e, então, punir os indesejados não é mais suficiente. Escanear todos homens e mulheres, organizar toda a informação e conhecer os padrões de comportamento. Analisar as ameaças. Oprimir a ação de atividades que ainda não se realizaram é o ideal de um regime de controle total.

Para chegar num local costumávamos pular num bonde, pagar e descer. Era fácil. Alguns se lembram.

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Written by panopticosp

junho 16, 2008 às 12:45

Publicado em transporte

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4 Respostas

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  1. Valeu pelo comentário e dica na postagem sobre pichação. Sua dica rendeu mais uma postagem. Dá uma olhada lá…

    Abraço!

    Júlio Canuto

    junho 18, 2008 at 18:31

  2. Ontem assisti a um doc sobre os bike messengers aqui em São Francisco. Um deles conta que depois do 11 de setembro todos os prédios da cidade começaram com a paranóia de pedir que eles assinassem uma ficha com nome na entrada dos prédios.

    O cara começou a assinar Al. Q.

    Fez isso centenas de vezes e nunca pegou nada.

    Da próxima vez, pode dizer: Gilberto Kassab e dar o telefone da prefeitura…

    luddista

    junho 30, 2008 at 14:42

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