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Prefeitura de SP disponibiliza geoinformações

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Infolocal

Uma das maiores dificuldades dos pesquisadores é encontrar dados regionais das cidades estudadas. Em São Paulo são muitos dados a disposição, mas dados gerais (não regionais). Numa cidade com condições de vida gritantemente diferentes, trabalhar com dados do munícipio como um todo é dar com os burros n’água. Dados sobre o abastecimento de água encanada, por exemplo, são muito modificados com a região de Parelheiros e Marsilac no bolo. É aquela história da média: eu como dois frangos por dia, meu vizinho nenhum, na média a população come um frango e, portanto, vive bem alimentada.

A cidade quase 11 milhões de habitantes já foi fatiada de diversas formas. Desde 2000 são 96 distritos. A análise distrital permite sacar vulnerabilidades, concentrações e, claro, planejar políticas públicas focadas.

O IBGE fornece uma enorme quantidade de dados através da ferramenta Cidades@, mas não os fornece segundo distritos municipais.

A Fundação SEADE era a única fonte confiável de dados distritais a disposição, seus pesquisadores elaboraram diversos estudos, como o Índice Paulista de Vulnerabilidade Social; e seus dados são manipulados por diversos núcleos, como NEV e CEBRAP, este formulador do chamado Mapa da Exclusão de São Paulo. O SEADE também tem uma ferramenta que permite referenciar em mapa os diversos dados selecionados. A questão é que o sistema fica quase limitado a pesquisadores, pois sua linguagem é, digamos, demográfica e cheia de recortes pela situação x, y e z (são eles que interessam, afinal)

Vi no W2BR sobre o sistema implantado pela Prefeitura de São Paulo. O Infoloc@l utiliza a base cartográfica do ignorante Google Maps, que permite a visualização de fotos de satélite e de ruas.

A ferramenta é muito bonita, dinâmica, bem feita e, principalmente, fácil de usar. O que mais me impressionou foi a possibilidade de clicar sobre o dado adicionado ao mapa e verificar facilmente endereço, telefone e outros.

Os dados disponíveis para referência em mapa são bem poucos. Quase nada. O que não parece um problema, pois trata-se de uma versão de teste, portanto, imaginamos que ele ainda será bem abastecido. O problema principal do Infoloc@l na parte cartográfica são os dados com que é abastecido. Eu não encontrei a referência das fontes, ou seja, quem coletou as informações e garante sua veracidade; não encontrei a metodologia de coleta, ou seja, como foram coletadas; e não encontrei quando foram coletadas. São informações básicas para se utilizar um mapa, se não posso verificar se concordo com o modo como as infos foram coletadas, não posso utilizadas em meu trabalho.

Segundo a prefeitura,

Todas as informações do Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estão acessíveis pelo Infoloc@l, que também conta com um sistema de busca por palavra-chave. A proposta é facilitar o acesso a informações cadastrais, estimulando o conhecimento da cidade por meio de estatísticas georeferenciadas.

O que não se sabe é quais são as informações do IBGE e quais não são. Parte das informações certamente são da própria prefeitura. Cada Secretaria repassa suas infomações, as infos sobre escolas são fornecidas pela Secretaria de Educação e assim por diante. Aí que pode morar o problema, você pode estar olhando para um mapa com dados de 2000 (equipamentos de cultura, por exemplo) e outro de 1990 (escolas, por exemplo) achando que pode compará-los. Além disso, é bom lembrar dos casos em que divisões públicas-politizadas, como Secretarias, foram acusadas de categorização errada (vide dados sobre mortes violentas), desatualização, ocultação de dados politicamente desvantajosos e a inflação de dados vantajosos.

Como o público-alvo não é o pesquisador, não é preciso detalhamentos mil, mas o acesso claro à fonte é o mínimo. Diferentemente do que acontece nos mapas a parte de tabelas mostra a fonte, geralmente “SEMPLA/DIPRO”. A questão é que a SEMPLA na imensa maioria dos casos, gerencia dados, não os coleta. Sobre a usabilidade, na hora da montagem da tabela, não tem muito jeito, tem que saber mais o menos o que é uma variável na coluna, categoria, seguimento…

Segundo a prefeitura“, as bases de dados serão atualizadas periodicamente neste Sistema de Informações Geográficas (SIG), criado em 2002”.

Abaixo, podemos observar a forte concentração de equipamentos de cultura na região do centro expandido da cidade. A região da cidade mais adensada é a Leste e, como vemos, uma das mais carentes desse tipo de equipamento. A região Leste, porém, em relação a parte pobre da região Sul, tem mais facilidade de acessar estes equipamentos, por conta de outro equipamento fundamental, o metrô. Um cuidado aqui, pode-se ver que a maioria dos equipamentos são bibliotecas infanto-juvenis, seu acervo é muito pequeno e funcionamento é desconhecido, portanto… sempre deve-se considerar informações “qualitativas” na leitura de dados “quantitativos”.

Equipamentos de cultura e estações do metrô em São Paulo

Relacionados:

O que é Sistema de Informações Georeferenciadas – SIG
Estatísticas gerais do munícipio de São Paulo
Secrataria de Municipal de Planejamento de São Paulo – SEMPLA

Technorati tags: geoprocessamento, infolocal

Written by panopticosp

fevereiro 1, 2007 às 18:47

Publicado em política, transporte

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