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Lição da bicicletada em três passos
Alguém pergunta: para quê? Alguém responde com outra pergunta: “em que cidade você quer estar?”

Foto: R. Motti. Alguns direitos reservados
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2 comments Setembro 2, 2008
Sexta e sábado, em São Paulo
Sexta: Bicicletada
Concentração lúdico-educativa às 18h. Tomada das ruas às 20h.
Na Praça do Ciclista, no canteiro central da Av. Paulista, junto à Av. Consolação.
Sábado: Exibição do Filme A Quarta Guerra Mundial seguido de jantar.
A história de um conflito global que permanecia silenciado. Diretamente das frentes de resistência no México, Argentina, África do Sul, Palestina, Coréia, Genova, Nova Iorque, Afeganistão e Iraque. Resultado de dois anos de filmagens dentro de movimentos de resistência em cinco continentes. (veja o trailer)
No Espaço Ay Carmela!, às 17h.
Rua dos Carmelitas, 140 (travessa da Rua Tabatinguera), Metrô Sé
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Add comment Agosto 28, 2008
Bicicletada São Paulo - 6 anos | Julho 2008
Sabe como é. Um vem, chama a amiga, que chama os vizinhos, que chama o pessoal do trabalho, que convidam as colegas de escola.
Seis anos de existência. A persistência de poucos tornou a Massa Crítica de São Paulo um protesto de muitos. E um protesto que inclui a reivindicação pelo direito de passear em paz não poderia deixar de ser também um passeio. Assim, a última sexta-feira do mês vai se tornando um evento paulistano contra o abuso do uso do automóvel.
Dois garotos sensacionais num só veículo se divertiram por quilômetros. Gritaram “vivas” de pulmões cheios e brincaram sem medo. Tomaram a cidade, suas descidas e subidas, numa bicicleta de carga. E desprezando as bolhas de “lazer completo” mostraram que lugar de criança é na rua.
O Grand Space Pinheiros ouviu as vozes da massa e a síndica desceu à portaria dizendo que não é contra o estacionamento de bicicletas no prédio. Vamos ver se os moradores optam pelo bom senso e voltam atrás.
O cachorro de um dos participantes desfilou por entre as bicicletas pela Avenida Paulista e mostrou a todos como era a cidade quando os cachorros não precisavam de coleiras. Sua colega mais timida, preferiu ir na mochila e aproveitar a brisa noturna.
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3 comments Julho 28, 2008
Condomínio proibe estacionamento de bicicletas
O Blog do Sakamoto divulgou a carta de um morador do Grand Space Pinheiros, um condomínio de classe média alta com grande space, mas que resolveu proibir seus moradores de estacionarem bicicletas na garagem.
Sem nenhuma justificativa cabível, os moradores decidiram proibir totalmente qualquer pessoa de guardar bicicletas no estacionamento do edifício.
(via CicloAtivando)
1 comment Julho 23, 2008
Bicicletada junina
Foi impressionante, não pelas bicicletas. Tratava-se, afinal, de uma bicicletada. E a cada protesto mensal o número de pessoas dispostas a tomar as ruas só aumenta.
Na teoria é bem claro: trata-se da luta contra o uso indiscriminado do automóvel e pelo direito de circular pela cidade utilizando uma bicicleta.
Na prática está tudo ligado à luta por uma cidade melhor. E foi isso o impressionante.
Pessoinhas com menos de 5 anos de idade, senhores de barbas brancas, jovens universitários, trabalhadores, jovens moradores do “outro lado da ponte”, mulheres, negros. Estariam todos querendo pedalar? Sem dúvida. Só isso? Claro que não.
O movimento rumo aos condomínios fechados, aos carros altos e largos e aos shopping centers avança com a força da mídia, da publicidade e com o empobrecimento da cultura. Parece ser o pensamento hegemônico, parece ser a direção natural da cidade e das pessoas. Assim parece, simplesmente, porque é a vontade dos que transmitem as informações que recebemos.
Na televisão, jornais e rádio, o trânsito, a fofoca e o controle são temas de todos os minutos. Não é possível folhear três páginas de jornal sem se deparar com um condomínio, um carro, uma bolsa ou uma celebridade.
São poucos falando para muitos. E falam sobre um mundo distante da vida nossa de cada dia. Apesar de desejos e valores serem criados em todos nós por meio dessa comunicação perversa, o questionamento sobre a direção da cidade e sobre a utilização de seus espaços, aparentemente, vem aumentando. A indignação e a noção de que o caminho “natural” pode ser mudado cresce entre os sem voz.
Algo parece estar errado no que a Globo, SBT, Record, Band e mais meia dúzia de canais nos dizem todos os dias. Se a vida num condomínio parece boa, ela é para uma minoria. A maioria não pode e não está interessada em morar entre muros, mas gostaria de ver seu filho jogar bola na porta de casa.
A bicicletada como um espaço de manifestação pelo direto a circulação de bicicletas, acaba por congregar diversas vontades que ultrapassam a vontade de pedalar. Que são resumidas na vontade de conviver e desfrutar de espaços e serviços públicos.
Quando vemos um pedestre enfrentar uma máquina que acelera sobre a faixa de pedestre, percebemos que aquele cara está cheio, que se cansou e resolveu agir. Pode ser uma sensação exageradamente positiva, mas na bicicletada junina esta sensação ficou evidente, principalmente, quando:
_chegamos à praça do ciclista e encontramos dois rapazes estreantes vindos de um bairro bem distante,
_pessoas que bebiam num bar ao lado do parque Trianon resolveram tirar fotos no meio da avenida paulista com a bicicleta trio-elétrico que participava da bicicletada,
_passamos em frente a um hospital em silêncio,
_alguns skatistas que desfrutavam das novas e lisas calçadas da Paulista nos acompanharam por um trecho,
_quando três garotas, na falta de uma bicicleta, acompanharam a massa de ciclistas correndo (sim, com os próprios pés - simplesmente sensacional),
_quando retornamos à praça e um sanfoneiro mostrava o valor da música ao vivo em local público.
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Fotos:
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Vídeo:
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Eu sei, foi no final do mês passado, mas isso aqui é um blog e nos damos algumas liberdades e os leitores, assim esperamos, também nos dão. As revistas, jornais e portais estão sempre com os assuntos em dia, publicando textos publicitários disfarçados de reportagens e publicidade disfarçada de reportagem.
Não garantimos notícias quentinhas, mas da publicidade vocês está livre.
3 comments Julho 8, 2008
Bicicletas e disposição sexual
Ótima propaganda que liga a atividade física proporcionada por deslocamentos feitos de bicicleta à vitalidade sexual.
Os horários mais baratos dos canais de televisão estão cheios de propagandas de fortificantes feitos de partes do tubarão, de cogumelos vitalizantes e folhas emagrecedoras. Os horários mais caros, cheios de cremes rejuvenescedores e pílulas enrigecedoras.
É muito bom quando vemos uma propaganda bem humorada na televisão que fala de disposição sexual sem vender nada.
Propaganda húngara.
(vídeo via Carectomy)
1 comment Junho 28, 2008
Minha primeira bicicletada
Apesar de ter prestigiado a pé algumas vezes, essa foi minha primeira participação com bicicleta. Após uma revisão geral, a bicicleta que me serviu durante a juventude em cidades mais tranqüilas, finalmente, conhece São Paulo.
Rumo à praça do ciclista, sob uma garoa chata e um frio danado, fui pensando que seria um daqueles encontros de poucos bravos. Chegando, logo me assustei, uma montoeira de gente. Aparentemente, não estavam apenas os ciclistas experientes, diferentes idades e tipos de bicicleta denunciavam a diversidade do movimento.
200 metros após a partida, numa das faixas de pedestres mais movimentadas da cidade, alguém agoniza embaixo da roda traseira de um ônibus. Polícia, bombeiros, ambulâncias, pedestres horrorizados. Seguimos pedalando pelo direito de se deslocar sem violência. A cena não foi uma coincidência, ela acontece a cada uma hora.
O que mais me chamou a atenção durante todo o percurso foram as diversas manifestações de apoio à massa de ciclistas. No trânsito parado da Av. Paulista, diversos carros abriam as janelas e faziam jóia ou davam tchau, outros buzinavam, vários motoristas perguntavam do que se tratava. Descendo a Rua Vergueiro, a seqüência de faculdades à moda shopping center também não foi uma coincidência no trajeto. São construídas às dezenas, próximas de estações do metrô principalmente. Vendem promessas a tantos ansiosos por educação e uma vida mais confortável que estão excluídos das melhores universidades.
Na praça da Sé, 9 da noite, um pequeno estacionamento ao lado da catedral sugeria que gente importante se reunia em alguma sala enquanto seu carro empobrecia o calçadão. Uma viatura policial se aproxima desconfiada. Um ciclista se aproxima, deixa panfletos. Conversam.
Uma senhora com um bolo, uma bolsa e mais umas três sacolas pára ao meu lado. Pergunta o que é. Coloca tudo no chão e começa a fotografar. Que beleza era aquele bolo no meio de uma noite fria bem no marco zero da praça da Sé, aquela mesma onde são experimentadas a vigilância por câmeras, a arquitetura anti-moradores de rua e a impunidade da punição das chacinas.
Quando a senhora avista uma ciclista de branco com a bicicleta cheia de flores, solta “aí, que lindo”, pede ajuda com as sacolas e sai correndo pedir uma foto em frente à escadaria. A naturalidade com que ela se deslocava pela praça com suas coisas deixou claro que para ela, como para muitos, independente da vontade de Andrea Matarazzo, a praça continua praça. Um camburão passa derrapando com rostos de ódio para fora da janela para nos lembrar de algo. Os policiais que ainda conversavam com os ciclistas olham de canto de olho. Fiquei imaginando se o cenário formado era uma coincidência.
No pátio do colégio, crianças correm e gritam atrás das bicicletas. Se tivessem uma… No silêncio da rua Boa Vista pessoas dormem. Na Prefeitura, a prova de que é fácil fazer um bicicletário, as grades que separam o povo de seus representantes fazem as vezes.
No minhocão (fechado durante a noite) a experiência de se deslocar de bicicleta, sem carro algum ao redor, se concretiza. No trecho da General Olímpico da Silveira buzinas enfurecidas. Dois motoqueiros tentam passar por entre os ciclistas. Atacam como são atacados pelos carros. Na esquina da Angélica, em mais uma pracinha que Prefeitura implanta a arquitetura da exclusão, um menino numa bicicleta vermelha com os olhos arregalados vê a multidão passar, seu pai, com o cachorrinho ao lado, sorri. Quase dez horas da noite e passeiam por lá, embaixo do minhocão. Coincidência? Na subida da Angélica, o trânsito de automóveis teve que esperar a subida das bicicletas.
Na manhã seguinte vou até uma livraria no Conjunto Nacional, deixo a bicicleta no estacionamento e paro para comprar uma água. A moça pergunta se o capacete é de bicicleta. “Ontem um monte de gente estava levantando as bicicletas no meio da Paulista, sei lá, parecia que iam jogar, não sei o que era, pareciam uns loucos”. Explico a manifestação e digo que estacionei bem ali, embaixo da loja. A colega dela se aproxima, faço o convite para a bicicletada e falamos do “acidente” da noite anterior, era um motoboy.
Uma noite sem coincidências.
Relacionados:
Placas, pessoas, praças e ruas, artigo, Apocalipse motorizado
Parem os Carros, Diminuem os Carros, artigo, Falanstério
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Atualização:
Esqueci algo que chamou minha atenção. À noite, a pé pela cidade, estamos acostumados a esperar muito pelo ônibus. De bicicleta foi possível passar por vários pontos de ônibus, um novo ponto de vista. Todos os pontos cheios! Fora da Paulista (que é servida de metrô) passamos por poucos ônibus. A “cidade que não pára” não tem transporte público de madrugada e às 22h as pessoas já definham nas paradas. Tratá-las com deferência estes companheiros é essencial.
9 comments Junho 2, 2008
Desconstruindo mitos
A boa reportagem de televisão acima acompanhou o engenheiro Paulo Guerra durante um dia. Faz parte do projeto de mestrado de Paulo deslocar-se por Lisboa, durante 100 dias, exclusivamente de bicicleta. De cara, descontrói um mito, o de que Lisboa é uma cidade de subidas impraticáveis ao ciclista comum.
Sobre
http://100diasdebicicletaemlisboa.blogspot.com/
Relacionados:
Quase 100 dias de bicicleta em Lisboa, artigo, Utilizar a Bicicleta na Cidade (site que indicou o vídeo)
Pedalar em Lisboa, Portimão e Leiden, artigo, O Nadir dos Tempos
Como em Bruxelas…, artigo, Menos Um Carro
Add comment Maio 20, 2008


















