Panóptico

Memórias de um autodidata

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Foi uma época franciscana na minha vida, não por querer, mas porque eu era duro, porque trabalho num jornal de sete da manhã ao meio dia, fazia tudo, desde varrer jornal, mexer um pouco na revisão (…)

Sei que dava para o seguinte: dava para almoçar no SAPS, que era no Anhangabaú, e jantar média e pão com manteiga, com muita dignidade. Até me lembro uma vez que estava na rua Marconi, estava o Fúlvio Abramo perto de mim e a Radah. Ela era uma boa moça, ela sempre teve vocação de grande senhora. E eu estava lá, tomando a minha média, um pão com manteiga e o Fúlvio disse: “Pô, mas é só isso?” Eu falei: “Esta é minha janta, numa boa”. Ela me olhou e não queria acreditar.

Tinha tempo para poder estudar, para poder ler. É nesse sentido que a biblioteca municipal foi a minha outra universidade. O Florestan fazia supletivo e freqüentava a biblioteca. Na época, ele já tinha deixado o trabalho de garçom no Pingüim, mas a gente freqüentava porque a comida era barata, e ele garantia uma parte do valor pra gente.

Entrevista de Maurício Tragtenberg cedida a Sonia Marrach IN MARRACH, Sonia Alem (org). Memórias de um autodidata no Brasil. Escuta-UNESP, São Paulo, 1999.

Aos interessados, a editora Faisca lançou recentemente A Revolução Russa, de Maurício Tragtenberg

Technorati tags: autodidatica.

Written by panopticosp

maio 16, 2007 às 21:07

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