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Investindo no futuro


Foto: China Photo Press. Todos os direitos reservados

Os novos uniformes escolares desta escola chinesa falam por si.

Expor propaganda de cigarro no peito de crianças é proibido no país onde você fabrica seu produto? Faça-o na terra da promessa de expansão do capital.

Uma nuvem de fumaça alarma cidades de um pequeno país onde vivem bilhões de pessoas? Patrocine uniformes escolares hoje e venda carros e combustível enquanto o amanhã existir.

Via Marlboro Sponsors Children’s School Uniforms (em inglês)
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Add comment Agosto 28, 2008

Sonhando com liberdade

A Ford presta um favor ao nos lembrar como é a vida de uma criança dentro de uma bolha de lata.

Para uma criança que vai de um local ao outro exclusivamente de carro, o mundo natural é um ambiente desejado e desconhecido. O desejo de estar e de tocar são cotidianamente frustrados pelos limites dos vidros verdes, do painel de design sofisticado e das travas automáticas. A satisfação deste desejo pode realizar-se apenas através da imaginação.

Se mostrássemos um prisioneiro recostado em sua cela silenciosa escrevendo um poema bucólico e ao final disséssemos suavemente “Prisão: veja as possibilidades”. Estaríamos sendo honestos? Estaríamos dizendo a verdade?

É isso que faz a Ford em sua nova propaganda que tem duas crianças como protagonistas. Vende a ilusão de que sonhar com a vastidão do mundo através de uma janelinha é melhor do que viver no vasto mundo.

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3 comments Junho 12, 2008

Por que construímos praças?


Praça Roosevelt, antes da interdição

Quem tem menos de 20 anos de idade e nasceu na região central de São Paulo talvez nem tenha conhecido uma muito bem. Mas praças são aqueles espaços públicos, de acesso livre, dedicados às pessoas. Carros, motos e cia. não são pessoas, então ficam de fora. As praças têm uma estrutura que permite às pessoas se encontrar, conversar, descansar etc. Sendo assim, bancos para sentar e espaços à sombra, ao sol, árvores e plantas são essenciais; algumas tem equipamentos dedicados às crianças, outras equipamentos ao esporte etc. (Essa não é a descrição de um arquiteto urbanista e sim de qualquer pessoa que tenha conhecido praças. É suficiente).

Com a valorização excessiva dos espaços privados, da cultura do shopping center e do automóvel as pessoas foram gradativamente deixando de caminhar pelas ruas. As praças viraram lugar de passagem e a única alternativa de moradia de quem foi descartado pelo mercado de trabalho ou expulso pela violência doméstica.


Praça Roosevelt interditada

A administração pública preferiu privilegiar o lucro privado e incentivar a construção de centros de compra e entretenimento, hipermercados e “centros empresariais” por toda a cidade. Abriu mão de dirigir e deixou a especulação imobiliária brincar com o dinheiro e o espaço de moradia da população. O que não interessava ao capital ficou na escuridão.

Os veículos de comunicação voltados à classe média cobram o cuidado das praças e uma revitalização (cosmética) do centro, mas ninguém sabe para quê, uma vez que parte da classe média alta paulistana conhece a cidade e seu centro pela janelinha do carro e ignora, inclusive, que o bairro é também um local de moradia. Lembrando que tratam-se das mesmas pessoas que alugam bicicletas em Paris, caminham por Buenos Aires e tomam ônibus em Barcelona.


Praça Roosevelt interditada

O paulistano corporativo vai até o cinema (ao lado do metrô) de carro, fica na fila do estacionamento, fica na fila do cinema, sai, pega seu carro, chega ao estacionamento do restaurante, fica na “espera” do restaurante e, satisfeito, finalmente, retorna à garagem de seu apartamento. Nas conversas do almoço reclama no abandono das praças, lembra quão ridículas são as demais cidades brasileiras (São Paulo é a única cidade do país onde existe vida inteligente) e como são belos os espaços públicos franceses.

Pouco importa, isso tudo é passado. Hoje as praças estão sendo revitalizadas. Não têm bancos para se sentar e em algumas há ruas cortando-as. O senhor dando milho aos pombos não pode mais matar o tempo. O bate-bola no canto da praça não pode mais rolar. O pedinte não pode mais existir.

O idoso, usando seu cartão fidelidade, visita atraentes famárcias-supermercados diariamente. As crianças correm dentro de apartamentos e brincam com babás no condomínio, com “toda a segurança que seu filho merece”. Os pedintes usam técnicas novas a cada mês, já que não existem mais esmolas depois que a solidariedade cristã foi subtituída pela responsabilidade social.


Praça Roosevelt interditada

Complemento: A Praça Roosevelt que ilustra o texto foi recentemente interditada para reforma. A praça mais estranha de São Paulo é uma espécie de grande laje. Embaixo há um vão livre, onde havia um supermercado, uma organização civil, um posto policial e mais abaixo um estacionamento (!). Há pelo menos quatro anos o subsíndico de São Paulo fala em reforma.

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Banco de praça à moda Matarazzo


2 comments Maio 30, 2008

Dez carrinhos, nove carrinhos…

A música infantil Ten Little Indians (”10 indiozinhos”) contém um humor negro, digamos, bastante acentuado. A canção é parodiada pela Jeep como “10 carrinhos”. E é bastante sintomático que a “morte” dos nove “pequenos veículos” seja o tema da propaganda.

Um a um os carros vão ficando pelo caminho. Com exceção do décimo veículo, que quebra, todos se envolvem em “acidentes” violentos. O nono e o oitavo carrinhos perdem o controle na serra, sobram sete. O sétimo “perde o controle” na pista escorregadia e se esborracha, sobram seis. Dois são engolidos por um caminhão-monstro e três batem quando corriam por entre árvores.

Segundo a canção, o carrinho que sobra é seguro e moderno e continua a rodar, rodar e rodar. Ao mesmo tempo assistimos ele passar por sobre rochas e outros obstáculos. Não poderíamos deixar de reparar que todos os “pequenos veículos” são SUVs, são concorrentes da marca em questão na categoria de tanques de guerra urbanos. Também vale reparar que a maioria dos “acidentes” é resultado de intempéries: chuva, neve, terreno acidentado. Um velho mito sustentado pelo lobby automobilístico.

É a primeira vez que vemos tantos acidentes num comercial de automóvel. As imagens são estilizadas como desenhos infantis. Perdem força e relação com o real ao serem apresentadas como fruto do imaginário infantil. Mas, de qualquer forma, temos a menção a “acidentes” envolvendo automóveis num comercial de automóvel.

As tragédias nos são apresentadas nesta propaganda por terem sido despidas de sua face real, despidas de sua constituição “trágica”. Estão na tela para demostrar que o único sobrevivente é comprar o carro propagandeado; que a única forma de se proteger de tais tragédias é, paradoxialmente, ser um dos 10 carrinhos.


Add comment Março 4, 2008

Cidades publicitárias 2

Mais uma cidade onde as crianças pedalam e brincam sozinhas e tranqüilas pelo bairro.

Não, nada de mães puxando os filhos pelos braços para atravessar a faixa negra que separa os currais reservados aos pedestres, nada de pai assustado gritando “olha a rua, moleque”, tampouco grupo de crianças correndo para atravessar a rua “antes que abra o sinal”.

É o milagre do Natal! É a cidade da JC Penney, uma das maiores redes varejistas da terra do varejo.

Relacionado:
Cidades publicitárias, artigo, Panóptico
Lugar de criança é na rua, artigo, Apocalipse Motorizado


Add comment Novembro 22, 2007

Garotos e garotas da bolha

cidade-dentro-da-cidade_r.jpg

Uma grave doença vem se espalhando no ambiente urbano controlado pelo capital. Famílias inteiras sofrem com os sintomas desta que já se considera a pior epidemia urbana desde o último surto de peste no século XIX.

A classe média parece ser a população com menor resistência à doença. Em muitos casos os infectados são obrigados a viver dentro de bolhas. A bactéria se aloja em empreiteiras e construtoras que se alimentam basicamente de licitações fraudadas, lobbies municipais, especulação violenta e outras artes. Todas construtoras, já constataram os infectologistas que cuidam do caso, tomam dinheiro emprestado dos próprios clientes para construir e dizem às famílias que se trata de “parcelamento do imóvel na planta”.

Os principais transmissores da doença são imobiliárias e corretores contratados. A falta de nutrientes essenciais ao homo sapiens e a exposição excessiva à mídia corporativa e à publicidade exploradora da insegurança das almas são considerados fatores que aumentam o risco de contaminação.

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Habitantes de Springfield tentam escapar da redoma. Cena de Os Simpsons, O Filme.

A doença - só que invertida - foi tratada no estilo humor do absurdo no filme Os Simpsons. No filme, Homer Simpson causa um desastre ecológico e, para evitar maiores danos, o presidente ordena o isolamento da cidade. Todos os cidadãos de Springfield são abandonados à própria sorte (…a empresa do assessor do presidente é contratada para garantir o isolamento).

No mundo real os cidadãos tratam de se isolar da sociedade voluntariamente, deixando do lado de fora da sua cidade particular a violência e tudo que os amedronta. Acreditam que uma redoma de vidro impenetrável os protegerá da fome, da doença, dos assaltos, do trânsito e de todo horror do mundo.

A publicidade, como um velho malandro 171, conhece seu alvo e ataca diretamente seus pontos fracos. O medo de descer um degrau na escala de status social, o medo de expor sua ignorância, a vontade de parecer com seus ídolos anônimos ou famosos e de mostrar seu suposto crescimento aos colegas fazem parte do estratagema da publicidade voltada para a classe média.

Centenas de ilhas da fantasia, parques privativos e redomas blindadas formam algo monstruoso. Um local onde apenas há avenidas, shoppings center e condomínios com seus “portais” onde os carros entram e não se sabe mais nada sobre esta cidade dentro da cidade e seus habitantes - como eles vivem, o que comem, como se reproduzem… Temos, assim, um mundo dentro de um mundo, estranhos, o começo do fim do que se chama de sociedade.

Enquanto os recursos dos fundos públicos sustentados por milhões de trabalhadores são usados para construção destes fortes de proteção contra a fealdade do mundo, seus financiadores continuam pagando por aluguéis irreais em bairros do lado de fora da bolha. Abandonados à sorte da especulação imobiliária, ainda são obrigados a tolerar o discurso da “revitalização”, a maquiagem urbana utilizada para que os habitantes das redomas possam sair de vez em quando e não terem que se deparar, a caminho do teatro, com a bestialidade da pobreza.

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Cidade privativa


8 comments Novembro 5, 2007

Propaganda, uma história cheia de sutilezas

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Fonte: Vintage Ads

“Dos sete aos dezessete…a ‘Daisy’ vai fazer deste, um Natal para ser lembrado”


3 comments Outubro 29, 2007

Eternas crianças

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Loja de grife, Rua Oscar Freire, São Paulo, 25/10/2007

A Rede Globo de televisão já teve sua programação infantil baseada em mulheres bobas que se diziam crianças (virgens, com dente de leite…) apresentando desenhos animados para “baixinhos e baixinhas”. A libido em desenvolvimento, claro, agradecia o atalho proporcionado pelos shortinhos curtinhos que elas e sua turminha de ajudantes adolescentes vestiam todas as manhãs.

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Loja de grife, Rua Oscar Freire, São Paulo, 25/10/2007

Houve um tempo em que a divisão entre as fases da vida de uma pessoa não existia, aptidão ao trabalho era a regra. Consegue colher a plantação? É homem. Não consegue mais? Está velho. Com a invenção da infância, determinado período da vida ficou reservado a certos cuidados, entre eles a educação para o trabalho.

A vida moderna, porém, trouxe uma série de confortos, vivemos muito mais e, digamos, se “relativizou” os conceitos das fases da vida. Encurtou-se o período da infância, da vida adulta e da velhice; a juventude começa cedo e termina tarde (se é que termina). O que, sob vários aspectos, não é ruim.

COLETE URSINHOS CARINHOSOS
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Fonte: Glam Guns

A cultura pop e sua supervalorização da juventude rapidamente formou um culto aos aspectos ligados a esta extensa fase da vida. Por que vender para um determinado segmento se você pode vender para qualquer um? Esta expansão depende de uma série de fatores, mas o resultado é que hoje motivos infantis são estampados em roupas para adultos e imagens ligadas ao universo adulto fazem parte do dia-a-dia das crianças.

Nada demais, mas uma fila de “meninas” de 30 anos no McDonald’s disputando o brinquedo da Hello Kitty ofertado pela rede, meninos de seis anos escolhendo telefone celular como presente para o dia das crianças e meninas de sete “fazendo escova” nos cabelos indicam que algo de estranho e exagerado está acontecendo.

RIFLE HK-AK-47 HELLO-KITTY
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Fonte: Glam Guns. Via: Neatorama

Propagandas com “bichinhos” anunciando cerveja, design infantilizado de produtos, apelos sexuais em publicidade de brinquedos e estimulo à competitividade no ensino básico são características da mesma enfermidade (Fonte: Apocalipse Motorizado)

Relacionados:
Pequenos grandes consumidores


2 comments Outubro 25, 2007

Infância tranqüila

APITO FORMATO SUICÍDIO

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Fonte: Boing Boing

ARMA DE BRINQUEDO SUICÍDIO

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Fonte: Glowfoto


1 comment Outubro 21, 2007

Automóvel Kids com “Tecnologia acalma-criança”

As crianças são aqueles seres pequenos que nos assustam. Suas faculdades são livres. Tratamos, então, logo nos primeiros anos, de transformá-las em pequenos adultos chatos, em trabalhadores informais, em mini craques do futebol, em vestibulandos ou outros seres sem criatividade.

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anúncio publicitário em jornal, 12/10/2007

A mídia se encarrega de transformá-los em consumidores, nós de impormos uma rotina enfadonha. O medo e o desejo de ser pai de um bem-sucedido-em-alguma-coisa constroem uma frágil prisão de aulas de inglês, natação e música; que, um ano mais tarde, ganha novo formato e se transforma em espanhol, judô, desenho; e, depois, em intercâmbio, capoeira e guitarra…

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anúncio publicitário em jornal, 12/10/2007

Toda essa rotina da classe média é feita de carro. A prisão móvel traz irritação aos pequenos, ainda não totalmente aclimatados ao ar-condicionado, ainda não totalmente acostumados a ficar sentados duas horas dentro de uma caixa de aço. A indústria automobilística, além dos brinquedos para adultos (tocadores de DVD, de CD, telefone viva-voz) investe cada vez mais em sossegar as Kids dentro de seus 16 válvulas.

Toda energia e criatividade prontas para se desenvolverem não têm espaço na cidade de São Paulo, os carros são mais importantes. Aos pais, também fatigados, resta frustrar e apaziguar os pequenos estressados com a repetição de desenhos em DVD oferecidos pela indústria que destruiu o espaço onde seus filhos poderiam viver em liberdade.

Lugar de criança é na rua, artigo, Apocalipse Motorizado
Mais espaço para as crianças, artigo, Apocalipse Motorizado
Enquanto isso, nos jornais da cidade degradada, artigo, Apocalipse Motorizado
Feliz Dia das Crianças? (assinantes UOL ou Folha de S. Paulo), artigo, Bia Abramo


3 comments Outubro 18, 2007

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