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Cidade limpa e lucrativa

Texto muito relevante de Ethel Leon, que só li hoje via Fórum Centro Vivo.

Trecho:

(…) Em São Paulo, é fundamental que os futuros móveis incorporem serviços importantes, especialmente para a população de pedestres e usuária de transportes públicos. Até hoje, os abrigos de ônibus apresentam (quando apresentam) mapas mal desenhados; e raramente há informações sobre as linhas de ônibus.

Os atuais relógios (que marcam horas e temperatura) são, em realidade, enormes suportes publicitários. A empresa responsável por sua instalação é a Policrono, que teve renovado seu contrato com a Prefeitura até o final de 2008.

Seria desejável que eles fossem repensados. A Prefeitura poderia, por exemplo, exigir que uma percentagem dos relógios fosse destinado à propaganda de atividades culturais dos órgãos municipais e mesmo estaduais. Ou que fossem menores.

A cidade deve ficar “limpa” para tornar-se atrativa aos grandes negócios do mobiliário urbano. Nada impede, no entanto, que os novos móveis ofereçam serviços úteis à grande maioria. Designers, arquitetos urbanistas e população organizada podem, certamente, abrir espaço e contribuir nessas regulamentações.

Por Ethel Leon, em Revista Brasileira de Design


Add comment Abril 7, 2008

TV Out, propagandas em ônibus avançam

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Foto: Yuri Alexandre. Todos os direitos reservados. Reprodução autorizada pelo autor.

A lei Cidade Limpa, deixou a cidade livre de publicidade, com algumas exceções, claro.

Quem detém os espaços onde é possível fazer propaganda dentro da lei em São Paulo? Na prática, prefeitura, governo estadual e empresas por estes controladas. Com a lei Cidade Limpa a exclusividade dos espaços publicitários está, basicamente, nas mãos do proponente da lei.

Quem pretende pegar um trem de metrô, logo perceberá que nos túneis subterrâneos a lei da Cidade Publicitária é a única vigente. Bilhetes, catracas, colunas de concreto, escadas rolantes, laterais dos vagões, televisores dentro dos trens estão tomados de imagens de cremes, chocolates, universidades mercenárias e financiamento de motocicletas.

Quem utiliza um metrô e um ônibus, além de deixar R$3,60 para o sistema, entende que dentro destes espaços públicos de transporte em massa, o território é outro. Eles não pertencem a São Paulo. Nestes territórios a publicidade feroz é permitida.

Nos ônibus, os televisores têm sido a alternativa mais usada para encher a paciência visual dos usuários. A empresa Tv Out se soma a outras, como BusTv e TVO, e tem permissão para entreter os usuários com piadas, previsões do horóscopo e notícias enquanto tenta vender Mclanches, motos e fogões. A empresa espera instalar seus televisores em 1.500 ônibus até o final de 2008.

Poderíamos pensar “foi uma boa deter a exclusividade da publicidade de rua da cidade; afinal, é grana entrando que será investida em melhorias do transporte público”. Não, não existe um único usuário diário do sistema de transporte de São Paulo que possa dizer que algo melhorou no metrô ou nos ônibus publicitários.

Na teoria do livre mercado, o governo concede a algumas empresas privadas o direito de explorar os lucros de serviços básicos. As empresas lucrariam algum, o governo fiscalizaria o trabalho e receberia o troco, que seria reinvestido no sistema.

Na prática do livre mercado, a escolha das empresas que terão permissão para lucrar nas ruas é viciada. O governo é parceiro de uma máfia. Fica com o prejuízo, tampa o buraco financeiro das empresas com o dinheiro público, deixa que a eficiência do lucro tome conta e larga o usuário, mesmo pagando tarifas caras, na mão. O governo, que achava que era parceiro, logo percebe-se refém e que, mesmo que quisesse, precisaria de uma operação policial para se livrar da máfia. Para manter o esquema, as relações obscuras entre público e privado vão se fortalecendo. Sempre em prejuízo do público.


Add comment Março 20, 2008

TVO continua a invasão privada aos ônibus de SP

A empresa Bustv Brasil foi a primeira a se beneficiar do trânsito e da Lei Cidade Limpa. O trânsito mantém uma massa enclausurada todos os dias dentro dos ônibus, e a proibição dos anúncios externos garante a exploração privada dos espaços públicos internos (e externos, já que anúncios em equipamentos urbanos de propriedade do município são permitidos).

Em meio ao caos no sistema de ônibus na zona sul da cidade, a TVO, da produtora Mixer, inicia sua invasão nos ônibus de São Paulo.

O usuário compra um bilhete de R$2,30 que lhe dá direito a quatro passagens restritas as leis das empresas de transporte (estar com o bilhete cadastrado ou carregado, resolver tudo em até duas horas…) e, sem sua prévia autorização, disponibiliza à empresa e à prefeitura seu potencial dinheiro - seu poder de consumo.

Vale repetir o texto de março:

Você entra num ônibus do sistema público de transporte na Rua Augusta e só pretende chegar ao seu destino com segurança, respeito e rapidez, mas recebe uma propaganda do Mcbacon, uma porção de videoclipes de grandes gravadoras e um bocado de campanhas institucionais que dizem que você deve pagar seus impostos.

Segundo o presidente da Mixer, “a idéia é levar, principalmente, entretenimento ao usuário deste transporte público” (Fonte: Gazeta Mercantil).

Que ótimo, agora poderei assistir as tradicionais pegadinhas (na TVO, importadas) durante minha viagem até o trabalho.

Obs. O usuário que pegar um ônibus com o canal TVO paga R$2,30 e aluga para as empresas anunciantes apenas seu par de olhos, já que a TVO não tem som. Uma Grande vantagem em relação à Bustv, que aluga dos olhos e ouvidos pelo mesmo preço.

Relacionados:
Televisores invadem ônibus de São Paulo
Mixer lança TVO, de mídia em ônibus, notícia, Sandra Azevedo, Gazeta Mercantil
TVO está em fase de testes, notícia, Clube dos Criadores de São Paulo


3 comments Outubro 22, 2007

Ar Limpo

Junto com a notícia de que a despoluição do Rio Tietê, iniciada nos anos 90 e usada nas campanhas eleitorais da vida, consumiu 3 bilhões e suas águas continuam uma podridão só, vêm as declarações do prefeito Kassab de que a prefeitura de São Paulo pretende reduzir 30% da emissão de poluentes em até 3 anos.

Segundo reportagem de O Estado de S. Paulo a Prefeitura pretende renovar a frota de ônibus, utilizar motores menos poluentes, fazer inspeções anuais e já baixou decreto estabelecendo novos parâmetros para o transporte de carga no centro.

Segundo a reportagem o projeto Ar Limpo é uma continuação do Cidade Limpa, que determinou novos padrões para publicidade externa. Nas declarações nada de regras ou ao menos campanhas que limitem o transporte particular motorizado.

É um tanto simples perceber que ônibus levam um bocado de gente, caminhões um bocado de coisas para um bocado de gente e que carros levam normalmente uma única pessoa ao seu destino. A relação custo benefício é nítida, os grandes vilões da poluição do ar são os carros, conforme reafirmou o recém divulgado relatório da CETESB.

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Foto: serafini. Alguns direitos reservados.

É incrível ouvir as reclamações de motoristas revoltados com a fumaça vinda de caminhões que param ao seu lado no trânsito, os ímpetos de cidadania dos cavaleiros ignoram que as montarias que utilizam todos os dias também cagam e que, apesar da bosta ser menor, ela fede da mesma maneira.

Como nesta cidade carros são cidadãos, não há governante que ouse mexer com esse eleitorado e de fato iniciar um sistema de transporte baseado na sustentabilidade ambiental e no compartilhamento justo do espaço público. Sem a limitação radical da circulação de veículos particulares motorizados as ruas continuarão sendo negadas as pessoas e o ar pesando nos pulmões de todos - motoristas e não-motoristas.

Esse projetos-espetáculo-polêmiquinhas, batizados de “operação alguma coisa” ou “lei fulano de tal”, são, via de regra, paliativos e miram engordar o capital político dos envolvidos e o favorecer financeiramente empresas, pessoas e governos. No caso do projeto de despoluição do Tietê tivemos os favorecimentos e tudo mais, mas, 15 anos depois, diante dos resultados nem de paliativo podemos chamá-lo.

Relacionados:
Relatório de qualidade do ar no Estado de São Paulo - 2006 (arquivo .zip)
Poluição do Ar (verbete wikipédia)

Technorati tags: poluicao, pollution.


Add comment Maio 17, 2007


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