Panóptico

Como gerar notícia

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De vez em quando os jornais precisam de uma “denúncia”. Na falta de interesse em investigar a situação trabalhista dos funcionários de grandes empresas de tecnologia, a Folha Informática, por exemplo, prefere denunciar o óbvio, manter o banho-maria e descolar ao menos duas matérias.

A rua Santa Ifigênia, no centro de São Paulo, é o melhor lugar da cidade para quem quer ou precisa consumir tecnologia. Contrabando para consumo individual, componentes eletrônicos para profissionais.

Na semana passada, a Folha publicou reportagem sobre a venda de Iphones (produto ilegal no país por ter sido modificado nas ruas – desbloqueado). Ilustrava a reportagem a foto de uma vendedora com uma legenda que indicava o nome da loja, na rua Santa Ifigênia. Publicar o nome da loja fotografada não é padrão na Folha.

A legenda anunciava algo. Dias depois a Folha vem com a notícia da blitz da Anatel na rua. Oito telefones foram apreendidos. Notícia relevante, certamente. Esperamos que o caminhão da Anatel tenha dado conta do carregamento ilegal.

Se os fiscais se importassem em serem usados como atores da produção de uma reportagem, teriam economizado gasolina. Talvez, se tivessem baixado na porta de uma agência de publicidade no Itaim teriam encontrado uns 80 celulares. Hoje, provavelmente, todos os publicitários “cool” da capital já tem o seu Iphone (todos eles, claro, são contra a pirataria).

A reportagem da Folha indicou uma loja da rua Santa Ifigênia e obrigou os fiscais da Anatel a ir até lá, o jornal poderia ter indicado o site Folha Shop e tudo ficaria em casa. É possível encontrar um Iphone por R$666 na loja virtual.

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Written by panopticosp

maio 23, 2008 às 11:34

Publicado em mídia

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3 Respostas

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  1. Todo mundo lucra, a loja, o vendedor, o jornal, o jornaleiro, o padeiro, minha mãe, seu pai e a menina que entrou correndo no ônibus pra sentar no lugar vago, sociedade corrompida na vantagem, acabei ficando de pé!!!

    Vélho Indignado

    maio 26, 2008 at 17:13

  2. Ahaha!!! Cara, isso é patético a cada dia que passa tenho mais nojo dessa “grande mídia”. Lá no Estilingão eles tiraram fotos de todos os ângulos possíveis para não mostrar as manifestações nem as favelas.
    Agora será que eles teriam sido tão complacentes se o nome daquele trambolho fosse do Dono do Estadão?

    André Pasqualini

    maio 26, 2008 at 23:47

  3. Pois é, o pior foi a resposta da redação da Folha ao ser questionada por seu ouvidor sobre a complacência atual com o estilingão, quando antes era crítica da obra. Foi algo como: não poderíamos recusar uma homenagem desse tipo.

    Essa mania de dar nome a bombas vai longe!

    panoptico

    maio 27, 2008 at 9:47


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