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A criminalização dos motoboys em São Paulo

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Foto: Luiz. Todos os direitos reservados.

Anda difícil a vida do trabalhador que usa uma motocicleta para ganhar o pão. Como tantos outros, ele leva e traz coisas variadas. A questão é que se o fizesse montado num automóvel de quatro rodas não encontraria pela frente uma blitz policial “só para motos”, não seria proibido de usar o banheiro de algumas rodovias (por seu veículo não pagar pedágio), não seria desrespeitado em rádios de grande audiência, não diriam em grande revista que ele cai sozinho, não veria um colega morto no asfalto a cada 24 horas e não seria alvo de leis malucas a cada semestre.

Se em vez da câmara os legisladores realizassem suas audiências em botecos pela cidade, digamos às sete da noite, boa parte das leis e medidas implantadas sairia para a rua e não voltaria micada, com vergonha. Pouparia os sábios de dar entrevista veemente num dia e no outro dia falar baixinho que talvez volte atrás.

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Na revistinha do rei carro: “…vivem em guerra com os motoristas, são temerários e, quando resolvem protestar, atravancam ainda mais o tráfego de São Paulo” (Imagem via xforum)

Em São Paulo voltou a pauta a proibição da garupa em motos. Dizem que muitos assaltos são realizados por duas pessoas sobre uma moto. Para os legisladores a solução seria simples, proibir todos de usar seu veículo de forma plena. Coisa inteligente, para facilitar o serviço da polícia chuta-se um direito do consumidor e criminaliza-se uma categoria paulistana do tamanho da população de São Caetano, sua vizinha.

A exposição do assunto na mídia não levou a nada, simplesmente porque a mídia é da classe média (motorista de automóvel), vê o motoboy como uma praga e quer higienizar a cidade. O que a mídia chamou de “debate” só reforçou o preconceito ao trabalhador que pára com sua moto no semáforo e vê os vidros do carro do trabalhador ao lado serem fechados rapidamente.

Há cidades em que o capacete não é exigido para que o moto-ladrão seja reconhecido. Idéia de governante de cidade pequena. Em São Paulo já se pensou em escrever o nome, o R.G. e a placa da moto no capacete e num colete especial do potencial infrator. Idéia de síndico que acha que é prefeito de cidade grande, quer que o faxineiro o chame de doutor e não sabe como disfarçar sua fúria discriminatória. É assim toda vez que se fala em segurança e cia na grande cidade, a primeira idéia que surge é perseguir o trabalho e proibir alguém de existir.

Alguém importante é assaltado ou morto por um motoqueiro e logo um representante salta para proibir motoqueiros e motos, mas, claro, toma o cuidado de restringir a limpeza. No Rio, graças ao deputado Pedro Fernandes, foi colocada na mesa, nua, a vontade dos poderosos de varrer os moto-pobres das metrópoles. O projeto de Fernandes pretende proibir que motos com menos de 500 cilindradas carreguem alguém na garupa. Assim, o pessoal que só tem 125 cilindradas no bolso não pode pegar a namorada na saída do trabalho, mas quem tem mais de 500 cilindradas na carteira pode levar a esposa para a praia.

Peculiaridades do direito brasileiro. Cada grupo de brasileiros tem os seus. Juiz manda a imprensa não falar o nome de acusados de agredir prostitutas e diz que sua decisão “independe de raça, profissão ou gênero”; deputado quer proibir garupa para motocas de trabalho e, com certeza, também não tem nada a ver com raça, classe ou profissão. Vivemos em cidades cada vez mais perigosas, sim. A saliva higienista que atualmente escapa das bocas dos governantes é grossa, corrosiva e nojenta; respinga a promoção da exclusão, o incentivo ao desrespeito e a reafirmação de desigualdades justamente naqueles que estão mais desprotegidos e apenas tentam sobreviver. Um conhecido grande perigo.

Com tantos problemas a maioria dos motoboys tem uma situação trabalhista muito pior do que seus colegas que possuem mais que duas rodas: não tem honorário, porque trabalham “na informalidade”, recebem por entrega, por dia, por fora e cia; não tem seguro de vida; não tem convênio saúde; não tem vale-refeição; tiram uns R$700 por mês. Se depois de um tombo ficarem em casa, digamos, duas semanas, recebem zero reais e os gastos médicos são de sua própia conta.

Sim, tudo vai mal, mas estão mobilizados, já levaram 5 mil às ruas e ninguém mexe com eles sem pensar três vezes. Todos os representantes de São Paulo sabem disso.

Relacionados:
como não poderia deixar de ser, vou comentar a nossa matéria que saiu na Veja SP…, artigo, Motoblog
Motoboy, invisível que incomoda, artigo, Panóptico
Motos x carros, artigo, Panóptico
Motos, trânsito, status e mortes, artigo, Panóptico

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Written by panopticosp

fevereiro 9, 2008 às 10:15

Publicado em transporte

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14 Respostas

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  1. Não estou interessado na opinião da mídia. Ela não pauta meus pensamentos e idéias! Se eu fosse pela cabeça dela não seria ciclista!

    Você usando os direitos do consumidor num post deste tipo? Fala sério!

    Você chama o motoboy de trabalhador. Concordo. Mas você também dá a entender que quem anda de carro não trabalha, ou se trabalha tem menos direitos! De onde você tirou isso? Com esta linha de raciocínio você se aproxima daqueles que olham todos os motoboys como criminosos!

    Você acerta quando critica a idéia de jerico do deputado Pedro Fernandes. Se for aprovada só vai privilegiar os playboys!

    “incentivo ao desrespeito” não é exatamente o que acontece ao se permitir que os motoboys façam o que quiserem? Que não arquem com as conseqüências dos seus atos? Que por serem pobres são perdoados de tudo?

    Este ponto em particular é culpa do PFC que vetou, no CBT, o artigo que proibia os motoqueiros de andar entre os carros. Sabe-se lá a serviço de que interesses ele estava ao assinar isso.

    “ninguém mexe com eles sem pensar três vezes” Você acha isso legal? Recomendável? Civilizado? Produtivo ao debate? Você já ficou no meio de uma roda de gente que não ta nem ai se você é inocente? Eu já estive e não é nada bom! E não ajuda em nada a imagem dos motoboys.

    Eu faço minha parte para evitar piorar o transito. Não peço NADA que seja entregue de moto. Escolho as poucas empresas que entregam de bicicleta. Nos outros casos eu não compro ou vou buscar na minha própria bicicleta. Dinheiro meu para incentivar os motoboys a correr, matar e morrer? Nunca mais!

    Abraços ciclísticos!

    arnoudbr

    fevereiro 9, 2008 at 21:00

  2. O fato é que proibir garupas em motos é tão absurdo quanto proibir pessoas de usarem casacos por poderem facilmente esconder armas.

    Quanto à força dos motoboys, ela foi aqui exaltada em sua forma política, acredito. São 5 mil que foram às ruas protestar sem violência, no exemplo dado, não uma multidão enfurecida depredando carros.

    E é o tipo de protesto que, aliás, mostra um pouco do que aconteceria caso proibissem as motos de circular entre os carros. O trânsito de São Paulo já é uma porcaria agora. Imaginem se lançassem (chutando baixo) 200.000 novos carros às ruas de um dia para o outro.

    E, no final das contas, a educação dos motoboys, motoqueiros, motociclistas ou como se quiser chamá-los, é tão ruim quanto a dos motoristas de carros. Teste. Ande em uma estrada à velocidade máxima permitida e conte quantas pessoas pedem passagem, ligam o farol alto, colam na traseira do seu carro. Conte quantas pessoas furam semáforos fechados ou cortam seu caminho de modo perigoso em um trajeto urbano. A única diferença é que, na moto, as conseqüências tendem a ser mais vistosas.

    Quanto a escolher empresas que fazer entregas de bibicleta, tem alguns problemas. Em primeiro lugar, é muito mais lento e, em se tratando de um percurso longo, inviável. Em segundo, bicicletas, individualmente, atrapalham muito mais o trânsito que motos. Coletivamente, idem. Basta se lembrar da proibição de ciclistas na USP. Agiam do mesmo modo que motoboys, se não pior. Batiam na lataria de carros que estivessem no caminho, gritavam e bloqueavam o fluxo.

    No fim das contas, moto é um transporte barato, rápido e eficiente. Eficiente em termos de poluição e trânsito, já que colabora muito pouco para o aumento dos dois. Não é seguro, mas não se pode ganhar todas. Tenho plena certeza de que dirigir um caminhão pelas ruas é também mais seguro que dirigir um carro e, para mim, parece a alusão perfeita.

    Jorge

    fevereiro 9, 2008 at 22:15

  3. Jorge,

    3º parágrafo – Não seria interessante ver como cidades com muitos motociclistas resolveram este problema em especial? E, se for o caso, modificar as soluções para que elas sirvam à nossa situação?

    “bicicletas, individualmente, atrapalham muito mais o trânsito que motos.”

    Interessante sua argumentação. Num momento vc diz que a falta de educação é geral, e com isso defende as leis atuais. Depois você diz que por isso mesmo as bicicletas são piores? Eu ando de bicicleta todos os dias. E te afirmo que as bicicletas ocupam muito menos espaço que um carro.

    Exemplo: http://blogciclourbano.blogspot.com/2008/02/quem-causa-o-trnsito.html

    Se há gente que anda de bicicleta sem educação, vamos educá-las e em depois puni-las se for o caso.

    “[motos são]Eficiente em termos de poluição e trânsito, já que colabora muito pouco para o aumento dos dois.”

    Sugiro que faça seu trabalho de casa melhor. Motos em geral poluem várias vezes mais que os carros! Segundo a CETESB, motos chegam a emitir cerca de 13 gramas de monóxido de carbono por quilômetro rodado contra cerca 0,5 gramas de um carro novo, ou aproximadamente 25 vezes mais.

    Defender o transporte individual de quatro rodas é o fim da picada. Um veículo que multiplica por mais de 10 a massa e área ocupada pelo motorista. É o principal responsável pela poluição. Diretamente envolvido com a degradação do espaço público e da qualidade de vida das cidades. Sem falar nos “acidentes”.

    Carro é um símbolo do século XX. E devia ficar por lá mesmo.

    Enquanto isso não acontece aqui(a europa já está neste caminho), eu sigo de bike. Não poluo, não faço barulho, melhoro meu sistema cardio-respiratório, conheço e desfruto da cidade e muitas vezes chego antes dos carros.

    Abraços ciclísticos!

    arnoudbr

    fevereiro 10, 2008 at 19:09

  4. oi, arnoldbr.

    infelizmente a mídia pauta muitos pensamentos. Qd uma campanha publicitária dá a entender que a mulher é inferior ao homem, quando diz que os indianos podem ficar brancos com um novo cosmético, qd o carro e a cerveja estão a toda hora na TV enquanto milhões morrem nas estradas eu me importo. Se a maior revista do país publicasse uma foto de um ciclista caindo e dissese que eles caem sozinhos e que qd protestam só atrapalham o transito, vc não daria a mínima?

    O direito do consumidor é um direito como outro qualquer. Qd vc compra uma bike e a recebe com o selim rasgado tem o direito de reclamar. Qd o pessoal do speed da telefonica zoa com a sua cara durante uma semana, tem o direito de reclamar. Antes os tramites rolavam por meio de outras leis, as leis especificas para o consumo facilitam a vida de quem toma pau das empresas e do sistema de enganação e enrolação das grandes corporações.

    Algumas profissões são mais perigosas que outras, alguns trabalhadores estão mais vulneráveis que outros. um cortador de cana tem mais chance de ser explorado e cair numa roubada do que um veterinário, certo? Ao defender o cortador não estou dizendo que ele tem mais direitos que o veterinário. No trânsito de SP, infelizmente a raiva predomina e acontece um embate entre trabalhadores, como coloquei “…o preconceito ao trabalhador que pára com sua moto no semáforo e vê os vidros do carro do trabalhador ao lado serem fechados rapidamente”.

    Sobre o “ninguém mexe com eles”, dizia no sentido político, como categoria. Isso é importante num tempo em que o movimento sindical foi absorvido pelas empresas e governos.

    abraços!

    panoptico

    fevereiro 11, 2008 at 11:29

  5. oi. jorge.

    Em muitas cidades a bicicleta é o jeito mais rápido de se chegar a um destino.

    Por incrível que pareça as motos poluem mais que ônibus.

    Defendemos que uma sociedade de transporte não agressivo/poluidor, público e coletivo. Mas, claro, não fechamos os olhos para as mortes de motoqueiros. O governo não pode deixar o deus mercado tomar mandar na cidade e permitir que por conta da pressa e do trânsito as ruas sejam tomadas por acidentes e mortes.

    A sequência de artigos sobre motos tentou mostrar o que acontece em SP quando o carro é obrigado a dividir espaço com outro veículo. Porém, somos contra o transporte individual motorizado, afora quando claramente necessário.

    abraço!

    panoptico

    fevereiro 11, 2008 at 11:54

  6. O colega/leitor Atilio enviou seus comentários por e-mail ao colunista Helio Schwartsman da FSP por ocasião do artigo Mortoboy

    Ao comentar o artigo da FSP, Atilio aborda o tema dos últimos posts deste blog, a exploração do trabalho e os padrões de deslocamentos nas grandes cidades, o papel dos governos e da mídia nestes assuntos.

    Segue abaixo:

    Caro Helio,

    Como sempre, teu ensaio deu o que pensar. Quero
    começar por esse elogio, menos por retórica de
    convencimento do que por simpatia para com tua
    postura.

    Agora, trato do teu argumento a respeito dos motoboys.
    Farei isso em dois momentos. Primeiro, tratando dos
    motoboys em si, depois do aspectos mais abrangente,
    relativo aos transportes públicos.

    Um jornal como a Folha pode e deve entrar no debate
    − de maneira mais firme, mais exigente. E, nesse
    caso, o debate passa pelo antigo tema da exploração do
    trabalho.

    Oras, por trás de cada motoboy, há uma relação de
    trabalho objetiva. Só porque são relações informais,
    não significa que cumpram menos com funções formais. A
    informalidade e a formalidade não estão separadas,
    como deu a entender o modo como tu te expressou. Dessa
    forma, agir nas atividades informais não é mais
    difícil para os governos do que agir em atividades
    formais (pelo contrário, tem sido bem fácil e, não
    raro, violento).

    Celso Furtado, em diversos artigos e passagens, aponta
    para a necessidade de o Estado − em todos os
    níveis − colocar-se como termo do diálogo entre
    os agentes sociais. Sei da inclinação liberal da
    Folha, mas, quando as relações de mercado matam uma
    pessoa por dia, é preciso uma intervenção; legal,
    organizada, discutida, democrática, mas, enfim, uma
    intervenção.

    Ou é melhor que uma pessoa morra por dia?

    Nesse caso, a intervenção deve evidentemente agir como
    freio para a exploração nas relações de trabalho. Do
    modo como a questão está posta no teu ensaio, parece
    que o motoboy está louco para ganhar os centavos a
    mais em cada viagem, quando, na verdade, além do
    motoboy, há outros interessados em viagens rápidas:
    empresas, pessoas etc.

    Conheço bem a perspicácia com que tu sabe olhar os
    diversos matizes das questões. Sei que tu sabe dos
    diversos interesses envolvidos e, talvez, tenha
    pensado nisso quando escreveu o ensaio. Ainda assim,
    salvo engano meu − bem possível −, parece
    que a forma com que tu escreveu tende a nos fazer crer
    que os maiores responsáveis pela sanha de lucro são os
    motoboys.

    Ora, numa relação em que alguém paga com a vida para
    que a relação exista aparece a omissão gritante do
    Estado e fica evidenciado o valor da vida humana numa
    cidade como São Paulo.

    Digamos, Helio, que um jornalista estivesse morrendo
    por dia na cidade. Como agiria a Folha de São Paulo?
    Do mesmo modo que age em relação aos motoboys?

    Não quero que as questões soem agressivas, veja bem.
    Elas, no entanto, são duras, pois, me parece, a
    discussão é séria. Vamos adiante.

    Para além da exploração da mão-de-obra no seu mais
    cruel sentido (a morte), existe outra exploração que,
    em São Paulo, pelos relatos que nos chegam, ganhou
    dimensões dramáticas. É a exploração do espaço urbano
    pelo uso do automóvel (e, portanto, pela minoria
    proprietária de carros e, ainda uma vez, pelo lucro
    das montadoras).

    Helio, é preciso urgentemente que as prefeituras em
    todo o país levantem discussões para diminuir o número
    de carros circulando. É um papo já antigo, mas os
    espaços urbanos podem ser espaços de convivência e não
    simplesmente espaços de passagem.

    O modo de ver a cidade que favorece a circulação por
    automóveis é um modo de percepção autoritário e
    predatório. Em teu ensaio, tu citou − por uma
    voz que não era a tua e estava rebaixada por certa
    ironia (como todas as outras, inclusive a tua própria,
    no que o texto é bem sucedido) − a idéia dos
    transportes públicos.

    Oras, essa idéia não se resolve com uma ironia. Ela é
    interessante, complexa, cheia de argumentos e
    contra-argumentos. É preciso que prefeituras, estados
    e Federação construam sistemas de transporte público
    sempre mais complexos e integrados. Mesmo porque, o
    direito de ir e vir nas cidades brasileiras está
    ligado diretamente à capacidade de circulação de
    dinheiro que determinado indivíduo possui. Me parece
    uma canalhice defender − mesmo que fosse numa
    sociedade em que todos fossem endinheirados −
    que a pessoa circule na mesma proporção que seu
    salário vá circulando. Se estamos numa democracia, é
    uma aberração que a minoria possuidora de automóveis
    tenha o maior espaço da cidade construído para si. E
    que todos paguemos por isso, não apenas
    financeiramente, mas com nossas vidas e com cidades
    poluídas, empoeiradas, barulhentas, cinzentas,
    perigosas etc.

    Assim, o transporte público é uma das medidas a serem
    tomadas e planejadas. Ela demora talvez uma década
    para ser implementada, mas deve ser implementada e
    discutida e rediscutida constantemente. E, para que
    haja transporte público, é preciso que os governos não
    incentivem − pois o fazem, inclusive com
    incentivos fiscais − a fabricação de automóveis,
    nem sua circulação.

    panoptico

    fevereiro 13, 2008 at 12:31

  7. Eu gostaria de esclarecer dois pontos:

    Não disse que bicicletas atrapalham mais que motos por causa da falta de educação dos ciclistas. É por causa da incapacidade de se ajustar à velocidade dos carros, a menos que esteja sendo conduzida pelo papa-léguas. Devem ficar à direita, coladas à guia, e em grande parte das vias não há espaço para um carro efetuar uma ultrapassagem sem invadir a faixa vizinha, o que provoca um efeito devastador no trânsito. Felizmente isso é muito incomum pela ausência de ciclistas, mas se houvesse a mesma quantidade de bicicletas que há de motocicletas, haveria também muitas reclamações. Vide USP.

    Quanto a motos poluírem mais que carros, isso é outra generalização. Uma moto maior de quinhentas cilindradas polui quase o mesmo que um carro, segundo a pesquisa do Ibama. E isso se faz levando em conta tanto as motos mais coerentes quanto as gigantes ainda carburadas. Jogadas no mesmo patamar como seriam jogados um Palio, uma Ferrari e um caminhão-pipa. O que acontece é que as normas de emissão de gases são muito mais severas para carros. O que estão fazendo aos poucos, agora, e já deveriam ter feito, é apertar o cerco em cima das montadoras de motos. Elas não estão preocupadas em reduzir a poluição, estão preocupadas em vender um produto que seja percebido como bom. E um motor que não precisa se preocupar com a poluição que gera é mais barato e tem melhor desempenho, ou seja, só bônus para quem as produz e quem as compra, aparentemente.

    Outro aspecto não considerado é que um carro, em são paulo, leva mais de 200% do tempo de uma moto para chegar ao seu destino. Esses testes de poluição são feitos tendo em mente trânsito livre, não um carro parado por mais de duas horas na Av. dos Bandeirantes numa sexta-feira à tarde. Mesmo descontando os engarrafamentos colossais, ainda assim um carro é forçado a parar ou reduzir muito mais freqüentemente que uma moto. Então na tabela é uma coisa, mas em regime normal de uso as coisas mudam de figura.

    Quanto ao transporte individual, creio que seja muito útil. Em São Paulo está longe de ser a melhor opção justamente pelo uso excessivo, mas em São Paulo o transporte público é uma opção ainda pior. Só o que se salva é o metrô, que deveria ser mais barato.

    Jorge

    fevereiro 18, 2008 at 13:35

  8. Ok Jorge, então não vamos generalizar: as motos de mais de 500 cilindradas, que são uma minoria, poluem quase o mesmo que um carro. Que ótimo! 🙂 Então podemos desconsiderar todas as outras, né? Ou poderíamos dizer que, na média, elas continuam poluindo mais que os caminhões, também na média? 🙂

    Willian Cruz

    fevereiro 26, 2008 at 16:09

  9. […] Ano eleitoral. Resolveram brincar com o fogo da macroeconomia. Deixaram os entregadores de mochila e capacete quietos (por enquanto) e decidiram mexer com os entregadores de chinelo e camiseta regata para não […]

  10. […] depois de perseguir carroceiros, de brincar com a rotina dos motoboys, de exigir que os usuários de transporte público paguem adiantado pelo serviço, de ignorar […]

  11. Perfeito, e claro, polêmico. Nem vou ler os outros comentários, cada um defende o seu meio de transporte, caminhoneiros se acham mais fortes, carros se acho mais importantes, motos acham que tem prioridade absoluta, e bicicletas se acham a solução de todos os problemas (tudo mito).

    engraçado que nas cidades onde o transito é um caos, os carros não tem como se mexer (no congestionamento que eles mesmos causaram) e aproveitam o tempo para reclamar das motos que estão passando livremente, mas nas rodovias eles querem mostrar todo o poder e fazem com os caminhões as mesmas coisas que as motos fazem com eles na cidade. se o limite é 120 e tem um caminhão na minha frente a 80, eu vou andar a 140 e ultrapassar em faixa continua ou pelo acostamento mesmo!

    que atire a primeira pedra quem nunca cometeu pecado e deixe os trabalhadores em paz!

    e não vai ser perseguindo os motoboys que vai acabar com o problema da insegurança na cidade

    thiago

    outubro 2, 2008 at 20:42

  12. […] de renda, a moto rapidamente foi eleita a culpada por acidentes. Logo, assaltos ligeiros em motos foram parar na conta de todos os trabalhadores do ramo. As mortes diárias dos motoboys, entretanto, demoraram anos para serem percebidas e ainda hoje […]

    • Tenho uma Empresa de Motoboy http://www.aluguemotoboy.com.br/ e não vejo uma evolução em atenção a classe de Motoboys, pelo contrario, o que vejo é uma espécie de despejo de culpa, o caos do transito é culpa do Motoboy, o aumento de acidentes, é culpa do motoboy e até a poluição é culpa do Motoboy….

      Julio Cesar

      novembro 3, 2011 at 17:04

  13. […] de renda, a moto rapidamente foi eleita a culpada por acidentes. Logo, assaltos ligeiros em motos foram parar na conta de todos os trabalhadores do ramo. As mortes diárias dos motoboys, entretanto, demoraram anos para serem percebidas e ainda hoje […]


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