Posts Tagueados ‘criança’
Publicidade de lingerie tem criança de nove anos como estrela

A campanha publicitária da linha de lingerie infantil é estrelada por crianças e tem uma garota de nove anos de idade, irmã de uma celebridade Disney, como estrela.
As fotos em ambiente e poses sensuais são assustadoras e incluem poses junto ao poste de stripper
Abaixo, trailer de um filme essencial, o documentário Criança, a alma do negócio.
Notícia via Crazy day sand nights e Boing Boing (em inglês)
Relacionado:
http://www.publicidadeinfantilnao.org.br
, site, Campanha pela regulamentação da publicidade infantil no Brasil.
Criança, a alma do negócio, filme completo
Internamos crianças para poder dirigir
A poluição, às vezes quase abstrata nas notícias da grande imprensa, é fator determinante para o agravamento de muitos males.
No preço da gasolina e nos impostos não estão contidos certos detalhes.
O sofrimento e a morte de crianças vítimas da fumaça tóxica é um dos caros preços que pagamos por um sistema de transporte baseado no automóvel.
Ao pisarmos no acelerador para ir buscar uma criança na escola é como se pisássemos em sua própria garganta.
Sufocar crianças lentamente. Uma tortura silenciosa que realizamos diariamente.

> Para ampliar, clique na imagem
Fonte: SIM-DH
Relacionados: Na calada da noite, condenaram milhares de pessoas à morte, artigo, Vá de bike
Setembro

Foto: autor desconhecido
Justamente num mês cheio de ações questionadoras do modelo de deslocamento baseado no automóvel, este espaço ficou devendo as atualizações que os leitores mereciam.
Parte da equipe de jornalistas panópticos viajou ao Caribe, a convite da Associação Caribenha de Turismo e da CVC, para cobrir um evento fundamental para o desenvolvimento da sociedade brasileira; parte esteve jantando em ótimos restaurantes e entrevistando chefs, de modo a atualizar o Guia Panóptico São Paulo de Gastronomia, afinal, um país onde milhões passam fome tem que possuir uma referência na área.
Como nossos colunistas políticos estão nos Estados Unidos acompanhando as eleições do país que interessa e nossos colunistas sociais estão remodelando o Catálogo Bulimia Panóptica Fashion Verão 2009, restou este colunista que vos fala.
Entretanto, as negociações com anunciantes ecológicos, recepções a candidatos a prefeito preocupados, conversas telefônicas com especuladores desesperados e reuniões com advogados tributaristas vêm tomando mais tempo que o esperado.
Apesar do aperto das horas, seguimos contentes e pretendemos voltar à carga em breve.
Investindo no futuro

Foto: China Photo Press. Todos os direitos reservados
Os novos uniformes escolares desta escola chinesa falam por si.
Expor propaganda de cigarro no peito de crianças é proibido no país onde você fabrica seu produto? Faça-o na terra da promessa de expansão do capital.
Uma nuvem de fumaça alarma cidades de um pequeno país onde vivem bilhões de pessoas? Patrocine uniformes escolares hoje e venda carros e combustível enquanto o amanhã existir.
Via Marlboro Sponsors Children’s School Uniforms (em inglês)
Relacionado:
Ocidente é em parte responsável pela poluição da China, artigo, Ecologia Urbana
Sonhando com liberdade
A Ford presta um favor ao nos lembrar como é a vida de uma criança dentro de uma bolha de lata.
Para uma criança que vai de um local ao outro exclusivamente de carro, o mundo natural é um ambiente desejado e desconhecido. O desejo de estar e de tocar são cotidianamente frustrados pelos limites dos vidros verdes, do painel de design sofisticado e das travas automáticas. A satisfação deste desejo pode realizar-se apenas através da imaginação.
Se mostrássemos um prisioneiro recostado em sua cela silenciosa escrevendo um poema bucólico e ao final disséssemos suavemente “Prisão: veja as possibilidades”. Estaríamos sendo honestos? Estaríamos dizendo a verdade?
É isso que faz a Ford em sua nova propaganda que tem duas crianças como protagonistas. Vende a ilusão de que sonhar com a vastidão do mundo através de uma janelinha é melhor do que viver no vasto mundo.
Relacionado:
Automóvel Kids com “Tecnologia acalma-criança”
Por que construímos praças?

Praça Roosevelt, antes da interdição
Quem tem menos de 20 anos de idade e nasceu na região central de São Paulo talvez nem tenha conhecido uma muito bem. Mas praças são aqueles espaços públicos, de acesso livre, dedicados às pessoas. Carros, motos e cia. não são pessoas, então ficam de fora. As praças têm uma estrutura que permite às pessoas se encontrar, conversar, descansar etc. Sendo assim, bancos para sentar e espaços à sombra, ao sol, árvores e plantas são essenciais; algumas tem equipamentos dedicados às crianças, outras equipamentos ao esporte etc. (Essa não é a descrição de um arquiteto urbanista e sim de qualquer pessoa que tenha conhecido praças. É suficiente).
Com a valorização excessiva dos espaços privados, da cultura do shopping center e do automóvel as pessoas foram gradativamente deixando de caminhar pelas ruas. As praças viraram lugar de passagem e a única alternativa de moradia de quem foi descartado pelo mercado de trabalho ou expulso pela violência doméstica.
A administração pública preferiu privilegiar o lucro privado e incentivar a construção de centros de compra e entretenimento, hipermercados e “centros empresariais” por toda a cidade. Abriu mão de dirigir e deixou a especulação imobiliária brincar com o dinheiro e o espaço de moradia da população. O que não interessava ao capital ficou na escuridão.
Os veículos de comunicação voltados à classe média cobram o cuidado das praças e uma revitalização (cosmética) do centro, mas ninguém sabe para quê, uma vez que parte da classe média alta paulistana conhece a cidade e seu centro pela janelinha do carro e ignora, inclusive, que o bairro é também um local de moradia. Lembrando que tratam-se das mesmas pessoas que alugam bicicletas em Paris, caminham por Buenos Aires e tomam ônibus em Barcelona.
O paulistano corporativo vai até o cinema (ao lado do metrô) de carro, fica na fila do estacionamento, fica na fila do cinema, sai, pega seu carro, chega ao estacionamento do restaurante, fica na “espera” do restaurante e, satisfeito, finalmente, retorna à garagem de seu apartamento. Nas conversas do almoço reclama no abandono das praças, lembra quão ridículas são as demais cidades brasileiras (São Paulo é a única cidade do país onde existe vida inteligente) e como são belos os espaços públicos franceses.
Pouco importa, isso tudo é passado. Hoje as praças estão sendo revitalizadas. Não têm bancos para se sentar e em algumas há ruas cortando-as. O senhor dando milho aos pombos não pode mais matar o tempo. O bate-bola no canto da praça não pode mais rolar. O pedinte não pode mais existir.
O idoso, usando seu cartão fidelidade, visita atraentes famárcias-supermercados diariamente. As crianças correm dentro de apartamentos e brincam com babás no condomínio, com “toda a segurança que seu filho merece”. Os pedintes usam técnicas novas a cada mês, já que não existem mais esmolas depois que a solidariedade cristã foi subtituída pela responsabilidade social.
Complemento: A Praça Roosevelt que ilustra o texto foi recentemente interditada para reforma. A praça mais estranha de São Paulo é uma espécie de grande laje. Embaixo há um vão livre, onde havia um supermercado, uma organização civil, um posto policial e mais abaixo um estacionamento (!). Há pelo menos quatro anos o subsíndico de São Paulo fala em reforma.
Relacionados:
Como construir sua própria praça
Banco de praça à moda Matarazzo
Dez carrinhos, nove carrinhos…
A música infantil Ten Little Indians (“10 indiozinhos”) contém um humor negro, digamos, bastante acentuado. A canção é parodiada pela Jeep como “10 carrinhos”. E é bastante sintomático que a “morte” dos nove “pequenos veículos” seja o tema da propaganda.
Um a um os carros vão ficando pelo caminho. Com exceção do décimo veículo, que quebra, todos se envolvem em “acidentes” violentos. O nono e o oitavo carrinhos perdem o controle na serra, sobram sete. O sétimo “perde o controle” na pista escorregadia e se esborracha, sobram seis. Dois são engolidos por um caminhão-monstro e três batem quando corriam por entre árvores.
Segundo a canção, o carrinho que sobra é seguro e moderno e continua a rodar, rodar e rodar. Ao mesmo tempo assistimos ele passar por sobre rochas e outros obstáculos. Não poderíamos deixar de reparar que todos os “pequenos veículos” são SUVs, são concorrentes da marca em questão na categoria de tanques de guerra urbanos. Também vale reparar que a maioria dos “acidentes” é resultado de intempéries: chuva, neve, terreno acidentado. Um velho mito sustentado pelo lobby automobilístico.
É a primeira vez que vemos tantos acidentes num comercial de automóvel. As imagens são estilizadas como desenhos infantis. Perdem força e relação com o real ao serem apresentadas como fruto do imaginário infantil. Mas, de qualquer forma, temos a menção a “acidentes” envolvendo automóveis num comercial de automóvel.
As tragédias nos são apresentadas nesta propaganda por terem sido despidas de sua face real, despidas de sua constituição “trágica”. Estão na tela para demostrar que o único sobrevivente é comprar o carro propagandeado; que a única forma de se proteger de tais tragédias é, paradoxialmente, ser um dos 10 carrinhos.
Cidades publicitárias 2
Mais uma cidade onde as crianças pedalam e brincam sozinhas e tranqüilas pelo bairro.
Não, nada de mães puxando os filhos pelos braços para atravessar a faixa negra que separa os currais reservados aos pedestres, nada de pai assustado gritando “olha a rua, moleque”, tampouco grupo de crianças correndo para atravessar a rua “antes que abra o sinal”.
É o milagre do Natal! É a cidade da JC Penney, uma das maiores redes varejistas da terra do varejo.
Relacionado:
Cidades publicitárias, artigo, Panóptico
Lugar de criança é na rua, artigo, Apocalipse Motorizado








