Posts Taggedestacionamento

Treinados para desrespeitar

Muita gente ao estacionar desrespeita o pedestre. Tem até gente que adorou as novas calçadas da cidade, porque ficou mais fácil para manobrar.

Diversas categorias de motoristas disputam o ranking geral de desrespeito e há especialidades em cada modalidade.

Os veículos de passeio, por exemplo, são líderes na modalidade duas rodas sobre a calçada, principalmente em pistas em frente a escolas e faculdades; na categoria faixa de pedestres, os taxistas estão sempre entre os mais cotados, concentrando seus esforços em regiões comerciais como Av.Paulista e Av.Faria Lima estes profissionais chegaram atingiram excelentes marcas.

A CET, por sua vez, é uma das campeãs na categoria quatro rodas sobre a calçada na cara-de-pau, disputando a liderança com os carros-fortes; os motoqueiros são conhecidos pelo arranque rápido e não deixam para ninguém quando o assunto é avanço sobre faixa antes do fim da travessia.

Agora que grupo organizado consegue estacionar de forma a impedir completamente a passagem pela calçada e ao mesmo tempo estar sobre a faixa de pedestres?

A polícia paulista é claro. Ela treina duro há anos para isso.

Relacionado:
Procedimento padrão, artigo, Apocalipse Motorizado


Add comment Junho 4, 2008

Nova calçada, velho hábito

Na primeira foto a calçada antiga; na segunda, a nova. Ambas foram tiradas em frente a faixas de pesdestres. A semelhança entre elas é clara: o desrespeito ao pedestre é o mesmo de sempre.

Durante a reforma das calçadas da Av. Paulista, o pedestre foi obrigado em alguns trechos a passar no meio da obra, em outros a realizar um ziguezague esburacado e incompreensível. Não é uma intolerância nossa a algo que será “para o nosso benefício”, como dizem nas obras. É intolerância à humilhação que a Prefeitura teima em impingir as pessoas com dificuldade de locomoção. Nenhum cadeirante consegue transitar nos trechos em reforma. Os desvios são feitos para pessoas que caminham sem problemas, qualquer pessoa com uma dificuldade de locomoção pequena tem que ficar esperta para não cair num monte de pedra.

Nos trechos onde a obra está completa o resultado é bastante satisfatório. Agora entender o que aconteceu com os pontos de ônibus ainda é um problema. A questão é que a cidade de São Paulo é uma cidade na qual os carros têm um status superior. O cidadão quando está dentro de um carro tem direitos diferentes de quando está fora de um.

Atrapalhar o trânsito em São Paulo é expressamente proibido, legalmente e culturalmente. Se nenhum oficial reprimir e multar, todos os xingamentos possíveis serão dispensados por outros motoristas, porque a cultura paulistana não o permite desrespeito ao tráfego. Há minúcias, parar em fila dupla na porta de escola, na porta do restaurante e em outros locais é tolerado, por exemplo.

Parar no pequeno espaço reservado aos pedestres não gera multa, tampouco manifestações contrárias claras. É quase um direito. É proibido por lei, mas culturalmente permitido. O senso comum diz que a calçada é uma opção quando não se quer ou não se pode atrapalhar o trânsito. Como a regra é não atrapalhar o trânsito, acontece a todo instante. O pedestre se vira, passa no cantinho. Isso acontece numa rua meio isolada, numa calçada pouco movimentada? Não, acontece em todas as ruas, inclusive em avenidas pouco movimentadas e desconhecidas como a Paulista.

Reformar calçadas não muda essa cultura. O cara não enxerga nada, animado com a reforma da calçada, resolve ir tomar um sorvete na Paulista. Segue o piso tátil pela calçada lisinha, admirando o resultado, atravessa a rua rapidamente e dá de cara com um carro-forte.

Vai fazer o quê? Chamar a CET, sabendo que a própria tem o hábito de estacionar nas calçadas? Vai chamar a polícia? O jeito talvez seja bater na janelinha do carro-forte e pedir para o motorista retirar seu carro de dinheiro dali.

Relacionado:
Os caras-de-pau e Kafka sobre quatro rodas, artigo, Apocalipse motorizado


1 comment Maio 29, 2008

Torre para estacionamento de bicicletas

Quando as bicicletas são muitas e o espaço pouco, estacionar é um problema.

Mas tem gente pensando nisso.

Saca essa incrível torre japonesa automática para mais de 9 mil bicicletas.

(via neatorama)


Add comment Abril 24, 2008

Uma questão de espaço e valores

carroforte01.jpg

Que valores você carrega dentro de si?

Uma questão de espaço, artigo, Apocalipse motorizado
mais fotos de carro$


1 comment Fevereiro 12, 2008

Clássicos de São Paulo

faria-lima.jpg

Estacionamento privado em corredor exclusivo para transporte público. Figurinha repetida.

Uma paradinha aqui para pegar uma encomenda, outra ali enquanto a esposa não sai do escritório, mais uma na famárcia, como na foto acima, e assim vai, todos os dias, durante todo o dia. O pessoal começa a achar normal, o motorista de ônibus desiste de buzinar em protesto, afinal, se o fiscal de trânsito só pede para sair e não aplica multa deve ser assim mesmo.

Na sociedade em que os indivíduos têm direitos iguais e recebem penas diferentes, todos os motoristas de São Paulo podem contar com a condescendência da CET. Funciona assim: você se faz de tonto e estaciona em local claramente proibido, se o fiscal aparecer, você sai e dá a volta no quarteirão; se ele aparecer de novo, repete-se o processo.

Ao descumprir uma lei antiga e clara o motorista recebe um apito na orelha e nada mais. No outro dia, quando descumprir a lei no mesmo horário, no mesmo local, apito. Um eficiente orientar eterno. E as placas feiosas dizendo que é proibido estacionar, servem para quê? São necessários centenas de orientadores nas ruas da escolinha paulistana para pestinhas do volante? Ou precisamos de fiscais que garantam e privilegiem o transporte público, desestimulando o transporte privado agressivo?

Qual o impacto desta postura “educacional”? No fim quem é penalizado é quem tenta se deslocar de forma racional, usufruindo de um serviço público. Quem não cometeu nenhuma infração paga ao ter sua viagem diariamente atrasada.

Relacionados:
Por quê?, artigo, Apocalipse motorizado


1 comment Fevereiro 3, 2008

Não são trânsito

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Alameda Santos x Consolação, São Paulo, um dia qualquer


1 comment Novembro 19, 2007

Qual’é chefia? Libera a calçada

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4º DP, rua Marquês de Paranaguá, São Paulo, 17/10/2007


2 comments Outubro 24, 2007

Invadindo bem público com bem privado

Das primeiras cidades às atuais regiões metropolitanas e conglomerados urbanos muita coisa mudou. A cidade era, se tivessemos a que resumir numa expressão, aquele lugar cheio de gente. Hoje a cidade é basicamente um lugar cheio de automóveis.

O automóvel é a personagem mais importante das cidades. Em São Paulo podemos dizer que os carros votam e podem decidir uma eleição. Existem mais motoristas que cidadãos por aqui, sem dúvida.

Estacionar um objeto de aço movido a combustão, comprado em 36 vezes no super-feirão por 57 salários mínimos, no espaço mantido com dinheiro público só pode ter se tornado natural numa sociedade na qual o carro tem poderes de super-cidadão.

rita sesc carmo
Direitos Reservados: Rita, São Paulo, 2006. Realizado para Mostra SESC de Arte. Pintura em parade 8 x 2m, em Base-V

Escapamentos cheiram bem, moradores de rua, mal
Na cidade dos automóveis dormir no espaço público dá em borrachada e bicudas no estômago por parte dos monopolizadores do uso da violência, chacinas na calada da noite por parte dos utilizadores da violência que contam com a conivência dos monopolizadores; já se seu patrimônio for furtado no espaço mantido por todos cidadãos, os monopolizadores do uso da violência farão um boletim de ocorrência e sua propriedade será procura na parte da cidade chamada de periferia.

Pagar um estacionamento nas grandes cidades é entendido como o preço pela segurança de não ver sua propriedade na mão de um usurpador de bens privados. É preciso pagar para fugir da cidade que se utiliza. Usar e abusar, invadir o espaço de todos e deixar o rastro de poluição para trás, é a lei. A idéia de que um bem privado deve pagar para ocupar um espaço público ou então pagar um serviço privado de estacionamento, do mesmo modo que se paga um armazém para estocar produtos, não passa pela cabeça da maioria dos motoristas.

vaga verde
Vaga Verde em Belo Horizonte, parte da mobilização da Jornada “Na Cidade Sem Meu Carro”, em Rua Viva

Technorati tags: carro, transporte


Add comment Fevereiro 2, 2007


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