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Por um grande ato contra a violência da polícia paulista

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Arte: Angeli. Todos os direitos reservados

14 de janeiro de 2011: Durante caminhada de protesto contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, a PM dispara bombas e balas de borracha à queima roupa. Policiais sacam armas de fogo. Após corre-corre, manifestantes são perseguidos e agredidos aleatoriamente nas ruas do centro. Câmeras são quebradas e fotos apagadas. Questionada, PM nega exagero.

17 de fevereiro de 2011: Durante mais um protesto contra o aumento do ônibus, um estudante é espancado, na frente das câmeras, por cerca de oito policiais visivelmente descontrolados. Gravemente ferido, o garoto é submetido à cirurgia e fica internado por dias. Ao tentar negociação, três vereadores da cidade levam cassetadas na porta da prefeitura da cidade. Armas de fogo são diretamente apontadas para manifestantes. O comando da PM e o governador afirmam que foi preciso retomar a ordem após bexigas de água terem sido jogadass contra a PM e lixeiras serem quebradas.

17 de abril de 2011: Para conter a agitação num show punk da Virada Cultural, guardas municipais decidem entrar com a viatura no meio da multidão e causam pânico. Um guarda mira sua arma para a multidão revoltada. Em meio a chutes, o carro sai em disparada pela plateia.

01 de maio de 2011: Dia do trabalhador. Durante protesto contra a violência policial dedicada aos negros, manifestantes são agredidos no centro.

21 de maio de 2011: Marcha da maconha é proibida pelo judiciário. Após acordo com a PM, manifestantes saem em passeata pela liberdade de expressão. A tropa de choque dispara bombas na avenida paulista causando correria. Os policiais seguem até a rua da consolação, onde acontece uma chuva de bombas e balas de borracha. O pânico toma conta da rua. Motoristas, pedestres e moradores se protegem assustados. Após greve respiro na altura da Praça Roosevelt, e com a marcha já fragmentada, PM corre atrás de manifestantes que estavam na Rua Augusta, dispara mais bombas e esvazia a via. Um PM é flagrado chutando um garoto que caminha a sua frente, o rapaz é agredido e sua câmara tomada. Fotojornalistas que registravam o momento são agredidos pela guarda municipal. Os manifestantes seguem até delegacia nos jardins e os cerca de seis presos são liberados. A PM e GCM, mais uma vez, negam excessos e dizem que os atos serão analisadas por suas corregedorias.

Ok, estamos falando só da capital, ou melhor, do centro da capital. Na periferia da cidade segue a chacina de jovens “suspeitos” e a corrupção escancarada. Fora da capital, a cobertura da impresa é deficiente mas a situação não é diferente.

As imagens dos casos resumidos acima são claras e ninguém que pretende viver em paz pode concordar com policiais enraivecidos apontando armas para garotos de 17 anos só porque eles estão participando de uma passeata. Sejamos sinceros, a polícia paulista está fora de controle.

Em manifestações, a PM simplesmente deixa vir à superfície toda violência das sombras de suas cadeias. Uma pequena aglomeração num canto da cidade e logo viaturas desesperadas começam a chegar pela contra mão, como se alguém tivesse feito reféns num banco. Durante a marcha da maconha, diante de mais de 40 viaturas, quase uma centena de motos e tropa de choque em plena Av. Paulista, alguém no twitter perguntou se se tratava de um golpe militar ou algo do tipo.

Hoje, a polícia de São Paulo entende uma reunião de pessoas como uma espécie de ato terrorista iminente, toma uma ordem judicial como sinal verde para distribuir porrada e caçar sadicamente as pessoas pelas ruas.

Chega! Já basta! Toda vez que um abuso deste tamanho é cometido e comandante, secretário de segurança e governador do Estado dizem que está tudo certo e que “excessos serão apurados” estamos mais perto de um estado policial completo, onde tudo é proibido e todos são suspeitos. Votamos, somos mal representados, temos leis de convívio mas quando um grupo decide se expressar alguém indefeso acaba no hospital.

Estamos indignados! Por um grande ato contra as sequentes agressões gratuitas da polícia de SP em manifestações públicas.

Não precisamos de partidos corruptos, sindicatos falidos ou líderes hipócritas. Já não somos mais os mesmos. Organizações, grupos de amigos, movimentos sociais, turmas do bar, turmas da firma, gente diferenciada, pobres, fudidos e pensantes num só ato pelo direito de protestar. Pela liberdade de dar sua opinião, pela discussão em praça pública. Chega da prática policial em que jovem negro de bermuda e boné é suspeito – que ganha como brinde um tapa na orelha e uma arma na cabeça.

Pelo bom senso policial em manifestações públicas. A polícia deve procurar a ordem, não causar o pânico, o caos. PM, a cidade não é de vocês! Não venham lançar bombas por um bairro inteiro só porque assim decidiram.

A cidade é nossa e vamos começar a retomá-la pacificamente no próximo sábado, dia 28/05, às 14h, no vão livre do MASP.

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maio 23, 2011 at 14:30

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Polícia reprime com violência marcha da maconha em São Paulo

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A Marcha da Maconha em São Paulo partiu do MASP, na Avenida Paulista, e seguia para o centro quando a tropa de choque, na altura da Rua Augusta, avançou covardemente contra os manifestantes.

Na Rua da Consolação e Rua Augusta, por onde a marcha da maconha passou – já um tanto dispersa pela correria – houve mais bombas, presos e violência desmedida.

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maio 21, 2011 at 17:34

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Mortes por homicídios e em transportes no Brasil

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Clique na imagem para navegar no gráfico dos Homicídios vs. Óbitos em transporte (taxa em 100 mil) – 2008

Em 2008, no Brasil, ocorreram 39.211 mortes em colisões, atropelamentos e outras situações de transporte; no mesmo ano, 50.113 pessoas foram assassinadas das formas mais conhecidas: na bala.

Pistola automática, três oitão e fuzil são regulados por lei, seu uso é restrito e um “acidente” com uma arma de fogo segue os tramites de abertura de inquérito e toda sequência de atos jurídicos.

O uso do carro, da moto e de carros que parecem caminhões também é regulamentado. Seu uso, porém, é fortemente incentivado pelo governo, através de apoios fiscais e investimentos em estrutura para autos, e pelas empresas, através do longo convencimento cultural. Os crimes de trânsito não motivam investigações e tem uma vida nas pastas do judiciário apenas formal – por conta de seguros e similare$.

Jovens

Mais de 18 mil jovens de 15 a 24 anos, que deveriam estar estudando, produzindo e desenvolvendo o país, morreram assassinados em 2008. Quase 9 mil morreram no trânsito e não tiveram futuro no país do futuro.

A taxa de homicídios entre jovens, em 2008, cresceu 1,9% em relação a 1998. Já taxa mortes nos transportes, no mesmo período, cresceu 32,4%. Ou seja, em uma década o país nada fez para conter ou reduzir a chacina provocada por automotores nas ruas do interior e das capitais.


Clique na imagem para visualizar o gráfico das Mortes em transporte no Brasil, 1998 vs 2008

O delegado Gilberto Almeida Montenegro, que culpou dezenas de ciclistas pelo próprio atropelamento, em Porto Alegre, é um exemplo da visão hegemônica no país hoje: a de que avançar com um carro sobre uma pessoa e matá-la não é “morte matada”, é “morte morrida”.

Quando o diretor da Divisão de Crimes de Trânsito de uma de nossas capitais mais ricas declara aos jornais sua preferência pela impunidade, mesmo diante de imagens e testemunhos cabais, a evolução das mortes mostradas pelo gráfico acima torna-se ânsia de vômito.

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fevereiro 28, 2011 at 17:19

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A serviço das bundas brancas

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Novas calçadas da Av. Paulista. Sobrou propaganda sobre sua acessibilidade, mas a rua continua o caminho com menos obstáculos.

Diante de um discurso de carência, espera-se que as prioridades dos governos sejam claras, que o mais importante e urgente seja atendido. Porém, o que se constata é que as ações são definidas conforme o vento.

No sábado, a Secretaria de segurança deslocou um efetivo policial enorme para correr atrás de gente de cueca, sunga, biquíni e pelada que andava de bicicleta.

O protesto era legítimo e duraria duas horas. Policiais de bicicleta poderiam ter feito um escolta discreta e respeitosa, a festa dos ciclistas seria feita e todo mundo voltaria para casa feliz.

Em vez disso uma centena de policiais em motos, viaturas e camburões, inclusive de grupos especiais, deixaram seus postos de trabalho para ficar olhando se a sunga dos garotos estava no lugar.

Foram combater bundas. Aquelas mesmas bundas da televisão e revistas só que sem bronzeamento artificial e erotização. A bunda que não rebola até o chão é uma bunda selvagem e deve ser combatida.

Que respeito o comando da polícia do Estado dominado por uma facção criminosa espera da população quando se assiste ciclistas sendo o centro da atenção de um pequeno batalhão?


Policiais da Força Tática sacam pistolas automáticas. Toda a “força” e “tática” policial empregada contra a ameaça de uma sunga e um chinelo.

Quem passava pela Rua Avanhandava de carro pensou que um cativeiro tinha sido estourado ou que alguém tinha sido baleado e abriu caminho para as viaturas que berravam suas sirenes e derrapavam pelo asfalto. Mas tratava-se de um ciclista de bermuda cor da pele que se irritou com os PMs após ser derrubado da bicicleta.


O curso de direção da PM de SP, que inclui módulo de atropelamento de bicicletas de senhoras, é um dos mais eficientes do país

A reação da galera nas ruas? Numa cidade tão rotineira, quem não acharia divertido uma multidão pelada de bicicleta?

Enquanto o espetáculo da polícia acontecia, a SPTrans, responsável, por exemplo, pela espera de duas horas nos pontos de parada de ônibus da Av. M’Boi Mirim, e a CET, responsável, entre outros, pela culpabilização dos pedestres pelos atropelamentos da cidade, dedicavam-se a uma corrida de carros que ninguém conhece.


Se for para a Indy, você não vai “perder tempo nenhum”. Se for trabalhar, senta e espera. Quer dizer, espera em pé, porque não vai ter lugar para sentar.


A equipe que mais entende de fazer sinal para os carros andarem quando o sinal está verde e apitar para eles pararem quando o sinal está vermelho

Ironicamente, na corrida da Indy deu tudo errado. A eficiência administrativa da cidade mostrou-se, mais uma vez, presente. O prefeito, que culpou a população pelas recentes enchentes na cidade, tem agora suas opções usuais: culpar os pilotos pelo fiasco ou fingir que foi tudo ótimo e investir na publicidade positiva.

Relacionado:
Fotos e tudo o que saiu sobre a Pedalada Pelada 2010 em SP

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março 15, 2010 at 12:37

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Uma morte anônima

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No dia 05/12, atiraram num homem na praça Roosevelt. Era um dramaturgo conhecido. No dia 04/01, um homem foi esfaqueado e morto na mesma praça. Um morador de rua.

O ataque ao primeiro causou imediata repercussão nos jornais e sites. A morte do segundo não seria sequer conhecida senão fosse um blogueiro chegar ao local instantes após o crime ter ocorrido.

O relato do Blog do Tsavkko revela que cerca de vinte policiais chegaram escandalosamente ao local e estacionaram suas viaturas com pompa, mas nenhum agiu para tentar salvar o homem.

Você conhece o estilo da polícia de SP, um garoto é pego por roubar um celular. Sirenes soam e viaturas derrapam, a rua é interditada, mais viaturas chegam. Documentos são checados, duas horas depois percebem que não há celular, dedicam mais uma hora ao sujeito e vão embora como se um atentado terrorista estivesse acontecendo em algum outro lugar.

Além do odioso crime de omissão cometido pela polícia paulista, o episódio revela como a imprensa trata casos de violência.

O morador de rua foi apenas mais um no processo pelo qual passa o centro de São Paulo hoje. Uma pessoa que não interessa ao leitor de jornais, alguém que não tem amigos jornalistas, um ser abaixo do gari na escala Casoy de dignidade [vídeo do caso].

A Folha de São Paulo, no dia 07, dedicou dois parágrafos (link p/ assinantes) ao coitado. O Estadão imprimiu apenas um, no dia 05.

Nenhum dos jornais escreveu sobre a revitalização do centro e a violência na área, como fizeram quando do ataque ao dramaturgo. Tampouco artistas e subcelebridades se manifestaram nas redes sociais.

Aos dramaturgos dos teatros da Praça Roosevelt, conhecidos por retratarem o “submundo” e a violência da cidade, não faltará material. A realidade está lá fora.

Relacionados:
Ficar chocado quando um rico morre tal qual um pobre, dica 40, Classe Média Way of Life
Por que construímos praças?, artigo, panóptico
Como expulsar drogados, mendigos e outros estorvos, artigo, blog do Sakamoto

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janeiro 8, 2010 at 15:44

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Governo do Estado tripudia sobre desabrigados: “A gente faz. E faz bem feito”

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Famílias do acampamento Olga Benário, no Capão Redondo, que dormiram na rua, o governador e seu secretário de habitação mandam o recado: acreditem, sonhem, respirem, comemorem!

Programa de Desapropriação Popular da Polícia do Estado-1

Um dia após desalojar cerca de 800 famílias usando força policial, o governo do Estado de São Paulo faz publicar nos jornais, em página inteira, propaganda de sua “política” de habitação popular.

Dar de cara com uma propaganda dessas na página 3, enquanto que a página 1 traz as notícias da vergonhosa desapropriação só pode ser uma estratégia de incentivo à revolta popular.

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Foto: Cátia Toffoleto. Alguns direitos reservados

Mas num ponto a propaganda é bem verdadeira. Como todos nós vimos ontem, a tropa de choque e os tratores sempre funcionam: “No Estado de São Paulo é assim: A gente faz. E faz bem feito”

Se o governo seguir sua “política de habitação popular”, como observado na desapropriação do prédio do INSS, depois da expulsão das famílias de suas casas, virão as ordens para que a polícia toque o povo da rua. É o governo de SP sempre inovando: desaloja o desalojado.

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Foto: Cátia Toffoleto. Alguns direitos reservados

Relacionados:
Reintegração SP, galeria de fotos, O Estado de São Paulo
Moradores resistem a reintegração de posse em SP, galeria de fotos, Folha de S. Paulo
Reintegração de posse ocupação Olga Benário, galeria de fotos, Anderson Barbosa
Capão Redondo – 24 de agosto de 2009, artigo, Ferrez
Violentamente pacífico, vídeo e artigo, Apocalipse Motorizado
Em SP, famílias do Olga Benário resistem à decisão da Justiça, artigo, Rede Brasil Atual
Poste de Serra ataca os pobres. Quer que eles voltem ao Nordeste, artigo, Conversa Afiada
Famílias do acampamento Olga Benário são despejadas com violência, artigo, Raquel Rolnik

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agosto 25, 2009 at 11:07

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O perigoso vendedor de toucas de lã contra as cinco viaturas da Guarda Municipal

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Vídeo: mauriciommaia

Na última segunda-feira, mais um perigoso vendedor ambulante foi preso pela Guarda Civil Metropolitana – GCM.

Ele vendia toucas de inverno não aprovadas pela lei municipal “0023 – Coleção Outono-Inverno 2009″, sancionada no último mês.

Segundo a dupla de guardas responsável pela abordagem foi necessário jogar o vendedor no chão, imobilizá-lo no asfalto e requerer reforço de quatro viaturas armadas. Isso porque a matéria-prima dos aquecedores de cabeça era perigosa e fora reprovada pelo órgão municipal competente, ao apresentar Índice de Requinte 3.

Nossa reportagem procurou a administração municipal e teve acesso aos documentos do IMCR – Instituto Municipal de Controle do Requinte, responsável pela formulação e publicação do Índice de Requinte São Paulo.

O documento lista artigos variados, modelos, materiais e dá outras providências. A Subseção VII trata de “Chapéus, toucas, bonés e acessórios para a cabeça”, constando no artigo 36 a interdição para toucas de lã.

O gênero alimentício também foi contemplado pela publicação. Abacaxis doces, mangas frescas e melancias suculentas estão entre os artigos proibidos.

Procurada, a GCM encaminhou ao Panóptico cópia de ofício do gabinete do Instituto de Controle do Requinte. Nele, lê-se:

Lã: 1. junta bolinhas deselegantes, 2. volumoso, 3. barato

Classificação: 3. Nível de requinte: grave.

Recolham-se os artigos que levam, total ou parcialmente, em sua formulação esta matéria-prima.

Removam-se aos distritos policiais aqueles envolvidos na sua fabricação ou distribuição.

Na oportunidade, renovamos nossa mais elevada estimada por esta valiosa guarda.

Andrea Matarazzo

Nossa reportagem não conseguiu contato com Matarazzo. Em nota, o Instituto de Controle do Requinte afirma que a prefeitura de São Paulo iniciará, em breve, um programa de incentivo ao uso da caxemira, material aprovado pela equipe técnica do Instituto.

PS. Aos leitores mais perdidos: vídeo real; texto ficcional, qualquer semelhança com fatos ou personagens reais não é mera coincidência

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junho 25, 2009 at 12:57

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400 famílias são expulsas de prédio; na rua, são ameaçadas por policiais

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Na semana passada, dia 16 de julho, cerca de 400 famílias foram despejadas do prédio do INSS na Avenida Nove de Julho.

Por força de medida judicial, as famílias tiveram de abandonar o imóvel e ceder lugar às baratas.

Durante a noite, a retirada dos pertences aconteceu sem tensão e cerca de cinco caminhões baú levavam os móveis para um depósito.

A maioria das pessoas não tinha a quem recorrer e dormiu sob os viadutos próximos ao prédio.

Às famílias foi oferecido passagem rodoviária de volta para cidade natal. Opção descartada pela imensa maioria, uma vez que mantém vínculos afetivos e profissionais na capital.

Também foi ofertado abrigo nos albergues municipais Boracéia, COM-Metodista, Lygia Jardim e Portal do Futuro. Opção considerada risível, já que os albergues em época de frio na cidade estão ainda mais lotados, e a prefeitura municipal, ignorando o aumento do número de pessoas em situação de rua, fechou, recentemente, vários deles.

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Desabrigados são ameaçados por policiais

Após uma desocupação sem incidentes, na noite seguinte, policiais militares e membros da Força Tática se dirigiram ao local e passaram a ameaçar os desabrigados, exigindo que se retirassem das ruas.

A ilegalidade da ação e desumanidade dos policiais que ameaçavam indistintamente crianças e idosos revoltou os sem-teto. Em protesto, eles interditaram a Avenida 9 de julho. A polícia reprimiu a manifestação lançando bombas e utilizando a força.

Famílias são expulsas da rua

Após uma semana sendo acossados pelas forças policias, os sem-teto permaneciam no local. Unidos e sem ter para onde ir, exigiam moradia digna.

No dia 22, segunda-feira, a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar cumpriram ordem da Prefeitura de SP e deram um ultimato aos sem-teto.

Após acordo com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, um espaço sob o viaduto Nove de Julho, emparedado há anos e totalmente insalubre, foi destinado às pessoas.

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Histórico

A antiga sede do INSS na Nove de julho, também com entrada pela Rua Álvaro de Carvalho, havia sido ocupada na noite do dia 12 de abril numa ação simultânea da Frente de Luta por Moradia (FLM).

Na ocasião, sete imóveis abandonados ganharam função social, inclusive o edifício da Avenida Prestes Maia, nº 911, símbolo do descaso do poder público e da luta por moradia.

Passados cerca de dois meses, dois imóveis continuam ocupados, um terreno na Avenida Teotônio Vilela (zona sul) que pertence ao INSS e o acampamento Alto Alegre, em São Matheus (zona leste).

Assista ao depoimento de alguns ex-moradores do prédio, numa reportagem do Outro Olhar

Relacionados:
Erro grave do juiz desocupa 200 pessoas, 68 crianças, artigo, Vi o mundo
Nove de Julho: mais 400 famílias nas ruas, reportagem, Fórum Centro Vivo
Fotos do dia do despejo, Panóptico

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junho 23, 2009 at 12:37

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Atenção! Este veículo está sendo roubado. Ligue para a Car System

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Meu caçula “joga” futebol com a parede do quarto; vira e mexe, eu recebo uma buzinada na orelha ao atravessar a rua; minha mulher, vindo do centro, gasta três horas para chegar ao Terminal Capelinha, todos os dias.

Um ano atrás eu não percebia como isso é injusto.

Eu organizo processos no principal Tribunal de São Paulo. Trabalho fácil e chato. Mas tem estabilidade e o café ajuda nas horas de maior angústia. Maldita estabilidade. Coisa rara. 17 anos de casa, agora em abril.

A questão é que esse maldito alarme exclamando, o dia todo, “Atenção! Este veículo está sendo roubado” está me deixando maluco. Doido mesmo.

Quando uma moto esbarra na outra na área de estacionamento de motos que tem na rua aqui ao lado do Tribunal, lá vem “este veículo está sendo roubado”. As motos se esbarram a cada 10 minutos, porque o espaço de estacionamento – do tamanho de dois carros – serve a uma multidão de motoboys.

Eu não entendo esse alarme. Não sei se alguém o leva a sério. Um dia resolvi ligar para a “Car system” dizendo que “um veículo foi roubado” para ver o acontecia. Talvez eles mandassem uma equipe armada até o local e recuperassem o “veículo”, não sei.

O atendente me perguntou se não se tratava de um disparo acidental; de repente, alguém tinha trombado numa moto estacionada.

Eu acho que se alguém vê um veículo sendo roubado, deve simplesmente ligar para a polícia. O dono do objeto deve se lamentar e arcar com o prejuízo.

Eu só gostaria de organizar as pastas e documentos em paz, como venho fazendo há quase 17 anos, sem que ninguém me mande ligar para a “car system”.

Neste último ano que meu cérebro foi esfaqueado pela “car system”, percebi que eu e minha família nunca fizemos parte do tal “trânsito caótico de São Paulo”, como diz a TV. Que apesar de gostar de usar esse assunto para jogar conversa fora, eu não tenho nada a ver com ele.

Nunca tive carro. Nunca tive nenhum “veículo roubado” e todos os dias desperdiço horas no ônibus voltando do Tribunal.

Isso só me veio à cabeça depois que a Car System chegou à minha vida.

Respeito muito o doutor Oliveira, mas não suporto mais. Vou deixar o Tribunal.

(de um cidadão qualquer)

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março 20, 2009 at 16:08

Para a PM, estacionar na rampa de deficientes é normal

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Foto: Cinara Assênsio. Todos os direitos reservados.

Assim como todos os motoristas de São Paulo, os policiais motorizados da cidade estão sempre procurando uma vaguinha para estacionar suas viaturas.

O “procedimento padrão” é estacionar sobre a calçada (com a frente para a rua – para “evacuar” rapidamente em caso de ocorrência) e ficar ao lado da viatura assistindo aos pedestres desviarem do carro.

Na imagem acima, a rampa de acesso à calçada, construída para facilitar a vida de cadeirantes e pessoas com dificuldade de deslocamento, pareceu ao policial um ótimo local para estacionar.

Como cobrar direitos rotineiramente na nossa cidade, se a cada poucos quarteirões vemos as autoridades policiais desrespeitando não só direitos mas regras de bom senso elementares?

Já quando se trata de defender o direito de circulação de veículos, a história é outra

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Written by panopticosp

fevereiro 3, 2009 at 20:46

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