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Parece pouco e é
VW BlueMotion: Emite até 15% menos de CO². Parece pouco, mas faz muita diferença
Após alguns ensaios, o discurso ecológico está hoje totalmente incorporado às campanhas publicitárias. O quanto vai durar ninguém sabe. Talvez um discurso mais interessante surja em breve e a ecologia seja abandonada, talvez demore bastante.
O apelo ecológico na publicidade se apresentará de diversas formas, como já vem sendo. A publicidade de certos produtos, porém terá muito que inventar e reinventar. Se a discussão dos problemas ambientais se ampliar, como vem acontecendo, os anunciantes terão cada vez mais dificuldade para convencer um consumidor informado.
Juntamente com a ampliação do debate ambiental, entretanto, temos o trabalho publicitário e político para garantir que os níveis de consumo alcançados se mantenham. Trata-se, por exemplo, de melhorar a educação sobre questões ambientais e de consumir produtos ecologicamente corretos, mas não se trata de formar críticos autônomos, tampouco de reduzir o consumo de supérfluos.
Enquanto o discurso ecológico ganhava força e, recentemente, deu um pique de importância entre a classe média brasileira; o discurso publicitário tradicional, o do consumo desenfreado, apresentando-se como a única forma de vida possível para um bípede brasileiro, consolidava-se como um estilo de vida.
Se em grande parte trocamos nossa identidade de cidadãos pela de consumidores, a consciência ecológica propagada pelos comerciais, obviamente, não trará sinais para reverter este caminho.
A redução do animal sociável com cérebro desenvolvido a comprador solitário já nos trouxe prejuízos suficientes. Retomarmos as noções de sociedade é um dos caminhos necessários para a consciência ecológica. E esse discurso não estará nos filmes publicitários.
Add comment Outubro 16, 2009
O carro do nosso tempo
O mundo que vamos deixar para os nossos netos depende do carro que estamos fazendo hoje. Fiat 500: o carro do nosso tempo.
Eu adoro quando as propagandas utilizam diretamente frases populares. “O mundo que vamos deixar para nossos netos” deve ter sido um dos primeiros chavões ecológicos em circulação nas esquinas, feiras e botecos.
Décadas depois, quem diria que ele apareceria numa propaganda de automóvel?
Claro que a indústria automobilística não se tornou ecológica, mas os publicitários não perderiam a oportunidade de tirar um sarro da onda verde na qual são, hoje, obrigados a surfar. E que melhor jeito que utilizar uma frase clichê em vigência por tanto tempo entre nós?
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1 comment Outubro 13, 2009
Obra viária para propagandear transporte coletivo

reprodução: planodeexpansaosp
Até na hora de propagandear investimento em transporte público, o governo de São Paulo só sabe falar de transporte individual.
Afinal, ao falar da integração entre estações de trem, que imagem ilustraria melhor o micro investimento em transporte coletivo do que a de uma ponte milionária por onde só passam carros e motos?
Os detalhes falam, muito.
Atualização
O Flavio percebeu que a foto publicada no site “Plano de Expansão” com a legenda “Ponte Estaiada” é, na verdade, a ponte que termina na estação Santo Amaro
4 comments Agosto 11, 2009
Nos calçadões de SP, carros são bem-vindos
Outro dia o secretário Andrea Matarazzo disse que os câmelos ocupam o espaço público e que não daria trégua a estes “distribuidores de contrabando”.
Entretanto, quem visita São Paulo sai daqui com ao menos uma certeza: o espaço público da cidade tem um único dono, o automóvel.
Nos últimos anos, o processo de abertura de avenidas e ruas, nos mais variados bairros, se intensificou. E o centro da cidade não escapou. Quando cada uma das faladas reformas de “revitalização” acaba, pode esperar: onde havia um largo, um calçadão, um espaço qualquer dando mole, surgirá uma rua para carros.
Nos calçadões do centro, todos os dias se vê câmelos correndo e, claro, carros circulando. Geralmente, são carros “especiais”. Carros-forte, carros do tribunal, da prefeitura, das secretarias, de todas as policias imagináveis, carros de centros culturais, e assim vai.
Trata-se de uma tolerância infinita com os automóveis. Os direitos dos pedestres, simplesmente, não são conhecidos e, portanto, não são fiscalizados.
Em qualquer cidade descente espera-se que num domingo de feriado as pessoas desfrutem do centro, que os turistas possam caminhar, passear, fotografar. Em São Paulo, o que se vê são, além de trabalhadores apressados, grupos de turistas perdidos dando com a cara na porta de prédios históricos.
No último domingo, mais uma vez, tinhamos o desprezo pelo espaço público materializado numa só cena. Guardas municipais com o celular em mãos, tirando fotos e admirando os carros coloridos sobre o calçadão. Ao lado, moradores de rua, apequenados a sua condição, aguardando a noite cair, quando os mesmos guardas os expulsarão das calçadas.
Mas quem enxerga desrepeito na invasão das calçadas? Ao questionar o fiscalizador, sempre são grandes as chances de você receber como resposta um “é rapidinho”, “é domingo”, “dá pra passar”, “não está incomodando ninguém”
Tiramos algumas fotos e fomos perguntar aos guardas metropolitanos o óbvio.
Panóptico: Vocês já ligaram para a CET?
Guarda Municipal 1: CET?! Mas por quê?
Panóptico: Aqui é área exclusiva de pedestres. Pelo menos é o que diz a placa.
Guarda Municipal 1: Hoje é domingo, não tem problema.
Panóptico: Não ligaram?
Guarda Municipal 1: Não precisa.
Panóptico: Eu vou dar uma ligadinha, então.
Guarda Municipal 2: Foi autorizado.
Panóptico: Tá certo.
Dois minutos depois, sabendo que haviam sido registrados pela câmera, ligaram a viatura e se mandaram. O poder de uma câmera fotográfica grande é impressionante. Seria um repórter ou algo assim? Melhor não arriscar.
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3 comments Julho 14, 2009
Protegidos e Desprotegidos
Os abençoados, os bem recebidos, os acolhidos, quem são?
Quem são os protegidos? Quem está do lado de dentro, guardado, olhado?
Os que dão com a porta na cara, que aguardam do lado de fora, que ameaçam, que definham e clamam, quem são?


E que tão elevado símbolo a cidade recebeu no mês passado! Após dois mil anos uma seguradora de automóveis, cordialmente e em letras bem grandes, fincou seu nome em praça pública ao homenagear o Apóstolo Paulo. Aos seus pés, pobres e miseráveis admiram a novidade. Certamente, um novo marco da cidade. Um símbolo de sua estreita ligação entre seus governos e a indústria do automóvel.


As imagens são da Praça da Sé e sua catedral, e da Igreja da Consolação.
A Igreja da Consolação está rifando um carro em prol da restauração do prédio, para tal acolheu sob seu santo teto o iluminado Volkswagen.
A catedral da Sé é cercada por grades, de forma a evitar que desabrigados se deitem junto a suas colunas. Todos os dias, do lado de dentro das grades, santos automóveis lá descansam, protegidos dos infiéis.
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Add comment Julho 6, 2009
Publicidade acima, ideais abaixo
Acompanhando as investidas do setor publicitário ficamos irritados facilmente com o conteúdo das mensagens, seus propósitos, entretanto, são conhecidos e mantém coerência com o objetivo final, o lucro. Já dando um rabo de olho nos blogs comerciais fica mais difícil reconhecer intenções.
O recebimento de presentinhos de empresas interessadas no público jovem talvez seja a tática comercial mais polêmica entre os blogueiros. Geladeirinhas, frases patrocinadas no twitter e outros trocados ainda geram algum debate.
Outros meios já tem essa questão melhor resolvida. Ídolos do gênero “alternativo de massa” como Marcelo D2 e João Gordo já emprestaram imagens de sua intimidade para ajudar a vender de tudo na MTV, principalmente.
Quando recebemos a notícia de que um blogueiro aceita vender a imagem de sua família para promover uma marca de carros não ficamos irritados; ficamos decepcionados, assustados, entristecidos.
A maneira como as coisas vem caminhando na internet brasileira é preocupante. Sim, é preocupante que num ato público contra uma lei que criminaliza na prática todo internauta, muitos blogueiros tenham preferido ficar em casa monetizando suas postagens; que tantos artistas que alcançaram sucesso graças à internet, tenham deixado a tarefa de manifestar discordância com o projeto para os manifestantes de sempre.
A despolitização dos grandes blogs não é difícil de entender, mesmo porque ela não é exclusiva da blogosfera. Os ideais da web vão caindo nos esquecimento, enquanto as propostas comerciais continuam chegando e a vida segue confortavelmente. Nada mais natural.
É preciso dizer: um Estado policialesco não vai investigar um site de postagens mornas sobre lançamentos tecnológicos e as últimas fofocas de Hollywood. Obviamente, situação inversa enfrentará sites de denúncias, críticas, de troca de informações políticas e culturais.
O produtor da Enxame.tv, Cris Dias, o personagem da nova campanha da Nissan, anuncia as esperadas críticas a sua atitude, porém, parece considerar desnecessário apresentar elementos para um debate.
Quando se entende que a internet é um ambiente de comunicação como outro qualquer, de fato, esses elementos são desnecessários. Se artistas punks podem vender carros, por que blogueiros não podem? Simplesmente, porque a web foi criada para mudar o padrão de comunicação na época vigente.
Ela cresceu espantosamente e agora passa por um processo de tentativa de controle por parte dos patrocinadores do velho modelo. As ofertas comerciais aumentam seu poder de sedução e abrem caminho para uma web banho-maria, cada vez mais parecida com os jornais e redes de tevê dos quais propunha se diferenciar.
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“Mudar o mundo aos pouquinhos” para que continue como está
3 comments Maio 15, 2009
“Mudar o mundo aos pouquinhos” para que continue como está
Duas indústrias à beira do colapso financeiro. A indústria automobilística e fonográfica, engessadas pelas barreiras que ergueram, atualmente se reservam basicamente a duas tarefas: combater o avanço das ideologias crontrárias e encontrar uma maneira vantajosa de absover os modelos de distribuição e promoção criativos destas.
Os fazedores de carros terão que moldar seus argumentos de propaganda à cultura ecológica que se espalha paulatinamente pela classe média – seu principal público. Os carros “verdes” são o investimento publicitário mais evidente dessa tentativa de adaptação.
A indústria fonográfica descobriu que a juventude estava disposta a esvaziar os bolsos para cultuar seus artistas preferidos e desde então viveu despreocupada e feliz. Quando a molequada deu um jeito de curtir um som sem gastar toda a mesada com míseros três discos, ela acordou assustada. Declarou guerra à pirataria e à internet. De nada adiantou.
A campanha da Volkswagem – ou “projeto”, como eles chamam – em parceria com a Trama Virtual não é apenas um belo retrato dessa crise de criatividade de ambas as indústrias. É, principalmente, um exemplo do funcionamento do trabalho publicitário de cooptação dos valores de liberdade de acesso a bens culturais.
3 comments Maio 11, 2009
Mais e mais para a minoria: ampliação da Marginal Tiête

Foto: Paulo Fehlauer, Alguns direitos reservados
Ontem, o governador de São Paulo inaugurou mais duas novas pontes no Complexo Anhanguera, um desperdício de R$ 400 milhões de reais.
Aproveitou para anunciar que construirá mais uma faixa na Marginal Tietê. E lá se vão mais R$800 milhões de moedas. Aos microfones o candidato Serra lançou: “Pode anotar e filmar. Não vai ter mais engarrafamento aqui”.
Na ocasião da inauguração da ponte Estaiada – em outra Marginal, a do rio Pinheiros – ela foi aclamada como maravilha da arquitetura, solução para o tráfego local, cartão-postal da cidade, “show de luzes” no natal e motivo de orgulho do povo paulistano.
Meses depois, além de painel de fundo para o telejornal da Globo, a maravilhosa ponte só sabe fazer trânsito. Levou baldes de carros para locais que não comportam mais nenhuma poça. Um dos remédios da CET foi acabar com o acostamento num trecho da Marginal Pinheiros e lá abrir mais uma faixa para os carros.
O problema é que esse trecho era o pedaço de chão que ciclistas e pedestres utilizavam para chegar aos bairros populosos da região. Os ciclistas, então, resolveram que esse cantinho deveria continuar como acostamento e repintaram a marca no solo sagrado dos automóveis.
A equipe armada de proteção ao motor foi chamada para garantir a desordem, e a carente CET ainda ameaça multar o povo que insiste em se deslocar utilizando as próprias pernas.
“Não vai ter mais engarrafamento aqui” é o que foi gritado aos quatro ventos quando a ponte Estaiada fora inaugurada.
1 comment Maio 7, 2009
O grande falo com motor: “Elas adoram subir num mais novinho”
Certas propagandas não nos animam a escrever. É o caso do material promocional de cervejas. São de uma obviedade, agressividade e machismo que não necessitam de comentários.
Essa loja de carros da Volkswagen, no interior paulista, parece ter se inspirado nas grandes cervejarias. Ao entrar no banheiro de um restaurante para aliviar a bexiga, você dá de cara com a frase “Sabe como é, elas adoram subir num mais novinho”.
Um garoto de seis anos sai no banheiro – de mãos limpas, como ensinou sua mãe – e, durante a fila do “quilinho”, resolve tirar a dúvida: “Vovó por que você adora subir num mais novinho?”
O pequeno faminto foi forçado a explicar de onde saiu tal ideia, recebeu os esclarecimentos de que se tratava de uma piada com carros e o almoço seguiu tranquilamente – com exceção da sobremesa que, mais uma vez, foi limitada pela mãe.
Num almoço despretensioso, a Profª Volks Wagen Bernardo do Campo, que leciona em variados meios de comunicação, ensinou ao querido Júnior que mulheres e carros são produtos. Produtos diretamente relacionados.
Tempos mais tarde, em casa, repentinamente uma dúvida vem à cabeça do pequeno. “Elas adoram subir num mais novinho. Mas, todas elas? Minha mãe? Minha vizinha? Minha tia? Minha irmã? Todas as mulheres? E os homens?”
Ao longo dos anos, a alfabetização de Júnior avança e ele aprende que mãe e filha não são mulheres. O mesmo se aplicando à mãe de sua mãe, às filhas de sua mãe e à mãe de sua filha (apenas enquanto estiver casado com ela).
Essas mulheres são simplesmente “mãe” e “filha”, por isso ficam livres das piadas de cunho sexual. Outras categorias do machismo podem e devem ser aplicadas a elas, mas essa é uma lição avançada que Júnior aprenderá, provavelmente, na prática.
Por enquanto, basta saber que, destacadas as exceções, todas as mulheres são produtos sexuais.
Ah, sim, os homens. Os homens que gostam de “subir” fazem parte de uma categoria exclusiva, e a ela dedica-se uma especial série de violências.
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PS. A quem interessar e tiver paciência:
O panóptico arrumou mais informação para se coçar e está no twitter @panopticosp
3 comments Abril 24, 2009
















