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Governo do Estado tripudia sobre desabrigados: “A gente faz. E faz bem feito”

Famílias do acampamento Olga Benário, no Capão Redondo, que dormiram na rua, o governador e seu secretário de habitação mandam o recado: acreditem, sonhem, respirem, comemorem!

Programa de Desapropriação Popular da Polícia do Estado-1

Um dia após desalojar cerca de 800 famílias usando força policial, o governo do Estado de São Paulo faz publicar nos jornais, em página inteira, propaganda de sua “política” de habitação popular.

Dar de cara com uma propaganda dessas na página 3, enquanto que a página 1 traz as notícias da vergonhosa desapropriação só pode ser uma estratégia de incentivo à revolta popular.

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Foto: Cátia Toffoleto. Alguns direitos reservados

Mas num ponto a propaganda é bem verdadeira. Como todos nós vimos ontem, a tropa de choque e os tratores sempre funcionam: “No Estado de São Paulo é assim: A gente faz. E faz bem feito”

Se o governo seguir sua “política de habitação popular”, como observado na desapropriação do prédio do INSS, depois da expulsão das famílias de suas casas, virão as ordens para que a polícia toque o povo da rua. É o governo de SP sempre inovando: desaloja o desalojado.

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Foto: Cátia Toffoleto. Alguns direitos reservados

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Violentamente pacífico, vídeo e artigo, Apocalipse Motorizado
Em SP, famílias do Olga Benário resistem à decisão da Justiça, artigo, Rede Brasil Atual
Poste de Serra ataca os pobres. Quer que eles voltem ao Nordeste, artigo, Conversa Afiada
Famílias do acampamento Olga Benário são despejadas com violência, artigo, Raquel Rolnik

5 comments Agosto 25, 2009

O perigoso vendedor de toucas de lã contra as cinco viaturas da Guarda Municipal


Vídeo: mauriciommaia

Na última segunda-feira, mais um perigoso vendedor ambulante foi preso pela Guarda Civil Metropolitana – GCM.

Ele vendia toucas de inverno não aprovadas pela lei municipal “0023 – Coleção Outono-Inverno 2009″, sancionada no último mês.

Segundo a dupla de guardas responsável pela abordagem foi necessário jogar o vendedor no chão, imobilizá-lo no asfalto e requerer reforço de quatro viaturas armadas. Isso porque a matéria-prima dos aquecedores de cabeça era perigosa e fora reprovada pelo órgão municipal competente, ao apresentar Índice de Requinte 3.

Nossa reportagem procurou a administração municipal e teve acesso aos documentos do IMCR – Instituto Municipal de Controle do Requinte, responsável pela formulação e publicação do Índice de Requinte São Paulo.

O documento lista artigos variados, modelos, materiais e dá outras providências. A Subseção VII trata de “Chapéus, toucas, bonés e acessórios para a cabeça”, constando no artigo 36 a interdição para toucas de lã.

O gênero alimentício também foi contemplado pela publicação. Abacaxis doces, mangas frescas e melancias suculentas estão entre os artigos proibidos.

Procurada, a GCM encaminhou ao Panóptico cópia de ofício do gabinete do Instituto de Controle do Requinte. Nele, lê-se:

Lã: 1. junta bolinhas deselegantes, 2. volumoso, 3. barato

Classificação: 3. Nível de requinte: grave.

Recolham-se os artigos que levam, total ou parcialmente, em sua formulação esta matéria-prima.

Removam-se aos distritos policiais aqueles envolvidos na sua fabricação ou distribuição.

Na oportunidade, renovamos nossa mais elevada estimada por esta valiosa guarda.

Andrea Matarazzo

Nossa reportagem não conseguiu contato com Matarazzo. Em nota, o Instituto de Controle do Requinte afirma que a prefeitura de São Paulo iniciará, em breve, um programa de incentivo ao uso da caxemira, material aprovado pela equipe técnica do Instituto.

PS. Aos leitores mais perdidos: vídeo real; texto ficcional, qualquer semelhança com fatos ou personagens reais não é mera coincidência

3 comments Junho 25, 2009

400 famílias são expulsas de prédio; na rua, são ameaçadas por policiais

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Na semana passada, dia 16 de julho, cerca de 400 famílias foram despejadas do prédio do INSS na Avenida Nove de Julho.

Por força de medida judicial, as famílias tiveram de abandonar o imóvel e ceder lugar às baratas.

Durante a noite, a retirada dos pertences aconteceu sem tensão e cerca de cinco caminhões baú levavam os móveis para um depósito.

A maioria das pessoas não tinha a quem recorrer e dormiu sob os viadutos próximos ao prédio.

Às famílias foi oferecido passagem rodoviária de volta para cidade natal. Opção descartada pela imensa maioria, uma vez que mantém vínculos afetivos e profissionais na capital.

Também foi ofertado abrigo nos albergues municipais Boracéia, COM-Metodista, Lygia Jardim e Portal do Futuro. Opção considerada risível, já que os albergues em época de frio na cidade estão ainda mais lotados, e a prefeitura municipal, ignorando o aumento do número de pessoas em situação de rua, fechou, recentemente, vários deles.

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Desabrigados são ameaçados por policiais

Após uma desocupação sem incidentes, na noite seguinte, policiais militares e membros da Força Tática se dirigiram ao local e passaram a ameaçar os desabrigados, exigindo que se retirassem das ruas.

A ilegalidade da ação e desumanidade dos policiais que ameaçavam indistintamente crianças e idosos revoltou os sem-teto. Em protesto, eles interditaram a Avenida 9 de julho. A polícia reprimiu a manifestação lançando bombas e utilizando a força.

Famílias são expulsas da rua

Após uma semana sendo acossados pelas forças policias, os sem-teto permaneciam no local. Unidos e sem ter para onde ir, exigiam moradia digna.

No dia 22, segunda-feira, a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar cumpriram ordem da Prefeitura de SP e deram um ultimato aos sem-teto.

Após acordo com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, um espaço sob o viaduto Nove de Julho, emparedado há anos e totalmente insalubre, foi destinado às pessoas.

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Histórico

A antiga sede do INSS na Nove de julho, também com entrada pela Rua Álvaro de Carvalho, havia sido ocupada na noite do dia 12 de abril numa ação simultânea da Frente de Luta por Moradia (FLM).

Na ocasião, sete imóveis abandonados ganharam função social, inclusive o edifício da Avenida Prestes Maia, nº 911, símbolo do descaso do poder público e da luta por moradia.

Passados cerca de dois meses, dois imóveis continuam ocupados, um terreno na Avenida Teotônio Vilela (zona sul) que pertence ao INSS e o acampamento Alto Alegre, em São Matheus (zona leste).

Assista ao depoimento de alguns ex-moradores do prédio, numa reportagem do Outro Olhar

Relacionados:
Erro grave do juiz desocupa 200 pessoas, 68 crianças, artigo, Vi o mundo
Nove de Julho: mais 400 famílias nas ruas, reportagem, Fórum Centro Vivo
Fotos do dia do despejo, Panóptico

2 comments Junho 23, 2009

Atenção! Este veículo está sendo roubado. Ligue para a Car System

Meu caçula “joga” futebol com a parede do quarto; vira e mexe, eu recebo uma buzinada na orelha ao atravessar a rua; minha mulher, vindo do centro, gasta três horas para chegar ao Terminal Capelinha, todos os dias.

Um ano atrás eu não percebia como isso é injusto.

Eu organizo processos no principal Tribunal de São Paulo. Trabalho fácil e chato. Mas tem estabilidade e o café ajuda nas horas de maior angústia. Maldita estabilidade. Coisa rara. 17 anos de casa, agora em abril.

A questão é que esse maldito alarme exclamando, o dia todo, “Atenção! Este veículo está sendo roubado” está me deixando maluco. Doido mesmo.

Quando uma moto esbarra na outra na área de estacionamento de motos que tem na rua aqui ao lado do Tribunal, lá vem “este veículo está sendo roubado”. As motos se esbarram a cada 10 minutos, porque o espaço de estacionamento – do tamanho de dois carros – serve a uma multidão de motoboys.

Eu não entendo esse alarme. Não sei se alguém o leva a sério. Um dia resolvi ligar para a “Car system” dizendo que “um veículo foi roubado” para ver o acontecia. Talvez eles mandassem uma equipe armada até o local e recuperassem o “veículo”, não sei.

O atendente me perguntou se não se tratava de um disparo acidental; de repente, alguém tinha trombado numa moto estacionada.

Eu acho que se alguém vê um veículo sendo roubado, deve simplesmente ligar para a polícia. O dono do objeto deve se lamentar e arcar com o prejuízo.

Eu só gostaria de organizar as pastas e documentos em paz, como venho fazendo há quase 17 anos, sem que ninguém me mande ligar para a “car system”.

Neste último ano que meu cérebro foi esfaqueado pela “car system”, percebi que eu e minha família nunca fizemos parte do tal “trânsito caótico de São Paulo”, como diz a TV. Que apesar de gostar de usar esse assunto para jogar conversa fora, eu não tenho nada a ver com ele.

Nunca tive carro. Nunca tive nenhum “veículo roubado” e todos os dias desperdiço horas no ônibus voltando do Tribunal.

Isso só me veio à cabeça depois que a Car System chegou à minha vida.

Respeito muito o doutor Oliveira, mas não suporto mais. Vou deixar o Tribunal.

(de um cidadão qualquer)

1 comment Março 20, 2009

Para a PM, estacionar na rampa de deficientes é normal

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Foto: Cinara Assênsio. Todos os direitos reservados.

Assim como todos os motoristas de São Paulo, os policiais motorizados da cidade estão sempre procurando uma vaguinha para estacionar suas viaturas.

O “procedimento padrão” é estacionar sobre a calçada (com a frente para a rua – para “evacuar” rapidamente em caso de ocorrência) e ficar ao lado da viatura assistindo aos pedestres desviarem do carro.

Na imagem acima, a rampa de acesso à calçada, construída para facilitar a vida de cadeirantes e pessoas com dificuldade de deslocamento, pareceu ao policial um ótimo local para estacionar.

Como cobrar direitos rotineiramente na nossa cidade, se a cada poucos quarteirões vemos as autoridades policiais desrespeitando não só direitos mas regras de bom senso elementares?

Já quando se trata de defender o direito de circulação de veículos, a história é outra

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4 comments Fevereiro 3, 2009

Que a revolta esteja em vossos corações em 2009

1 comment Dezembro 23, 2008

Em São Paulo, cavalo-de-pau de Fórmula 1 pode; ollie de skate, não

A prefeitura de São Paulo discursa sobre ordem, enquanto subtrai o direito à espontaneidade dos cidadãos no seu próprio espaço de vivência.

Enquanto o secretário de esportes investe na prática do automobilismo e se mostra preocupado com este esporte popular, o governo coloca equipes de policiais na repressão aos carrinhos de manobras da molecada.

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Matéria: Metro. Todos os direitos reservados

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Enquanto a prefeitura bloqueia a passagem de pedestres para promover montadora de automóveis com dinheiro público, persegue ambulantes que “poluem o visual e atrapalham a passagem”.

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Fotos: Luddista. Alguns direitos reservados.

Enquanto instala bloqueios para pedestres em toda Av. Paulista, faz uso do argumento do direito do pedestre para criminalizar aqueles que andam sobre pranchinhas na mesma avenida.

Enquanto pede milhões para bancos internacionais para executar projetos de “estímulo à ocupação noturna das áreas centrais”, ordena que a polícia intimide aqueles que passam a noite se divertindo nas ruas dando ollies e outras manobras.

Uma cidade de guardas que se dedicam a perseguição de cada ato de liberdade não tem como ser uma cidade feliz.

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3 comments Dezembro 3, 2008

Não tem abacaxi hoje

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Perigosos vendedores de abacaxis fatiados estão aterrorizando os paulistanos.

A gangue, segundo a Guarda Civil Metropolitana, age em diversos bairros da cidade e concentra-se em centros comerciais.

Ainda segundo a Guarda, especializada em agressões a moradores de rua, os criminosos não vendem apenas abacaxis. Outros artigos ilícitos já foram identificados pela equipe de inteligência da prefeitura, mangas frescas e melancias suculentas estão entre eles.

Um dos guardas declarou: “Este nível de doçura em abacaxis não é autorizado pelos órgãos municipais. No verão, as pessoas passam e logo param para se refrescar. Como este mercado negro vende as fatias por cerca de um real, têm gente que compra para os colegas do escritório, filhos… Não percebem o risco que correm, logo se tornam dependentes e partem para frutas mais pesadas. Vamos agir com rigor contra estes contrabandistas e fazer cumprir a lei!”

A subprefeitura da Sé promete acabar de vez com o problema na região central ao implantar o projeto “São Paulo sem frutas. Mais trufas, menos frutas”. Segundo a coordenadora do projeto “sobremesas como barras de chocolate e bolachas recheadas pagam impostos, são produzidas por indústrias idôneas e, além do mais, são muito mais saudáveis. Por isso, a linha de atuação da prefeitura é colocar ordem na casa combatendo as delícias da terra e estimulando o consumo de doces industrializados”.

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9 comments Novembro 24, 2008

2a. Edição da Cartilha sobre Abordagem Policial

Amanhã, dia 23, 10h acontece no Salão de cidadania no Prédio da Secretaria de Justiça (Pátio do Colégio) o lançamento da 2a. edição da Cartilha sobre Abordagem Policial.

A cartilha “Abordagem Policial – O que podem e não podem fazer os policiais” vem responder ao anseio que muitas pessoas têm em conhecer as atribuições de um policial civil ou militar durante uma abordagem, independentemente do grau hierárquico que ocupa.

Para esta nova reedição incluímos três novos pontos fazem parte da nova edição:

1. Abordagem ao grupo GLBTT- gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais.

2. Metodologia das Audiências Públicas Comunitárias, que visa promover o diálogo entre comunidade e autoridades na busca de soluções dos problemas da comunidade.

3. Proposta de criação de Núcleo de Apoio à Ouvidoria de Policia do Estado de São Paulo. , que visa divulgar os serviços da ouvidoria de Policia junto às comunidades.

A cartilha “Abordagem Policial” é uma iniciativa do Centro de Direitos Humanos de Sapopemba, em parceria com o Movimento de Direitos Humanos do Regional São Paulo, Instituto Brasileiro de Estudos Comunitários-IBEAC, Entidade Ser Humano, Observatório de Violência Policial, Cedeca Mônica Paião Trevisan, Cedeca Dom Luciano Mendes de Almeida e Instituto Daniel Comboni.

:: Baixe a Cartilha de abordagem policial aqui ::

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Add comment Agosto 22, 2007

A formação das classes perigosas no Brasil

A ação dos policiais na praça da Sé e em outras tantas tem um lastro histórico que não custa rememorar.

“As classes pobres e viciosas sempre foram e hão de ser sempre a mais abundante casa de toda sorte de malfeitorias: são elas que se designam mais propriamente sob o título de “classes perigosas”; pois quando mesmo o vício não é acompanhado pelo crime, só o fato de aliar-se à pobreza no mesmo indivíduo constitui um justo motivo de terror para a sociedade. O perigo social cresce e torna-se de mais a mais ameaçador, à medida que o pobre deteriora a sua condição pelo vício e, o pior, pela ociosidade”

Anais da Câmara dos Deputados, vol.3, p.73, sessão de 10 de junho de 1888.

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Add comment Maio 10, 2007

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