Panóptico

Nova calçada, velho hábito

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Na primeira foto a calçada antiga; na segunda, a nova. Ambas foram tiradas em frente a faixas de pesdestres. A semelhança entre elas é clara: o desrespeito ao pedestre é o mesmo de sempre.

Durante a reforma das calçadas da Av. Paulista, o pedestre foi obrigado em alguns trechos a passar no meio da obra, em outros a realizar um ziguezague esburacado e incompreensível. Não é uma intolerância nossa a algo que será “para o nosso benefício”, como dizem nas obras. É intolerância à humilhação que a Prefeitura teima em impingir as pessoas com dificuldade de locomoção. Nenhum cadeirante consegue transitar nos trechos em reforma. Os desvios são feitos para pessoas que caminham sem problemas, qualquer pessoa com uma dificuldade de locomoção pequena tem que ficar esperta para não cair num monte de pedra.

Nos trechos onde a obra está completa o resultado é bastante satisfatório. Agora entender o que aconteceu com os pontos de ônibus ainda é um problema. A questão é que a cidade de São Paulo é uma cidade na qual os carros têm um status superior. O cidadão quando está dentro de um carro tem direitos diferentes de quando está fora de um.

Atrapalhar o trânsito em São Paulo é expressamente proibido, legalmente e culturalmente. Se nenhum oficial reprimir e multar, todos os xingamentos possíveis serão dispensados por outros motoristas, porque a cultura paulistana não o permite desrespeito ao tráfego. Há minúcias, parar em fila dupla na porta de escola, na porta do restaurante e em outros locais é tolerado, por exemplo.

Parar no pequeno espaço reservado aos pedestres não gera multa, tampouco manifestações contrárias claras. É quase um direito. É proibido por lei, mas culturalmente permitido. O senso comum diz que a calçada é uma opção quando não se quer ou não se pode atrapalhar o trânsito. Como a regra é não atrapalhar o trânsito, acontece a todo instante. O pedestre se vira, passa no cantinho. Isso acontece numa rua meio isolada, numa calçada pouco movimentada? Não, acontece em todas as ruas, inclusive em avenidas pouco movimentadas e desconhecidas como a Paulista.

Reformar calçadas não muda essa cultura. O cara não enxerga nada, animado com a reforma da calçada, resolve ir tomar um sorvete na Paulista. Segue o piso tátil pela calçada lisinha, admirando o resultado, atravessa a rua rapidamente e dá de cara com um carro-forte.

Vai fazer o quê? Chamar a CET, sabendo que a própria tem o hábito de estacionar nas calçadas? Vai chamar a polícia? O jeito talvez seja bater na janelinha do carro-forte e pedir para o motorista retirar seu carro de dinheiro dali.

Relacionado:
Os caras-de-pau e Kafka sobre quatro rodas, artigo, Apocalipse motorizado

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Written by panopticosp

maio 29, 2008 às 14:08

Publicado em transporte

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9 Respostas

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  1. […] Muita gente ao estacionar desrespeita o pedestre. Tem até gente que adorou as novas calçadas da cidade, porque ficou mais fácil para manobrar. […]

  2. proque vc nao para para ler o que esta escrito no carro forte. ao lado da porta…..
    Este veiculo goza de livre parada e estacionamento….

    olha a lei que esta la e pesquise…. ele pode parar em qualquer lugar que quiser…..

    vilmar

    fevereiro 17, 2009 at 22:16

  3. Vilmar, nenhum veículo pode “parar no lugar que quisrer.” Os que tem estas prerrogativas, as tem em situações específicas (como viaturas que atendem emergências).

    Nem a Prefeitura, que não é grande amiga dos pedestres concorda que os carros-fortes são mais importantes que os pedestres.

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0701200902.htm

    “A prefeitura quer coibir o estacionamento de carros-fortes nas calçadas da Paulista, já que o peso desses veículos provoca rachaduras no piso, principalmente nos trechos de calçada em frente às agências bancárias espalhadas pela avenida.

    As opções dadas pela prefeitura às transportadoras são: parar momentaneamente na própria rua, só para carga e descarga de valores, ou, caso o tempo de parada seja maior, usar as áreas de recuo da avenida.

    O secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, diz que está em estudo ainda uma restrição ao peso máximo dos carros-fortes que circulam na via, o que já foi feito na área central.

    A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) estipula que os carros-fortes não podem estacionar a mais de 50 metros do banco a que vão atender. A prefeitura informa que todos os bancos da avenida contam com uma área de recuo a uma distância inferior à estabelecida.

    A assessoria da Febraban afirmou que a responsabilidade por eventuais danos no piso provocados por carros-fortes é das transportadoras de valores, e não dos bancos. O órgão acrescentou ainda que boa parte desses carros-fortes não atende a bancos, mas a outros tipos de estabelecimento.

    De acordo com a GCM (Guarda Civil Metropolitana), a avenida Paulista é monitorada por carros policiais, motos e cinco câmeras, controladas por uma central que aciona o carro policial mais próximo em caso de algum incidente.”

    panoptico

    fevereiro 18, 2009 at 19:52

  4. […] Nova calçada, velho hábito […]

    • Belo depoimento… se tudo o que disse fosse o que realmente acontece, poderiamos ficar tranquilos com a alternativa apresentada da prefeitura.
      Nosso amigo esta certo em afirmar que os carros fortes gozam de livre parada e estacionamento. Isso eh o afirma o CTB – junto a norma do contram 268.
      Sobre o estacionamento nas calçadas, tal ação já esta terminantemente proibida entre os carro fortes, porem a prefeitura e os agentes da CET podem parar?????????
      Em estudos realizados na avenida paulista, os recuos sitados a menos de 50m dos bancos nao procede (imagine vc atravessando a avenida com 100mil reais nas costas)…. mesmo estacionando em frente ao cliente por alguns minutos, a empresa esta sendo autuada e a quantidade de multas que as empresas deste ramo levam ai na avenida eh absurda… cabendo até a entrega dos pontos na região, pois pagar para trabalhar ninguem merece….
      agora imagina a avenida paulista sem dinheiro nos bancos e nos comercios????????
      complicado!!!!!!

      Skiter

      novembro 24, 2009 at 7:42

      • ola eles tem todos os direitos de pararem onde querem pois são os mesmos que abastecem os caixas eletronicos para este povo linguarudo pegar esta micharia de dinheiros…..PARABENS A EQUIPE DOS CARROS FORTES DO BRASIL…

        LUANI

        novembro 30, 2009 at 23:15

  5. bla ! bla ! bla ! o carro forte pode parar em quantas calçadas forem preciso tem uma lei especifica pra isso n vou falar para que pesquisem seria melhor pra vcs ! quando tiver seu pai la fazendo uma operaçao de risco. vcs que falam mau de carro forte ,quando seu pai ou seu irmao tiver la vcs vao pensar muito antes de dizer abobrinhas !! sou vg carro forte com muito orgulho e estamos na lei

    marcelo dantas

    janeiro 14, 2010 at 19:46

  6. OLA PESSOAL SOU SEGURANÇA DE CARRO-FORTE E QUANTO A DISCUSSÃO DO PESSOAL EM RELAÇÃO SE PODE OU NÃO ESTACIONAR CORROS-FORTE EM QUALQUE LUGAR,A RESPOSTA É:QUANDO O CARRO- FORTE FOR ABASTECER OU RECOLHER NUMERÁRIOS ELE PODE SER ESTACIONADO EM QUALQUER LUGAR,ATÉ MESMO EM CIMA DA CALÇADA PROXIMA DO ESTABELECIMENTO,ISSO PARECE ABSURDO PARA QUEM NÃO ENTENDE DE SEGURANÇA,MAS QUANTO MENOR FOR O PERCURSO DOS SEGURANÇAS DO CARRO-FORTE ATÉ O NUMERÁRIO E O SEU CONSEQUENTE RETORNO MELHOR PARA TODOS,ATÉ MESMO PARA OS PEDESTRES,POIS EM TESE REDUZ-SE O RISCO DE UM COMFRONTO ARMADO,AS CHEGADAS PARA ABASTECIMETO E AS SAIDAS DE RECOLHIMENTO CONSTITUEM O MOMENTO MAIS CRITICO NO TRANSPORTE DE VALORES……..ENTÃO ESTA PRERROGATIVA SE FAZ NECESSÁRIA PARA UMA OPERAÇÃO COM MAIS CHANCES DE SUCESSO.

    samuel pimenta

    junho 12, 2010 at 23:30

  7. E isso ai todo mundo reclama de tudo nessa vida, do transito, da educaçao, da saude e etc…mas e isso mesmo só reclamam e massacram os trabalhadores, mas ninquem toma atitude e cobra dos governantes as medidas cabiveis. Engraçado um caminhao parado a serviço da populaçao é considerado crime etc, agora um carro parado na calçada pro cidadao pegar seu filho na porta da escola ai pode, só Brasil, País onde a lei e multa só se aplica para os trabalhadores. Espero que as pessoas respeitem e entendam cada profissao e profissional de cada setor, um abraço para todos os trabalhadores desse País .

    laser

    dezembro 10, 2011 at 21:05


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