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Banco de pesquisa sobre saúde bloqueia resultados de buscas por “aborto”

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Traduzímos a notícia abaixo sobre o bloqueio da palavra “aborto” no Popline, um banco de dados sobre saúde mantido com capital do governo dos EUA. Mas antes de publicarmos a notícia, ficamos sabendo via Boing Boing, citando o Women’s Health News, que eles voltaram atrás.

“Eu não poderia discordar mais intensamente da decisão e ordenei que os administradores da Popline restaurem, imediatamente, “abortion” (aborto) como termo de busca”. (Trecho da nota de Michael J. Klag)

Sem a denúncia dos bibliotecários envolvidos, o bloqueio censurador teria passado despercebido. E sem a rápida mobilização de blogs e sites, provavelmente, teria permanecido.

Segue a notícia traduzida amadoramente na última sexta:

Um site de informações médicas mantido pelo governo dos Estados Unidos, que se auto intitula a maior base de dados sobre saúde reprodutiva, discretamente bloqueiou buscas pela palavra “aborto”, ocultando cerca de 25.000 resultados de busca.

O site de busca Popline é dirigido pela Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, em Maruland, e foi fundado pela Agência para Desenvolvimento Internacional dos Estados Estados (USAID, na sigla em inglês), o escritório nacional encarregado de promover ajuda internacional, incluindo fundos para saúde para nações em desenvolvimento.

O banco de dados indexa um amplo campo da literatura sobre saúde reprodutiva, incluindo títulos como “Previous abortion and the risk of low birth weight and preterm births” (Abortos prévios e riscos de nascimentos abaixo do peso e prematuros) e “Abortion in the United States: Incidence and access to services, 2005” (Abortos nos Estados Unidos: Incidência e acesso aos serviços, 2005).

Mas na quinta-feira, uma busca por “aborto” resultava apenas a mensagem “”No records found by latest query” (Nenhum dado foi encontrado para esta última busca). Stephen Goldstein, porta-voz da Johns Hopkins, disse que não se trata de censura e que no momento não poderia comentar.

Sob a política de Reagan, reaviavada pelo presidente Bush em 2001, a USAID rejeitou manter uma organização não-governamental que realizasse abortos, ou que vissasse “promovê-lo ativamente como um método de planejamento familiar em outras nações”.

Um bibliotecário da University of California em São Francisco percebeu a nova censura na segunda, enquanto realizava uma pesquisa de rotina a pedido de acadêmicos e pesquisadores da universidade. O termo de busca vinha funcionado corretamente desde Janeiro.

Perplexo, ela contatou o gerente do banco de dados Johns Hopkins’ Debbie Dickson, que respondeu em 1º de Abril por e-mail que a universidade tinha recentemente bloqueado o termo de busca porque o banco de dados recebou capital federal.

“Nós recentemente bloqueamos todos os termos relacionados a aborto”, Dickson escreveu em nota a Gloria Won, bibliotecária do centro médico da Universidade da California. “Como um projeto de fundos federais, nós decidimos que isso é o melhor no momento”.

Dickson sugeriu outros tipos de estratégias de buscas, como palavras mais obscuras e alternativas para desviar do bloqueio às palavras-chaves. “Além dos termos que você já usou, você pode tentar usar ‘controle de fertilidade, pós concepção’. Este é o termo paralelo para o nosso termo ‘aborto’ e a maioria dos arquivos possuem ambas palavras-chave”, ela escreveu.

Ela também sugeriu usar como estratégia de pesquisa o eufenismo “gravidez não desejada”. Mas as palavras alternativas não satisfizeram os críticos da censura. “A principal função do site deles é a busca por palavras-chave, e se você usa uma frase que contenha a palavra ‘aborto’ ele ignora este”, percebeu que Melissa Just, diretora da biblioteca do Instituto de Pesquisa sobre Câncer e do hospital City of Hope, em Duarte, California. Just acompanhava a conversa numa lista de discussão, e se viu indignada quando se deparou com o insidente da censura.

“Mesmo que você esteja tentando formar um argumento para alguém defendendo que o aborto não é uma boa idéia – quer seja considerando o risco à saúde, ou a preocupação com o bem-estar mental -, você não conseguirá encontrar artigos sobre suas pretensões”, ela diz. “São escluídos ambos os acessos, pró e contra [o aborto]”.

Fonte original: U.S. Funded Health Search Engine Blocks

Written by panopticosp

abril 7, 2008 às 15:38

Publicado em política

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