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Como reconstruir uma cidade

Este sensacional desenho animado de 1948 não poderia ser mais simples.

Em oito minutos, uma bela explicação de como, através da mobilização da sociedade, tornar uma cidade mais agradável a todos.

Atualização
Rafael, leito do blog, contextualiza para nós o modelo de urbanismo apresentado no filme e questiona a participação popular no processo de construção desta cidade:

Trata-se do contexto das cidades-jardim inglesas, uma suposta alternativa ao “desenvolvimento” das cidades americanas a também uma possibilidade diferente do urbanismo modernista, só que também pautadas pela setorização, pela construção pré-ocupação, e, no limite, pela seleção de habitantes.

Mais uma forma de conceber uma cidade de cima para baixo, tais cidades necessitavam de um manual de instruções, pois tudo é diferente. Com o perdão da expressão, estas cidades não são naturais – são artificiais no sentido de que não são construídas de acordo com os interesses da população, mas sim seguindo um suposto modelo de bem-estar.

via Shane Glines’ Cartoon Retro

2 comments Dezembro 18, 2009

Uma bicicleta fora d’água

Duas linhas principais de propagandas de carros trazem, hoje, a bicicleta como protagonista. Até outro dia, tirar sarro de ciclista, associar bicicleta à pobreza e mostrar cada pedalada como sofrimento de quem não pode comprar um carro era a regra.

Com o crescimento da onda verde e as empresas não podendo argumentar contra, sob o risco de parecerem antiquadas, resolveram trazer a sustentabilidade para suas campanhas. E a bicicleta entrou nessa.

Bicicleta associada a pessoas antenadas, modernas, “cool” e imagens de aventura e comportamento despojado vem para agregar imagem aos modelos de carros.

Não houve um corte, uma virada. Continuam as propagandas que usam bicicleta e transporte coletivo para realizar comparações com os carrões, sucesso x insucesso, riqueza x pobreza. Porém, elas convivem com aquelas onde a bike figura como protagonista positiva.

Nesta propaganda da Fiat, numa primeira leitura, temos a clássica mensagem “deixe sua bicicleta para trás, compre o nosso caro”, mas, diante da atual moda da bicicleta, podemos ficar em dúvida se a intenção não foi utilizar uma bela bicicleta para… para alguma coisa que ninguém sabe o que é.

Add comment Dezembro 17, 2009

Um casamento público

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Num evento social tão valorizado como o casamento os sinais de status social estão todos lá reunidos. Como o automóvel é um dos nossos símbolos preferidos, normalmente, vale de tudo para arrumar uma carruagem que impressione.

Mas por que um casal que utiliza bicicleta no dia-a-dia não o faria no dia do casamento? Apenas por convenção? Afinal, o que diriam os vizinhos, a família e os amigos sobre uma noiva que chega de bicicleta?

Willian e Priscila nos lembraram que romper padrões não dói, é de graça e pode ser divertido.

Espanto, felicidade, admiração, excitação foi o que vimos pelas ruas por onde o casal passau. Funcionários deixando seus postos de trabalho, clientes saindo às portas das lojas, pedestres acenando, gritos, palmas, e, claro, motoristas contentes, buzinando, tirando fotos.

O casamento de Willian e Priscila foi um casamento público. O casal estava nas ruas. Sorriram, distribuiram flores, compartilharam a alegria do momento em público, sem convidados selecionados, sem hostless.

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No último par de décadas, nosso espaço público perdeu, meio sem percebermos, sua dimensão característica. Carros privados ocupam quase a totalidade do espaço, pedestres são xingados como invasores do asfalto sagrado, bancos de praça são removidos, crianças são orientadas a não jogar bola na rua, protestos públicos são reprimidos, gráficos são apagados dos muros e festas de rua só com uma dezena de autorizações.

O pedal do casório mostrou que existe disposição de grande parte da população para manifestações públicas e coletivas. Se um jovem casal e um grupo de ciclistas pôde fazê-lo, resta que os governantes tenham alguma vergonha.

Relacionados:
Coleção de notícias sobre o pedal do casório
Cidade em Guerra, artigo, Revista Vida Simples

4 comments Outubro 26, 2009

À beira do lago Titicaca

Um dos meios de transporte mais populares em Puno, no Peru, é o triciclo.

E quanto mais decorado melhor.

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4 comments Setembro 22, 2009

Bicycle Film Festival 2009

Bicycle film festival, a celebração da bicicleta através de filmes, arte e música

Add comment Julho 8, 2009

Mais e mais para a minoria: ampliação da Marginal Tiête

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Foto: Paulo Fehlauer, Alguns direitos reservados

Ontem, o governador de São Paulo inaugurou mais duas novas pontes no Complexo Anhanguera, um desperdício de R$ 400 milhões de reais.

Aproveitou para anunciar que construirá mais uma faixa na Marginal Tietê. E lá se vão mais R$800 milhões de moedas. Aos microfones o candidato Serra lançou: “Pode anotar e filmar. Não vai ter mais engarrafamento aqui”.

Na ocasião da inauguração da ponte Estaiada – em outra Marginal, a do rio Pinheiros – ela foi aclamada como maravilha da arquitetura, solução para o tráfego local, cartão-postal da cidade, “show de luzes” no natal e motivo de orgulho do povo paulistano.

Meses depois, além de painel de fundo para o telejornal da Globo, a maravilhosa ponte só sabe fazer trânsito. Levou baldes de carros para locais que não comportam mais nenhuma poça. Um dos remédios da CET foi acabar com o acostamento num trecho da Marginal Pinheiros e lá abrir mais uma faixa para os carros.

O problema é que esse trecho era o pedaço de chão que ciclistas e pedestres utilizavam para chegar aos bairros populosos da região. Os ciclistas, então, resolveram que esse cantinho deveria continuar como acostamento e repintaram a marca no solo sagrado dos automóveis.

A equipe armada de proteção ao motor foi chamada para garantir a desordem, e a carente CET ainda ameaça multar o povo que insiste em se deslocar utilizando as próprias pernas.

“Não vai ter mais engarrafamento aqui” é o que foi gritado aos quatro ventos quando a ponte Estaiada fora inaugurada.

1 comment Maio 7, 2009

Por onde minha bicicleta passa, outras tantas passarão

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Foto: Jessi Pervola em Contrail

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Foto: Contrail

Bicicletas não ficam paradas no trânsito. Basicamente, param apenas nos semáforos e quando os carros impedem completamente a passagem.

Esta agilidade ajuda a reforçar a percepção de que são poucos os ciclistas em São Paulo. Mas qualquer um que pare, durante cinco minutos, numa avenida qualquer para contar bicicletas, logo percebe que são muitos os ciclistas.

Muito divertida esta ferramenta que registra os ciclistas que passam pelas ruas. Bem com acontece com as marcas de uma trilha na mata – só que bem mais coloridas. Segundo o desenvolvedor:

Contrail é uma ferramenta para o desenvolvimento de comunidades de ciclistas. Enquanto você pedala, deixa uma linha de giz atrás de sua bicicleta. O objetivo é encorajar um novo ciclo de participação ao permitir que a comunidade de ciclistas deixe uma única marca na rua e revindique o direito de compartilhar o espaço.

O velho ciclo: Mais carros nas ruas -> maior perigo para o ciclista -> menos bicicletas nas ruas -> ainda mais carros nas ruas.

O novo ciclo: Alguns ciclistas deixam suas marcas nas ruas -> as marcas nas ruas geram curiosidade e lembram aos ciclistas onde é mais seguro pedalar -> novos ciclistas são encorajados a pedalar e a deixar suas marcas -> as linhas crescem conforme cresce a comunidade, formando uma grande marca. Livremente adapitado

Mais: Contrail

Relacionado:
As pegadas misteriosas no Eixão, artigo, Bicicletada DF
Manifesto dos Invisíveis, manifesto

3 comments Abril 17, 2009

Os Valets glamourosos

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No mês passado, a revista Veja São Paulo publicou mais uma matéria defendendo que os interesses particulares devem se sobrepor aos coletivos, na cidade de São Paulo.

Não se tratava, porém, da defesa de especuladores em detrimento de movimentos sociais, de desejos patronais sobre direitos trabalhistas. A defesa desta lógica se revela também em temas menores e apareceu na Veja no principal tema cotidiano da cidade, o trânsito.

Os carros de luxo que circulam pelos 180 metros do trecho entre as avenidas Faria Lima e Nove de Julho da Rua Amauri, famosa pela alta concentração de restaurantes badalados, no Itaim Bibi, podem se livrar do fardo de dividir espaço com os ônibus

O texto “Ônibus da discórdia” adota o conhecido estilo “absurdo pré-fabricado” e mentiroso para “formar opinião” a favor da parte mais forte e, consequentemente, sensibilizar os administradores públicos para uma solução rápida.

“Aí, os motoristas dos ônibus metem a mão na buzina e irritam quem quer comer com tranquilidade”, afirma Giliard dos Santos, funcionário da empresa de valet Golf Park.

É o avesso do avesso, o direito de carros coletivos passarem por ruas públicas vira “discórdia” em revista.

Antes de receber um glorioso “não’ da SPTrans, a rua Amauri recebeu centenas de ciclistas atentos aos ataques da mídia e dispostos a questionar a privatização da rua.

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Por alguns minutos a rua também contou com um serviço vip de estacionamento de bicicletas.

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Relacionado:
“Donos da rua” acham que ônibus atrapalham o Valet, artigo, Vá de bike!
Os caras-de-pau e Kafka sobre quatro rodas, artigo, Apocalipse motorizado

3 comments Março 27, 2009

Eles e elas pedalaram pelados

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Um ótimo comparativo para se entender, não apenas o que foi publicado sobre a Pedalada Pelada, mas como é a cobertura de um protesto pela grande mídia.

Aqui, todas as notícias reunidas.

Add comment Março 16, 2009

Bicicletada São Paulo – Fevereiro 2009

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Na bicicletada da última sexta-feira não dava para saber muito bem quantas pessoas pedalaram até a Praça do Ciclista para se encontrar com outras e protestar pelo direito de circular de bicicleta em segurança. A vista não alcançava.

Ciclistas tranquilos mais uma vez se depararam com motoristas irritados; motoristas cansados mais uma vez se depararam com ciclistas mal-educados; motoristas assassinos em potencial mais uma vez deram de cara com ciclistas dispostos ao enfrentamento.

A cada bloqueio de rua, a cada sirene sem propósito, a cada buzinada impaciente, a cada saudação dos que passavam, a bicicletada colocava seres em contato, ativava neurônios, despertava sentimentos variados.

O resultado das ações do grupo nunca é previsível. A massa desorganiza, confunde, desobedece e acaba por deixar frente a frente pessoas que não se encontrariam no cotidiano paulistano. O trânsito despersonalizado ganha rosto.

A falta de educação, de bom senso e a ignorância de uma sociedade desinformada, entretida com celebridades e publicidades variadas estão lá expostas, numa só noite.

É por isso que a bicicletada é sempre uma noite de riqueza espetacular (mesmo para aqueles que discordam de seus métodos, organização ou propósitos). É um evento que evidencia o estado de pobreza cultural e putrefação social em que vivemos.

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Uma vez ao mês, numa noite de sexta que seria apenas mais uma sexta da “balada”, cheia de abusos e mortes no trânsito, a massa de ciclistas coloca em cheque não apenas a cultura do automóvel mas o comportamento repelente paulistano.

Numa sociedade cada vez mais despolitizada, a bicicletada é hoje um dos poucos atos políticos sinceros em curso firme na cidade. É um evento de realização política, uma ação de pessoas que decidiram enfrentar a ordem imposta e retomar o curso de suas vidas. É uma noite pelo direito à reflexão, pela valorização do coletivo, pelo compartilhamento justo do espaço urbano e dos recursos.

Ao se tornar um movimento auto-organizado amplo, a bicicletada parece ter grandes desafios pela frente.

Sabendo que àqueles que, consciente ou inconscientemente, decidem que a pressa vale mais que a vida continuam nas ruas, o levante contra o Estado omisso às milhares de mortes no trânsito será sempre fator de união dos inconformados e facilitador do avanço da resistência.

Relacionados:
Caminhos da Massa Crítica, artigo, blog Transporte Ativo
Bicicletada São Paulo – Fevereiro 2009, galeria de fotos, panóptico
Mais relatos, fotos e cia, bicicletada.org

3 comments Março 2, 2009

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