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WWF expõe desempregados à humilhação
Quando o conceito de seleção natural foi aplicado à sociedade a coisa ficou muito feia. Mais tarde, quando grandes corporações resolveram adotar a idéia dos mais aptos para justificar demissões em massa, erros políticos e econômicos de todo um período caíram no colo dos trabalhadores.
Lembra daquela época em que a pauta era globalização? O começo desse papo? Era globalização de dia, globalização à noite e veio aquela avalanche de manuais e palestras de gurus da administração em países “emergentes” como o Brasil. Eles espalharam as idéias que faltavam para inocentar as empresas globais das famílias que destruíam semanalmente.
“Atualização profissional” era o mantra do trabalhador nesta época. “É preciso se atualizar”, ou melhor, “estar sempre atualizado”. Até hoje o SPTV e todos os programas voltados para a “vida prática” e “prestação de serviço” tem espaço reservado para dicas de como se comportar em entrevistas, dicas de cursos, dicas de tendências profissionais, áreas onde sobram vagas e outras maravilhas que indicam só uma coisa: está tudo aí, basta querer.
O trabalhador desempregado com mais de 40 anos de idade foi considerado “ininpregável” pelo chefe do executivo do Brasil. Tudo colaborava para sua humilhação social. Encostado, acomodado, desatualizado, vacilão. Os crimes das sucessivas políticas econômicas irresponsáveis eram personalizados na figura do trabalhador. Trabalhador por trabalhador, todos foram culpabilizados.
A classe média emburrecida adorou os manuais de administração: estratégias de sobrevivência duras, só os mais fortes sobreviveriam, como ficar rico… Enquanto torneiros mecânicos eram derrubados tudo ia bem. Mas, logo, alguns supervisores começaram a cair, uns gerentes deram de cara no chão e, hoje, – dizem, não sei, ouvi falar – tem diretor procurando “recolocação no mercado”.
Ser responsabilizado pelo próprio fracasso e desalento de sua família, como sabem, é de uma carga psicológica pesada demais. Mais uma vez, a surrada tática corporativa mostrou-se eficiente: um problema social/coletivo foi transformado em problema pessoal/privado.
A campanha Seleção Natural
A WWF com a intenção de promover sua mensagem ecológica fez uso do que há de mais atual no mundo da publicidade: fazer alguma coisa engraçada na internet que possa se espalhar e gerar comentários. Ao mesmo tempo escolheu uma forma de humor das mais caducas e sem graça que existem, a pegadinha.
Anunciou no jornal vagas de emprego para animais, gravou as ligações dos candidatos e as divulgou no site da campanha.
Não há justificativa para pregar peça em alguém desesperado por trabalho. Aguardar a ligação de um desempregado que vê um anúncio que diz “vaga para onça-pintada”, gravá-la e fazer pirraça com isso não é só falta de sensibilidade, é perversidade.
Ouvir perguntas como “Você prefere ser onça-pintada ou boto-rosa? Por quê?” e escutar as pessoas tentando dar uma resposta que convença o entrevistador (sim, as pessoas aprendem as malditas dicas de entrevistas), mais que embaraçador, é revoltante.
O que é trágico não é o fato das pessoas acharem que podem “trabalhar” como onça-pintada, é o fato de uma organização de defesa dos animais expor pessoas numa situação frágil a mais um constrangimento.
(dica: Fastblog do Marco Gomes)
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Guia ilustrado da revolução no trabalho
O trabalho
40 comments Maio 28, 2009
Revista da Univ. Federal de Santa Maria discute mobilidade urbana
A revista Ciência & Ambiente, publicada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), lançou uma edição dedicada ao tema “A cultura do automóvel”, reunindo textos de 12 especialistas que analisam o assunto sob a perspectiva de diversas áreas do conhecimento.
Os artigos apresentam propostas alternativas para desafios urbanísticos, tecnológicos e energéticos promovidos pelo uso de veículos automotivos. As propostas, dotadas de diferentes escalas de complexidade para implantação, indicam caminhos para o movimento de transformação do atual cenário urbano.
Os editores convidados para a 37ª edição da revista são a professora Erminia Maricato, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP), e Ronai Pires da Rocha, do Departamento de Filosofia da UFSM.
No volume, são abordadas questões como o significado da “cultura do automóvel” na cena contemporânea; o custo do automóvel, da indústria de infraestrutura e da opção energética para o ambiente e a saúde dos moradores urbanos; e quais modos de transporte ou políticas de mobilidade e uso do solo podem ser introduzidos.
Os autores, além dos dois editores convidados, são Ailton Brasiliense, Eduardo David, Felix Farret, Liana John, Luiz Righi, Marco Aurélio Lagonegro, Miguel Neves Camargo, Nazareno Affonso, Raphael David, Renato Boareto, Ricardo Neder, Richard Stephan, Tatiana Schor e Tiago Guedes.
“O automóvel e a cidade”, “Automobilismo: qual uso, qual significado?”, “Crítica à cultura do automóvel ou teoria crítica da tecnologia?”, “A ideologia rodoviarista no Brasil”, “A política de mobilidade urbana e a construção de cidades sustentáveis” e “Energia veicular e alternativas para o século 21” são alguns dos artigos presentes no volume.
Mais informações: www.ufsm.br/cienciaeambiente
(Fonte: Agência FAPESP)
Add comment Março 16, 2009
Produzir, produzir; explorar e assassinar
No país do futuro, de tudo acontece no presente. A audácia de suas autoridades e instituições impressiona dia a dia.
No dia 18/11, Luís Carlos Heinze (PP-RS), da bancada ruralista, provou, em poucas palavras, que o presente do agronegócio é uma sombra do passado da escravidão.
Em uma audiência, o Deputado defendeu que apesar do setor agrícola gerar riqueza e afastar o país da crise, sofre com as pressões de bancos, impostos, ambientalistas e fiscais do trabalho.
Heinze disse que “Em Goiás, (…) os caras tiveram que matar um fiscal”. Sua fala entra para a história por revelar, com toda crueldade possível, a verdade do mito do desenvolvimento brasileiro:
“Quem está gerando riqueza nesse país”, diz ele, “está sendo varrido de cima de suas propriedades: primeiro pelos bancos, segundo pela carga tributária e agora pelos ambientalistas (…) e também pelo pessoal do Ministério do Trabalho”.
“Aqui em Goiás, até isso acontece, os caras tiveram que matar um fiscal. De tão acuado que tava esse povo. O cara não agüenta mais!”
Ouça o áudio com a declaração (arquivo .mp3)
Porém, nesse solo que “tudo dá”, brotam frutos sempre maiores, mais obscuros e rançosos.
Antério Mânica – fazendeiro, prefeito de Unaí e acusado de encomendar a chacina de quatro fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego -, por exemplo, foi condecorado, no dia 24/11, com a Medalha da Ordem do Mérito Legislativo pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais.
Relacionados:
Chacina de Unaí completa três anos sem julgamento dos acusados, Especial, Repórter Brasil
Categoria repudia comenda a acusado pela Chacina de Unaí, artigo, Repórter Brasil
Deputado faz apologia à morte de funcionários públicos, artigo, Blog do Sakamoto
1 comment Novembro 28, 2008
A missa da toalha úmida continua
Outro dia, o G1 disse “No trânsito, não tem jeito. Se há poluição, é melhor fechar os vidros e ligar o ar-condicionado. A fumaça de carros e caminhões parados no trânsito causa mais irritações nas vias aéreas do que o ar-condicionado”
Hoje a Folha de S. Paulo disse: “No trânsito, se estiver num congestionamento, é melhor fechar os vidros e ligar o ar-condicionado. A fumaça dos veículos parados irrita mais as vias aéreas do que o ar-condicionado”

O G1 escreveu “não tem jeito”; a Folha, “é melhor”. O G1 escreveu “carros e caminhões”; a Folha, “veículos parados”. De resto, os textos são quase iguais.
Repeteco
Não, não estamos preocupados com cópia. São notinhas num quadro. Imaginar que alguém copiou algo assim seria demais. Aí seria melhor fechar a lojinha de papel de uma vez. O que assusta é como a imprensa brasileira reproduz idéias e estilos.
Reproduz a pauta de jornais estrangeiros diariamente. Uma pauta internacional não é relevante até que os grandes jornais do mundo a considerem assim. A América Latina, por exemplo, não merece maior, ou melhor, cobertura no Brasil do que nos Estados Unidos, como seria de se esperar.
As pautas do dia-a-dia são uma série de textos descritivos que obedecem a um padrão antigo e chato. Uma ou outra liberdade, como “não tem jeito”, foi introduzida depois que perceberam que blogs e outros páginas estavam atraindo leitores, mas o texto feito em 5 minutos predomina e fica evidente a quem lê jornais com freqüência.
Nessa hora o leitor fica com a sensação de que alguém está ofendendo sua inteligência. Além de perceber que foi enganado como consumidor (comprou uma notícia enlatada achando que era natural), jogou fora tempo do dia sempre curto.
As fontes que ninguém sabe, ninguém viu
A Associação Nacional de Jornais diz que os jornais são os veículos mais confiáveis. Há fonte, checagem, entrevista, apuração etc.
Seria mais fácil de acreditar na afirmação se o jornal respeita-se um pouco mais os estudantes que estão aprendendo o que é “fonte”. Num dia digo ao meu sobrinho que quando ele cita um trecho interessante de um livro, ele deve colocar o nome do livro e do autor no rodapé para que as pessoas saibam de onde veio a citação e possam consultá-la. No outro, o garoto pega o jornal, assusta-se as informações sobre o clima seco da cidade e vê como fonte da informação “médicos”. Certo dia, decide usar uma citação de Lawrence Lessig e no rodapé escreve “autores”. A professora reclama. Ele explica que no jornalismo é assim que se faz.
Só o privado interessa
Quais são as situações resumidas no quadro da Folha? “Em casa”, “No escritório”, “No trânsito”, “Animais”.
Será que o cidadão que mora em São Paulo sofre de alguma anomalia e “sente” o clima seco apenas dentro de ambientes privados? Não, a anomalia é o viés jornalístico. A imprensa está preocupada com seu “segmento”. A maioria dos leitores de jornais (pelo menos, os que mais intere$$am, como assinantes) são do tipo casa-escritório-trânsito-animal-casa.
Quais são as dicas para os pedestres que andam nas calçadas ao lado dos carros? Quais são as dicas para os usuários de ônibus que estão nas mesmas ruas e avenidas que os carros? Sabemos quais são: “evite atividade física durante o dia”. Então beleza, todo mundo de carro com ar-condicionado para a rua!
Além de falar para o “seu público” (classe média motorizada), este tipo de “dica” é bem conveniente. Consegue falar do tema sem tratar do tema em si. A poluição do ar é um problema público – pelo menos enquanto o ar for público -, mas as reportagens “puxam” o tema para o privado.
No escritório, em casa, no carro até é possível minimizar por alguns momentos os efeitos do clima seco. Mas como seriam as dicas jornalísticas em ambientes públicos? Pendure toalhas molhadas nas árvores que sobraram? Enquanto caminha até a escola feche os vidros? Não seria difícil imaginar o texto, “se tiver que ir até a padaria, vá de carro, é melhor do que respirar nas ruas” e por que não “se tiver que ir até a padaria a pé, não tem jeito, respire o menos possível”
Dica de morte rápida
É interessante que a imprensa recomende que em casa o cara abra as janelas para o ar circular (geralmente, recomendam vaporizadores e toalha úmida mesmo), e que no trânsito feche as janelas.
Um carro a sua frente, outros ao lado, você fecha a janela (por onde entra a maioria do ar) e liga o ar-condicionado. Ele condiciona que ar? A não ser que seu carro crie ar, ele condiona o ar que está poluído. Não existe outro. Você ficará respirando o mesmo ar “parado” e poluído pelo tempo que ficar no carro. Não há como lacrar o carro e purificar o ar interno. (link via Vá de bike)
Claro, quando você liga o ar condicionado, o consumo de combustível aumenta e a emissão de poluentes aumenta, mas isso é problema do carro de trás.
Relacionados:
A missa da toalha úmida, artigo, Panóptico
Creminho antipoluição, artigo, Panóptico
Pedalar no trânsito não faz mal para a saúde, artigo (com diversos outros textos relacionados), Vá de bike
Add comment Agosto 21, 2008
A missa da toalha úmida

Você vai dormir e parece que tem um gato peludo preso na garganta – e pior, querendo sair? Seu filho sofre com mais uma crise respiratória? O seu nariz sangrou esta tarde? Metade do pessoal do escritório não para de coçar os olhos?
É difícil ter a dimensão dos problemas numa cidade gigante e variada. Pois a imprensa está aí para isso, para dimensionar e noticiar em massa o que é de interesse público.
Os hospitais estão lotados de crianças que não conseguem respirar? A imprensa está sempre atenta e, claro, vai investigar, aprofundar, trazer o debate à tona.


É hora de discutir o clima insuportável? Claro. E o que vemos? A santa missa. Antigamente rezada anualmente, atualmente rezada trimestralmente, a pregação é fácil de decorar: “deixe uma bacia de água na sala, uma toalha úmida no quarto”.
É isso em todos, todos os meios de comunicação. Em todos os jornais, no maior do Brasil, no com mais classificados, no “mais antigo da cidade”, no “a serviço do Brasil”. Em todas as redes de televisão, na com maior audiência, na do bispo, na do baú.

Nas redações, o texto da toalha molhada deve ficar num arquivo chamado “modelo clima seco”, mas o G1 foi além e fez um especial, que como vemos acima, é uma jóia do jornalismo de e para a classe média motorizada: “No trânsito, não tem jeito. Se há poluição, é melhor fechar os vidros e ligar o ar-condicionado. A fumaça de carros e caminhões parados no trânsito causa mais irritações nas vias aéreas do que o ar-condicionado”
É o milagre da construção textual que isenta o leitor de culpa. Você está no trânsito poluindo e acabando com sua própria respiração, sente irritação, e qual é a recomendação do portal da Rede Globo: fechar os vidros e ligar o ar-condicionado. O ar público está ruim? Liga o ar-condicionado particular! É a privatização do oxigênio.
A Folha de S. Paulo também subiu um degrau na mesma escada. Dia desses, junto à tradicional reportagem “XY de umidade. Pendure toalha úmida” havia a foto de três surfistas à beira-mar e o texto recomendava a ida ao litoral, onde a umidade é maior. Beleza pura! Todo mundo para Santos (quer dizer, a Folha recomendava Guarujá)!
Será que a umidade depende exclusivamente das chuvas?
Será que foi sempre assim? Quando a cidade tinha ampla cobertura vegetal não chovia 30 dias as pessoas não conseguiam dormir? Quando o transporte motorizado individual não dominava todo o espaço público os narizes das crianças sangravam?
Será que o clima seco tem a ver com a poluição? Será que no interior de São Paulo e Centro-Oeste do país tem a ver com as queimadas das plantações do aclamado combustível “limpo”?
Nada disso é sequer mencionado. Afinal, para que serve um repórter? Para dizer que faz tantos dias que não chove? A cidade há semanas com um clima intolerável e quem trata do assunto na mídia? A garota do tempo!
As pediatrias com filas para inalação e a prefeitura faz o quê? Convoca os secretários para pensar num plano emergencial? Propõe restrições à emissão de poluentes? Não, ou omite-se – o site do Centro de gerenciamento de emergências de São Paulo, por exemplo, apenas informa a previsão do tempo. Ou faz coro com as recomendações médicas: pendurar toalha úmida na porta da sala.
Relacionado:
Todo ano a culpa é do clima, artigo, Vá de bike!
11 comments Julho 22, 2008
Só fachada

Foto: George Steinmetz. Todos os direitos reservados.
Clique na imagem para ampliar e ver outras sensacionais fotos aéreas de Steinmetz.
(Via Neatorama)
1 comment Abril 16, 2008
Continue aprendendo com a natureza
Compre um CD “Sons da natureza”, um CD de uma bandinha de seriado norte-americano e umas dez imagens aéreas de um banco de imagens. Certo, edite e você tem uma propaganda de automóvel. Só falta a frase final, algo sutil, talvez até sem narração.
Tem que ser algo que remeta aos valores vigentes entre seu público-alvo. Ecologia, talvez. Nada muito direto, um certo tom auto-ajuda é conveniente, “viver a vida”, “aprender sempre”, “respeitar a natureza”, essas coisas.
A Volkswagen fez isso e nos traz um filme tranqüilo, tranqüilo. A montadora faz aqui as vezes de observadora de pássaros.
No final solta uma frase para quem quiser acreditar: “Grande distâncias, baixo consumo. Continue aprendendo com a natureza”.
3 comments Abril 11, 2008
Uma pequena estória sobre a cara-de-pau
Publicitários copiam publicitários.
Alguém resolve fazer comerciais com trilhas sonoras pop, sem diálogo ou texto, só o logotipo da marca na tela final e, pronto, esse tipo de filme de filme invadirá os televisores por meses. Alguém começa a privilegiar a cor azul ou verde no ambiente, como nos seriados norte-americanos e lá vem uma enxurrada desse tipo.
A moda agora é o tom bonzinho, um texto meio auto-ajuda acompanhado de uma narração tranqüila e de imagens fofinhas, como animações infantis. Este conceito vem vendendo carros, bancos e poderia vender armas.
O filme acima, segundo o narrador é uma pequena estória sobre “gente que faz”, que faz as coisas funcionarem melhor.
“E se plantássemos árvores ao redor de nossas fábricas e ajudássemos o ar a ficar mais limpo?”, pergunta o narrador.
E se criássemos tintas à base d’água? E se criássemos o carro solar? O carro hídrido? E um carro que emite água?
E se todos nós fôssemos empreendedores e fizéssemos as coisas de um jeito diferente?
Se não dirigíssemos quando não precisamos. Se dirigíssemos mais devagar no trânsito em vez de arrancar e frear? Se mativéssemos os pneus calibrados para economizar combustível? Se reduzíssemos a bagagem desnecessária dos carros?
Estas são as perguntas do estratagema publicitário. A responsabilidade de quem estimula certo comportamento é anulada e transferida com cuidado ao usuário. Vide história da indústria do tabaco.
Responderíamos que se todos fôssemos empreendedores e usássemos um carro, o mundo seria um estacionamento. Bom, na verdade, teríamos que empilhar carros em terra e espalhá-los sobre os oceanos. Poderíamos dizer que carros que soltam água pelo escapamento não são encontrados nas concessionárias Honda. Que é impossível que um mundo melhor esteja baseado no transporte individual motorizado e que, portanto, é inaceitável que um fabricante da impossibilidade e de um mundo pior nos diga quais são as possibilidades de um mundo melhor.
Mas deixemos que uma outra propaganda da Honda, digo, a fabricante do mundo real, a Honda das vendas de fato, responda à Honda boazinha, à Honda dos carros d’água. A Honda da publicidade boazinha que foca no público feminino (segmento de seu carro Honda Fit) quer que os motoristas dirijam devagar para economizar combustível, a Honda cabra macho quer “potência na potência máxima”. Ambos os públicos-alvos das campanhas só acreditam nestas campanhas, pois foram educados pelo consumo para o consumo.

Outros comerciais recentes para adultos que brincam com carrinhos (vídeos no youtube):
Cadbury Trucks Commercial
Ford Ka – Bebe
Ford Ka – Moustro Fubolero
Ford Ka – Pato Monstruo
Ford Ranger – Torre
Corredor de Fórmula 1 também é boa praça: Renault España – Alonso
2 comments Abril 3, 2008
Ecofinanciamento

O seu carro, moto ou caminhão novo ou usado está ao seu alcance. Com o Leasing ou CDC, você aproveita as melhores taxas e prazos do mercado e ainda contribui para o reflorestamento da Mata Atlântica. A cada Ecofinanciamento realizado, mudas de árvores nativas serão plantadas pelo programa Florestas do Futuro da Fundação Mata Atlântica.
“Mas esse mundo está de ponta cabeça mesmo” é uma daquelas frases que você ouve quando criança, acha que nunca vai dizer mas vira e mexe não encontra jeito mais sucinto de se expressar.
Depois do banco que promove um seguro de automóveis em que a pessoa escolhe um lote de floresta para preservação e associa a área adotada ao seu nome, temos o banco que faz financiamentos ecológicos de carros.
Na propaganda acima, ao redor do carro temos nomes de árvores, Jacarandá, Ipê-roxo… Entendido, ecofinanciamento significa que financiar a comprar de um carro preserva estas espécies.
Em nenhuma época, em nenhum lugar do planeta faria sentido dizer que uma máquina pesada movida à combustão é sinônimo de preservação, numa cidade de 10 milhões de pessoas, com 6 milhões de carros registrados num tempo de grande preocupação com as emissões de gases na atmosfera é, obviamente, incabível, um atestado do predomínio do marketing e do lucro sobre o bem-estar humano.
É impossível aceitarmos que um carro a mais nas ruas, poluindo, fazendo barulho, causando irritação, trazendo risco de mortes e asfaltando todos os espaços disponíveis seja vendido como sinônimo de preservação ambiental.
Na regra do comércio exagera-se com o objetivo de vender mais, o limite porém é simples, mentir não vale. Ou pelo menos era simples. Quando o comerciante vendia gato por lebre voltava-se ao enganador e tentava-se resolver a contenda ou espalhava-se pelo bairro a fama de mau vendedor.
Nos tempos do marketing e dos zelosos conselhos de auto-regulamentação publicitária o vendedor diz que carro preserva o ambiente e que, portanto, quanto mais comprarmos carros mais ele será preservado e fica tudo por isso mesmo?
Em países subdesenvolvidos como a Noruega, o governo não se furta a investigar se seus cidadãos estão sendo enganados por propagandas mentirosas, láassociar carro a ecologia é proibido.
1 comment Fevereiro 27, 2008








