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Jogo do trânsito

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O trânsito não é só carros. Existem outros veículos tentando circular pela cidade e quebrar o domínio dos automóveis.

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Imagem: Brug Hovedet.nu

Em São Paulo, ônibus trafegam segregados em corredores “especiais”, caminhões em horários e avenidas determinadas. Claro, os corredores de ônibus foi uma conquista, mas estas medidas só existem porque quem domina e manda nas ruas são os carros. Considera-se uma conquista justamente porque se conseguiu reservar parte do espaço público para os veículos públicos, deixando os veículos individuais em faixas separadas.

Não haveria necessidade de cotas para mulheres, negros ou portadores de necessidades especiais caso a sociedade já os considerassem cidadãos da mesma estatura social que homens brancos, que dominam e comandam os postos de trabalho.

As medidas disciplinatórias do trânsito partem da visão do motorista do carro particular. A diferença do racismo, xenofobia e outros preconceitos é que ele não é velado, em geral, no trânsito de São Paulo, é ódio declarado. Os motoristas odeiam os carroceiros, as motos, os caminhões e até outros carros. Todos estão lá para atrapalhar o trânsito, a fumaça do caminhão, o ônibus na faixa da esquerda, o semáforo de pedestres…é tudo um absurdo, quem eles pensam que são.

Vira e mexe temos espetáculos midiáticos como o prefeito de máscara inspecionando a fumaça dos caminhões, o anúncio de corredores preferenciais para motos, a exigência de coletes e baús com a placa do veículo para motociclistas (já se tentou até proibir a garupa na moto). Num mundo de carros, todos outros veículos são vilões: os caminhões poluem, os ônibus são muitos e congestionam, as motos quebram retrovisores de carros e são a montaria preferencial para assaltos, e as carroças atrapalham a fluidez do tráfego.

E as bicicletas? Estão na mesma disputa. Procuram um espaço para circular. Obviamente, motoristas de caminhões e ônibus contam com uma armadura pesada de metal, assim como os carros; os motociclistas têm motor, mas o pára-choque é ó próprio joelho. É uma disputa por espaço desleal, portanto. Uma guerra injusta. Pedestres e ciclistas são os combatentes mais expostos ao perigo. Os pedestres não têm nada e o negócio é medir o perigo antes de se impor ao atravessar a rua diante de um motor de 120 cavalos-16 válvulas. Os ciclistas estão no meio das feras, têm um capacete, um pedal, prudência e técnica.

É uma disputa arriscada. Os jogos de videogame de carros são fáceis, pois você bate, atropela, arranha, mas continua no volante, vivo, para os ciclistas o jogo não é tão divertido.

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:: Começe o jogo virtual aqui ::
Imagem: Brug Hovedet.nu

Relacionados:
Usar ou não o capacete, artigo, Pedaleiro
Capacetes e Segurança, artigo, Blog Transporte Ativo

Written by panopticosp

novembro 7, 2007 às 10:43

Publicado em transporte

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Uma resposta

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  1. Qualquer longa distância
    Ainda é pouco pra quem corre
    Tampouco se preocupa
    Com quem anda
    Passeiam em naves
    Extraterrestres da cidade
    Engravatados ou não
    Hábitos comportados
    Movimentos e diálogos ensaiados
    Com um copo d’agua sobre a mesa
    Ditas com tranquilidade
    As palavras dissimulam a frieza
    Desrespeito à pobreza
    Subestima o intelecto marginal
    Que muito nobre, cobre
    De incertezas o bem e o mal…

    Analfabeta Banguela

    novembro 8, 2007 at 20:35


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