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Investindo no futuro


Foto: China Photo Press. Todos os direitos reservados

Os novos uniformes escolares desta escola chinesa falam por si.

Expor propaganda de cigarro no peito de crianças é proibido no país onde você fabrica seu produto? Faça-o na terra da promessa de expansão do capital.

Uma nuvem de fumaça alarma cidades de um pequeno país onde vivem bilhões de pessoas? Patrocine uniformes escolares hoje e venda carros e combustível enquanto o amanhã existir.

Via Marlboro Sponsors Children’s School Uniforms (em inglês)
Relacionado:
Ocidente é em parte responsável pela poluição da China, artigo, Ecologia Urbana


1 comment Agosto 28, 2008

Recomendação da Fiat para o fim de semana

A auto-regulamentação publicitária é uma maravilha.

Numa reunião você e seus colegas publicitários decidem criar um código de conduta para “evitar excessos”. Decidem, por exemplo, que:

Não se permitirá que o anúncio contenha sugestões de utilização do veículo que possam pôr em risco a segurança pessoal do usuário e de terceiros, tais como ultrapassagens não permitidas em estradas, excesso de velocidade (…)

Escrevem uma série de outras normas. Toda vez que o Estado, zelador dos interesses do cidadão, questiona os anunciantes e afirma que determinadas propagandas causam dano à sociedade, os auto-regulamentados gritam contra a “censura prévia”, afirmam a democracia e reclamam liberdade criativa.

Querem que acreditemos que VELOCIDADE é apenas um recurso criativo dos anúncios e não tem nada a ver com dirigir um automóvel em alta velocidade. Afinal, o recurso de associar emoção, perigo, velocidade e poder ao automóvel, nunca foi usado para vender carros.

Para poupar os auto-regulamentados, já vamos deixar a resposta que nos dão toda vez que são questionados: numa democracia os cidadãos são livres para escolher seus produtos e decidir como usá-los. A peça em questão se refere à velocidade de atendimento da instituição bancária. Os censores de plantão enxergam excessos em todas as obras, isso é censura e não podemos permitir isso num país como o Brasil.

Relacionados:
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Add comment Agosto 23, 2008

A publicidade me criou


Foto: David Reverchon. Alguns direitos reservados

O transtorno do comprar compulsivo é uma condição crônica e prevalente encontrada ao redor do mundo, que divide características comuns com transtornos do controle do impulso. Em amostras clínicas, mulheres perfazem mais de 80% dos sujeitos. Sua etiologia é desconhecida, mas mecanismos neurobiológicos e genéticos têm sido propostos. O transtorno apresenta altas taxas de comorbidade com transtornos do humor, abuso de substâncias, transtornos alimentares e transtornos do controle do impulso.

Os compradores compulsivos tiveram significativamente mais depressão recorrente, transtorno bipolar, cleptomania, bulimia, tentativas de suicídio e abuso de benzodiazepínicos. Os indivíduos com TCC mais grave foram mais propensos a ter comorbidades dos Eixos I ou II do que os que possuem formas menos graves do transtorno.

Compras compulsivas: uma revisão e um relato de caso, artigo, Hermano TavaresI; Daniela Sabbatini S LoboII; Daniel FuentesIII; Donald W BlackIV IN Revista Brasileira de Psiquiatria (link via Agência FAPESP)

*****

A publicidade precisa derrubar qualquer obstáculo à credulidade total, impedindo o exercício do senso crítico. Para tanto, utiliza extensas metodologias pseudocientíficas de persuasão, baseadas na semiótica e na psicologia

A alma do negócio, artigo, Guilherme Scalzilli IN Le Monde diplomatique

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Artigos sobre publicidade no Panóptico


2 comments Agosto 1, 2008

Quem precisa de transporte público?

Mecânicos, motoristas de guincho, taxistas, motoristas de ônibus, bilheterios de trem. O que estariam fazendo todos eles num comercial de carro?

Os comerciais de carros não são aqueles filmes em que um carro desliza velozmente por uma estrada cheia de verde, uma praia moderna, uma cidade tranqüila?

Estes cenários são usados para, primeiramente, claro, deslocar o carro do ambiente degradado por ele próprio. Primordialmente, são usados para posicionar o potencial comprador como alguém melhor: mais moderno, mais bonito, mais sensual, sofisticado…

Mecânicos e motoristas não são profissões almejadas. Mais que profissões desvalorizadas pelo mercado, são trabalhos realizados por pessoas descriminadas socialmente. Não são o “tipo de gente” que as mães sonham ter como genro. São pessoas sem valor.

Quando estas pessoas são úteis? Quando “precisamos”, quando não há alternativa. Como a canção em inglês diz: “você precisa de mim”. O carro quebrou, não sabe consertá-lo; não tem jeito, vamos apelar para aqueles seres sujos. O carro está na oficina, a alternativa é o táxi. O carro está na oficina e sem dinheiro, o jeito é tomar um ônibus junto com o “povão”.

Eles também são úteis como selvagens. Em novelas e filmes expressos: o mecânico sensual, o motoristas de guincho primitivo, o taxista terrorista árabe. Mas este é outro capítulo da mesma história. Na propaganda em questão, eles são úteis como para mostrar com destaque como são os perdedores. Para lembrar o público-alvo do comercial quem é o cidadão comum, aqueles que não possuem carros. Relembrar qual a aparência destas pessoas. Homens gordos, com uniformes antigos, roupas fora de moda, que usam bonés e luvas, fazem gestos bobos e têm trabalhos comuns demais.

O detalhe da presença dos bilheteiros de trem e motoristas de ônibus fecha o pacote. Quem são as pessoas que precisam e usam transporte público? Pessoas que o espectador não quer ser, claro.

O garoto que assiste ao intervalo comercial quer se parecer com aquele jovem bonito, descolado e cheio de garotas; o senhor se vê como aquele executivo elegante num carro poderoso, o pai de família sonha com uma viagem familiar por uma estrada tranqüila.

Imagens ideais como estas nos são mostradas todos os dias. Como podemos perceber pelo estado das cidades de todo o mundo, dão certo. Mostrar-nos o que não gostaríamos de ser, lembrar-nos o que sobra depois que são separados quem têm carro de quem não têm. Lembrar-nos quem é o resto, também vende carros.


Add comment Julho 24, 2008

Bicicletas e disposição sexual

Ótima propaganda que liga a atividade física proporcionada por deslocamentos feitos de bicicleta à vitalidade sexual.

Os horários mais baratos dos canais de televisão estão cheios de propagandas de fortificantes feitos de partes do tubarão, de cogumelos vitalizantes e folhas emagrecedoras. Os horários mais caros, cheios de cremes rejuvenescedores e pílulas enrigecedoras.

É muito bom quando vemos uma propaganda bem humorada na televisão que fala de disposição sexual sem vender nada.

Propaganda húngara.

(vídeo via Carectomy)


1 comment Junho 28, 2008

A mágica da ascensão pelo motor

A Chevrolet nos apresenta um filme bem tradicional e bobinho. O filme é bem didático ao tratar de um dos apelos publicitários mais caros da indústria do automóvel, o da ascensão social. Serve com aula para nos ajudar a reconhecer este apelo em campanhas menos óbvias e mais modernas.

Esta é a primeira campanha “100% digital” da montadora. O tom das imagens é tão infantil que chegamos a pensar que é alguma brincadeira do novo marketing digital. Mas não. Os suportes mudam e os “conceitos” permanecem.

O site pretende ser 2.0 e apresenta, além do filme publicitário, um jogo, fundos de tela e um programinha que deve ser um tema para windows. Isso é que é estar atualizado com as tendências web de 10 anos atrás.

Na introdução do site, um rapaz de roupa comum vê sua própria imagem (de terno) refletida na lataria do carro acenando alegremente “venha”. De repente, ele é capturado pelo carrão e depois de uma voltinha é devolvido de terno, feliz, satisfeito e ascendido.

O conceito é “jump”. Segundo a montadora, “pular etapas, cortar caminho”. Sacou?

Voltando ao filme. A primeira imagem é da nossa velha conhecida cidade cinza e congestionada, então o carro passa e surge a cidade publicitária. Colorida e alegre.

Um operário está ali parado, o carro passa e o que ele vê refletir no vidro do carro? Sua imagem de terno e capacete! Um engenheiro. E que obra se vê ao fundo do novo engenheiro? A ponte estaguinada!

Uma repórter de microfone na mão, o carro passa e o que ela vê? Ela apresentando um grande telejornal.

Um casal de namorados vê refletir no carro mágico uma viagem internacional. Um rapaz de jaleco branco se vê como cirurgião.

Alguém chacoalha a faixa de pedestres como se fosse um tapete e ela se torna uma espécie de esteira rolante rumo às alturas. Incrível como esse pessoal trabalha a idéia de ascensão sutilmente.

Na última cena um carro vermelho pára em frente a um ponto de ônibus, o motorista abre a porta do passageiro e acena para uma pessoa entrar. O carro segue livremente pela avenida rumo ao…? Ao sol! Ao sol!

Aí vem a assinatura da campanha: “Dê um jump na sua vida. Prisma, seu primeiro grande carro”.


4 comments Junho 19, 2008

Sonhando com liberdade

A Ford presta um favor ao nos lembrar como é a vida de uma criança dentro de uma bolha de lata.

Para uma criança que vai de um local ao outro exclusivamente de carro, o mundo natural é um ambiente desejado e desconhecido. O desejo de estar e de tocar são cotidianamente frustrados pelos limites dos vidros verdes, do painel de design sofisticado e das travas automáticas. A satisfação deste desejo pode realizar-se apenas através da imaginação.

Se mostrássemos um prisioneiro recostado em sua cela silenciosa escrevendo um poema bucólico e ao final disséssemos suavemente “Prisão: veja as possibilidades”. Estaríamos sendo honestos? Estaríamos dizendo a verdade?

É isso que faz a Ford em sua nova propaganda que tem duas crianças como protagonistas. Vende a ilusão de que sonhar com a vastidão do mundo através de uma janelinha é melhor do que viver no vasto mundo.

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Automóvel Kids com “Tecnologia acalma-criança”


3 comments Junho 12, 2008

Cheia de idéias infernais

A construtora Gafisa faz 54 anos e nos traz uma propaganda sobre “grandes idéias” (com aquela clássica narração final sussurrada enjoativa).

A Gafisa diz

“Uma grande idéia é algo novo, mas que resiste ao tempo. Grandes idéias são simples e, por isso mesmo, difíceis de se pôr em prática”

É verdade, a Gafisa é tem muita estória para contar. Recordemos a mais recente. Pagar 15 mil reais (ou 25 mil, dizem) para que a subprefeitura de uma grande cidade repasse 15 mil aos moradores de uma favela, de forma que eles se mandem da área onde serão construídos apartamentos de 300 mil, é uma grande idéia.

“Grandes idéias são difíceis de se pôr em prática”, mas a corrupção municipal e subserviência ao poder estão aí para ajudar. Afinal, “ninguém resiste ao tempo sem grandes idéias”. Se bem que esconder as casas da favela com um outdoor gigante (a Cidade Limpa é uma beleza!) não foi tão inovador assim.

O problema principal das grandes pérfidas idéias é que há sempre gente disposta a resistir e lutar. Luiz Geraldo de Oliveira gravou a conversa em que um assessor da Prefeitura coagia os moradores a aceitarem o dinheiro. A associação da Comunidade Campo Grande Jurubatuba não se vendeu e assessorada pelo Escritório Modelo da PUC/SP moveu ação de concessão de uso especial para fins de moradia coletiva.

Relacionados:
Especulação imobiliária, artigo, Carta Maior
Gafisa usa subprefeitura para retirar favela da vizinhança, reportagem, Folha de S. Paulo


Add comment Maio 28, 2008

Duas armas pelo preço de uma

Na página da revendedora na internet, o anúncio da promoção, que está em vigor até o final do mês, afirma: “Sabemos que a América tem problemas com o crime e com a gasolina. A Max Motors quer ser parte da solução, não do problema”.

Notícia no Mountain Bike BH (que teve como fonte BBC Brasil)

Relacionado:
Propaganda, uma história cheia de sutilezas


Add comment Maio 23, 2008

Monitorando marcas

Há pouco tempo, o fabricante, o grande comerciante, o político, o artista ou qualquer um que estivesse preocupado com sua imagem, passava por uma banca de jornais, comprava alguns jornais e revistas e pronto, tinha em mãos o apanhado das notícias relevantes para seus negócios.

Como os jornais já nos ensinaram há uns três anos, blogs são aqueles diários de adolescentes que poluem a web. Como hoje todos os grandes canais de imprensa têm seus blogs, alguma coisa estranha deve ter acontecido nas redações… Aparentemente todos viraram adolescentes sem nada a dizer.

No dia 20 de abril, o Different Thinker escreveu em Volkswagen - É tão difícil fazer a coisa certa?:

Eu pessoalmente sempre gostei muito da história da Volkswagen, do seu marketing e publicidade criativos e de vários de seus produtos que fizeram história. Inclusive escrevi para este blog, há algum tempo, um artigo detalhado em homenagem ao Fusca. Com o caso do Fox, decidi em desgosto que o texto nunca será publicado, e não somente isso: quero distância de qualquer produto Volkswagen daqui em diante. O recall vem tarde demais para mudar meus sentimentos em relação à marca. (Fonte: Different thinker)

O blog recebe uma mensagem da fabricante e a publica dia 13 de maio.

Caro Blogueiro,
A Volkswagen do Brasil informa que há um “recall” os modelos Fox. Solicitamos a você, moderador do blog, que nos autorize a divulgar neste espaço o texto abaixo, com informações oficiais quanto à ação. (…) (Fonte: Different thinker)

Bom, é um exemplo, entre tantos outros. Reportá-lo aqui foi só para lembrar, mais uma vez, para quem ainda não percebeu, que não existem mais editores.

Os dias são outros, mas, claro, a lógica do lucro permanece sobre o respeito à vida e ao consumidor. A Volkswagen tem tempo e vontade para monitorar o que dela falam, para corrigir um erro de fabricação num de seus modelos é preciso chamá-la à corte.


Add comment Maio 18, 2008

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