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O parque – e as pessoas – que a classe média não vê
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69 – Praça da Luz
Sinopse: Prostitutas de idade avançada ganham a vida na Praça da Luz, em São Paulo. Relatos inusitados e surpreendentes de cinco mulheres que revelam em detalhes suas experiências em todos esses anos de profissão.
Central, em frente a uma estação de metrô e trem, de importância histórica, espelhos d’água, lagos, coreto, flora variada, parque infantil, bosques com exemplares raros. Tudo reformado.
Nada disso faz a classe média olhar para o primeiro parque da cidade, o Parque da Luz. Parece que a lotação, o lago poluído e as enormes filas de carros do Parque do Ibirapuera seduziram os paulistanos de tal forma que os demais parques da cidade para pouco prestam. Deve ser algum encanto, talvez das notas musicais da fonte iluminada brega.
O Parque da Luz foi reformado justamente para atrair a classe média. Melhor dizendo, na novilíngua ele foi “revitalizado”. Queriam nova vida para o pioneiro jardim? Hummm, claro, mas queriam, principalmente, pessoas com outra vida, digamos. Queriam que a pobrada pegasse sua farofa e filhos e procurasse outro canto, descolasse um outro “piscinão de ramos de asfalto” qualquer.
Não deu certo. O encanto do Ibirapuera é tão forte quanto o medo que a classe média sente do centro da cidade. Não exatamente do “centro”. É mais um medo das pessoas que por suas ruas andam. Todos tão diferentes dos bairros que residem, diferentes do “pessoal da facu”, das outras mães da escolinha dos filhos.
Até mesmo a Pinacoteca, que fica dentro do Parque da Luz, tem as mesinhas de seu simpático Café delimitadas por uma espécie de cerca verde, separando os Parque e Museu.
Este vídeo de 2007 é para lembrarmos quem são as pessoas que tanto assustam a classe média.
É impossível encontrar a perversidade, a degradação e o perigo generalizado apregoados pelas revistas semanais quando falam do centro da cidade.
Uma última observação. De 2007 para cá, a permanência das prostitutas do local só ficou mais difícil. Atualmente, quem dá vida ao local não são pessoas de meia idade treinando para a corrida do Pão de Açúcar, e sim famílias que vivem próximas ao parque, especialmente bolivianas.
Add comment Novembro 12, 2009
Prefeitura de SP ergue obstáculo antimorador de rua ao redor das árvores da Praça da Sé
As árvores da Praça da Sé ganharam muretinhas de paralelepípedo e brita para desestimular as pessoas em situação de rua a se deitar sob elas.
Nas últimas duas semanas equipes da prefeitura vem trabalhando na instalação do obstáculo.
As árvores da Praça eram margeadas por grades de ferro, como as que se vê abaixo.
Os cérebros municipais parecem não parar de pensar em formas de sumir com as vítimas do desemprego e das políticas de moradia.
Há dois anos a Praça da Sé passou por uma grande reforma, chamada de revitalização, basicamente se prestou a instalar equipamentos antimoradores de rua, como fontes d’água cercadas por brejos para impedir o banho e bancos antisoneca.
“Com certeza, eles estão colocando as pedras para atrapalhar a gente. É lógico. Toda noite a CGM chega chutando, jogando água”, nos disse ontem um “morador” da Praça.
Felizmente, como se vê, a arquitetura não é eficiente em seu objetivo higienista.
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Add comment Junho 24, 2009
Vodca Absolut instala publicidade na Praça do Ciclista

Espaço público cercado: globo, iluminação e centro de apoio – cubo preto

A explicação para o tema “discoteca”
Apesar da lei municipal, a Praça do Ciclista até hoje não ganhou uma placa de identificação oficial; o paraciclo de lá retirado em 2008 nunca mais voltou; os gradis de proteção também não foram reinstalados; e a bela bicicleta com a qual o índio venezuelano foi homenageado foi arrombada.
Esta semana, porém, o oposto ocorreu. Em vez de retirarem algo, instalaram alguma coisa na praça. Infelizmente, não trata-se de um equipamento público. Um globo espelhado de discoteca apareceu por lá.
Ao avistar o globo brilhante acompanhado de uma espécie de casinha preta, protegida por uma cerca e um segurança, pouco se pode concluir. Não há logotipo ou marca estampada.
Além de construírem sites ridículos e espalhar virais que só um grupinho acha inovador, os publicitários colocaram na cabeça que mensagens misteriosas despertam a curiosidade e ajudam a melhorar a imagem das tranqueiras que promovem.
Além de causar o desejado buzz, o globo de discoteca não identificado tem, obviamente, a pretensão de despistar a lei Cidade Limpa.

O segurança dos equipamentos – sempre ao celular

O site com tema “disco” é interativo, como as agências de publicidade adoram
Ao instalar os globos (são dois, em locais diferentes), a vodca Absolut goza da população e tira o sarro da cara de todos os pequenos comerciantes que tiveram que se adaptar à lei. Mais que isso, a marca caçoa da prefeitura. Provoca descaradamente o poder público.
Ademais, o globo não está instalado num gramado qualquer, ele está instalado num centro de manifestação social, num local de concentração política.
Assim como a enorme propaganda num cinema que tem “arte” no nome é um afronte a arte cinematográfica, a publicidade pop na Praça do Ciclista é um acinte às mobilizações de transformação social que lá se concentram.
As explicações da marca e da Prefeitura publicadas hoje, entretanto, deixam transparecer que a sinergia – apesar da aparente confusão na comunicação – entre poder púbico e privado na cidade que está literalmente vendendo seus bairros é muito maior do todos imaginavam.
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2 comments Abril 30, 2009
Por uma cidade mais divertida

Porto Alegre. Por: Trampo. Todos os direitos reservados.
Ao asfaltarmos todos os cantos e criamos um sistema de transporte violento nos auto-expulsamos do espaço público.
Enquanto o discurso da liberdade conquistada por meio do automóvel avançava, a cultura do entretenimento doméstico foi se fixando como alternativa barata de lazer. Os parques e praças foram abandonados pelos governos, transformando-se em áreas sem serventia para a população.
Sem alternativas de passeio, a “interiorização” do lazer ganhou impulso. Num ciclo onde a sedução por novidades de lazer domésticas, a apologia do medo urbano e a falta de transporte coletivo só fez agravar o abandono dos espaços públicos.
Os locais de acesso público foram restringindo seu acesso. Os parques e praças que sobraram foram cercados e os shopping centers tornaram-se a opção de passeio para a família.
Hoje, na maioria das grandes cidades brasileiras, os botecos são perseguidos e fechados, enquanto barzinhos que imitam a estética de botecos antigos são erguidos em locais privilegiados. O pessoal da cerveja barata ficou sem lugar no balcão e assiste da calçada aos carros pararem nos valet para o happy hour.
Podemos nos lembrar das maravilhosas praias brasileiras, talvez o último grande local de acesso livre. Mas muitas delas foram privatizadas. Condomínios de luxo e resorts em conluio com construtoras, empresários internacionais, políticos locais, companhias aéreas e operadoras de viagem simplesmente muraram boa parte do litoral brasileiro.
As cidades se tornaram, em resumo, chatas e segregadoras. A falta de lazer gratuito e de locais de acesso irrestrito prejudica a troca de conhecimento entre os cidadãos e limita a experiência humana.
Retomar o espaço público é urgente.
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Centro Vivo
1 comment Novembro 20, 2008
Por que construímos praças?

Praça Roosevelt, antes da interdição
Quem tem menos de 20 anos de idade e nasceu na região central de São Paulo talvez nem tenha conhecido uma muito bem. Mas praças são aqueles espaços públicos, de acesso livre, dedicados às pessoas. Carros, motos e cia. não são pessoas, então ficam de fora. As praças têm uma estrutura que permite às pessoas se encontrar, conversar, descansar etc. Sendo assim, bancos para sentar e espaços à sombra, ao sol, árvores e plantas são essenciais; algumas tem equipamentos dedicados às crianças, outras equipamentos ao esporte etc. (Essa não é a descrição de um arquiteto urbanista e sim de qualquer pessoa que tenha conhecido praças. É suficiente).
Com a valorização excessiva dos espaços privados, da cultura do shopping center e do automóvel as pessoas foram gradativamente deixando de caminhar pelas ruas. As praças viraram lugar de passagem e a única alternativa de moradia de quem foi descartado pelo mercado de trabalho ou expulso pela violência doméstica.
A administração pública preferiu privilegiar o lucro privado e incentivar a construção de centros de compra e entretenimento, hipermercados e “centros empresariais” por toda a cidade. Abriu mão de dirigir e deixou a especulação imobiliária brincar com o dinheiro e o espaço de moradia da população. O que não interessava ao capital ficou na escuridão.
Os veículos de comunicação voltados à classe média cobram o cuidado das praças e uma revitalização (cosmética) do centro, mas ninguém sabe para quê, uma vez que parte da classe média alta paulistana conhece a cidade e seu centro pela janelinha do carro e ignora, inclusive, que o bairro é também um local de moradia. Lembrando que tratam-se das mesmas pessoas que alugam bicicletas em Paris, caminham por Buenos Aires e tomam ônibus em Barcelona.
O paulistano corporativo vai até o cinema (ao lado do metrô) de carro, fica na fila do estacionamento, fica na fila do cinema, sai, pega seu carro, chega ao estacionamento do restaurante, fica na “espera” do restaurante e, satisfeito, finalmente, retorna à garagem de seu apartamento. Nas conversas do almoço reclama no abandono das praças, lembra quão ridículas são as demais cidades brasileiras (São Paulo é a única cidade do país onde existe vida inteligente) e como são belos os espaços públicos franceses.
Pouco importa, isso tudo é passado. Hoje as praças estão sendo revitalizadas. Não têm bancos para se sentar e em algumas há ruas cortando-as. O senhor dando milho aos pombos não pode mais matar o tempo. O bate-bola no canto da praça não pode mais rolar. O pedinte não pode mais existir.
O idoso, usando seu cartão fidelidade, visita atraentes famárcias-supermercados diariamente. As crianças correm dentro de apartamentos e brincam com babás no condomínio, com “toda a segurança que seu filho merece”. Os pedintes usam técnicas novas a cada mês, já que não existem mais esmolas depois que a solidariedade cristã foi subtituída pela responsabilidade social.
Complemento: A Praça Roosevelt que ilustra o texto foi recentemente interditada para reforma. A praça mais estranha de São Paulo é uma espécie de grande laje. Embaixo há um vão livre, onde havia um supermercado, uma organização civil, um posto policial e mais abaixo um estacionamento (!). Há pelo menos quatro anos o subsíndico de São Paulo fala em reforma.
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Como construir sua própria praça
Banco de praça à moda Matarazzo
3 comments Maio 30, 2008
Como construir sua própria praça

Bairro Recife, Recife-PE. Embaixo de um estacionamento vertical de automóveis.
Síndicos como Kassab e subsíndicos como Andrea Matarazzo estão sempre pensando em que cor pintar o portão, em colocar pisca-pisca no jardim, instalar câmeras de segurança nos elevadores e passa-pizza no portão de entrada.
Tem síndico que se elege prefeito e acha que cidade é condomínio. Para eles tanto faz se o ônibus passa no horário ou se as pessoas passarão seu período de descanso assistindo as mesmas novelas de sempre.
Os governantes não gostam de praças em que é possível sentar, tomar ar, encontrar pessoas, passear, se divertir, descansar ou ler; preferem aquelas em que nada acontece – e quando acontece é pancadaria.
Os animais que habitam a cidade estão vivos e ao procurar saciar suas necessidades se modificam constantemente e modificam seu habitat. A metrópole é, portanto, imprevisível. Iniciativas despretensiosas que defendem a vontade de associação e comunhão entre pessoas livres acontecem em bairros de todo o mundo. Custam quase nada, não precisam de planta de empreiteira, nem de consultoria de ong e tem efeito imediato; correm ao largo de “revitalizações” milionárias que buscam a “requalificação do espaço urbano”.
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1 comment Janeiro 7, 2008
Banco de praça à moda Matarazzo

por Brad Downey. Via: Brad Downey Returns To The Streets of Manhattan
O prefeito de São Paulo e seu secretário das subprefeituras responsáveis pela implantação de praças sem bancos, com bancos que não permitem um abraço entre namorados, com áreas de brejo para impedir o acesso aos chafarizes, com carros passando no meio e outras praças antipraça ainda não viram esta.
Esperamos que não vejam. Certamente a Praça da Sé poderia ganhar mais um equipamento anti-gente se colocássemos um texto-legenda: desenvolvido por jovens arquitetos e urbanistas de Columbia, o banco de praça apelidado de “My Manhattan” foi instalado por toda Nova Iorque com sucesso. “Ele é confortável, impede que moradores de rua se deitem e assim garante a segurança dos cidadãos”, afirmou Michael Bloomberg.
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Add comment Janeiro 7, 2008












