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Cansado de esperar?

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Do painel ao fundo: “Chega de esperar. Agora você pode ter uma honda pop 100″

O que anunciar na estação de trem mais movimentada de uma das maiores cidades da América?

Transporte privado barato, claro.

Chega de esperar? A Honda apela ao sofrimento de quem usa tranporte público diariamente. Tira de otário o cidadão que feito sardinha demora duas horas para chegar em casa.

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Coisa de oportunista sem senso de respeito, atitude condenada entre os grupos humanos no Brasil. As empresas, porém, parecem disfarçar bem seus ataques a simplicidade da vida do trabalhador de postos menos remunerados.

Cansado de esperar? Claro, todos estão cansados de esperar um trem lotado que não tem horário certo e que tem guarda socando com pilão as pessoas para poder fechar a porta do vagão.

A Honda joga seu jogo, sua publicidade é auto-regulamentada. O governo deveria jogar outro jogo, controlar os ataques das empresas ao dia-a-dia do trabalhador que não torna a vida na cidade impossível e defender os sistemas construídos pela sociedade para seu o conforto coletivo.

Afinal, de que adianta campanha chatinha de estimulo ao uso do transporte público se painéis gigantes de produção moderna e apelo “cansado de esperar?” estão na maior estação da CPTM?

Nos jornais de grande circulação estão estampados condomínios de “alto padrão” e SUVs; nas estações de trem e ônibus e jornais gratuitos estão anuncios de motos com prestações baratas seduzindo a todos com “o seu dia chegou”, “você não vai mais precisar passar por isso para chegar ao trabalho”.

Relacionados:
Motos, trânsito, status e mortes, artigo, Panóptico
Bilhete Único privatizado e poluído, artigo, Apocalipse motorizado


2 comments Novembro 28, 2007

SUVs, veículo pessoal de destruição em massa

porche_tank.jpg Imagem: topspeed.com

Apesar dos acidentes retratados à época em artigos e charges de humor e protesto, no início do século passado, São Paulo não sabia o que era perigo no trânsito. De vez em quando um usuário se machucava ao desembarcar do bonde, um veículo à tração animal era acertado pelo bonde elétrico, os pedestres tinham que dar uma olhada para os lados antes de atravessar… e era isso.

O lobby da indústria automobilística chegou e o bonde ficou na história e o trem ficou ao relento. Caso estes elétricos não tivesse sido ignorados e os Santos Chevrolet, Ford e Volkswagem louvados, São Paulo hoje seria uma outra cidade, mais humana, mais limpa, mais rápida e bonita.

…você ia pegá-lo na esquina, ia ao centro fazer alguma coisa e uma hora depois já poderia estar de volta, contou Fernando Maia de Marsillac, em maio de 2002. Fonte: Bonde de São Paulo.

Para longas distâncias os veículos terrestres mais eficientes são os trens elétricos e os veículos à combustão. O formato individual deste último, porém, em cerca de cem anos já mostrou-se inviável, seu custo ambiental, num mundo moderno - onde mais de 50% da população vive em cidades -, é alto demais e não pode ser pago, caducou.

hummer_h2.jpg Imagem: Wikipedia

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Imagem: Alliance Against Urban 4×4s

A luta pelo transporte coletivo e pelo direito de ir e vir com segurança e rapidez, passa necessariamente pela valorização do pesdestre e dos veículos à propulsão humana. O combate aos “avanços” do transporte individual movido à combustão, que aparecem em forma de SUVs, sports e até green cars precisam ser desmascarados diariamente, da mesma forma com que nos são apresentandos diariamente como novidades.

Relacionados:
Passe por cima dos outros seres, dirija um tanque de guerra, artigo do Panóptico
Alliance Against Urban 4×4s, em inglês
Suvcity, The Film, em inglês
Cobrador: In God We Trust, filme ficção onde um dos personagens tem o “fetiche” de perseguir, atropelar e matar com seu SUV

Bloggers Unite - Blog Action Day


2 comments Outubro 15, 2007

Eventos coletivos e Transporte coletivo

Roskilde, o maior festival do norte europeu. A maioria das pessoas não foi de carro e aceitou (diante do caos motorizado meia hora antes do início do show) estacionar na calçada de uma loja fechada, não deixou R$10 adiantados com o flanelinha, tampouco ficou uma hora na fila de um estacionamento, R$20, que não passa de um terreno baldio a 1,5 km de distância do show.

No Brasil, pensar em muitas pessoas indo de bicicleta a um grande evento é uma realidade que pode estar próxima, pensar em muitas pessoas que se quer trancam sua bicicleta no bicicletário, é coisa muito, muito distante.

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Foto de Jane Lea, em Pitchfork

Em SP a conta da mobilização para organizar as pessoas que dirigiam seus carros para grandes eventos ia para todos - para os que não foram ao evento, não foram consultados sobre e não têm carro. Decidiram, então, finalmente, mandar a conta para o organizador do evento, geralmente, uma grande corporação, como a TIM Celular. Quem tenta organizar a bagunça é a CET, uma empresa de “engenharia de tráfego”. O negócio dela são os carros; ônibus e o tráfego da maioria é outro departamento (SPTrans, Metrô, CPTM). São Paulo pensa assim, cada qual com a engenharia que não merece. Dividem o mesmo espaço, uns poluem mais, outros menos, uns viajam sentados, outros em pé e pensar no bem-estar de todos é coisa fora de pauta, “o trânsito de carros precisa fluir”.

Transporte coletivo noturno é inviável, não há demanda suficiente para o lucro das empresas, argumentam. Talvez nunca tenham pensado que transporte não é negócio ou que não existe demanda sem uma sugestão de oferta. Não é porque poucas pessoas do Jardim São Luís vêm para eventos na Pompéia que a demanda é pequena, é que a inexistência de transporte adequado para este destino simplesmente faz com que esta possibilidade seja desconsiderada.

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Foto de Jane Lea, em Pitchfork

Afterward we went to a couple restaurants, wandered the brick streets, noticed that everyone in Copenhagen has a bike that nobody seems to lock when not using, and forgot to check out Christiania, the communal “self-governing” neighborhood in the city (i.e. pot brownie central).

Fonte citação: Roskilde Diary: Wednesday [Brandon Stosuy]

Technorati tags: bike, roskilde.


Add comment Julho 8, 2007


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