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Carros coloridos na cidade cinza
Centro de São Paulo, no ponto de ônibus da Praça Ramos começa a chover gotas coloridas. Uma garota olha com curiosidade para o céu. Logo, vem o impacto, uma gota se converte num carro, também colorido. A jovem abandona a espera do coletivo e adere às cores rumo ao moderno.
Um exemplar azul metálico cai sobre a Praça Dom José Gaspar. A chuva colorida aperta, carros brilhantes se espalham e colorem a cidade preta e branca.
De uma travessa do Vale do Anhangabaú uma série de carros desfila levando alegria à enfadonha capital.
O homem-placa está curioso, o violinista abre um belo sorriso ao ver a caravana, até o vendedor de churrasco grego é irradiado pela alegria da Fiat.
Crianças apressadas começam a recolher do chão estas sementes de carros. Logo as panelas estão cheias de cores.
Um rapaz, sentado na frente de uma casa térrea vê uma gota deste orvalho motorizado escorrer diante de si e, sim, sua vida e a vilinha sem graça, prometem se transformar. É quando a música – a onda da vez são as cópias da trilha de “Onde vivem os monstros”, de Karen O – dá o gancho para o narrador.
Ele esclarece ao desatento: “por um mundo mais colorido, com mais inovação e tecnologia: Fiat.”
PS. Todos os locais apresentados no comercial tiveram recentemente seu espaço para pedestre diminuído. Comidas de rua, como o churrasco grego, são hoje proibidas em São Paulo. Artistas de ruas também são proibidos em determinadas vias. Ao que sei, por enquanto, os homens que carregam placas continuam na ativa, mesmo com a lei cidade limpa. Em regra, casas térreas deram lugar a prédios com “segurança e vaga”, as que sobraram exibem fortes grades.
Para voltar a ser criança
Acredite nos seu sonhos. Natal Eurobike. Emoções para voltar a ser criança.
Eurobike, obviamente uma loja de bikes, certo? Ademais, a chamada “volte a ser criança” está aí para não deixar dúvida.
Bom, o anúncio da loja de carros, de fato, não deixa dúvida dos valores hoje vigentes.
Elogio ao filhinho da mamãe
Houve um tempo em que ser filhinho de papai era vergonhoso e a busca por disfarce de atitudes típicas era recurso usual dos que tiveram o azar de serem criados numa bolha protetora da realidade.
É quando as crias expressam seu mundinho em público, seja nas ruas, seja na web, que temos a chance, através dos depoimentos dos pais – achando tudo normal -, de conhecer um pouco mais das pessoas que insistem numa educação descolada da vida em sociedade – sociedade que, para espanto, é composta por gente de diversas “classes sociais”, opções sexuais…
Parece que ser filhinho de papai já não pega tão mal entre os jovens. Veja este filme da Chevrolet “Não encoste no meu Camaro”. Um jovem que resolve usar sua coragem para passar o dia com o carro dos pais, enquanto eles viajam.
Temos aí os símbolos na felicidade atual: iPhone, academia, garota correndo, sol em contraluz (ele nunca falta), bichinho de pelúcia fofinho (já deu essa moda, não?) e, claro, um elemento vintage, no caso um skate.
Um clássico elogio ao filhinho da mamãe. Nada mais adequado a potenciais compradores bem sucedidos que recebem mesada.
Talvez hoje tenhamos menos adolescentes se debatendo consigo, colocando em questão sua criação e buscando conhecer o mundo como ele é. Talvez isso tenha a ver com a geração de adultos eternamente crianças e orgulhosos da sua condição que encontramos atrás de volantes.
Publicidade de lingerie tem criança de nove anos como estrela

A campanha publicitária da linha de lingerie infantil é estrelada por crianças e tem uma garota de nove anos de idade, irmã de uma celebridade Disney, como estrela.
As fotos em ambiente e poses sensuais são assustadoras e incluem poses junto ao poste de stripper
Abaixo, trailer de um filme essencial, o documentário Criança, a alma do negócio.
Notícia via Crazy day sand nights e Boing Boing (em inglês)
Relacionado:
http://www.publicidadeinfantilnao.org.br, site, Campanha pela regulamentação da publicidade infantil no Brasil.
Criança, a alma do negócio, filme completo
Televisão no meu busão, não

Em caso de tentativa de furto do seu olhar, cubra a tela
Para informar abusos ligue para Movimento Acorda São Paulo 0800-156-1984 ou acesse http://www.minhamentenaoehpenico.gov.sp.br
No início de 2007, os usuários de ônibus de São Paulo foram pegos de surpresa. Quem entrava num ônibus e pretendia chegar ao seu destino com segurança, respeito e rapidez, recebia uma propaganda do Mcbacon, uma porção de videoclipes de grandes gravadoras e um bocado de “pegadinhas” e “videocassetadas”.
Começava aí o ataque em massa dos interesses privados sobre o espaço público e o tempo coletivo na autodenominada “Cidade Limpa”. O site da empresa responsável pela instalação dos televisores nos ônibus e pela transmissão do sinal deixava bem clara a vantagem do sistema: “Audiência cativa pelo período médio de duas horas por dia”, “único canal sem risco de zapping”, “foco único de atenção a bordo dos ônibus”.
Após um curto período de teste, o sistema foi expandido. Outras empresas de transmissão entraram no negócio e novas concessionárias de transporte instalaram televisores sobre a cabeça de seus usuários.
Numa época de queda geral de audiência, a novidade vinha bem a calhar com os interesses das grandes emissoras do país. Com uma massa de pessoas confinadas diante de telas de televisão exibindo uma programação incessante estaria instituído o fim do controle remoto, o fim da ida ao banheiro, o fim do botão “desligar”.
Foi, então, em 2009, que o sequestro dos olhares se consolidou. A Rede Globo, um dos maiores oligopólios de mídia do mundo, entrava no jogo. A teleidiotização dos cidadãos de São Paulo estava, finalmente, garantida.
Hoje, todos os dias, em centenas de ônibus da cidade, capítulos legendados das novelas e outros enriquecedores programas da Globo acompanham todo cidadão que, dentro do busão, revolta-se com o trânsito de carros parados e a qualidade do serviço de transporte mais caro do país.
Contra esse ataque a nossas mentes, contra a privatização do espaço público, contra a priorização do transporte privado motorizado e contra o avanço da comercialização de um direito, protestamos!
Relacionados:
Lei municipal nº 6681/65 ou como ser torturado em um ônibus [Update], artigo, blog do Tsavkko
Militantes do MPL protestam contra aumento nas tarifas e pela tarifa zero dentro da Secretaria de Transportes, notícia, CMI
Informação? Só ferindo privacidade, artigo, Panóptico
Mais uma do Bilhete Único espião, artigo, Panóptico
Tarifa única de ônibus em SP, só pagando adiantado, artigo, Panóptico
Notícias de um trânsito invisível, artigo, Panóptico
Uma bicicleta fora d’água
Duas linhas principais de propagandas de carros trazem, hoje, a bicicleta como protagonista. Até outro dia, tirar sarro de ciclista, associar bicicleta à pobreza e mostrar cada pedalada como sofrimento de quem não pode comprar um carro era a regra.
Com o crescimento da onda verde e as empresas não podendo argumentar contra, sob o risco de parecerem antiquadas, resolveram trazer a sustentabilidade para suas campanhas. E a bicicleta entrou nessa.
Bicicleta associada a pessoas antenadas, modernas, “cool” e imagens de aventura e comportamento despojado vem para agregar imagem aos modelos de carros.
Não houve um corte, uma virada. Continuam as propagandas que usam bicicleta e transporte coletivo para realizar comparações com os carrões, sucesso x insucesso, riqueza x pobreza. Porém, elas convivem com aquelas onde a bike figura como protagonista positiva.
Nesta propaganda da Fiat, numa primeira leitura, temos a clássica mensagem “deixe sua bicicleta para trás, compre o nosso caro”, mas, diante da atual moda da bicicleta, podemos ficar em dúvida se a intenção não foi utilizar uma bela bicicleta para… para alguma coisa que ninguém sabe o que é.
Parece pouco e é
VW BlueMotion: Emite até 15% menos de CO². Parece pouco, mas faz muita diferença
Após alguns ensaios, o discurso ecológico está hoje totalmente incorporado às campanhas publicitárias. O quanto vai durar ninguém sabe. Talvez um discurso mais interessante surja em breve e a ecologia seja abandonada, talvez demore bastante.
O apelo ecológico na publicidade se apresentará de diversas formas, como já vem sendo. A publicidade de certos produtos, porém terá muito que inventar e reinventar. Se a discussão dos problemas ambientais se ampliar, como vem acontecendo, os anunciantes terão cada vez mais dificuldade para convencer um consumidor informado.
Juntamente com a ampliação do debate ambiental, entretanto, temos o trabalho publicitário e político para garantir que os níveis de consumo alcançados se mantenham. Trata-se, por exemplo, de melhorar a educação sobre questões ambientais e de consumir produtos ecologicamente corretos, mas não se trata de formar críticos autônomos, tampouco de reduzir o consumo de supérfluos.
Enquanto o discurso ecológico ganhava força e, recentemente, deu um pique de importância entre a classe média brasileira; o discurso publicitário tradicional, o do consumo desenfreado, apresentando-se como a única forma de vida possível para um bípede brasileiro, consolidava-se como um estilo de vida.
Se em grande parte trocamos nossa identidade de cidadãos pela de consumidores, a consciência ecológica propagada pelos comerciais, obviamente, não trará sinais para reverter este caminho.
A redução do animal sociável com cérebro desenvolvido a comprador solitário já nos trouxe prejuízos suficientes. Retomarmos as noções de sociedade é um dos caminhos necessários para a consciência ecológica. E esse discurso não estará nos filmes publicitários.
O carro do nosso tempo
O mundo que vamos deixar para os nossos netos depende do carro que estamos fazendo hoje. Fiat 500: o carro do nosso tempo.
Eu adoro quando as propagandas utilizam diretamente frases populares. “O mundo que vamos deixar para nossos netos” deve ter sido um dos primeiros chavões ecológicos em circulação nas esquinas, feiras e botecos.
Décadas depois, quem diria que ele apareceria numa propaganda de automóvel?
Claro que a indústria automobilística não se tornou ecológica, mas os publicitários não perderiam a oportunidade de tirar um sarro da onda verde na qual são, hoje, obrigados a surfar. E que melhor jeito que utilizar uma frase clichê em vigência por tanto tempo entre nós?
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Continue aprendendo com a natureza
Governo do Estado tripudia sobre desabrigados: “A gente faz. E faz bem feito”
Famílias do acampamento Olga Benário, no Capão Redondo, que dormiram na rua, o governador e seu secretário de habitação mandam o recado: acreditem, sonhem, respirem, comemorem!
Um dia após desalojar cerca de 800 famílias usando força policial, o governo do Estado de São Paulo faz publicar nos jornais, em página inteira, propaganda de sua “política” de habitação popular.
Dar de cara com uma propaganda dessas na página 3, enquanto que a página 1 traz as notícias da vergonhosa desapropriação só pode ser uma estratégia de incentivo à revolta popular.

Foto: Cátia Toffoleto. Alguns direitos reservados
Mas num ponto a propaganda é bem verdadeira. Como todos nós vimos ontem, a tropa de choque e os tratores sempre funcionam: “No Estado de São Paulo é assim: A gente faz. E faz bem feito”
Se o governo seguir sua “política de habitação popular”, como observado na desapropriação do prédio do INSS, depois da expulsão das famílias de suas casas, virão as ordens para que a polícia toque o povo da rua. É o governo de SP sempre inovando: desaloja o desalojado.

Foto: Cátia Toffoleto. Alguns direitos reservados
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Reintegração SP, galeria de fotos, O Estado de São Paulo
Moradores resistem a reintegração de posse em SP, galeria de fotos, Folha de S. Paulo
Reintegração de posse ocupação Olga Benário, galeria de fotos, Anderson Barbosa
Capão Redondo – 24 de agosto de 2009, artigo, Ferrez
Violentamente pacífico, vídeo e artigo, Apocalipse Motorizado
Em SP, famílias do Olga Benário resistem à decisão da Justiça, artigo, Rede Brasil Atual
Poste de Serra ataca os pobres. Quer que eles voltem ao Nordeste, artigo, Conversa Afiada
Famílias do acampamento Olga Benário são despejadas com violência, artigo, Raquel Rolnik
Obra viária para propagandear transporte coletivo

reprodução: planodeexpansaosp
Até na hora de propagandear investimento em transporte público, o governo de São Paulo só sabe falar de transporte individual.
Afinal, ao falar da integração entre estações de trem, que imagem ilustraria melhor o micro investimento em transporte coletivo do que a de uma ponte milionária por onde só passam carros e motos?
Os detalhes falam, muito.
Atualização
O Flavio percebeu que a foto publicada no site “Plano de Expansão” com a legenda “Ponte Estaiada” é, na verdade, a ponte que termina na estação Santo Amaro










