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Para morrer de poluição com o carro limpinho
Não é sobre idosos morrendo secos. Não é sobre crianças fazendo fila na inalação. Não é sobre o enxofre, sobre o CO² ou partículas sólidas saídas dos escapamentos. É sobre o pó acumulado sobre os carros! A reclamação é o carro sujo!
Caro estudante de qualquer coisa, guarde esta matéria para quando um professor, tutor, pai ou semelhante lhe falar sobre a relevância dos assuntos a serem tratos no mundo e na vida. O assunto pó sobre o carro não mereceria atenção nem numa fila de banco, mas no jornalismo paulistano é diferente.
Como se vê, no G1 o assunto não só existe, como ganhou status de problema, mereceu três fotos e depoimentos.
O fato dos carros serem, justamente, os maiores poluidores da cidade, claro, não tem nada a ver com história e não merece menção alguma.
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O Maranhão é aqui

Capa do Diário Oficial do Estado de SP, 30/03/2010, homenageia Lucy Montoro
No pobre Maranhão é impossível se dirigir a um órgão público ou logradouro que não tenha o nome Sarney numa placa na entrada.
No rico estado de São Paulo é cada vez difícil não trombar com um dos antepassados políticos dos atuais governantes.
Num prédio de uma cidadezinha do interior ou na capital lá estão um dos membros da família Covas e Montoro sendo lembrados.
Os membros do núcleo de propaganda governamental também são lembrados. Frias e Marinhos tem seu nomes espalhados por locais onde pobres e ricos passam diariamente.
Hoje, dia 31, foi publicado mais um decreto do governador homenageando Roberto “Cidadão Kane” Marinho.
Decreto Nº 55.596, de 19 de março de 2010
Dá denominação “Jornalista Roberto Marinho” à Escola Técnica Estadual – ETEC, unidade de ensino do Centro Estadual de Educação Tecnológica “Paula Souza” – CEETEPS, a ser construída no bairro do Brooklin, em São Paulo
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Lula faz homenagem a Octavio Frias de Oliveira, Folha Online (link via @luddista)
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Folha ignora violência homofóbica
Sobre a Parada Gay de São Paulo, que ocorreu no último domingo, a Folha de S. Paulo, publicou um parágrafo revelador de sua ideologia.
No episódio mais grave, por volta das 22h, o morador de um edifício na avenida Vieira de Carvalho (centro) se irritou com o barulho de pessoas que dispersaram da festa e jogou uma bomba caseira no grupo.
Segundo a Polícia Militar, 30 pessoas ficaram levemente feridas pelo artefato. O morador não foi identificado.
Fonte: Brigas, furtos e até bomba prejudicam clima de festa, FSP, 15/06/09 (para assinantes)
Antes de tudo, noticiar o lançamento de uma bomba sobre um grupo de gays como um incidente é um absurdo desrespeito às vítimas e a vida. Dizer que uma bomba explodiu porque alguém achou que estava muito barulho na rua é um acinte à inteligência dos leitores.
A notícia também nos fala bastante sobre a prática do jornalismo. Num dia de manifestação festiva gay, seria demais imaginar que um jornalista consiga formar esta versão de “barulho”.
Ela fora, provavelmente, resultado de depoimentos da polícia e de pessoas que circulavam no local – como manda o manual do jornalismo. Transpor isso para o texto seria resultado de uma ignorância de contexto social tamanha que, logo, podemos considerá-la impossível; resta, portanto, acreditarmos que é produto do desprezo do jornal pela violência praticada contra minorias.
Vale lembrar que o caso aconteceu na avenida Vieira de Carvalho, tradicional ponto gay de São Paulo. Ponto que não é elencado entre as concorridas baladas gays do Guia da Folha, pois no local concentram-se, em sua maioria, gays pobres.
A versão que a Folha quer que acreditemos pode ser resumida assim: uma pessoa querendo assistir a novela se irritou com o barulho, ao lado do controle remoto estava uma bomba, que ela resolveu jogar pela janela.
O desprezo da Folha pela violência só não é mais latente do que o da polícia, que mesmo sabendo de qual prédio veio a bomba, até agora, não divulgou nenhum dado sobre a investigação.
Talvez o jornalista da Folha possa ajudá-los. Já que ele sabe que o agressor “se irritou com o barulho”, ele o entrevistou. Afinal, que outra fonte poderia dizer o motivo do crime? Será que o jornalista chutou o motivo? Não, claro que não. Como nos dizem as recentes propagandas dos grandes jornais, jornalismo sério só com fonte segura, apuração.
Ontem, Marcelo Campos, de 35 anos, negro, trabalhador e gay morreu vítima de um espancamento durante a Parada Gay. Não há notícias de que estava fazendo barulho.
Um protesto esta marcado para sábado, 19h, na avenida Vieira de Carvalho.
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Pra não dizer que não falei das flores ou bomba no cu dos outros é refresco, artigo, Jean Wyllys
O glamour dos valets e a “revitalização” do centro
Sempre teremos “problemas” a resolver em São Paulo quando o assunto é estacionamento. Isso porque a relação entre o espaço que carros parados ocupam e o espaço que seus donos ocupam é totalmente desequilibrada. Uma reunião com 20 pessoas marcada numa sala de 20 m² pode atrair 20 carros, causando um belo transtorno em frente ao local.
Como os paulistanos não sabem ir a lugar nenhum sem levar consigo um motor quente, nem aos finais de semana, o problema é permanente.
Cineminha na sala Unibanco Augusta no domingo? Trânsito a um quarteirão do metrô. Anúncio antes do filme começar, indicando os estacionamentos ao redor? Sim, no Cine Belas Artes, que fica em frente a um corredor de ônibus e a dois quarteirões do metrô.
Sobre a reabertura de uma magnífica sala de cinema no centro de São Paulo, a matéria “Repaginado, Cine Marabá reabre e resgata o glamour”, do Estadão, diz:
O problema da falta de vagas de estacionamento (e da falta de garagens subterrâneas, projeto da Prefeitura que está há seis anos no papel) será resolvido com um valet na porta.
A “solução” não soluciona e não revitaliza área nenhuma.
Os valets, mesmo que não sejam, representam a exclusividade, uma desigualdade de tratamento nociva. Numa frase, valets são pedantes. E não é isso que ajudará a revitalizar o centro de São Paulo.
Não importa quantos “Centros culturais” inventarem, partes do bairro continuarão esvaziadas à noite se as pessoas saírem de seus carros feito bolas de sinuca e caírem dentro da caçapa do cinema.
No tempo do tal proclamado glamour, o centro era o principal bairro da cidade e, apesar dos carros já causarem enormes problemas e embates, as pessoas utilizavam as pernas que possuíam. Não por acaso, boa parte das salas de 2.000 lugares que se dedicavam a exibição de filmes, hoje guarda carros.
Os problemas de segurança existem e podem ser solucionados de verdade.
A reabertura de um cinema histórico seria uma bela oportunidade para que gente de classes privilegiadas conheçesse e experimentesse o centro à noite e no final de semana. Ao esperar o ônibus, aguardar a próxima sessão no bar ao lado, ao caminhar até o metrô o local poderia voltar a ser mais agradável para todos.
Esse seria um pequeno passo em direção à solução. Já um valet não estimula ninguém a nada positivo, só trará uma vida artificial restrita aos 50 metros em volta do cinema.
A mesma tática fora adotada pelo turístico Bar Brahma, ao lado do Marabá. Para garantir que as pessoas desçam dos carros e entrem direito no local, manobristas velozes e furiosos correm de um lado para o outro nos horários de pico. O Centro Cultural Banco do Brasil, que fica num calçadão, foi mais longe e ofereceu por anos um serviço de van que levava os clientes até um estacionamento conveniado.
Obviamente, esta “solução” do cinema com valet não está apenas relacionada à falta de vagas, uma vez que existem opções próximas. Está relacionada à segurança. Por isso, a probabilidade de se instaurar a segurança privada disfarçada na calçada em frente para garantir a tranquilidade dos frequentadores é grande.
Torcemos para que o empreendimento dê certo, mesmo com os tais valets. Mas um alerta é válido: moradores de rua, camelôs, sem-teto, ciganos, africanos, trombadinhas, todos os feios, sujos e malvados do envolto do cinema, preparem-se, a cultura vem aí.
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Os Valets glamourosos
No mês passado, a revista Veja São Paulo publicou mais uma matéria defendendo que os interesses particulares devem se sobrepor aos coletivos, na cidade de São Paulo.
Não se tratava, porém, da defesa de especuladores em detrimento de movimentos sociais, de desejos patronais sobre direitos trabalhistas. A defesa desta lógica se revela também em temas menores e apareceu na Veja no principal tema cotidiano da cidade, o trânsito.
Os carros de luxo que circulam pelos 180 metros do trecho entre as avenidas Faria Lima e Nove de Julho da Rua Amauri, famosa pela alta concentração de restaurantes badalados, no Itaim Bibi, podem se livrar do fardo de dividir espaço com os ônibus
O texto “Ônibus da discórdia” adota o conhecido estilo “absurdo pré-fabricado” e mentiroso para “formar opinião” a favor da parte mais forte e, consequentemente, sensibilizar os administradores públicos para uma solução rápida.
“Aí, os motoristas dos ônibus metem a mão na buzina e irritam quem quer comer com tranquilidade”, afirma Giliard dos Santos, funcionário da empresa de valet Golf Park.
É o avesso do avesso, o direito de carros coletivos passarem por ruas públicas vira “discórdia” em revista.
Antes de receber um glorioso “não’ da SPTrans, a rua Amauri recebeu centenas de ciclistas atentos aos ataques da mídia e dispostos a questionar a privatização da rua.
Por alguns minutos a rua também contou com um serviço vip de estacionamento de bicicletas.
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Zero Hora: Fábrica de Mentiras
Muralha Rubro Negra deixou um recado em frente à sede do jornal Zero Hora, em Porto Alegre
Via RS Urgente
Eles e elas pedalaram pelados
Um ótimo comparativo para se entender, não apenas o que foi publicado sobre a Pedalada Pelada, mas como é a cobertura de um protesto pela grande mídia.
Aqui, todas as notícias reunidas.
“Ditabranda”: o ato contra o apoio da Folha à ditatura
Um ato comportado e tranquilo. Grande presença de muitos que viveram na pele os horrores da política brasileira.
Horrores que não cessaram.
Que não cessarão enquanto iphones, perfis de orkut e vídeos exploradores da miséria alheia no youtube não deixarem de ocupar o dia dos jovens.
Que não cessarão enquanto revistas de celebridades, programas de auto-ajuda na TV e religiões milagrosas não deixarem de ocupar o dia dos adultos.
Um leitor escreveu ao jornal e recebeu uma resposta vazia. Outros escreveram, até que a Folha mostrou o que pensa insultando dois leitores que são figuras públicas. Tudo ficou claro e a indignação só fez crescer durante a semana.
O protesto mostrou a capacidade de mobilização da internet e o valor da mídia independente. Mostrou também que sem o primeiro a se levantar, nada acontece.
Manual de Redação da Folha, Edição 2009

Durante a Ditadura, todos os meios de comunicação continuaram trabalhando por seus interesses políticos e financeiros, nos bastidores. Via de regra, os mesmos interesses do Regime.
No palco da Democracia a apresentação precisou de mais empenho nos ensaios e de falas mais trabalhadas. Afinal, mudado o cenário, a harmonia entre os elementos tinha que ser outra. Foram apresentados com pompas, a pluralidade, a independência, o apartidarismo e outros bichos que procriam rapidamente em ambientes publicitários tropicais.
Popularizada aquela utopia em comunicação chamada web, a questão hoje é: cada vez menos pessoas acreditam nesse chororô de “jornal a serviço do Brasil” e as vendas de jornal estão na sarjeta.
Diante da constatação, o Conselho Editorial da Folha se reuniu e se perguntou: e se tudo acontecesse diante dos olhos da platéia. A troca de figurinos, o trânsito de banqueiros, os acordos políticos, ali, tudo de cortinas abertas?
Como vanguarda jornalística nacional e certo da necessidade da promoção de um “choque de gestão”, o Conselho Editorial da Folha deliberou: A Folha de S. Paulo deixará o marketing da pluralidade de lado e um novo Manual de Redação será redigido.
E o “Painel do leitor” que os assinantes tanto gostam de ler? O Conselho deliberou: considerando a oportunidade de enxovalhar alheios nas respostas, mantido.
O Manual é claro: ao se comunicar com o leitor, principalmente no espaço dedicado às suas manifestações, procure inventar a contradição do leitor e escamotear a sua. Desta forma, sempre agradeça a manifestação antes de considerá-la irrelevante; sempre eleve o respeito do jornal pela opinião divergente antes de deixar claro que o leitor é um mentiroso e cínico.
Outra norma, aprovada pelo Conselho comunica aos jornalistas:
O termo “Ditadura” deve ser substituído por “Ditabranda” (Os termos fascismo e nazismo serão apreciados na seção ordinária do Conselho de março/2009)
O termo “Ditabranda” causou curiosidade em alguns conselheiros. Onde fora citado? Em algum artigo militar? Em algum livro publicado pela TFP? Quem sabe em algum texto dos cortadores de cabeça da PM paulista?
Não, a Folha decidiu que no Brasil a ditadura foi branda e pronto. Mandou imprimir o termo num de seus Editoriais. Dois professores das maiores universidades do país escreveram ao jornal dizendo-se indignados. Oportunidade para o jornal colocar o novo Manual de Redação em prática, respondendo:
(…) sua indignação é obviamente cínica e mentirosa.
Entenda o caso lendo “Ditabranda” para quem?, artigo Maria Victoria Benevides, Carta Capital
Assine a petição em defesa dos Professores e de protesto contra a Folha
Compareça ao Ato Público contra a Folha de São Paulo: dia 07/03, às 10h
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Folha de São Paulo, cínica e mentirosa. Todo o apoio a Fabio Konder e Maria Victoria Benevides, artigo, O Biscoito fino e a massa
Falha de São Paulo, artigo, Apocalipse motorizado
Porque não devemos falar em “Ditabranda”, artigo, Vio o mundo
Ditabranda: o suicídio moral da Folha, artigo, Different thinker
Show Jornalismo canalha, artigo, Pedalante
“Ditabranda”: Marcelo Coelho tenta justificar o patrão, artigo, Escrevinhador
Ato Público contra a Folha de São Paulo: dia 07/03, às 10h, chamado, O biscoito fino e a massa
Folha de S. Paulo: no Brasil não existiu ditadura, mas sim “ditabranda”, imagem, Tudo em cima
Atenção! Auto-homens ignorando

“Um cidadão em perigo! Geladeiron, transformar!” (ou algo assim)
The Perry Bible Fellowship. Todos os direitos reservados. Nicholas Gurewitch.
A tira sátira com os “transformers” (se você está perto dos 30 anos de idade, lembra-se bem deles; se está perto dos sete, conversaremos no próximo revival) resume o sentimento de muitos durante a última semana.
Imagino que todas as que não conheciam a ciclista Márcia (como eu) se sensibilizaram não apenas com as circunstâncias de sua morte, com o medo de ser a próxima ou com a revolta e a perda de mais uma pessoa que lutava por uma sociedade mais justa.
O comprometimento da grande mídia com os poderes financeiros e políticos, e a opinião ignorante, robotizada e fria das pessoas que estão ao nosso redor nas filas de banco, escritórios, bares e comentários de blogs veio esfregou a realidade, de uma só vez, no rosto de todos nós.
Mario Amaya bem destacou, a morte de Márcia não foi apenas uma morte estúpida, foi o resumo do “estado moral da sociedade motorizada”.
Qualquer oportunidade precisa ser aproveitada para promover a paz no trânsito. Que seja necessária uma morte de um ser humano, e tendo de concentrar tantas circunstâncias extraordinárias para chamar a atenção – mulher, cicloativista, no meio da avenida mais importante da cidade, num tipo de ocorrência considerado banal, causada por um motorista profissional, motorista esse que não assume a responsabilidade, e com a mídia dando mais relevância ao congestionamento do que ao acidente – tudo isso diz muito mais sobre o estado moral da sociedade motorizada do que sobre as pessoas que se levantaram contra esse estado moral. Fonte: Sexta-feira de bike na Paulista
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