Panóptico

Não assassinar, uma das vantagens de não dirigir

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Não se deslocar de carro tem muitas vantagens. Menos poluição e trânsito, no caso do uso do transporte público; zero poluição, no caso das caminhadas, pedaladas e cia; maior rapidez entre um ponto e outro, no caso do uso da bicicleta…

Quando você pára de dirigir, outras vantagens vão se somando, você economiza dinheiro, fica um pouco menos estressado, agressivo e apressado…vária, para mim por exemplo, poder escutar música e ler no trajeto do ônibus estão entre as principais.

Quando você não anda de carro por muito tempo, e entra num, fica meio assustado e com medo. É este medo que vai se diluindo no dia-a-dia do motorista e dá aquela confiança no volante, que faz parte das estatísticas de mortes no trânsito. O dia-a-dia no volante, a cultura do Santo Carro e uma legislação que considera “acidentes” todas as tragédias envolvendo motorizados escamoteiam, senão apagam, o medo de um dia vir a tirar a vida de um semelhante.

“E se um dia eu atropelar alguém?”, “e se eu matar uma criança que corre atrás de uma bola?”, são perguntas que não nos fazemos depois que alguns anos ao volante, é um assunto que não está “na provinha para tirar carta”.

Além da menor chance de ser assaltado e morrer num semáforo enfadonho qualquer, não dirigir traz a tranqüilidade transcendental de saber que nunca matará alguém “sem querer”.

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Written by panopticosp

novembro 14, 2007 às 11:31

Publicado em transporte

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5 Respostas

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  1. […] tensas de alegria imbecil. Afinal, um carro é um acidente procurando algum lugar para acontecer. Não assassinar, uma das vantages de não dirigir This entry was written by luddista and posted on 14 de Novembro de 2007 at 16h31 and filed under […]

  2. Esse medo eu tinha quando dirigia e uma vez quase se tornou real: há muitos anos eu vinha dirigindo por uma rua tranqüila, quando de repente uma menina surgiu dentre os carros estacionados. Eu pisei no freio e apertei a buzina – e acho que se não fosse por esta última eu não teria conseguido evitar uma tragédia que teria me marcado para sempre. Por isso eu me sinto muito melhor não dirigindo – mesmo que na minha bicicleta eu quase tenha atropelado uma pessoa, por distração. Isso, essa possibilidade de nos tornarmos não apenas “vítimas” como “causadores” de morte é que torna socialmente mais “aceitáveis” os crimes de trânsito, em comparação com os outros tipos de crime. É uma discussão que é essencial de se aprofundar. Parabéns pelo blog.

    Henrique

    novembro 20, 2007 at 11:12

  3. Oi, Henrique, muito legal seu comentário.

    Pois é, me veio à cabeça a paronóia norte-americana com especificações anti-acidentes “retire o bebê do carrinho, antes de dobrá-lo” e tal, por aqui temos o “verifique se o elevador está no andar antes de entrar”.

    Esses avisos retratam como os acidentes são vistos como um erro do usuário e não uma possibilidade da vida que pode ser mais ou menos agravada pela responsabilidade das empresas em evitá-los.

    Os acidentes são simplesmente vistos como obstáculos para as empresas; eles entram, como outros obstáculos, na lógica da sociedade burocrática.

    Nesta lógica a vida vale menos que o capital, um aviso “fumar causa câncer” evita processos, otimiza o lucro, e pronto. Mesmo diante da constatação que milhões de pessoas foram incentivadas ao vício e que milhões morreram sem conseguir deixá-lo, mesmo querendo fazê-lo, o governo lava as mãos junto com as empresas.

    Se eu correr com uma faca em punho pela calçada e alguém bater em mim, isso provavelmente vai machucar. Provavelmente serei julgado culpado pelas pessoas a minha volta e pelo juduciário. Por que posso correr com um carro pesado pela rua, se se eu bater em alguém essa pessoa vai se machucar gravemente?

    Por que os representantes das pessoas – que não nascem com quatro rodas – se cala e continua incentivando que a rua seja um lugar arriscado para se estar?

    abraço!

    panoptico

    novembro 23, 2007 at 19:28

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