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A missa da toalha úmida continua

Outro dia, o G1 disse “No trânsito, não tem jeito. Se há poluição, é melhor fechar os vidros e ligar o ar-condicionado. A fumaça de carros e caminhões parados no trânsito causa mais irritações nas vias aéreas do que o ar-condicionado”

Hoje a Folha de S. Paulo disse: “No trânsito, se estiver num congestionamento, é melhor fechar os vidros e ligar o ar-condicionado. A fumaça dos veículos parados irrita mais as vias aéreas do que o ar-condicionado”

O G1 escreveu “não tem jeito”; a Folha, “é melhor”. O G1 escreveu “carros e caminhões”; a Folha, “veículos parados”. De resto, os textos são quase iguais.

Repeteco

Não, não estamos preocupados com cópia. São notinhas num quadro. Imaginar que alguém copiou algo assim seria demais. Aí seria melhor fechar a lojinha de papel de uma vez. O que assusta é como a imprensa brasileira reproduz idéias e estilos.

Reproduz a pauta de jornais estrangeiros diariamente. Uma pauta internacional não é relevante até que os grandes jornais do mundo a considerem assim. A América Latina, por exemplo, não merece maior, ou melhor, cobertura no Brasil do que nos Estados Unidos, como seria de se esperar.

As pautas do dia-a-dia são uma série de textos descritivos que obedecem a um padrão antigo e chato. Uma ou outra liberdade, como “não tem jeito”, foi introduzida depois que perceberam que blogs e outros páginas estavam atraindo leitores, mas o texto feito em 5 minutos predomina e fica evidente a quem lê jornais com freqüência.

Nessa hora o leitor fica com a sensação de que alguém está ofendendo sua inteligência. Além de perceber que foi enganado como consumidor (comprou uma notícia enlatada achando que era natural), jogou fora tempo do dia sempre curto.

As fontes que ninguém sabe, ninguém viu

A Associação Nacional de Jornais diz que os jornais são os veículos mais confiáveis. Há fonte, checagem, entrevista, apuração etc.

Seria mais fácil de acreditar na afirmação se o jornal respeita-se um pouco mais os estudantes que estão aprendendo o que é “fonte”. Num dia digo ao meu sobrinho que quando ele cita um trecho interessante de um livro, ele deve colocar o nome do livro e do autor no rodapé para que as pessoas saibam de onde veio a citação e possam consultá-la. No outro, o garoto pega o jornal, assusta-se as informações sobre o clima seco da cidade e vê como fonte da informação “médicos”. Certo dia, decide usar uma citação de Lawrence Lessig e no rodapé escreve “autores”. A professora reclama. Ele explica que no jornalismo é assim que se faz.

Só o privado interessa

Quais são as situações resumidas no quadro da Folha? “Em casa”, “No escritório”, “No trânsito”, “Animais”.

Será que o cidadão que mora em São Paulo sofre de alguma anomalia e “sente” o clima seco apenas dentro de ambientes privados? Não, a anomalia é o viés jornalístico. A imprensa está preocupada com seu “segmento”. A maioria dos leitores de jornais (pelo menos, os que mais intere$$am, como assinantes) são do tipo casa-escritório-trânsito-animal-casa.

Quais são as dicas para os pedestres que andam nas calçadas ao lado dos carros? Quais são as dicas para os usuários de ônibus que estão nas mesmas ruas e avenidas que os carros? Sabemos quais são: “evite atividade física durante o dia”. Então beleza, todo mundo de carro com ar-condicionado para a rua!

Além de falar para o “seu público” (classe média motorizada), este tipo de “dica” é bem conveniente. Consegue falar do tema sem tratar do tema em si. A poluição do ar é um problema público - pelo menos enquanto o ar for público -, mas as reportagens “puxam” o tema para o privado.

No escritório, em casa, no carro até é possível minimizar por alguns momentos os efeitos do clima seco. Mas como seriam as dicas jornalísticas em ambientes públicos? Pendure toalhas molhadas nas árvores que sobraram? Enquanto caminha até a escola feche os vidros? Não seria difícil imaginar o texto, “se tiver que ir até a padaria, vá de carro, é melhor do que respirar nas ruas” e por que não “se tiver que ir até a padaria a pé, não tem jeito, respire o menos possível”

Dica de morte rápida

É interessante que a imprensa recomende que em casa o cara abra as janelas para o ar circular (geralmente, recomendam vaporizadores e toalha úmida mesmo), e que no trânsito feche as janelas.

Um carro a sua frente, outros ao lado, você fecha a janela (por onde entra a maioria do ar) e liga o ar-condicionado. Ele condiciona que ar? A não ser que seu carro crie ar, ele condiona o ar que está poluído. Não existe outro. Você ficará respirando o mesmo ar “parado” e poluído pelo tempo que ficar no carro. Não há como lacrar o carro e purificar o ar interno. (link via Vá de bike)

Claro, quando você liga o ar condicionado, o consumo de combustível aumenta e a emissão de poluentes aumenta, mas isso é problema do carro de trás.

Relacionados:
A missa da toalha úmida, artigo, Panóptico
Creminho antipoluição, artigo, Panóptico
Pedalar no trânsito não faz mal para a saúde, artigo (com diversos outros textos relacionados), Vá de bike


Add comment Agosto 21, 2008

Gerador automático de reportagens


4 comments Agosto 9, 2008

Suspeitos vigiados x Balões coloridos


Intervenção: Willian Lamson. Reprodução. Todos os direitos reservados. (via Boing Boing)

Mês de instalação de mais câmeras de vigilância em São Paulo. Aplicação de conceitos de segurança privada numa cidade de milhões. Padrão privado para uma questão social.

Na grande imprensa nada de novo, mês de matérias padrão sobre segurança pública [vídeo]. A “alta-tecnologia”, a “eficiência”, o “investimento” e as imagens capturadas pelas câmeras dão o tom da idéia de que, desta forma, estamos no caminho de um futuro sem crimes ou violência.

Ninguém pode ser abordado, revistado ou questionado pelos órgãos de segurança sem uma justificativa, ninguém pode ser monitorado sem indícios concretos. Mas o espetáculo da vigilância ininterrupta é sucinto. Apresenta maravilhas, entrega meia dúzia de batedores de carteira presos e ignora a privacidade dos hábitos da população.

A segurança pública pede que entreguemos liberdades civis históricas, como o anonimato e a privacidade em troca de uma “sensação de segurança”. As câmeras existem há tempos e a violência nas ruas prossegue. Enfim, o Estado de controle do século XXI vende algo que não pode cumprir a um preço que os que viveram o século XX conhecem bem. Começa-se a vasculhar computadores pessoais; passa-se a cadastrar suspeitos; daqui a pouco cerca-se a cidade para varrer os indesejados e termina-se abastecendo covas coletivas.

A grande imprensa, aquela essencial para democracia, não questiona a eficiência das câmeras instaladas e aceita dados genéricos fornecidos pelos órgãos responsáveis pelo monitoramento como se fossem insuspeitos. A tecnologia do sistema é apresentada como a última grande invenção humana e dá o gancho para a propaganda do governante a frente da iniciativa.

Complete a frase e terá uma matéria. Com um zoom capaz de ___, as novas câmeras da prefeitura flagram cenas como esta____ ou ainda _____. Segundo o tenente _____, os crimes _______. Fulana, que trabalha no centro, diz se sentir mais segura. “___”. A previsão é de que ________.

As câmeras de segurança de São Paulo já flagraram roubos de celulares, bolsas, gente passando mal, assaltos. Mas nunca flagraram fiscais extorquindo camelôs, nunca girou 360° para filmar um policial amaciando o fígado de um adolescente suspeito; nem nunca deu zoom de 10x num guarda civil espancando moradores de rua.

A responsável pelo monitoramente era a Guarda Civil Metropolitana. Agora teremos câmeras da PM também A PM eá aquela que sabe lidar com pequenos delitos em aglomerados urbanos. A Guarda Civil é aquela que deveria cuidar do patrimônio público da cidade, mas foi ganhando poderes de polícia. Passou a se dedicar a perseguir camelôs, ganhou armas, câmeras e, mês passado, o poder de confiscar mercadorias de comerciantes abulantes. A Guarda Civil é conhecida como a mais despreparada da cidade; aquela que, sem poder perseguir bandidos reais, aplica toda sua violência reprimida em cima de “criminosos perigosos”, como moradores de rua.

A Guarda civil afirma que tem critério no uso e divulgação das imagens. Seus delicados critérios são vistos diariamente nas ruas e na anual destruição do natal de quem não tem onde morar, quando costuma apontar armas para a multidão [pdf leve], tocar o terror geral e dar banho de spray de pimenta em secretários e vereadores, inclusive.

Se você está na rua, você é suspeito. Se você está na escola, você é suspeito. Está prevista a instalação de cerca de oito mil câmeras em escolas públicas. A prefeitura considera seus alunos criminosos em potencial e, enquanto recebem educação municipal, devem ser vigiados.

Que os alunos deixem as pichações com giz de cera para outro dia, chegou a hora de destruir câmeras.

Relacionados:
Vigiar, artigo, Panóptico
Câmaras CCTV falham no combate ao crime nas ruas do Reino Unido, artigo, O Vigia
A identificação dos assassinos natos, artigo, Le monde diplomatique Brasil
Câmeras de vigilância não reduzem crime em Londres, dizem políticos, artigo, IDG News
Especialista critica uso de câmeras de vigilância, artigo, La Vanguardia (via comentário do Gustavo)


10 comments Agosto 4, 2008

Creminho antipoluição

20% de umidade e o maior jornal da cidade propõe um “Arsenal de combate à secura” poderoso: água termal, loção, hidratante e umidificador.

Lendo os jornais de grande circulação esperando por notícias das propostas públicas, o paulistano acaba concluindo que o sangramento nasal de seu filho é um problema normal, que passará assim que chover.

Nosso amigo paulistano comenta com sua companheira o que leu. Assim como ele, ela vai e volta de ônibus do trabalho; seu filho vai a pé para a escola, como todos no bairro. Acabam entendendo que a culpa toda é deles e de São Pedro. A cidadã, então, resolve seguir as dicas do jornal e:

_ pendurar uma toalhinha úmida na porta da sala,
_ comprar um umidificador (R$248 ) para o quarto do filho,
_ passar hidratante com cheirinho marshmallow (R$ 89) nos lábios,

Eles também estão bebendo muita água e suspenderam as atividades físicas. Ficaram em dúvida sobre colocar uma bacia com água na sala, pois a propaganda havia dito que água limpa parada não pode, como não encontraram respostas nos telejornais, deixaram este conselho de lado.

Não é um problema local ou nacional. A banalização dos problemas públicos é um problema mundial. A imprensa individualiza questões que dizem respeito a todos, enquanto coletiviza questões privadas.

O privado é a grande pauta de interesse hoje. Apesar dos assassinatos, acidentes e da vida de famosos sempre terem sido pauta quente, chegamos num estágio em que a distância entre o interesse pela vida privada do escolhido da vez e a vida comum da coletividade é grande demais. Mais, a mídia especializou-se em criar famosos, explorá-los e destruí-los como produtos midiáticos (apesar de vivos) que são.

As questões coletivas não saíram de pauta. Não haveria como, as celebridades ainda não cuidam das crianças enquanto os pais vão trabalhar e as creches continuam necessárias. Mas as questões coletivas aparecem quase sempre em embalagem para consumo individual.

Como se a carência de creches não fosse grave em São Paulo e como os leitores do jornal querem saber o ranking das escolinhas privadas, publica-se um especial de dicas sobre como escolher uma escola entrecortado por “informes publicitários”. A maior cidade do país está com índice de umidade alarmante há um mês, em vez de discutir poluição, dá-se dicas sobre cremes hidratantes. Um mega criminoso histórico é preso e, em vez de ir direto aos nós do caso, publica-se matéria sobre os erros de redação do delegado.

A cultura do automóvel se alojou nos vãos deixados pela coisa pública em degradação. Floresceu entre os tijolos arrancados por governantes aproveitadores e empresários profissionais. Com a força da publicidade, rapidamente, possuir um carro se tornou o único caminho digno para um ser social de postura ereta.

Os jornais aconselham o uso de cremes e a suspensão das atividades físicas. Aconselhar não dirigir veículos motorizados, não dá. Não é para tanto. Todos sabemos, a atividade física é que é um perigo!

Restringir o direito sagrado de dirigir um carro, mesmo durante período de clima caótico, é considerado um suicídio político em ano eleitoral. Entendemos isso facilmente. Agora, os jornais não disputam o pleito. Não tocar no assunto significa o quê? Ignorância? Defesa da opinião de seus leitores (classe média motorizada)? Vício cultural? Tática comercial (não desagradar os anunciantes do motor)? Desinteresse pelo que é público?

Relacionados:
A missa da toalha úmida
Ato Falho


Add comment Julho 29, 2008

A missa da toalha úmida

Você vai dormir e parece que tem um gato peludo preso na garganta - e pior, querendo sair? Seu filho sofre com mais uma crise respiratória? O seu nariz sangrou esta tarde? Metade do pessoal do escritório não para de coçar os olhos?

É difícil ter a dimensão dos problemas numa cidade gigante e variada. Pois a imprensa está aí para isso, para dimensionar e noticiar em massa o que é de interesse público.

Os hospitais estão lotados de crianças que não conseguem respirar? A imprensa está sempre atenta e, claro, vai investigar, aprofundar, trazer o debate à tona.

É hora de discutir o clima insuportável? Claro. E o que vemos? A santa missa. Antigamente rezada anualmente, atualmente rezada trimestralmente, a pregação é fácil de decorar: “deixe uma bacia de água na sala, uma toalha úmida no quarto”.

É isso em todos, todos os meios de comunicação. Em todos os jornais, no maior do Brasil, no com mais classificados, no “mais antigo da cidade”, no “a serviço do Brasil”. Em todas as redes de televisão, na com maior audiência, na do bispo, na do baú.

Nas redações, o texto da toalha molhada deve ficar num arquivo chamado “modelo clima seco”, mas o G1 foi além e fez um especial, que como vemos acima, é uma jóia do jornalismo de e para a classe média motorizada: “No trânsito, não tem jeito. Se há poluição, é melhor fechar os vidros e ligar o ar-condicionado. A fumaça de carros e caminhões parados no trânsito causa mais irritações nas vias aéreas do que o ar-condicionado”

É o milagre da construção textual que isenta o leitor de culpa. Você está no trânsito poluindo e acabando com sua própria respiração, sente irritação, e qual é a recomendação do portal da Rede Globo: fechar os vidros e ligar o ar-condicionado. O ar público está ruim? Liga o ar-condicionado particular! É a privatização do oxigênio.

A Folha de S. Paulo também subiu um degrau na mesma escada. Dia desses, junto à tradicional reportagem “XY de umidade. Pendure toalha úmida” havia a foto de três surfistas à beira-mar e o texto recomendava a ida ao litoral, onde a umidade é maior. Beleza pura! Todo mundo para Santos (quer dizer, a Folha recomendava Guarujá)!

Será que a umidade depende exclusivamente das chuvas?

Será que foi sempre assim? Quando a cidade tinha ampla cobertura vegetal não chovia 30 dias as pessoas não conseguiam dormir? Quando o transporte motorizado individual não dominava todo o espaço público os narizes das crianças sangravam?

Será que o clima seco tem a ver com a poluição? Será que no interior de São Paulo e Centro-Oeste do país tem a ver com as queimadas das plantações do aclamado combustível “limpo”?

Nada disso é sequer mencionado. Afinal, para que serve um repórter? Para dizer que faz tantos dias que não chove? A cidade há semanas com um clima intolerável e quem trata do assunto na mídia? A garota do tempo!

As pediatrias com filas para inalação e a prefeitura faz o quê? Convoca os secretários para pensar num plano emergencial? Propõe restrições à emissão de poluentes? Não, ou omite-se - o site do Centro de gerenciamento de emergências de São Paulo, por exemplo, apenas informa a previsão do tempo. Ou faz coro com as recomendações médicas: pendurar toalha úmida na porta da sala.

Relacionado:
Todo ano a culpa é do clima, artigo, Vá de bike!


8 comments Julho 22, 2008

Ato falho

A Folha de S. Paulo do último domingo trouxe uma matéria sobre a “síndrome do ‘pavio curto’”. Vamos nos ater à manchete e seus resumos. Que existem justamente para serem lidos primeiro e, para a maioria, serem toda a leitura.

Nos textos de destaque. Um problema que possui forte ligação com o ambiente é personalizado, deslocado do plano coletivo para o individual. Você conhece essa artimanha faz tempo.

No telejornal do meio-dia ensinamos que as crianças devem comer frutas e verduras, durante o restante do dia veiculamos propagandas de guloseimas radicais. Então alguém questiona os fabricantes e publicitários. A criança está gordinha? Os pais não controlam o lanche da pestinha. Todos nossos produtos respeitam as normas. Cabe as pessoas se controlarem e educarem seus filhos.

Alguns anos adiante e uma bela porcentagem da população se vê com problemas de saúde ligados à obesidade e ninguém tem nada a ver com isso. Toda a questão é com o “descontrolado”. Restringir a publicidade? O quê? Isso é censura!

Ambiente violento, estressante, amedrontador, clima de “todos são inimigos” e, claro, supervalorização do carro. Erotização, poder e tudo que é desejado e está em falta na sua vida estão no carro. Encostou no carro, manda porrada e bala no safado.

A matéria da Folha traz bons exemplos e depoimentos sobre a violência no trânsito. Porém, ao ter como mote justamente um programa de tratamento de saúde, não conseguiu escapar da culpabilização do paciente.

A supervalorização do tabaco e do álcool gerou dependentes por onde passou. Esta cultura foi e é alimentada pela mídia e pela indústria pop. Hoje, o tabagismo já é recohecido como doença social pelo jornalismo e sua indústria é controlada governo. O alcoolismo ainda é visto pela imprensa como um problema de “descontrolados”, gente que não sabe beber. Afinal, eles avisam: “beba com moderação”.

Não somos muito bons em português (como podem perceber), mas até onde sabemos “até” (o advérbio) é usado para expressar com destaque “inclusive”. Desta forma, após o “até” vem o mais espantoso, o mais curioso, o mais absurdo. Como em “ele come todo tipo de carne: pato, coelho, porco, frango ou até cachorro”.

Na sociedade do automóvel é proibido tocar no carro dos outros. Se durante uma manobra encostarem no seu carro, você pode parar o trânsito no meio da avenida e sair xingando. Ninguém vai reclamar. É um direito supremo: ninguém mexe com o carro do outro.

Intimidar? É grave. Matar? Poxa, é grave. Destruir o carro? Gravíssimo. Até isso eles fazem… A que ponto chegamos! A Folha não pôde evitar este ato falho.

“..descontrole faz motoristas tentarem matar, machucar, intimidar pessoas ou até destruir carros alheios


7 comments Julho 16, 2008

Dois jornais dispensam um mestre

O blog dos quadrinhos informa que os jornais Zero Hora, do Rio Grande do Sul, e A Tribuna, do Espírito Santo, suspenderam a publicação de tiras de Laerte. O autor deu a informação em entrevista a Rádio USP (que vai ao ar hoje, 13/06, às 20:30, em 93,7 FM).

Há algum tempo, Laerte deixou de buscar apenas o humor em seus trabalhos e vem nos apresentando sensacionais tiras filosóficas e surrealistas. Acaba por discutir o próprio fazer quadrinhos e tirinhas.

Laerte disse, em entrevista a Folha de S. Paulo em 2007, que perdeu o jeito para as tiras humorísticas que vinha fazendo:

… é uma explicação que tem de passar pela morte do meu filho [morto num acidente de carro em 2006] também, isso foi um divisor. Eu passei a ver e pensar as coisas de um outro jeito, uma série de procedimentos começou a perder o sentido ou ganhar outros.

Matéria completa do Blog dos Quadrinhos

Relacionados:
Entrevista com Laerte na Caros Amigos
Entrevista com Laerte na Folha de S. Paulo


Add comment Junho 13, 2008

Como gerar notícia

De vez em quando os jornais precisam de uma “denúncia”. Na falta de interesse em investigar a situação trabalhista dos funcionários de grandes empresas de tecnologia, a Folha Informática, por exemplo, prefere denunciar o óbvio, manter o banho-maria e descolar ao menos duas matérias.

A rua Santa Ifigênia, no centro de São Paulo, é o melhor lugar da cidade para quem quer ou precisa consumir tecnologia. Contrabando para consumo individual, componentes eletrônicos para profissionais.

Na semana passada, a Folha publicou reportagem sobre a venda de Iphones (produto ilegal no país por ter sido modificado nas ruas - desbloqueado). Ilustrava a reportagem a foto de uma vendedora com uma legenda que indicava o nome da loja, na rua Santa Ifigênia. Publicar o nome da loja fotografada não é padrão na Folha.

A legenda anunciava algo. Dias depois a Folha vem com a notícia da blitz da Anatel na rua. Oito telefones foram apreendidos. Notícia relevante, certamente. Esperamos que o caminhão da Anatel tenha dado conta do carregamento ilegal.

Se os fiscais se importassem em serem usados como atores da produção de uma reportagem, teriam economizado gasolina. Talvez, se tivessem baixado na porta de uma agência de publicidade no Itaim teriam encontrado uns 80 celulares. Hoje, provavelmente, todos os publicitários “cool” da capital já tem o seu Iphone (todos eles, claro, são contra a pirataria).

A reportagem da Folha indicou uma loja da rua Santa Ifigênia e obrigou os fiscais da Anatel a ir até lá, o jornal poderia ter indicado o site Folha Shop e tudo ficaria em casa. É possível encontrar um Iphone por R$666 na loja virtual.


3 comments Maio 23, 2008

“Isto É” manipula foto para proteger Serra

O jornal Brasil de Fato denunciou e vários blogs já espalharam a notícia da grosseira manipulação da Revista IstoÉ.

A imagem de propriedade da Folha Imagem sobre o protesto do MST e do MAB contra a privatização da Cesp trazia a inscrição “Fora Serra”, a revista IstoÉ simplesmente apagou a inscrição.

O impressionante é que a revista auto declarada Independente ainda mantém a imagem falsa no ar.

A reportagem do Brasil de fato é do dia 07/04. Abaixo a tela do site da revista no Terra, capturada hoje às 10:47


Add comment Abril 11, 2008

Tibete livre

Encontrar informações independentes sobre a situação no Tibete não é muito fácil. Traduzimos de forma amadora e bastante atrasada o relato-resumo “Tibet: nearly 1,000 jailed in Lhasa, Dalai Lama offers to resign”, de Xeni Jardin, publicado originalmente em Boing Boing, no dia 18/03. Os links contidos no texto não foram traduzidos, permanecem em inglês.

__Acima: vídeo do dia 15/03/2008 (capturado por celular). Milhares de monges protestam no mosteiro Xiahe em Labrang, província de Gansu na China

death_tibet.jpg

__Acima: Os corpos de oito manifestantes foram levados para dentro do mosteiro Ngaba Kirti, na área de Ngaba, ontem. A imagem de phayul.com indica que os observadores estão jogando dinheiro sobre os corpos, numa tradicional expressão de luto. Estudantes de Students for a Free Tibet relataram que mais de 20 manifestantes foram mortos em Ngaba. Aqui estão as fotos dos mortos (imagens fortes). Cópias das mesmas fotos aqui.

__Aqui a primeira impressão pessoal de Spende Palermo, técnico de som e documentarista de Oregon, que estava neste mosteiro trabalhando para um programa de TV da National Geographic no último sábado, quando irromperam os protestos. Quando seu trabalho acabou, ele enviou este e-mail para seus amigos, da China.

__Após dois dias de patrulha do exército e polícia chinesa, aproximadamente mil tibetanos foram detidos por autoridades chinesas em Lhasa:

“Pesquisas na cidade dizem que 600 pessoas foram detidas no sábado e outras 300 no domingo. Não está claro onde estes grupos estão aprisionados, isso porque acredita-se que a principal prisão de Lhasa já esteja lotada.

Estes detidos podem ter sido levados para a prisão Número Um, no distrito de Sangyio, noroeste de Lhasa, que atualmente não estava em uso. Eles também podem ter sido levados para a prisão Número Quatro e para a nova prisão de Lhasa, no mesmo distrito que, recentemente, vinha sendo usado como centro de reeducação através do trabalho. Eles ainda podem ter sido levados para a nova prisão de Chushur, fora de Lhasa, local onde a maioria dos prisioneiros políticos são confinados após a condenação.”

Estas prisões são notórias violadoras dos Direitos Humanos no Tibete, como é Abu Ghaib no Iraque.

__O Dalai Lama declarou que renunciará como chefe do Estado do governo do Tibete no exílio se a violência prosseguir:

“’Se os tibetanos escolherem o caminho da violência, ele terá que renunciar, porque é completamente comprometido com a não-violência’, disse Tenzin Talha. ‘Ele renunciaria como líder político e chefe de Estado, mas não como Dalai Lama. Ele sempre será o Dalai Lama’”

__Aqui temos mais sobre ao bloqueio do You Tube na China no momento: o site está sistematicamente bloqueado, junto com o Google News, devido a explosão de material sobre o levante no Tibete.

__Erick Schonfeld do TechCrunch pergunta,

“O que o Google fará para restaurar o acesso ao You Tube e ao Google News na China? A China é um grande mercado que o Google precisa estar. A empresa vai retirar voluntariamente todos os vídeos e notícias sobre o Tibete? Ou o governo chinês vai ter que descobrir sozinho como fazê-lo? Existe um precedente: na China, você não consegue encontrar na web muita informação sobre o protesto da Praça Celestial de 1989, incluindo aí a famosa imagem de um homem bloqueando sozinho uma fila de tanques de guerra.”

__O presidente George Bush retirou a China da lista dos maiores violadores dos Direitos Humanos apenas três dias antes da explosão de violência no Tibete. Dê uma olhada no editorial de hoje do New York Times, “China aterroriza o Tibete”:

“Em seu relatório anual sobre os Direitos Humanos em 190 países, o Departamento de Estado considerou que a avaliação de Beijing, de forma geral, permanece pobre. Mas, no que parece ser uma recompensa política ao governo, o Departamento retirou a China da lista de dez maiores violadores.

A China teve a chance de brilhar com a festa das Olímpiadas e a arruinou. Seus líderes terão que continuar a combater protestos e agitações – e com o endurecimento da reprovação internacional – até que assegure mais liberdade para todos seus cidadãos, incluindo tolerância religiosa e liberdade ao Tibete.”

__Muitos leitores do Boing Boing que estão na China têm relatado que eles não conseguem acessar nosso site sem censura, por conta do conteúdo relacionado ao Tibete. Chris, da china, explica:

“Desde que Boing Boing começou a escrever sobre o Tibete, ele tem sido freqüentemente bloqueado na China. Eu não acho que é um bloqueio muito específico como “You Tube está bloqueado”, mas sim que o grande Firewall (filtro) está encontrando a palavra-chave ‘Tibet’ e a bloqueando. Já está melhor, eu consigo carregar parte do site antes da mensagem ‘Connection Reset’ aparecer, mas não consigo carregar vídeos do You Tube (que está bloqueado) e imagens do Flickr (que parece ter sido bloqueado, novamente).

Eu posso acessar o site através de um proxy (gladder do firefox, fortemente recomendado), entretanto, vídeos continuam não funcionando, e são expecionalmente lentos.

Mais um ponto interessante. Eu vi rapidamente no Boing Boing sobre a antipatia dos chineses em relação aos ‘ingratos’ tibetanos. Este parece ser o consenso entre meus alunos. Eu dei a eles um artigo do NY Times para leitura e ressaltei a diferença entre as contas das autoridades chinesas (8 pessoas mortas, sem soldados, sem armas) e as que tibetanos e repórteres têm confirmado (80 mortes confirmadas, soldados, tanques, tiros durante o dia). A resposta de meus alunos foi ‘é claro que eles dizem isso. Eles são estrangeiros. Eles não podem saber’. Tome isso simplesmente assim: mesmo quando confrontados com tamanha contradição, os estudantes chineses continuam acreditando em seu governo.

Isto não é nada inusual para muitos estudantes. Eu falo de censura. Eles sinceramente acreditam que a censura do governo os protege de mentiras e ‘coisas ruins’ (como uma sala de aula se referiu há um ano: quando eu perguntei o que eram ‘coisas ruins’, eles não tiveram respostas. Finalmente, um estudante disse ‘nós não sabemos, porque nosso governo nos protege disso!’). Eu sei que essa não é uma atitude universal aqui na China, mas eu considero esta uma anedota interessante e importante para se manter em mente ao observar o cidadão chinês mediano e sua resposta a censura ostensiva”.

__Hoje, há uma enxurrada de reportagens sobre os novos protestos, novas ondas de prisões e novos mortos e feridos relacionados aos protestos pela indepedência tibetana por toda zona autonôma do Tibete e por todo o mundo. Alguns blogs e notícias específicas sobre Tibete que estou acompanhando: Phayul; Canada Tibet Committee; SFT, TCHRD; a tourist in Tibet. Ver também Images and News of Tibet Riots Seep Onto Web, Despite Chinese Authorities’ Clampdown

(Obrigado Christal Smith, monkey e outros)

————
PS. Se você tem alguma correção da tradução deixe um comentário. Se gostaria de traduzir os links do texto acima para o Português, envie para panopticosp arroba yahoo ponto com ponto br, publique no seu blog e retorne um link para este artigo, e/ou publique em sites de publicação aberta como midiaindependente.org

Relacionados:
Replay 1, China 3, blog da Soninha
Apelo, blog da Soninha
O Tibete, a China, o boicote e uma sinuca de bico, Pedro Doria web blog

Technorati tags: tibet, china, censorship


4 comments Março 20, 2008

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